sábado, 17 de janeiro de 2015

Perto de fazer história no UFC, Vitor Belfort afirma: "Sou viciado em vitória"

Se faturar o cinturão dos pesos médios contra Chris Weidman, lutador será o primeiro a ser campeão de três categorias. Esporte Espetacular exibe especial domingo

Por Rio de Janeiro

Ele detém o recorde de atleta mais jovem a ser campeão do UFC. Aos 19 anos, Vitor Belfort conquistou o título dos pesos-pesados e, depois, também foi campeão dos meio-pesados. Neste domingo o Esporte Espetacular exibirá uma entrevista com o brasileiro que está se preparando para lutar no dia 28 de fevereiro. Aos 37 anos, ele vai enfrentar o americano Chris Weidman com objetivo de conquistar o cinturão dos pesos-médios, o que ficou na posse de Anderson Silva por 10 defesas seguidas, desde 2006. Caso vença a luta, Vitor entra para história mais uma vez. Será o único lutador do mundo a conquistar o cinturão em três categorias diferentes do UFC. O foco e a determinação dele são impressionantes. Só pensa na luta e na conquista do cinturão.
- Só tenho uma coisa em mente. Chama-se Chris Weidman. Eu só penso nele. Eu sou viciado em vitória -  disse em entrevista ao Esporte Espetacular..
Thiago Asmar e Vitor Belfort em entrevista nos Estados Unidos (Foto: Priscila Carvalho)Thiago Asmar e Vitor Belfort em entrevista nos Estados Unidos (Foto: Priscila Carvalho)
A produção do Esporte Espetacular passou uma semana nos Estados Unidos acompanhando os passos de Vitor em casa, na academia, na fisioterapia, nos treinamentos e na rotina com a família. A reportagem de Thiago Asmar, com produção de Priscila Carvalho, será dividida em três momentos, em três domingos: trajetória da carreira, vida pessoal e família, e a terceira será com foco na preparação para a luta.
Um dos dramas pessoais do lutador foi o desaparecimento da irmã, Priscila, há 11 anos. Ele teve que superar o trauma para seguir carreira.  
- Eu aprendi que o sofrimento é a receita mais poderosa para você se tornar forte. É no sofrimento que a gente cresce – diz.
Neste domingo, o Esporte Espetacular começa às 10h, logo após o AutoEsporte








Sem casa desde 2013, ginástica artística inaugura CT "de arrepiar"

Atletas elogiam instalação que ficará dentro do local de competição do Rio 2016. Eduardo Paes critica Governo Federal e se desculpa por falta de locais de treino

Por Rio de Janeiro


Quando Jade Barbosa esteve pela primeira vez no novo Centro de Treinamento de ginástica, se arrepiou: “Isso tudo aqui é nosso?”. Nesta sexta-feira, atletas da seleção brasileira sentiram um gostinho do que terão à disposição, na inauguração do espaço montado na área de aquecimento da Arena Olímpica do Rio, justamente o local que vai sediar as três ginásticas nos Jogos de 2016. A cidade volta a ter um CT da modalidade depois de dois anos, quando o antigo velódromo foi derrubado. No discurso de inauguração, o prefeito Eduardo Paes se desculpou dos atletas pela falta de locais para treinamento e criticou o Governo Federal pela falta de apoio ao esporte de alto rendimento.
Centro de treinamento Time Brasil Ginastica (Foto: Reuters)Climatizado, CT tem equipamento da mesma marca que será utilizada em 2016 (Foto: Reuters)
- O desafio do Brasil é tomar vergonha na cara e apoiar o esporte como ele deve ser apoiado. Começar a investir de maneira mais enfática no esporte de rendimento. A Prefeitura do Rio entende que o esporte de alto rendimento tem que ter financiamento do Governo Federal. O papel da prefeitura é mais universalizar o esporte. Quero me desculpar com os atletas. O Rio é a capital das Olimpíadas e ao mesmo tempo tem falta de lugar para treinar. Tira o velódromo daqui, bota para lá. Deu problema no Maracanãzinho, no Célio de Barros... Sei que isso gerou muito conflito, mas quero dizer que nesta cidade o esporte de rendimento tem futuro. Quero garantir que esse centro de treinamento que está sendo inaugurado daqui não sai - disse o prefeito, lembrando que a Prefeitura construiu ou está construindo no Parque Olímpico as instalações que farão parte do Centro Olímpico de Treinamento (COT), as Arenas Cariocas, o Velódromo e os já existentes parque aquático Maria Lenk e Arena do Rio.
Em 2013, Diego Hypolito teve que deixar a cidade. Ele e outros companheiros foram para São Paulo, enquanto as meninas se dividiram entre a cidade fluminense de Três Rios e Curitiba. O bicampeão mundial de solo elogiou a estrutura do novo CT:
jade barbosa ct ginástica inauguração (Foto: Wilson Junior/Agência Estado)Jade treinará no novo CT junto com a seleção feminina (Foto: Wilson Junior/Agência Estado)
- Valeu a pena reclamar. As Olimpíadas começaram a partir de hoje. A confederação tinha feito 16 centros olímpicos pelo país, mas hoje a ginástica está sendo amparada na cidade olímpica. O equipamento é excelente e ainda tem essa estrutura toda na frente, de nutricionista, médico, psicólogo no mesmo lugar. Isso vai beneficiar muito. E ainda é climatizada, o que não tem no Brasil. Aqui é o coração das Olimpíadas e é muito bom poder me sentir em casa. Acho que agora podemos sonhar com medalhas olímpicas. Vou continuar treinando em São Bernardo e intercalar com períodos aqui - disse Diego, medalha de bronze no solo do Mundial de Nanning, no ano passado.
Campeão olímpico e mundial nas argolas, Arthur Zanetti, conta que sentia falta de um espaço para o time masculino do Brasil e que já conseguia sentir o clima dos Jogos:
- Aqui vai ser a área de aquecimento e já dá para sentir o clima das Olimpíadas. Os aparelhos são 100%, utilizados no mundo todo, e estão bem colocados. Todos os atletas vão querer conhecer.
estrutura custou r$ 2 milhões
Para montar a nova estrutura, incluindo o aluguel de sete apartamentos localizados bem em frente à Arena da Barra, o investimento da Prefeitura ficou em torno de R$ 2 milhões. As despesas de utilização e manutenção do CT giram na casa dos R$ 50 mil mensais, despesa a cargo do Comitê Olímpico do Brasil (COB). Além dos equipamentos de ginástica da mesma marca usada nos Jogos Olímpicos, o local de treinamento contará com equipamentos de análise de imagem, que deverão ser instalados em fevereiro. Desde o dia 5 de janeiro, 18 meninas passam boa parte do tempo na nova casa. 
- A gente montou uma série de ações para possibilitar a melhora na condição de treinamento. Elas moram em cinco apartamentos em frente à Arena. Contratamos uma empresa que traz a alimentação para cá, equilibrada e individualizada. As nutricionistas da empresa conversam com as nossas. Também temos uma psicóloga, trabalho grande de prevenção de lesão duas vezes por dia, dois fisioterapeutas e um massoterapeuta. Fechamos um acordo com uma escola da Barra, que vai fazer o ensino a distância para elas, mas com uma coordenadora pedagógica regularmente numa sala de estudos que montamos no CT. Montamos uma estrutura de transporte e fazemos um rodízio de mães, que ficam com as menores nos fins de semana - disse Jorge Bichara, gerente geral de performance esportiva.
artur zanetti ct ginástica inauguração (Foto: Danielle Rocha)Arthur Zanetti conhece o CT (Foto: Danielle Rocha)
As atletas baseadas no Cegin, em Curitiba, como é o caso de Daniele Hypolito, participarão de campings que serão promovidos. O primeiro está previsto para o dia 20 deste mês, na proxima terça-feira. A seleção masculina também passará alguns períodos no CT, e a expectativa é que os ginastas fiquem concentrados no Rio mais próximo do Mundial de Glasgow, que será disputado no período de 24 de outubro a 1º de novembro. Os únicos que terão o local como endereço definitivo serão Sergio Sasaki, Petrix Barbosa, Caio Souza e o técnico Renato Araujo.
Superintendente executivo de Esportes do COB, Marcus Vinícius Freire falou do papel decisivo do treinador da equipe brasileira, o russo Alexander Alexandrov:
- Ele foi o cara que me ajudou a dar pressão para ter esse centro. Tem tudo aqui. O Alexandrov disse que aqui tem o nível igual ao de qualquer centro de treinamento da Europa. E nosso trabalho é dar igualzinho ao que os nossos adversários têm. Estamos entregando para a molecada, e eles estão felizes da vida. Daqui a pouco mais de 550 dias, eles vão sair deste ginásio para competir ali, na Arena, a 50 metros daqui. E isso faz diferença.
Os atletas do Brasil poderão usar o CT até abril de 2016, quando a Arena Rio será entregue ao Comitê Organizador Rio 2016. A esperança é que em 2017 a promessa dele continuar seja cumprida.

