Miesha Tate se empolga ao se ver em outdoors promovendo o UFC: 'Surreal'
Lutadora, que ajudou a colocar MMA feminino no evento,
jura não ter atenção em Cat Zingano desvirtuada por potencial revanche
com Ronda Rousey
Por Adriano Albuquerque
Rio de Janeiro
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Há um ano e um mês, a americana Miesha Tate estava envolvida na luta
que iniciou uma mudança de rumos para o MMA feminino. Então campeã dos
pesos-galos do Strikeforce, Tate fez uma luta muito movimentada contra o
fenômeno Ronda Rousey, cuja lenda aumentou com sua sexta vitória
seguida por finalização e a conquista do cinturão. Rousey se tornou
grande demais para ser ignorada pelo UFC, mas Tate também recebeu
reconhecimento por ter durado mais do que qualquer outra contra a
medalhista olímpica de judô, e inclusive recebeu elogios de Dana White,
presidente do Ultimate, que chamou o combate de "fator catalisador" para
a entrada das mulheres em seu evento.
Miesha Tate aparece em telão de hotel como destaque do TUF 17 Finale (Foto: Reprodução/Twitter)
Agora, a lutadora de Tacoma, EUA, está prestes a estrear no UFC, contra
Cat Zingano, neste sábado, com uma revanche contra Rousey e um papel de
destaque no famoso reality show The Ultimate Fighter em jogo. Apesar de
não fazer o evento principal do TUF 17 Finale, aparece junto a Zingano
em diversos outdoors e telões espalhados por pontos nobres de Las Vegas,
como uma das estrelas da promoção.
- Foi muito empolgante, eu mostrei para todo mundo! Olha meu rosto ali!
Uau! É bem surreal de um jeito, se ver em Las Vegas, numa das cidades
mais populares do mundo, ver minha cara numa tela gigante. Foi bem
maneiro - contou Miesha Tate, em entrevista por telefone ao
SPORTV.COM.
Apesar dos mimos que vêm com ser uma estrela do UFC, a lutadora jura
que não vê diferença entre lutar pela maior organização de MMA do mundo e
sua casa anterior, o Strikeforce, que virou propriedade da mesma
empresa que comanda o Ultimate em seus últimos dois anos de vida, antes
de fechar as portas em janeiro deste ano. A nova oportunidade de
enfrentar Ronda Rousey, algo que Tate vem pedindo desde que perdeu a
primeira luta, também não desvirtuou seu foco da missão de bater Cat
Zingano no sábado.
- Isso foi motivante. Não foi difícil de me focar, porque para
conseguir esse objetivo final, da revanche e da disputa do cinturão,
tenho que fazer meu trabalho, que é bater a Cat Zingano neste sábado.
Meu foco agora é só a Cat, é isso.
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Confira abaixo a entrevista na íntegra com Miesha Tate:
Tate posa com Anderson Silva durante passagem
pelo Brasil (Foto: Adriano Albuquerque)
SPORTV.COM: O que você considerou mais proveitoso em sua passagem pelo Brasil?
Miesha Tate: Eu aprendi muitas técnicas muito boas de
jiu-jítsu brasileiro, e me diverti muito aprendendo sobre a cultura. Foi
muito legal e realmente me diverti.
Você mencionou numa entrevista que gostaria de lutar jiu-jítsu com a Kyra Gracie. Já aconteceu esse "rola"?
Ainda não, ainda estou esperando! (Risos)
Para enfrentar a Cat Zingano, que tem o jiu-jítsu e o wrestling
como principais armas, esse período de treinos no Brasil foi
importante?
Vai ser de muita ajuda, com certeza. O jiu-jítsu brasileiro é uma arte
que você precisa ir até aí para experimentar a fonte do esporte.
Treinando com o Mestre Sylvio Behring, sinto que aprendi muito e, com
certeza, foi uma parte benéfica do meu treino.
Foi difícil manter o foco na luta com a Cat, sabendo que a chance da revanche com a Ronda está tão perto?
Isso foi motivante. Não foi difícil de me focar, porque para conseguir
esse objetivo final, da revanche e da disputa do cinturão, tenho que
fazer meu trabalho, que é bater a Cat Zingano neste sábado. Meu foco
agora é só a Cat, é isso.
Você já lutou várias vezes pelo Strikeforce e foi campeã, mas lutar no UFC é uma emoção diferente?
Na verdade, não, sinceramente. Sinto que é (o UFC) muito similar ao
Strikeforce. Não me sinto no UFC até ter minha primeira vitória aqui. Só
penso na luta, não penso no UFC nem no The Ultimate Fighter, só penso
em Cat Zingano. Se fosse qualquer evento, lutaria do mesmo jeito.
Treinei muito bem para essa luta e estou muito animada para ela.
Miesha Tate cultivou rivalidade com Ronda Rousey no ano passado e quer revanche (Foto: Getty Images)
Como você se sentiu ao se ver em outdoors nos principais hotéis de Las Vegas?
Foi muito empolgante, eu mostrei para todo mundo! Olha meu rosto ali!
Uau! É bem surreal de um jeito, se ver em Las Vegas, numa das cidades
mais populares do mundo, ver minha cara numa tela gigante. Foi bem
maneiro.
Você admitiu que se deixou levar pela emoção na sua luta contra
a Ronda. Como garantir que isso não te afete agora, na estreia no UFC, e
numa eventual revanche?
Não tem como garantir nada, e isso foi algo que percebi. Não posso me
preocupar com o que não posso controlar. O que eu posso controlar é como
eu lido com as coisas, se deixo algo me afetar ou não. Sabe como dizem
que felicidade é uma escolha? Eu fiz a escolha consciente de não deixar
as coisas me incomodarem como antes, não me estresso mais e me divirto
com elas.
Qual você considera que seria o maior desafio em treinar atletas no TUF 18?
Acho que o maior desafio será conhecer cada atleta diferente. Todo
mundo é diferente. Tem gente que quer que você berre com elas e as
empolgue, mas tem gente que fica nervosa com gritos, que prefere calma.
Tem gente que só quer se divertir. O mais desafiador é realmente se
sintonizar com cada lutador e suas necessidades para entrar na luta.
Que problemas você antecipa com a casa dividida entre homens e mulheres? Como mantê-los separados e focados no título?
Acho que isso vai ser com eles. Como treinadora, não vou assumir
responsabilidade com isso. Se eles quiserem ser idiotas, vai depender
deles. Meu treinamento vai ser voltado para quem quiser chegar ao topo e
ser vencedor.
O quão ansiosa você está para sábado à noite?
Eu não estou! Estou animada, é uma grande oportunidade e não vou aceitar nada além da vitória.