De volta ao Brasil, Rubens Barrichello garante: ‘Aposentadoria não existe no vocabulário’
Já está com algum plano em mente para 2013?
A principio, o pensamento é disputar de novo a Fórmula Indy (Rubinho correu junto com Tony Kanaan na equipe KV Racing). Ainda não estou com nada certo na KV, o Tony já possui um acordo. Isso está em aberto.
E o que está achando da breve experiência na Stock Car neste fim de temporada?
É uma curtição muito grande, porque não havia sido planejado. As situações mais legais da nossa carreira são essas. Não foi nada programado, aconteceu de uma hora para outra.
Sempre achei que, na vida, as pessoas não devem fechar portas para nada, nem ninguém. Se no futuro houver um convite, certamente estarei com o ouvido aberto à situação. Tenho muito a fazer ainda (Rubinho deixou a Williams em 2011).
Quais as principais diferenças entre a Fórmula Indy e a Fórmula 1?
São duas categorias diferentes, mas não faço o julgamento de qual é melhor, acho que não existe isso. Na Indy, a gente opera com um "budget" (orçamento, em inglês) menor, não podemos usar as mesmas parafernálias eletrônicas, é mais limitado. Mas uma diferença é que a gente fica mais perto do público, existe mais contato com as pessoas.
Mudou a forma como o público recebeu você?
Não mudou muito. Recebi o mesmo carinho das pessoas.
O que achou da aposentadoria do Schumacher?
Normal. Meu pai ensinou que a gente sempre precisa estar preparado, e a Fórmula 1 é momento — para experientes e para jovens. Hoje, qualquer piloto que não conheça a pista dirige no simulador e chega sabendo. Quando comecei (na F-1, em 1993), não havia isso.
E sobre os brasileiros que seguem na Fórmula 1?
Vejo que o (Felipe) Massa continua em uma equipe competitiva, sempre com uma chance de vitória. Isso é muito importante. Sobre o (Bruno) Senna, não posso saber ainda o que a gente pode esperar, não está com um ano muito fácil.
Parecia que o (Fernando) Alonso ganharia com facilidade, só que a Red Bull veio muito forte, o (Sebastian) Vettel dificultou.
A Fórmula 1 ficou mais dependente de patrocínios? Os pilotos com apoio ficam em vantagem?
Seria inválido falar que hoje, na Fórmula 1, o dinheiro vale muito mais que o talento. Em qualquer época, a Fórmula 1 foi dependente do dinheiro, que sempre andou junto, colaborou. É uma categoria muito cara. O que acho é que, em uma determinada situação, o dinheiro pode acabar fazendo a diferença para a escolha de um piloto. (Na Williams, Rubinho foi substituído por Bruno Senna, que é apoiado pelo Grupo EBX, de Eike Batista. O outro piloto da escuderia — que vive crise financeira — é o venezuelano Pastor Maldonado, patrocinado por uma estatal do país de Hugo Chávez).
O Massa passou por situação parecida com a vivida por você na Ferrari (jogo de equipes). O que você acha?
É uma situação muito polêmica. Sinceramente, ganho mais não falando nada.
Acha que hoje os brasileiros entendem melhor a forma como você levou a carreira?
Não penso que a visão das pessoas (sobre a minha carreira) mudou com o tempo. Sempre estive muito tranquilo em relação ao que realizei. Tem gente que não gosta e gente que gosta, não agrado a todo mundo. Porém, vejo que hoje tenho uma recepção mais legal ainda dos brasileiros. Diria que realmente consegui fazer com que entendessem a minha carreira.
O Twitter mudou a minha vida, de verdade. Porque agora quem segue a conta pode saber a minha versão sobre as coisas. No passado, foram contadas muitas inverdades, e alguns jornalistas preferiam a notícia ruim, porque vendia mais. Abriam-se blogs, com discussões, e as pessoas apelavam a palavrões. Agora, podem entrar no Twitter.
Pensa em aposentadoria?
É uma palavra que ainda não está no vocabulário.
Você sempre posta imagens de seus filhos (Eduardo, 11 anos, e Fernando, 7 anos) nas pistas e em karts. Deseja que sigam a carreira?
Com o esporte, nunca conheci as drogas, fiquei envolvido com situações erradas. Curto demais os meus filhos, e quero que sejam muito felizes. Se estiver na vontade deles, será também a minha vontade. Assim como se optarem por qualquer outra profissão
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