Musa confessa, empresária e futura juíza: Natália Gaudio no Selfie Olímpico
Com faculdade trancada pela Rio 2016, ginasta já sabe o que fará ao se aposentar. Fora do tablado, ela divide seu tempo entre séries, internet e ensaios fotográficos
Natália Gaudio vai disputar em agosto sua primeira Olimpíada. A disputa pela vaga com a compatriota Angélica Kvieczynski foi decidida no detalhe: a atleta do Espírito Santo carimbou sua classificação no Mundial de ginástica rítmica na Alemanha por uma diferença de apenas 0,117 pontos (46,766 contra 46,649). Detalhista e perfeccionista, aliás, são adjetivos que descrevem bem a capixaba, convidada pelo GloboEsporte.com para participar da série especial Selfie Olímpico. A cada selfie, uma retocada de maquiagem, uma posição diferente, um aparelho na mão... Aos 22 anos, a ginasta que vai representar o Brasil no individual é decidida: iniciou um empreendimento próprio na internet, curte o rótulo de musa e estuda Direito no intuito de, no futuro, quando pendurar as sapatilhas, ter um cargo alto, como juíza ou até delegada.
Natália começou a praticar a ginástica rítmica com apenas seis anos. Ela diz não se lembrar de sua vida antes disso. Suas brincadeiras sempre foram com a fita, a bola, o arco... A capixaba sempre abdicou de muito pelo esporte e diz que sentiu mais na adolescência, quando os colegas iam para as festinhas ou passear à tarde no shopping, e ela ficava sozinha. Apesar de ter se afastado de algumas pessoas, a esportista sabe que fez uma escolha.
Outra característica de Natália é a vaidade. O cuidado com o cabelo é meticuloso. O que mais a incomoda é o coque, que precisa ser feito tanto em competições quando nos treinamentos diários para não inviabilizar os movimentos. Segundo ela, fica "tudo seco". Por isso, a ginasta faz uso de muita hidratação para evitar que fique quebradiço. Aliás, a capixaba se preocupa muito com a aparência por ser um pré-requisito de sua própria modalidade. Musa? Ela gosta de ser chamada dessa forma. Quem não curte tanto é seu namorado Luiz Felipe, com quem tem um relacionamento que já dura três anos.
- Eu adoro, porque todas as ginastas precisam entrar na quadra assim como princesas, como verdadeiras musas. A ginástica rítmica é um esporte totalmente feminino, então acho que tem tudo a ver. Algumas outras musas que eu admiro bastante são a Bia e Branca, do nado sincronizado, acho elas maravilhosas, sigo elas no Instagram, então me inspiro muito nelas tanto pela garra que elas têm como atletas, como musas. Acho elas incríveis. Tem outras ginastas também, da Rússia principalmente, que me inspiro bastante, estou sempre vendo o Instagram delas, seguindo a moda delas. Eu adoro, sabe, ficar sempre ligada na moda, até na roupa de treino que elas usam, então acho que a gente vai estar ali representando as musas das Olimpíadas - comentou.
Agenciada pela Ford Model Sports, Natália faz ensaios fotográficos quando está fora do tablado. Alguns de seus hobbies são usar as redes sociais, que ela curte muito por serem canais de interação com seus fãs e uma maneira de mostrar um pouco mais de seu trabalho; ouvir música (seu estilo preferido é o eletrônico, mas do tipo mais pop, com vocais, dos DJs David Guetta e Calvin Harris, por exemplo). E, claro, ela gosta de se distrair com séries de Netflix. Suas preferidas são "Pretty Little Liars" e "How to Get Away With Murder", essa última por ter a ver com o Direito.
Aliás, Natália Gaudio é estudante de Direito. Almeja, no futuro, ser uma juíza ou uma promotora de Justiça. No momento, com o foco total na Olimpíada, precisou trancar sua faculdade no quarto período. Mas ela já se arrisca em um outro ramo fora do tablado. A ginasta está se lançando como empresária da internet e tem uma loja virtual com uma marca própria de roupas especiais para a prática de sua modalidade.