Rodada do Mundial tem zebra argentina e artilheiro sem um dedo

Sul-americanos arrancam empate diante da Dinamarca. Croata canhoto Ivan Cupic, que perdeu o dedo anelar da mão esquerda, é o maior goleador no Catar

Por Doha, Catar
Depois de um dia de abertura com apenas um jogo, o da derrota do Brasil diante do Catar, o Mundial masculino de handebol teve um segundo dia agitado nesta sexta-feira, com a estreia de 22 equipes, incluindo o quarteto favorito ao título no Catar. Espanhóis e franceses, campeões mundiais e olímpicos respectivamente, tiveram dificuldades, mas abriram o Mundial com vitória. A Croácia também triunfou e, para isso, contou com o brilho do artilheiro canhoto Ivan Cupic, que não tem parte do dedo anelar da mão esquerda. A Dinamarca, por outro lado, foi surpreendida pela zebra Argentina. Os Hermanos arrancaram um empate muito celebrado diante dos vice-campeões mundiais. A rodada ainda teve clássico nórdico e jogadores do Bayern de Munique torcendo por Alemanha e Polônia.
Jogador Handebol sem dedo (Foto: Divulgação / IHF)Mesmo sem um dedo, Cupic foi o artilheiro da rodada do Mundial do Catar (Foto: Divulgação / IHF)
O SporTV transmite ao vivo os principais jogos do Mundial do Catar, incluindo a partida entre Brasil e Espanha, neste sábado, às 12h (de Brasília) - os assinantes do Canal Campeão também podem assistir à partida pelo SporTV Play. O GloboEsporte.com acompanha os jogos do Brasil em tempo real.
o artilheiro sem dedo
Tricampeã olímpica, a Croácia esperava ter vida fácil no Grupo B, com os adversários mais fracos em relação aos outros grupos. Só que a estreia desta sexta mostrou que o time dos Balcãs não pode relaxar para garantir a primeira colocação da chave. A Áustria fez frente aos croatas, que venceram por 32 a 30, empurrados pelas estrelas do time. Eleito o melhor do mundo do ano de 2013, o central Domagoj Duvnjak anotou seis gols. Ainda melhor foi o canhoto Ivan Cupic. O ponta-direita, que não tem duas falanges do dedo anelar da mão esquerda, anotou 11 gols e foi o artilheiro da primeira rodada do Mundial.
Cupic perdeu o dedo às vésperas das Olimpíadas de Pequim, em 2008. Aos 22 anos, ele sofreu um acidente bizarro. Seu anel de casamento ficou preso em uma cerca quando o croata tentava saltá-la, provocando a amputação das duas falanges superiores. Cupic continuou jogando em alto nível e ajudou a Croácia a levar o bronze nos Jogos de Londres.
zebra argentina
O resultado mais surpreendente da rodada foi o empate arrancado pela Argentina diante da vice-campeã mundial Dinamarca, pelo Grupo D. Com uma defesa forte, os argentinos por vezes marcaram individualmente o astro Mikkel Hansen e conseguiram neutralizá-lo. O melhor jogador do mundo ainda teve duas chances de dar a vitória aos dinamarqueses nos segundos finais, mas parou no goleiro na cobrança de falta com o cronômetro já zerado. O placar de 24 a 24 foi comemorado pelos sul-americanos como um título. O ponta-direita Federico Pizarro foi o destaque argentino, com oito gols.
Argentina arranca empate com a Dinamarca no Mundial de handebol (Foto: Getty Images)Mikkel Hansen cobrou falta com cronômetro zerado, mas não evitou o empate (Foto: Getty Images)




bayern na arquibancada
Neuer assistiu à vitória da Alemanha na estreia do Mundial de handebol (Foto: Reprodução/Instagram)Lewandowski e Neuer foram ao jogo entre Alemanha e Polônia (Foto: Reprodução/Instagram)
Também pelo Grupo D, Alemanha e Polônia se enfrentaram na rodada e tiveram uma torcida especial no Lusail Hall. Os jogadores do Bayern de Munique prestigiaram a partida. O atacante polonês Robert Lewandowski e o goleiro alemão Manuel Neuer rivalizaram na arquibancada. Melhor para o arqueiro, que viu a Alemanha vencer por 29 a 26 e apagar a má impressão deixada por ter chegada ao Mundial por um convite polêmico. A Federação Internacional de Handebol (IHF) tirou a Austrália da competição alegando que o continente da Oceania não tinha nível técnico para disputar a competição no Catar. Por ter ficado na quinta colocação no último Mundial, a Alemanha herdou a vaga.
cartão vermelho
No handebol, o cartão vermelho é algo raro, que os árbitros utilizam para agressões ou quando o jogador toma a punição de dois minutos por três vezes. Nesta sexta, o principal jogador de Belarus, Siarhei Rutenka, foi excluído com o cartão vermelho aos 18 minutos do primeiro tempo na derrota diante da Espanha. O árbitro considerou que ele agrediu o armador Viran Morros (veja o lance no vídeo). Rutenka não concordou com a marcação, mas teve que deixar a quadra. Os dois jogadores são companheiros de equipe no Barcelona.
clássico nórdico
Dos confrontos da primeira rodada, um dos que mais prometia era o clássico nórdico entre a Islândia, vice-campeã olímpica de Pequim 2008, e a Suécia, vice-campeã olímpica de Londres 2012. A torcida compareceu para apoiar as equipes e se vestiu a caráter, com as tradicionais fantasias de vikings. Em quadra, porém, o espetáculo não foi tão grande. Liderada por Niclas Ekberg, a Suécia passeou e venceu por 24 a 16 em partida do Grupo C.
Torcedores se fantasiam em clássico nórdico do Mundial do Catar (Foto: Divulgação/IHF)Torcedores se fantasiam em clássico nórdico do Mundial do Catar (Foto: Divulgação/IHF)




vitória dos bleus
Também pelo Grupo C, os franceses passaram sufoco, mas venceram os tchecos por 30 a 27. Atuais bicampeões olímpicos e campeões europeus, os Bleus contaram com boa atuação dos armadores Nikola Karabatic e Michael Guigou para garantir o triunfo. Cada um anotou sete gols.
França, de Nikola Karabatic, venceu a República Tcheca no Mundial do Catar (Foto: Divulgação/IHF)França, de Nikola Karabatic, venceu a República Tcheca no Mundial do Catar (Foto: Divulgação/IHF)

Tardelli dá adeus ao Galo e fecha com time chinês por cerca de R$ 17 milhões

Anúncio foi feito pelo site oficial da equipe, dirigida pelo técnico Cuca. Atacante aparece em foto vestindo a camisa do Shandong Luneng e deixa o Atlético-MG

