Jason quer luta sangrenta e prêmio de melhor da noite contra Stephens
Peso-pena diz que tem estilo parecido com o do americano e
revela que sempre vê seus oponentes como melhores que ele antes de
enfrentá-los
Por Adriano Albuquerque e Marcelo Russio
Goiânia
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A agressividade que demonstra no octógono pode fazer o brasileiro
Rony Jason
ter uma imagem dura, mas como ele mesmo diz, quem sobe para lutar é o
personagem. Fora do seu ambiente de trabalho, o cearense Rony Mariano se
assemelha mais a um lorde inglês do que a um lutador de MMA. Em
conversa com o Combate.com no saguão do hotel em que está hospedado em
Goiânia, para o UFC Fight Night no Combate: Belfort x Henderson, o
peso-pena cearense falou sobre sua preparaçãopara a luta contra Jeremy
Stephens, que abre o card principal do evento, e de como está sua
preparação para o duelo. Sempre acompanhado do amigo e parceiro de
treinos Jonas Bilharinho, a quem elogia e faz questão de ter por perto a
todo momento, Jason se disse tranquilo para a luta, mas garantou que
espera um combate sangrento e, se depender dele, premiado como o melhor
da noite.
- Por mais que a luta acabe cedo, não se pode dizer que uma luta é
fácil. A gente se prepara muito para 15 minutos, mas às vezes pode
acabar em um minuto. Eu sou um cara oportunista. Procuro não errar nas
minhas lutas, e a cada erro do meu oponente eu procuro agarrar como uma
grande chance. O resultado dos meus sonhos seria uma luta bastante
sangrenta e que fosse a luta da noite. Não pelo prêmio em si, mas por
ser uma grande luta, que fizesse um olhar no olho do outro depois e
agradecesse a oportunidade de dividirmos aquela luta. Essa seria a luta
dos sonhos, eu sair sangrando, deixar meu suor em forma de sangue na
batalha, e saber que os dois deixaram tudo que tinham lá no octógono.
Rony Jason quer que duelo contra Jeremy Stephens seja eleito Luta da Noite (Foto: Rodrigo Malinverni)
Para Jason, a luta entre ele e Stephens foi bem casada, já que, na sua opinião, os dois tem estilos muito parecidos.
- Acho que vai ser um lutão. O Stephens é um cara duro, e o tempo que
ele está no UFC mostra quem ele é. Ele tem três derrotas entre os leves,
que eu não considero derrotas. Um cara que perde por decisão dividida
para o Anthony Pettis e faz três rounds com o Donald Cerrone, que é um
nocauteador, não é bobo. Ele já estreou nos penas, bateu o peso e lutou
três rounds, que é difícil para quem desce de categoria. Eu e ele vamos
para cima dos adversários, temos isso de parecido. O Stephens lutando em
cima, no ground and pound, é muito forte. Usa bem o cotovelo, o que é
raro na minha categoria. Ele tem a mão dura, e tem uma combinação muito
perigosa, que é queixo duro e mão dura. Ele suporta muitos golpes e tem
poder de nocaute. Eu sou meio parecido com ele, e isso faz essa luta ser
interessante. Alguém vai cair. Eu nunca peço a vitória a Deus, só peço
que nenhum dos dois se machuque, e que o melhor saia vencedor. Mas não é
por isso que eu não vou correr atrás de vencer.
Perguntado sobre como vê seu oponente, o lutador surpreendeu, e disse
que vê Stephens como um lutador mais forte que ele, e revelou que para
ele, em sua categoria, o melhor lutador do mundo não é o campeão do UFC.
- Eu nunca me vejo como superior na luta. Sempre acho que o meu
oponente é melhor que eu, por incrível que pareça. Eu olho o Jeremy
Stephens e vejo que ele é mais forte que eu. Se eu ganhar dele eu subo
mais um degrau. Para mim o melhor do mundo na minha categoria, por mais
que eu seja fã do José Aldo, é o Patrício Pitbull. Ele me bate há cinco
anos e eu nunca ganhei um round dele (risos). Na minha opinião, depois
da luta enre Anderson Silva e Vitor Belfort, a maior luta do mundo é
José Aldo x Patrício Pitbull. Eu seria o primeiro cara a estar na frente
do córner ou da TV. Hoje o nível dos dois não tem comparação. O
Patrício é o meu ídolo. Eu me espelho muito nele. É um cara que, fora o
Minotauro, me ajuda muito nos treinos. Se eu tenho um ídolo, é ele.
Rony Jason disse que se espelha no amigo Patrício Pitbull (Foto: Rodrigo Malinverni)
A seis quilos de bater o peso dos penas - 66 kg - Rony Jason explicou
também como está cuidando desta parte e como faz para cortar os quilos
que faltam até a sexta-feira, dia da pesagem oficial do evento.