- Direito tem tudo a ver comigo. Sempre que na escola eu participava de atividades de advocacia eu ganhava. Já ganhei até medalha de honra ao mérito por ter defendido Lamarck (naturalista francês que personificou as ideias pré-Darwin) uma vez e ter feito todo mundo acreditar na minha teoria, então tenho poder de argumentação e de convencimento muito boa. Não vejo a hora de voltar a estudar para terminar a faculdade. Gostaria de conquistar um cargo bem alto no Direito. Da mesma forma como na ginástica nunca sonhei pequeno não posso sonhar pequeno na minha profissão. Agora mesmo estou lançando um site, uma loja virtual com roupas e acessórios de treinos para ginástica rítmica. Eu tive essa ideia há um tempo, porque aqui é bem difícil conseguir - explicou.
Apesar do lançamento de sua loja virtual e da carreira no Direito que está em stand by, o foco de Natália é em sua performance esportiva no momento. Recentemente, ela ganhou aliadas nesse quesito: as lentes de contato. A capixaba tem miopia e sempre usou óculos, mas, nas competições, precisava retirá-los. Quando começou a usar as lentes, diz que sua vida mudou.
- Esse ano eu comecei a usar lente, antes eu usava só óculos, né, mas pra competir não podia usar, e depois que passei a usar lente eu vi o quanto mudou a minha vida, assim, fez muita diferença, antes parecia que eu estava numa televisão antiga e agora parece que estou vendo o mundo em HD. E para mim foi maravilhoso porque agora eu enxergo os aparelhos bem melhor, e tenho certeza que facilitou muito minha apresentação e vai ajudar muito nas Olimpíadas também. Eu acho que a lente de contato é uma invenção que veio pra mudar o mundo mesmo - brincou.
Antes da ginástica, Natália sempre praticou esportes: surfe, vôlei, handebol, basquete e handebol foram alguns deles. Futebol também, mas ela não é lá muito fã da modalidade. Quando precisou escolher o que fazer, optou pela ginástica rítmica. A partir desse momento, sempre teve uma aliada, a técnica Monica Queiroz, que está com ela até hoje.
As duas viveram momentos bons e ruins, mas sempre foram amigas. O pior desses momentos foi um acidente em setembro de 2012 que vitimou a filha da comandante, a também ginasta Eduarda Queiroz. Natália estava no carro e sofreu apenas escoriações leves, mas levou uma marca que ficará para todo o sempre. A tragédia uniu a técnica e sua comandada.
- Eu e a Mônica somos praticamente inseparáveis. A gente passa a maioria do tempo juntos, passo mais tempo com ela que com minha família, meu namorado, e a gente já se entende com o olhar, acho que por tudo que já passamos juntas, pelos momentos ruins e bons, a gente soube superar todas as dificuldades e cada vez nossa amizade e a nossa parceria ficavam mais fortes. Eu sei que posso confiar nela de olhos fechados e ela também confia em mim muito. E esse é nosso segredo do sucesso porque estamos sempre juntas e uma dando força pra outra e isso é maravilhoso. Ela é como uma segunda mãe para mim, então em todos os momentos sei que ela vai estar ali do meu lado me dando forças e me ajudando.
Agora o momento das duas é de ainda mais união em prol dos Jogos Olímpicos. Se tiver um tempinho em sua recheada agenda, Natália pretende ver outros esportes. Se só puder ver um, escolherá o vôlei feminino. Apesar disso, gostaria de esbarrar na Vila dos Atletas com o jamaicano Usain Bolt, fera do atletismo, e com o nadador Michael Phelps, multicampeão olímpico. Além da experiência, de convivência com estrangeiros e compatriotas, de uma competição internacional e de todo o clima olímpico, Natália terá uma outra marca que ficará para toda a vida. Depois da Olimpíada, fará os arcos olímpicos em seu corpo.
- Vocês já devem ter visto que eu adoro tatuagem. Tenho três, mas tenho vontade de fazer outras, inclusive depois dos Jogos Olímpicos eu vou fazer os arcos olímpicos, acho que é clichê para um atleta, mas acho que não pode faltar. Além desse love no pulso, que significa pra mim que tudo na vida é feito com amor, eu tenho mais duas, uma aqui na costela, que significa: "a liberdade é o oxigênio da alma", e a outra na cintura, que significa: "a vida não é feita dos momentos em que respiramos, mas sim daqueles que tiraram nosso fôlego". São três frases bem marcantes, significativas para mim, tem um significado bem especial, e são todas escritas em inglês - finalizou.