Por Belo Horizonte
O Shandong Luneng, da China, anunciou oficialmente a contratação do atacante Diego Tardelli, que não é mais jogador do Atlético-MG. De acordo com o site oficial da equipe chinesa, o contrato foi assinado e o valor pago pelo atleta é de € 5,5 milhões (cerca de R$ 17 milhões). O texto publicado ainda diz que o trabalho do esportista foi acompanhado por quase três meses e ressalta o fato de já ter vestido a camisa da seleção brasileira.
Tardelli fecha com time chinês (Foto: Reprodução/Site Oficial)Tardelli fecha com time chinês (Foto: Reprodução/Site Oficial)
O Atlético-MG é detentor de 70% dos direitos econômicos do jogador. Quanto ao salário, estima-se que Tardelli vai receber algo em torno de R$ 1 milhão por mês durante o vínculo com o clube chinês. As conversas para a transferência do atacante começaram no final do ano passado. Em novembro, pouco antes do término do Campeonato Brasileiro, o jogador revelou que havia recebido uma proposta do exterior.
TARDELLI NO GALO: 110 GOLS, DUAS PASSAGENS E CINCO TAÇAS
A primeira passagem do atacante pelo Atlético-MG foi em 2009. Vindo do Flamengo, Diego Tardelli foi apresentado no dia 9 de janeiro na Cidade do Galo. No mesmo ano, o atacante se sagrou artilheiro do Campeonato Brasileiro com 19 gols, ao lado de Adriano, do Flamengo. Além da artilharia, as boas atuações com a camisa alvinegra, renderam ao atacante, convocações para a seleção brasileira, então comandada por Dunga. Em fevereiro de 2011, o Atlético-MG negociou Tardelli com o Anzhi Makhachkala-RUS. Após uma passagem discreta pela Rússia, o atacante acertou no ano seguinte com o Al-Gharafa-CAT.  
O retorno ao Galo ocorreu em fevereiro de 2013, quando o então presidente do clube, Alexandre Kalil, depois de uma longa negociação, desembolsou cerca de 5 milhões de euros e conseguiu repatriar o jogador. Após o acerto, o jogador foi recebido com festa por centenas de torcedores na sua chegada ao aeroporto de Confins. Ao lado de Ronaldinho Gaúcho, Bernard e Jô, Tardelli formou o quarteto que encantou a América, e ajudou o Atlético-MG a conquistar a Taça Libertadores de 2013.  

Após o fracasso no Mundial de Clubes, em que o clube foi derrotado por 3 a 1 nas semifinais para o Raja Casablanca, do Marrocos, e o início ruim da temporada 2014, veio o maior momento de turbulência de Tardelli no Atlético-MG. A má fase técnica e o desentendimento com o técnico Levir Culpi, após uma substituição na partida contra o Atlético Nacional-COL, juntamente com um suposto interesse do futebol asiático, chegaram a colocar o futuro do jogador em cheque.
Entretanto, Tardelli conseguiu superar a instabilidade e recuperou o bom futebol no segundo semestre. As boas atuações renderam o retorno à seleção brasileira. Já no final da temporada, o ápice – o gol marcado sobre o Cruzeiro no segundo jogo da final da Copa do Brasil (reveja no vídeo acima), que garantiu a vitória e o inédito título sobre o maior rival, veio coroar a segunda passagem do jogador pelo Atlético-MG.    
Com a camisa alvinegra, Tardelli marcou 110 gols em 219 jogos, e conquistou cinco títulos: os Campeonatos Mineiros de 2010 e 2013, a Taça Libertadores de 2013, a Recopa Sul-Americana de 2014, e a Copa do Brasil de 2014.
Diego Tardelli, atacante do Atlético-MG (Foto: Bruno Cantini \Flickr Atlético-MG)Diego Tardelli exibe o troféu da Copa do Brasil, última conquista dele no Atlético-MG (Foto: Bruno Cantini/Flickr Atlético-MG)

Palmeiras está perto de acertar com meia-atacante da Fiorentina

Ryder Matos, brasileiro que foi para a Itália com 14 anos, deve assinar contrato de empréstimo por um ano e se tornar o 16º reforço do Verdão para a temporada

Por São Paulo
Zapata e Ryder Matos Milan x Fiorentina (Foto: AFP)Ryder Matos (à dir.), em ação pela Fiorentina (Foto: AFP)
O Palmeiras está perto de anunciar a contratação do meia-atacante Ryder Matos, de 21 anos. O jogador pertence à Fiorentina e estava no Cordoba, da Espanha. Ele deverá assinar um contrato de empréstimo com o Verdão até dezembro. As informações são do Lancenet e foram confirmadas pelo GloboEsporte.com.
Revelado pelo Vitória, Ryder Matos deixou o clube baiano ainda adolescente, aos 14 anos, para se formar na base da Fiorentina. No clube italiano, chegou a ser emprestado para o Bahia (entre 2012 e 2013) e a aparecer com frequência entre os relacionados na temporada 2013/2014, mas, em agosto, foi emprestado para o Cordoba, onde não vinha sendo aproveitado.
Ryder Matos é tido como um jogador veloz e de bom drible, com características semelhantes às do argentino Allione, que iniciará a temporada como titular no amistoso contra o Shendong Luneng, da China, neste sábado, às 17h, na Arena (clique aqui e veja a escalação).
Ryder Matos será o 16º reforço do Palmeiras para a temporada - o meia Alan Patrick e o zagueiro Jackson ainda não assinaram contrato, mas são dados como certos. Além deles, foram contratados os laterais Lucas e João Paulo, os zagueiros Vitor Hugo e Victor Ramos, os volantes Amaral, Gabriel e Andrei Girotto, os meias Zé Roberto e Robinho, e os atacantes Dudu, Kelvin, Leandro Pereira e Rafael Marques.
Assim como os outros jogadores que chegaram ao Palmeiras por empréstimo, Ryder Matos vem com o valor dos direitos fixados, e o Verdão terá a preferência de compra.

Copinha chega às oitavas de final: veja o que chama a atenção em cada duelo

Palmeiras e Ituano disputam o único jogo entre paulistas, enquanto Flamengo e Atlético-MG fazem quase um "confronto de gerações" dentro da mesma categoria

Por São Paulo
Gabriel Fernando Palmeiras (Foto: Fabio Menotti/Ag Palmeiras/Divulgação)Gabriel Jesus é a arma ofensiva do Palmeiras (Foto: Fabio Menotti/Ag Palmeiras/Divulgação)
Restam apenas 16 clubes vivos na Copa São Paulo e, neste fim de semana, metade deles dará adeus ao torneio. Entre os duelos disputados, há jogos entre equipes com divisões de base tradicionais no futebol brasileiro, como Cruzeiro e Vitória, e confrontos entre times que jamais foram campeões da competição, como Grêmio e Goiânia. Saiba um pouco mais sobre os confrontos:
Palmeiras x Ituano: o único duelo paulista
Há apenas um confronto direto entre duas equipes paulistas nas oitavas de final da Copinha. Palmeiras e Ituano abrem as oitavas em um momento no qual as duas bases estão em alta. Os garotos palmeirenses, que marcaram 14 gols no torneio, veem a chance real de subir aos profissionais, como os companheiros Nathan e João Pedro. O atacante Gabriel Jesus, autor de três gols, é a principal arma ofensiva do time. No Ituano, que se reestruturou, há destaques individuais, como o meia Guilherme, o atacante Gabriel Braga e o zagueiro Luis Felipe.

Vitória x Cruzeiro: bases tradicionais, com boa relação
De Dida, em 1993, a Marquinhos, em 2014, a lista de jogadores revelados no Vitória que fizeram sucesso no Cruzeiro é grande, e inclui nomes como Alex Alves e Leandro, ex-lateral-esquerdo campeão brasileiro em 2003. Na mão inversa, estão jogadores como Ramon e Geovanni. Para o confronto da Copinha de 2015, marcado para as 16h, em Taubaté, os rubro-negros apostam na base vice-campeã da Copa do Brasil Sub-20, com destaques como o meia Nickson e o volante Flávio. No Cruzeiro, o nome a ser visto é Hugo Ragelli, autor dos dois gols da vitória por 2 a 1 sobre o Vasco na segunda fase.

Fluminense x Botafogo-SP: o artilheiro contra a boa defesa
O centroavante Isaac Prado, do Botafogo-SP, é um dos artilheiros da Copinha com seis gols marcados, mas, neste sábado, às 19h, será a principal arma de ataque de sua equipe contra o Fluminense, que tem uma defesa sólida e só levou um gol na competição. As duas equipes passaram da segunda fase nos pênaltis. Os paulistas, após empate por 1 a 1 com o Botafogo. O Flu, após um 0 a 0 contra o Bahia.

Grêmio x Goiânia: em busca do título inédito
As duas equipes nunca venceram a Copinha, e se enfrentam neste sábado, às 21h, em São José do Rio Preto. No Grêmio, vice-campeão de 1991, os volantes Arthur e Caio, o goleiro Guilherme e o centroavante Luis Felippe tiveram boa atuação na vitória por pênaltis contra o Paraná após empate por 1 a 1 no tempo normal. No Goiânia, que faz boa campanha pelo segundo ano consecutivo, o centroavante Ivamar é o principal nome.