- Meu peso está bom. Falta tirar seis quilos ainda, mas ainda não fiz o
choque d'água, que é uma super-hidratação após se chegar ao limite da
dieta, quando o coprpo não tem mais o que perder dessa forma. Ingerindo
muito líquido, eu obrigo meu corpo a expulsar muito líquido, que não
fica retido porque já estamos com pouco açúcar e sais mineirais, por
conta da dieta. Normalmente eu deixo quatro quilos para perder no último
dia, e perco isso em um treino. Eu não fazia isso, mas agora, com
acompanhamento médico e de nutricionista, estou conseguindo bater o peso
com qualidade. Sempre sofri bastante, mas agora está indo tudo certo.
Faço um treino por dia e está tudo tranquilo. Eu estou deixando pra
sofrer tudo no último dia. A gente brinca dizendo que esse dia é "tiro,
porrada e bomba". Quanto mais eu maltratar meu corpo antes da hora, mais
tempo eu vou ficar debilitado, e mais difícil vai ser recuperar.
Com três vitórias seguidas no UFC, diante de Godofredo Pepey, Sam
Sicilia e Mike Wilkinson, e oito na carreira, Rony Jason diz não ter
pressa de chegar a uma disputa de cinturão, mas acha que ainda precisa
estar mais preparado para, quando chegar a hora, não simplesmente
disputar, mas conquistar e manter o título.
- O UFC é uma incógnita. Talvez, se eu ou o Jeremy ganharmos essa luta,
podemos ir para a disputa de cinturão. Entre os penas do UFC não há
muita gente expressiva para disputar o cinturão. Quem tinha já disputou,
e o UFC não vai repetir os caras. O Aldo já disse que está tendo muitos
problemas para bater o peso dos penas, e talve suba para os leves. Mas
eu quero me preparar mais ainda, porque não estou totalmente pronto.
Tenho que melhorar muitas coisas para chegar à disputa do cinturão,
porque não quero bater lá e voltar. Eu quero ser um dos tops da
categoria, como Georges St-Pierre e o próprio José Aldo, que tomaram e
seguraram o cinturão. Eu quero ser isso. Não tenho pressa de chegar lá,
mas quando eu chegar, não vou querer mais sair. Acredito que uma ou duas
vitórias me coloquem muito perto da disputa de cinturão.
Rony Jason acredita que vitória sobre Stephens pode lhe dar disputa de cinturão (Foto: Rodrigo Malinverni)
Após ter pedido publicamente para ser o técnico do TUF Brasil 3 ao lado
de Diego Brandão, o vencedor do TUF 14 nos EUA, Rony Jason revelou ter
ficado magoado com as críticas recebidas, principalmente por ter lido e
ouvido que não teria experiência para ser técnico no programa.
- Muita gente me criticou por eu ter pedido que eu e o Diego Brandão
fôssemos os técnicos do TUF Brasil 3. Disseram que eu não tinha
experiência. Como alguém pode dizer que eu não tenho experiência? Estou
nisso há 13 anos. Digamos que eu tenha, por tempo na minha área, duas
formaturas de medicina e um mestrado. Experiência eu tenho bastante,
estou no MMA há sete anos, e nas artes marciais há 13. Pouca gente sabe
que eu sou faixa-preta de kickboxing em Natal, do Bruno Gouvêia e dos
irmãos Pitbull. Tento não falar muito isso, mas quem prestar atenção vai
ver umas joelhadas voadoras e as combinações de mão e cotovelo. Hoje eu
treino muito mais em pé que no chão, mas tento manter o meu jiu-jítsu
treinando duas vezes por semana. Minha preparação é com Jonas
Bilharinho, os irmãos Pitbull, o Erivan e o Edélson, respectivamente
professores de boxe dos irmãos Nogueira e do Anderson Silva, e Everaldo
Penco no jiu-jítsu, que dispensa comentários. Ah! E o wrestling com eric
Albarracin, o "anãozinho" louco. Mas o fato é que eu ainda tenho muito o
que aprender. Meu boxe está nota seis, meu muay-thai está nota seis ou
sete, meu wrestling é nota sete no máximo, e só meu jiu-jítsu está
beirando o oito ou o nove.
O Combate transmite o UFC Fight Night Combate: Belfort x Henderson ao
vivo e com exclusividade neste sábado, a partir de 20h (horário de
Brasília). O Combate.com acompanha o torneio em Tempo Real e exibe em
vídeo ao vivo a primeira luta, entre José Maria No Chance e Dustin
Ortiz. Confira o card completo:
UFC Fight Night Combate: Belfort x Henderson
9 de novembro, em Goiânia
CARD PRINCIPAL
Vitor Belfort x Dan Henderson
Cezar Mutante x Daniel Sarafian
Rafael Feijão x Igor Pokrajac
Paulo Thiago x Brandon Thatch
Santiago Ponzinibbio x Ryan LaFlare
Rony Jason x Jeremy Stephens
CARD PRELIMINAR
Godofredo Pepey x Sam Sicilia
Thiago Bodão x Omari Akhmedov
Thiago Tavares x Justin Salas
Adriano Martins x Daron Cruickshank
José Maria Sem Chance x Dustin Ortiz