Aos 39 anos, Juninho encerra carreira antes de completar jogo 400 no Vasco
Por
questão física, Reizinho interrompe trajetória iniciada em novembro de
93 e deve ter último ato em amistoso de despedida. Faltaram sete
partidas para marca na Colina
Por André Casado, Edgard Maciel de Sá e Raphael ZarkoRio de Janeiro
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O
Juninho Pernambucano
que acordou na última quinta-feira para completar 39 anos de vida não
terá, a partir de agora, a mesma rotina que o acompanhou desde 1993. O
peso da idade não estava nos planos. O aniversariante do dia havia
adiado a aposentadoria no início de 2014 para disputar, ao menos, o
Campeonato Carioca. No estadual, o Reizinho estaria a sete jogos de
completar 400 pelo Vasco, clube que mais defendeu em campo: 393
partidas, com 76 gols, segundo levantamento do site "Futdados". Mas o
agora ex-camisa 8 acredita que não tem mais condições físicas de jogar
em
alto nível. Ele marcou uma entrevista coletiva na próxima segunda-feira
para explicar a sua despedida dos gramados.
Juninho não
treinava com o grupo desde sábado e, nos últimos dias, já vinha sendo
mais incisivo em conversas com dirigentes sobre seu desejo de parar.
Durante as suas férias, ele foi convencido pelo diretor de futebol
cruz-maltino,
Rodrigo Caetano, a realizar a pré-temporada para avaliar se jogaria o
Carioca. Desta vez, Roberto Dinamite e outros membros da diretoria
tentaram em vão fazer com que ele mudasse de ideia. Após a goleada do
Vasco por 4 a 0 sobre o Audax, em Volta Redonda, na quarta-feira,
o presidente vascaíno confirmou oficialmente o fim da contribuição de Reizinho ao futebol. O contrato que iria até
maio já previa a despedida dos gramados a qualquer momento.
Juninho no Vasco:
1995 - 28 jogos - 3 gols
1996 - 57 jogos - 13
gols
1997 - 51 jogos - 8
gols
1998 - 37 jogos - 6
gols
1999 - 57 jogos - 12
gols
2000 - 64 jogos - 12
gols
2001 - 1 jogo - 1 gol
2011 - 26 jogos - 5
gols
2012 - 50 jogos - 14
gols
2013 - 22 jogos - 2
gols
números do site 'Futdados'
O
último ato de Juninho em jogos profissionais foi em 10 de novembro de
2013, quando sofreu uma grave lesão na coxa
direita no jogo contra o Santos, pelo Campeonato
Brasileiro. Depois de uma longa recuperação que o tirou das cinco
rodadas finais da competição, o então camisa 8 vinha seguindo uma
programação especial preparada pelo
departamento médico do clube para prepará-lo para o Carioca. Mas o
Reizinho, vez por outra, reclamava de dores musculares pelo esforço. Em
sua única entrevista em 2014, no dia 15 de janeiro, ele já admitia que
estava difícil suportar
o ritmo da pré-temporada.
Foi no Lyon, da França, onde passou a maior parte da carreira e fez mais gols: oito temporadas e 100 bolas na rede,
embora com menos jogos que no Cruz-Maltino: 343. Mas foi no Vasco que viveu
os maiores momentos da carreira, incluindo dois títulos brasileiros, em
1997 e 2000, e uma Libertadores no ano do centenário vascaíno, em 1998.
Mas seus números em 2013 já vinham em queda se comparados aos anos
anteriores. O Reizinho retornou à Colina para sua terceira passagem,
disputou 22 partidas em pouco menos de seis meses, marcou dois gols e
não conseguiu evitar o rebaixamento da equipe para a Série B do
Brasileiro.
Juninho vem praticando surfe e stand up paddle, espécie de remo em pé na prancha (Foto: Wallace Barbosa / AgNews)
Números da carreira:
Lyon: 343 jogos, com 100 gols
Vasco: 393 jogos, com 76 gols
Na carreira: 882 jogos (oficiais), com 217 gols
Ao
todo, foram apenas cinco clubes que tiveram o privilégio de estar na
trajetória de Juninho no futebol: Sport, Vasco, Lyon (França),
Al-Gharafa (Catar) e New York Red Bulls (Estados Unidos). Por eles,
conquistou uma leva de títulos: um Campeonato Pernambucano, um
Campeonato Carioca, uma Copa
do Nordeste, dois Campeonatos Brasileiros, uma Taça Libertadores, um Torneio Rio-
São Paulo,
uma Copa Mercosul, sete Campeonatos Franceses, três Supercopas da
França, uma Copa da França, uma Copa Estrelas do Catar, uma Liga do
Catar e uma Copa Príncipe Crown do Catar. O Reizinho também jogou pela
Seleção, pela qual ganhou uma Copa das Confederações e um Torneio de
Toulon.
Amistoso de despedida
Apesar
da aposentadoria, o último ato de Juninho no futebol deve ainda
acontecer. Por mais de uma vez o ex-camisa 8 do Vasco comentou a
possibilidade de um jogo do adeus num amistoso contra o River Plate, da
Argentina. A possibilidade é analisada pela diretoria cruz-maltina.
Juninho Pernambucano ao lado de Luizão e Donizete no time campeão da Libertadores de 1998 (Foto: AFP)