São Caetano x Figueirense: o jogo da capital
O estádio Nicolau Alayon, do Nacional, receberá o confronto entre São Caetano e Figueirense neste domingo, às 10h. Será a única partida das oitavas de final da Copinha realizada na capital paulista. No Azulão, o destaque é o atacante Victor, 17 anos, um dos artilheiros do torneio com seis gols, dois deles na vitória por 3 a 0 sobre a Inter de Limeira. No Figueira, as atenções se voltam para o meia João Pedro.

Corinthians x Goiás: Augusto reencontra o Timão
Campeão mundial de clubes pelo Corinthians em 2000, Augusto, ex-lateral, reencontra o Timão, agora como adversário. Ele é o técnico do Goiás, que foi vice-campeão da Copinha em 2013 e aposta em jogadores como o volante Rezende e o atacante Carlos Eduardo. No Corinthians, atual campeão brasileiro sub-20, o objetivo é manter os 100% de aproveitamento e seguir adiante na competição. Para isso, o técnico Osmar Loss conta com a qualidade do trio de canhotos formado pelo volante Marciel, o meia-atacante Matheus Cassini e o lateral-esquerdo Guilherme Arana. O jogo está marcado para as 16h30 deste domingo, na Arena Barueri.

Flamengo x Atlético-MG: novos contra mais novos
O duelo entre Flamengo e Atlético-MG, marcado para às 19h de domingo, em Osasco, é o encontro entre duas equipes diferentes. O Flamengo, com jogadores mais próximos de atingir a idade de juniores, tem uma equipe mais experiente, com vários jogadores na segunda, terceira Copinha. Um exemplo é o centroavante Douglas Baggio, artilheiro do time com três gols. No Atlético-MG, a base é o time campeão da Copa do Brasil Sub-17, que eliminou o próprio Flamengo na semifinal com uma goleada por 6 a 1 e aposta no meia Bruno Tabata como principal jogador.

Criciúma e São Paulo: reencontro e "revanche"
Kalil, centroavante do Criciúma e autor de dois gols na Copa São Paulo, atuou por muitos anos na base são-paulina. E reencontra o ex-clube nas oitavas de final da competição. Boa parte dos jogadores das duas equipes se enfrentou na Copa do Brasil Sub-17 de 2013, quando o Tricolor paulista eliminou o time catarinense e iniciou a caminhada rumo ao título. Entre os remanescentes do confronto, está o atacante Andrew, do Criciúma, e o volante são-paulino Gustavo.
Isaac Prado, atacante do Botafogo-SP (Foto: João Valdevite / Agência Botafogo)Isaac Prado, atacante do Botafogo-SP, é um dos artilheiros da Copinha, com seis gols (Foto: João Valdevite / Agência Botafogo)

Quarentão, Beto resume a carreira:
Fla, Vasco, cachaça e aposentadoria

Identificado com o Rubro-Negro e torcedor do clube desde criança, ex-jogador relembra rivalidade: "Contra o Vasco eu queria jogar, dobrava. Eles ficavam p..."

Por Rio de Janeiro
Beto (Foto: Marcelo Barone)Beto posa ao lado da camisa do Flamengo que vestiu em 2001, ano marcado pelo tricampeonato sobre o Vasco (Foto: Marcelo Barone)
A ausência de cabelos brancos esconde a idade, assim como a boa forma física, atípica para grande parte dos ex-jogadores de futebol. Da época em que atuava no meio-campo, pouca coisa se alterou plasticamente: o riso fácil e as declarações apimentadas permanecem. A principal mudança está na cabeça e veio a reboque da maturidade. Ex-Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco e seleção brasileira, Beto completou 40 anos de idade no último dia 7 de janeiro e abriu as portas da sua casa ao GloboEsporte.com para, numa entrevista descontraída, passar a carreira a limpo.
Da época em que vendia picolé e trabalhava como empacotador de supermercado em Cuiabá (MT), onde nasceu, ficaram as lições de uma fase árdua. Trocado por 50 pares de chuteiras – pagos pelo próprio atleta –, Beto chegou ao Rio de Janeiro e deslanchou ao ser campeão brasileiro pelo Botafogo em 1995. Estourou no Botafogo e se identificou com o Flamengo, clube pelo qual torce desde pequeno; vestiu a camisa de Fluminense, Vasco, Grêmio e São Paulo; utilizou a 10 de Maradona no Napoli; e também atuou no Japão. Com a Seleção, faturou a Copa América. Foi uma carreira vitoriosa face às dificuldades.
Apesar das turbulências enfrentadas pessoal e profissionalmente, Beto teve cabeça para, hoje, ser dono do próprio nariz. Vive numa cobertura no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, com a esposa, Marcela, e os filhos Pedro Henrique e Heloísa. Em casa, camisas enquadradas e fotos em que aparece nos gramados remetem aos tempos de boleiro. Em vez de arrumar o meio-campo, agora o ex-jogador ajuda a administrar o buffet da mulher, mas espera virar empresário no futebol e sonha ver o filho – a quem ensina e aconselha – a seguir sua trajetória. Ser treinador, porém, não está nos planos de Beto.
– É dor de cabeça voltar à rotina de novo. Viagem, concentração (risos)... É melhor me deixar fora de campo mesmo. O jogador vai falar: "Você também fazia, não posso fazer (risos)?" Não dá para mim, não (risos) – diverte-se.
Beto (Foto: Marcelo Barone)Ex-jogador curte o terraço de sua cobertura, que fica a duas quadras da praia (Foto: Marcelo Barone)
Confira a entrevista completa:

Você passou por momentos complicados no Mato Grosso. Como lidou com eles?


Foi difícil, sofrido. Meus pais me ajudavam muito, e trabalhei bastante. Com 10 anos eu vendia picolé num sol de 40 graus na cabeça, fui empacotador no supermercado que meu pai trabalhava, limpei peixe de madrugada na feira do porto de Cuiabá, carpei quintal, fiz de tudo um pouco. Tinha o sonho de jogar futebol. Falo até hoje que sou realizado, porque todas as metas que tracei eu alcancei com êxito. Quando vim para Nilópolis, onde a família do meu pai morava, no Rio, fui ver um Fla-Flu em um Maracanã abarrotado. E pensei: "Imagina eu jogando aqui?" No ano seguinte eu estava fazendo preliminar.
Você se mudou para o Rio de Janeiro pouco tempo depois e vivenciou a euforia de uma cidade grande. Por que começou a andar armado?
Foi aquela empolgação. Pelas companhias, você é induzido aos erros da vida. Mas tive cabeça boa para ver que aquele não era meu caminho, não era para mim. Quem tem de andar armado é policial, como sempre falo. Às vezes até por precaução, negócio de torcida, coisa assim, confusão, mas nos conscientizamos de que não é para nós. Trabalhar é focar no futebol, ter amizades boas, e pensei muito. Vejo os erros do passado e falo: "Era maluquice". Hoje penso diferente, tenho família, filhos. Trazendo uma imagem ruim, criamos a criança num ambiente ruim. No Mato Grosso foi onde experimentei drogas e vi que não era aquilo. Parei. Andar armado foi na época de profissional, no Botafogo, no Flamengo. Tinha amigo policial, que andava comigo. Eu achava o máximo e queria fazer o mesmo. Hoje é tranquilidade.
Houve deslumbramento pela fama? 
Falo por mim, porque cheguei em 93. No ano seguinte o Brasil foi tetra e eu ainda estava na base do Botafogo. Fui chamado para completar o treino e fiquei. Em 95 estava na Seleção principal. Não enfrentava fila nos lugares onde chegava. Arrumavam mesa no melhor local, era tratado de outra maneira. Quem veio lá de baixo e não tinha nada, quando chega a um lugar cheio e é tratado como rei, com mesa cativa e entrada pelo outro lado para não pegar fila, se deslumbra, sim. Tem que ter cabeça. O Rio de Janeiro acaba com qualquer jogador novo. Se não tiver cabeça, vai se afundar, porque não está acostumado a assédio. Para chegar ao topo é rápido, e para cair, mais rápido ainda.
Você conquistou vários títulos, ficou famoso e jogou por grandes clubes, além da Seleção. Ainda se surpreende por ter sido trocado por 50 pares de chuteiras?
Isso virou uma história que até hoje me perguntam: "Beto, esse lance é verdade?" E o detalhe é que quem pagou (pelas chuteiras) fui eu, não foi nem o Botafogo. Paguei com meus primeiros salários. Parcelei o pagamento em dez vezes e fui pagando com muita felicidade, mas não doei para o clube (Dom Bosco, do Mato Grosso), que não me dava um real. Dei para o Jamil, que trabalha lá até hoje, carregando bola, chuteira, ajudando os garotos. É um cara que não teve reconhecimento de quase ninguém. Foi através das chuteiras que vim ao mundo do futebol. Hoje vemos um jogador de 15 anos ganhando 40 mil reais. Surreal. Quando chega com 20 acha que está bem. É um absurdo. Quando fui convocado para a seleção brasileira em 95, meu salário era de R$ 1.500. Era destaque no meu clube, mas fui para a Seleção ganhando isso. Imagina se fosse a época agora, nossa senhora! (risos)
Mosaico Beto (Foto: Arquivo Pessoal)Ex-meio-campista, que brilhou no Rio de Janeiro, passou também por Napoli e Seleção Brasileira (Foto: Arquivo Pessoal)

Falando em pagamento, o que fez quando recebeu seu primeiro salário?
Fomos jogar a despedida do Ronaldo: Botafogo e Cruzeiro, no Mineirão. Cada jogador ganhou R$ 600. Eu era louco por tênis, e na época a Mizuno tinha lançado um muito bonito. Falei: "Vou comprar". Fui no shopping e comprei por 400 e poucos reais. Os caras falaram: "Você é maluco!". Eu ficava contando o dinheiro o tempo todo. Era muito dinheiro na mão. Ganhava 300 e naquele dia ganhei 600 num só dia. Era dinheiro para caramba. Quando cheguei na concentração os caras ficaram malucos. Eu realizei um sonho. Marcou bastante. Os caras me zoaram, mas senti o prazer de comprar uma coisa com meu esforço, meu dinheiro. Logo em seguida, fui para a Seleção, ganhei um patrocínio da Nike e pensei: "E agora? (risos)." Eu podia ter esperado mais um pouquinho para ficar todo de Nike (risos).
Que momento acredita ter sido o melhor da sua carreira?
No Botafogo minha trajetória foi muito boa. Na Seleção principal também... No Napoli, usei a camisa 10 do Maradona, o maior ídolo da história do clube. E fui bem lá. No Flamengo teve o tricampeonato e a Copa dos Campeões. Fui o capitão do time, estava muito bem, ali deslanchei. Em 99, achei que seria convocado para a Copa América e não fui. Nunca esqueço. Mas numa quarta à noite, estava num hotel no Espírito Santo assistindo ao Jornal Nacional e vi o pessoal treinando. Pensei: "Sacanagem, era para eu estar lá, mas o cara não me levou." E vi no canto o Leonardo conversando com o Luxemburgo e com a comissão toda. No dia seguinte, me chamaram. Recebi a ligação e nem acreditei. O Leonardo pediu dispensa, e o Luxa mandou me chamar. Foi um presente e fomos campeões.
Você falou algumas vezes na seleção brasileira, e inclusive a camisa está num quadro no alto da parede desta sala. O que representou a amarelinha?
Foi o ápice de tudo. Quando você chega lá é igual trocar de cargo: está na empresa desde o início e quer ser gerente, chegar no topo. Todos têm o sonho de jogar na Seleção. Fui campeão, fiz gol. O Brasil tinha sido tetra em 94, e eu praticamente estava com eles em 95, vestindo o mesmo material. Dunga, Jorginho, Taffarel, Aldair, Roberto Carlos, Ronaldo... Passa um filme na cabeça, você não imagina que está ali com eles. Para acordar desse sonho disso é difícil. Fui um privilegiado.
Teve algum gol mais expressivo nesses anos de carreira?
Um que marcou bastante foi contra a Argentina, na final do Pré-olímpico. Estávamos perdendo por 2 a 0 e fiz o primeiro gol, de esquerda. O jogo acabou 2 a 2 e fomos campeões lá dentro (assista à reportagem sobre o jogo no vídeo abaixo). Esse gol marcou não só a mim, mas muita gente, que fala comigo: "Aquele gol contra a Argentina, hein? Que chutão!" E eu não chutava a gol (risos). O Zagallo que martelou isso na minha cabeça. Quando o treino acabava, eu tinha a mania de ir logo tomar banho, e o Zagallo falava: "Pode voltar". Ficávamos o Danrlei, que era o goleiro, e eu treinando finalização. Fui pegando e, desses treinamento, comecei a fazer gol de fora da área. Passei a ver que, quando você trabalha um pouco mais, consegue êxito.

Há 15 anos você fez embaixadinhas na final do Carioca, contra o Vasco. Ainda é parado pelos torcedores para falar deste lance?
(Risos) A galera ainda fala bastante disso. Falei para os meus companheiros que faria uma surpresa, mas teríamos de ganhar. No fim, falei para o juiz: "Professor, quando estiver para acabar, o senhor me avisa". Aí ele respondeu: "Beto, não vai me ferrar, não, né?" Quando estava para acabar, ele mesmo veio até mim e falou: "Falta tanto, vou encerrar". Aí a bola estava com nosso time, a torcida pedindo, fui lá na lateral, levantei a bola e saí fazendo (a embaixadinha) (assista à reportagem sobre o clássico no vídeo abaixo). O Maracanã desabou (risos).

Você sempre admitiu ser torcedor do Flamengo. O que acha dos atletas que dizem não ter time?
Não aceito. Desde que comecei no Botafogo, falava que era flamenguista. Hoje, se não fosse flamenguista, seria botafoguense. Foi o clube que me projetou, tenho gratidão. A minha família toda torce para o Flamengo, e tive a sorte de ganhar títulos lá. No Vasco falaram que não iam bater palma... No segundo jogo já estavam me aplaudindo, porque dentro de campo eu dava o sangue pelo que estava vestindo. É o meu trabalho, o clube está me pagando. Eu acho que os jogadores deveriam revelar o time para o qual torcem, porque você agrada a torcida jogando, dando o máximo. Não adianta querer conquistar por entrevista se não corresponder em campo.
Após tantos anos no mundo do futebol, você fez amigos no esporte?
Sou um cara que não vivo em casa de jogador de futebol, porque não gosto. Vivo em um outro mundo. Jogador de futebol é muito vaidoso. Vaidade de bens que não leva a nada. Agora, quando encontro o Fernando, jogamos pelada, tem o Carlos Alberto, o Andrezinho, um amigo do caramba que está na Coreia. São coisas que guardo. Adriano, Julio César... Não vivo muito com eles, mas sempre que nos encontramos é uma amizade boa, porque vencemos juntos. Mas não gosto de ficar na casa de um e de outro. Gosto de ficar no meu mundo, com minha família e amigos fora do futebol, onde não tem vaidade. Eu vivo assim.
Beto e bola (Foto: Foto: Marcelo Barone)Beto diz que não teve problemas com bebida durante a época em que jogava (Foto: Marcelo Barone)
O apelido de "Beto Cachaça" o acompanhou durante algum tempo. Como isso surgiu?
Veio da rivalidade entre Vasco e Flamengo, justamente no tricampeonato. Picharam que o sérvio (Petkovic) tinha que morrer, que o Edilson era cheirador, o Zagallo era gagá e botaram meu nome por gostar de sair, gostar de pagode, essas paradas todas. O meu negócio é dentro campo, fora faço o que quiser, como sempre disse. Gosto de tomar cerveja, de fazer churrasco com os amigos. O mais importante é o trabalho. O extracampo não pode interferir. Quem não gosta de tomar uma cerveja, de um churrasco? Está querendo time de santo? Está querendo quem não saia? Pega o time do presídio, leva para o jogo e devolve para lá (risos). Não tem jeito. Sou tranquilo com isso, era mais da rivalidade do jogo, por eu ser flamenguista. Eu podia não jogar nenhum jogo, mas contra o Vasco queria jogar. Isso matava os vascaínos de raiva, porque dentro de campo, contra o Vasco, eu dobrava. Eles ficavam p... Mas quando fui para lá, eles tiveram carinho enorme, me apoiaram. São coisas que você fala: "Lá atrás xingavam e agora estão batendo palmas para mim". A imagem muda. O futebol é engraçado.
A bebida atrapalhou em algum momento?
Eu sempre me policiei. Se visse que estava chegando 3h ou 4h para treinar às 9h, cansado, percebia que tinha de segurar, pois estava me prejudicando. Então, recuava. Não me prejudicou porque me segurei.
Você falou da vontade de enfrentar o Vasco, em especial. Por quê?
Além da rivalidade, que é tremenda, acho que tem o fato de ser flamenguista. Vinha a parte do jogador e do torcedor. Não queria perder de jeito nenhum. Tinha amigos vascaínos que iriam me zoar, sabia que eu iria ouvir (se perdesse). Tanto que, quando perdemos por 5 a 1, na Páscoa, muita gente ficou em cima. O Eurico deu chocolates, os caras falando de presente de Páscoa... Eu ficava chateado, não queria sair. Falava: "Se zoar, vai dar 'caô'" (risos). Joguei a final do tri com infiltração. Aos 30 minutos, o Zagallo queria que eu saísse, mas gritei: "Ainda dá". Hoje não tem mais isso. Sou flamenguista, mas torci muito pela volta do Eurico. Sempre falei: "Quando vocês perderem esse cara, o Vasco não vai ser a força que é." "Ah, mas o cara rouba", respondiam... Se o cara rouba ou deixa de roubar, ele faz pelo clube. Ele saiu, e o Vasco caiu duas vezes. Com ele, nunca (o Vasco foi rebaixado pela primeira vez no ano em que Eurico Miranda deixou a presidência e Roberto Dinamite assumiu, em 2008). Quando atrasava, ele ia lá conversar, tranquilizar os jogadores... Era uma voz só.
Beto (Foto: Marcelo Barone)Camisa utilizada na vitória sobre a Argentina, no Pré-Olímpico de 1996 está exposta na sala de casa (Foto: Marcelo Barone)
O que faltou na tua carreira?
Faltou disputar uma Copa do Mundo. Fui para a Copa América. Não disputei Olimpíadas porque me machuquei. Mas queria ter jogado uma Copa. Atuei pela Seleção, Flamengo, Europa e, infelizmente, não disputei um Mundial. Ficou um vazio por isso.
A fase é de pré-temporada. Como vê a movimentação dos clubes do Rio de Janeiro?

O Botafogo está triste. Na nossa época já era assim, mas tínhamos um grupo focado em 95, apesar do salários atrasados. Se o clube não se reestruturar, não vai sair disso. A Série B vai ser difícil. Vimos o Vasco quase não subir. Então tem que ter um trabalho diferenciado. O Flamengo está começando o ano bem, trazendo peças importantes... O Luxemburgo está querendo formar um time com a cara dele da época dos títulos importantes. Ele quer voltar a essa imagem de novo, é um puta treinador. Está trazendo peças que farão uma equipe forte. Como torcedor, estou otimista. Eles deveriam esquecer o Carioca para encaixar o time certo em busca de títulos importantes.
Sem a Unimed, vai ser difícil para o Fluminense, pois 60% são jogadores do patrocinador. As contratações foram mais modestas. O Conca e o Fred não sabem se ficam ou se saem... O presidente acha que consegue sem a Unimed, mas quem é tricolor vai ter de esperar para ver o que será feito (risos). E torço para que seja um ano bom para o Vasco. Eurico falou que tem seis pontos garantidos no Brasileiro (risos). Ele é demais! O clube está se reestruturando para poder contratar. O rombo é grande. Por enquanto está em ritmo de pré-temporada (risos). Não adianta trazer bons jogadores sem ter um grupo forte.
Você parou há menos de dez anos, mas o futebol mudou bastante neste período. O que vê de diferente em relação à sua época?
Beto (Foto: Marcelo Barone)Churrasco é uma das opções de lazer de Beto (Foto: Marcelo Barone)
Hoje os jogadores são "boyzinhos", não batem de frente com juiz, com o próprio companheiro. Erram e aplaudem. Não têm coragem de xingar, de dar um esporro. Antigamente discutíamos, queríamos sair na porrada em campo para ganhar. Hoje não tem isso. Os jogadores são mimadinhos, usam fone no ouvido, gelzinho... Mudou bastante. Nós nos rebelávamos, batíamos de frente por bem, para ganhar. Hoje não tem isso. Fico chateado porque passam a mão na cabeça. Acabou a vontade de estar no campo, de querer ganhar. Tem que se cobrar mais dentro de campo. Era bom. Falávamos que íamos deitar e rolar, e o outro time respondia. Aquela rixa sadia, que vai para o campo, mas no fim do jogo todos se abraçam. Acabou esse negócio. Promovíamos o jogo, acabou a rivalidade. Ficamos tristes porque era bom, zoava durante a semana, falava que o time era fraco, perguntava: "Quem é fulano? Nunca ouvi falar nele."
O que tem feito durante o período longe do futebol profissional?
Tenho viajado pelo Brasil com o pessoal do master do Flamengo. Tem um grupo de jogadores de Cuiabá para botar para treinar, converso com eles quando estou lá, mas sei que é difícil. E dia a dia é com a família. Minha esposa tem um buffet e também uma distribuidora. Ajudo a administrar o buffet, colocar nos lugares, fizemos uma parceria com uma casa de festas. É uma coisa boa. Ela faz tudo, orçamento, manda propostas por email, o que oferece, o que não oferece. É torcer para que tudo dê certo. Ela é muito dedicada, companheira. Isso é bom. Às vezes você começa a ganhar muito e esquece a família. Eu gostava de sair, saía porque era solteiro. Hoje em dia sou bem casado, casado há dez anos com a Marcela. Temos nossas brigas de casal, mas estamos juntos, somos felizes. Ela fala: "Se você fosse jogar bola com seus amigos e voltasse logo, tudo bem. Mas você estende" (risos). A hora boa é depois, com churrasco, cerveja, baralhinho com os amigos, conversa. Aí acabo esquecendo da hora (risos).
Você está pensando em ser empresário, então? Ser treinador também é uma opção?
Eu penso em ser empresário, até estive esses dias com o Cláudio Guadagno, o Macarrão. Eles me perguntaram o que eu estava fazendo e tal. Hoje estou com a cabeça mais para esse lado. Treinador, não. É dor de cabeça, voltar à rotina de novo, viagem, concentração (risos)... Me deixa fora de campo mesmo. O jogador vai falar: "Você também fazia, não posso fazer?" (risos). Não dá para mim, não (risos).
Beto e família (Foto: Foto: Marcelo Barone)Beto posa ao lado da esposa, Marcela, e dos filhos Pedro Henrique e Heloísa (Foto: Foto: Marcelo Barone)
Já caiu a ficha de que, agora, você é um quarentão?
Rapaz, até agora eu penso, 40 anos... Que isso! Uns não acreditam, dizem que sou gato (risos), mas quem me conhece, sabe que não. Fico feliz por estar com a saúde boa, de bem com a vida, podendo jogar bola, fazer as minhas coisas. A comemoração foi legal, fizemos um jantar na churrascaria, rimos, brincamos... É bom poder proporcionar isso a quem você gosta. Não tem preço que pague. É fruto do que fiz. O que mudou no Beto com a maturidade? Enxergo as coisas diferentes, gastos desnecessários, coisas que bota na balança. Começo a me policiar melhor. Chego aos 40 sem crise (risos), com filhos, esposa, meu pai, que é vivo, irmãos. São coisas que paro e penso: "Olha o que tenho, olha onde cheguei." Se tivesse feito tudo errado, nem estaria aqui. Isso pesa. Conquistei praticamente tudo o que queria e sinto-me realizado.
E qual é o seu maior sonho?
Espero que se concretize: é ver meu filho deslanchar no futebol (o filho dele está na base do Flamengo). E com certeza estarei firme e forte para ver, pois ele tem qualidade para isso. Não quero falar como pai, e sim pelo que as pessoas falam para mim. Dou esporro, explico, mostro, porque são poucos os filhos de ex-jogadores que têm êxito. Eu mostro vários exemplos a ele, falo do que passei. Hoje ele tem as melhores chuteiras, mora bem, come bem, coisas que não tive. Eu jogava no asfalto, tirando rodela do dedão (risos). Os dirigentes da base falaram que ele é muito bom e tem uma conduta excelente. Aquilo me encheu de felicidade. Eu falo a ele: "Quero ver o teu pai tirar onda com o seu dinheiro, e não o contrário." Conversamos bastante, e ele tem a cabeça boa.

Central do Mercado: Fla mira Robinho e Montillo; De Arrascaeta é disputado

Em movimentada sexta-feira, Santos anuncia retorno de Elano, Riascos faz exames no Cruzeiro, Vasco apresenta Victor Bolt e Diego Tardelli deve deixar o Atlético-MG

Por Rio de Janeiro
Teve de tudo no mercado da bola nesta sexta-feira: apresentação, anúncio de reforço, começo de negociação, saída e disputa por uma promessa. Em um dia movimentado, Inter, Cruzeiro e Flamengo monopolizaram as ações. O Colorado e a Raposa disputam a promessa uruguaia De Arrascaeta enquanto o Rubro-Negro mira a contratação de Robinho e do meia argentino Walter Montillo, que confirmou ter uma proposta dos cariocas.  
montagem Robinho e De arrascaeta (Foto: GloboEsporte.com)Robinho é sonho do Fla, e De Arrascaeta está entre o Internacional e o Cruzeiro (Foto: GloboEsporte.com)

Aos 20 anos, De Arrascaeta defende o Defensor. É um meia com futuro. Tanto que gera concorrência. A ida ao clube gaúcho estava praticamente definida, porém, o mineiro apareceu com uma oferta tentadora: pagar à vista os 4 milhões de euros (R$ 10,4 milhões). A definição, então, ficou para os próximos dias.
Inter e Cruzeiro não pararam por aí. Vitinho, ex-Botafogo, contratado do CSKA, foi apresentado como reforço colorado e começou os treinos na serra gaúcha. Riascos, atacante colombiano, foi à Toca da Raposa, realizou exames médicos e está prestes a ser anunciado.  
Robinho é o reforço dos sonhos do Flamengo para 2015. Escolhido por Vanderlei Luxemburgo para ser a principal contratação para temporada, o atacante do Santos já foi procurado pela diretoria. A negociação, no entanto, não é simples. Emprestado ao Peixe até julho, o jogador tem vínculo com o Milan até a metade de 2016. Montillo, atualmente no Shandong Luneng-CHI, é outro desejo antigo dos rubro-negros. Segundo ele, o desfecho da negociação depende dos chineses e uma novela não é vista com bons olhos.
Se pode perder Robinho, o Santos reforçou-se nesta sexta. Elano voltou para a sua terceira passagem. Marquinhos Gabriel e Valencia também assinaram com o time da Vila Belmiro.
E teve mais: o Vasco apresentou Victor Bolt, Diego Tardelli encaminhou saída do Atlético-MG e o Grêmio reconheceu que deve perder Fellie Bastos. Foi uma sexta-feira recheada.

Festa para gringo ver: em amistoso, Bahia vence o Shakhtar na Fonte Nova

Amistoso internacional é o primeiro da equipe ucraniana, que faz um tour de 20 dias pelo Brasil. Rômulo e Zé Roberto, duas vezes, marcam os gols do Tricolor baiano

Por Salvador
O que é que a Bahia tem? Tem festa e música, tem. E também muito futebol. Empurrado pela torcida - 17.213 pagantes para R$ 539.638,00 de renda -, o Bahia enfrentou o Shakhtar Donetsk em amistoso internacional na noite desta sexta-feira, na Arena Fonte Nova, e mostrou para os gringos que a Boa Terra tem muito a oferecer. No primeiro jogo de 2015, o time treinado por Sérgio Soares contrariou as expectativas e, mesmo na preparação para disputar a Série B do Campeonato Brasileiro, venceu por 3 a 2 os ucranianos, que estão classificados para as oitavas de final da Liga dos Campeões.
O espetáculo baiano começou antes mesmo de a bola rolar. Enquanto os jogadores aqueciam nos vestiários, o zagueiro Chicão foi apresentado na sala de imprensa do estádio como novo reforço tricolor. Em seguida, um show de luzes foi realizado para apresentar aos torcedores o elenco do Bahia de 2015. O sistema de som da Fonte Nova falhou no momento de execução do hino. A gafe, entretanto, não atrapalhou: a torcida azul, vermelha e branca aproveitou o silêncio para apoiar o time.
Zé Roberto gol Bahia x Shaktar (Foto: Felipe Oliveira/AGIF)Zé Roberto brilhou com dois gols na Fonte Nova (Foto: Felipe Oliveira/AGIF)
Com a bola rolando, a festa foi exclusivamente brasileira. Todos os gols foram marcados por atletas nascidos no país. Pelo Bahia, as jovens promessas Rômulo e Zé Roberto, duas vezes, balançaram as redes. A legião tupiniquim do Shakhtar teve como artilheiros Alex Teixeira e Luiz Adriano. Ilsinho, Márcio Azevedo, Fernando, Fred, Wellington Nem, Marlos, Taison e Dentinho também estiveram em campo.

Em tour de 20 dias pelo Brasil, o Shakhtar volta a campo no próximo domingo, quando enfrenta o Flamengo, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Atlético-MG, Internacional e Cruzeiro são os adversários das outras partidas que serão disputadas no Brasil. O Bahia também tem amistoso marcado. No dia 25, o Tricolor encara o vencedor de um duelo entre Remo e Paysandu, em Belém, no Pará.
Bahia elétrico e Luiz Adriano provocador

A curiosidade dominava a torcida do Bahia antes de a bola rolar. Tricolores aguardavam ansiosamente pela primeira impressão do time para a temporada 2015. E, nos minutos iniciais, a equipe treinada por Sérgio Soares agradou. Com boa marcação e saída rápida na transição, os baianos forçaram o Shakhtar a cometer erros e articularam boas jogadas ofensivas. A pressão surtiu efeito e Rômulo, aos 13 minutos, abriu o marcador com um gol de falta. Mas a desvantagem acordou o adversário, que partiu para cima do Bahia e, com autoridade, virou o placar. Alex Teixeira marcou o primeiro dos ucranianos aos 27, e Luiz Adriano decretou a virada dez minutos depois. Na comemoração, o atacante provocou o torcedor tricolor pedindo para que os presentes no estádio sentassem.
Muitas mudanças
Para o segundo tempo, os dois técnicos decidiram promover mudanças. Sérgio Soares modificou a equipe inteira. Mircea Lucescu foi mais modesto e realizou “apenas” sete substituições. Sem entrosamento, o Tricolor sofreu para acertar passes. Contudo, chegou ao gol de empate. Após chutão da defesa, a bola sobrou limpa para o atacante tocar na saída de Kanibolotskiy. Inspirado, Zé Roberto virou o placar a favor do Bahia. Aos 19 minutos, ele recebeu lançamento e chutou forte para vencer o goleiro do Shakhtar. O Bahia ainda teve oportunidade de ampliar com Jeam, mas a defesa ucraniana levou a melhor no lance. No fim, alegria para a ressentida torcida tricolor, que, após um ano marcado pelo desgosto, começa 2015 com um belo e internacional cartão de visitas, além dos gritos de "olé".
Arena Fonte Nova; Bahia x Shakhtar (Foto: Eric Luis Carvalho)Arena Fonte Nova recebeu bom público para Bahia x Shakhtar (Foto: Eric Luis Carvalho)

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Ladrões roubam casa de Gleison Tibau, voltam depois e levam o carro

Brasileiro se preparava para a luta contra o irlandês Norman Parke, e diz que evento o fortaleceu para o duelo na cidade de Boston, no próximo domingo

Por Rio de Janeiro
Gleison Tibau MMA UFC (Foto: Evelyn Rodrigues)Gleison Tibau teve a casa invadida por ladrões, que
voltaram e levaram seu carro (Foto: Evelyn Rodrigues)
A preparação do peso-leve Gleison Tibau para a luta contra o irlandês Norman Parke teve momentos dramáticos, segundo revelou o lutador. A casa de Tibau na cidade de Coconut Creek, na Flórida, foi assaltada, e os ladrões mostraram audácia ao retornarem cinco dias depois e levarem o carro do lutador. O contratempo, revelado primeiramente pelo blog "Nas Grades do MMA", surpreendeu Tibau, que disse não estar preparado para eventos deste tipo, por morar em uma área muito calma e tranquila. Em conversa por telefone com o Combate.com, o lutador explicou o ocorrido.
- Foi um choque. Faltando três semanas para a luta, estava treinando forte, na dieta, focado, aí na segunda-feira fui treinar aqui em Coconut Creek, que é um lugar família, tranquilo, que nunca aconteceu nada do tipo antes... Aqui é tão tranquilo que às vezes deixava a porta aberta, a garagem aberta, nunca tinha acontecido nada parecido. Fui treinar, cheguei em casa de tarde e a porta de vidro que tenho na sala estava quebrada. Aí vi a casa bagunçada, comecei a checar e vi que levaram os eletrônicos, levaram inclusive meus documentos do Brasil, daqui dos EUA, todos meus talões de cheque, jóias, roupas, tênis, óculos... resumindo, a polícia fez a perícia, anotou o que eles levaram e avaliaram em 32 mil dólares de pertences. Eles começaram a investigar e, de sexta pra sábado, um carro sumiu. Tenho dois, um fica na garagem e outro fora, o Audi Q5, que foi o que eles levaram. Liguei para a polícia, o mesmo investigador chegou, procuramos a segunda chave do carro e ela não estava. Viram que foi a mesma gangue que roubou a casa, porque eles levaram a segunda chave do carro. Ninguém prestou atenção que ela tinha sido roubada. Eles ficaram de olho e passaram na madrugada para levar. Foi chocante para mim porque me pegou de surpresa. Jamais ia imaginar que alguém roubaria a minha casa nos EUA, em um lugar tão tranquilo. Isso me deixou com medo, sem saber o que ia aconetcer. Não sabia quem eram as pessoas. Pensei que eles tinham ficado de olho em mim, na minha vida, nos meus horários e sabiam tudo meu. Isso me deixou com muito medo, não estava tranquilo. Os detetives me ligaram e falaram que pegaram os bandidos. Não conseguiram recuperar nada meu até agora. Minhas peças, carros, documentos, nada meu. Mas pelo menos me deixaram tranquilos porque descobriram que eram duas gangues de Palm Beach, que vinham fazendo isso há anos. Descobriram que quando roubaram minha casa, roubaram outras casas da área também. Isso me deixou mais tranquilo porque fiquei achando que era pessoal comigo. Alguém me seguindo, sabendo meus horários, mas estou mais aliviado porque sei que eram bandidos que faziam furtos desse tipo. Depois disso, botei toda segurança, câmera na casa, estou mais seguro e confortável. Mas foi um choque.
O brasileiro garante que o ocorrido o fortaleceu como pessoa, e que agora espera o pior sempre.
Carro roubado de Gleison Tibau (Foto: Acervo Pessoal)Carro roubado de Gleison Tibau estava na porta da casa do lutador, em Coconut Creek (Foto: Acervo Pessoal)
- Eu estava em uma dieta pesada, treino pesado, no auge do meu camp e aconteceu um negócio desses. Mas não me descontrolei, pedi força a Deus, controle e que Deus me desse isso como fortalecimento. Isso me fortaleceu muito. Descobri que o ser humano tem que estar firme para surpresas. Inclusive surpresas desagradáveis. Basta estar vivo para passar por algo do tipo, então temos que estar fortes. Tenho que estar sempre forte, esperando o pior acontecer, sempre na base. Levei para o lado esportivo, da luta, isso vai me fortalecer na luta. Se me acontecer algum momento dificil na luta, estarei fortalecido de alma, físico e mental. Isso me amadureceu muito e me deixou mais forte. Estarei mais duro para esse combate. Vou subir no ringue com raiva, determinado para descarregar todo o estresse em cima do Parke.
Para Tibau, seu maior medo não foram as perdas financeiras, mas ter acontecido algo com sua família. O lutador revelou ter contratado uma equipe de segurança para vigiar e proteger sua casa 24h após o assalto.
- O pior medo que tive foi da minha família, ainda mais que eu viajo muito, mas a polícia ficou alerta. Sou um cara público, atleta, sempre viajo, minha casa fica só, então eles vão dar uma segurança maior para mim. Contratei uma das melhores equipes de segurança dos EUA para fazer a segurança da minha casa 24h, esquema de câmera, alarme, então isso me deixou mais seguro, mas sei que a maior fortaleza é Deus. Polícia acionada, todo esquema de segurança na minha casa, família mais atenta, mais ligada, não deixar mais porta aberta em casa, apesar de não ter sido por isso que fomos assaltados, mas agora estamos mais seguros e atentos. São coisas que acontecem na vida. Vamos trabalhar duro para conquistar tudo de novo.
montagem Gleison Tibau e Norman Parke (Foto: Montagem sobre foto da Getty Images)Gleison Tibau (dir.) encara Norman Parke no UFC em Boston, neste domingo (Montagem: Getty Images)
Tibau disse ainda que a polícia tem amostras de impressões digitais e de sangue dos assaltantes deixadas no local, e que está no aguardo dos laudos periciais.
- Moro com a minha filha e minha esposa, e felizmente não tinha ninguém em casa. Minha filha estava na escola e minha esposa trabalhando. Isso que me deixou preocupado porque pensei que fossem pessoas de olho na nossa rotina. Estavam todos fora, mas era uma gangue que fazia isso, pessoas profissionais. Não era marcação à minha pessoa, foi um acaso. Mas os detetives estão investigando muitas coisas ainda. Falaram que vão conversar comigo ainda, porque pegaram digitais das pessoas que foram lá em casa. Quando eles quebraram a porta de vidro e entraram, se cortaram um pouco, deixaram sangue na parede. Os policiais coletaram o material, que já está no laboratório. Eles tem muita coisa para investigar ainda. O detetive sempre me liga, dá alguma notícia. Agora estou esperando a perícia soltar o resultado do sangue e digitais. Talvez recupere algumas coisas. A polícia recuperou umas jóias, mandaram fotos, mas não eram as minhas. Eram de outra casa, mas disseram que estão com mais pistas para buscar.
UFC: McGregor x Siver
18 de janeiro de 2015, em Boston (EUA)
CARD PRINCIPAL
Peso-pena: Conor McGregor x Dennis Siver
Peso-leve: Ben Henderson x Donald Cerrone
Peso-médio: Uriah Hall x Ron Stallings
Peso-leve: Norman Parke x Gleison Tibau
CARD PRELIMINAR
Peso-meio-médio: Cathal Pendred x Sean Spencer
Peso-meio-médio: John Howard x Lorenz Larkin
Peso-meio-médio: Zhang Lipeng x Chris Wade
Peso-mosca: Patrick Holohan x Shane Howell
Peso-leve: Johnny Case x Frank Perez
Peso-pena: Charles Rosa x Sean Soriano
Peso-meio-pesado: Sean O'Connell x Matt Van Buren
Peso-mosca: Tateki Matsuda x Joby Sanchez

Fabricio Werdum enfrenta Velásquez dia 13 de junho na Cidade do México

Luta principal do UFC 188 vale a unificação do cinturão dos pesos-pesados

Por Las Vegas, EUA
A unificação do cinturão dos pesos-pesados do UFC já tem dia e local para acontecer. O campeão linear, Cain Velásquez, enfrenta o campeão interino, Fabricio Werdum, no dia 13 de junho, na Cidade do México. Os dois farão a luta principal do UFC 188. Apesar da divulgação oficial ainda não ter sido feita, Werdum postou a imagem abaixo em suas redes sociais e revelou já saber da data da luta desde o UFC 180, quando venceu Mark Hunt por nocaute técnico e conquistou o seu cinturão.
Anúncio da luta entre Cain Velásquez e Fabricio Werdum no México (Foto: Divulgação)Imagem feita por amigo de Werdum anuncia luta contra Cain Velásquez no México (Foto: Divulgação)
- Postei no Instagram, mas 99% de chance de ser essa data mesmo. Aproveitei que o Dana White anunciou outro dia o evento no México para começar a propaganda. O Dana ainda não anunciou oficialmente, mas vai ser nessa data mesmo - disse o lutador, que revelou que a imagem foi feita por um amigo seu.
Cain Velásquez não luta desde a segunda vitória sobre Junior Cigano, no UFC 166, em outubro de 2013. O americano de origem mexicana sofreu uma lesão no joelho durante os treinos e precisou ser operado, ficando fora de combate. Já Werdum vem de cinco vitórias seguidas, e sagrou-se campeão interino do UFC também na Cidade do México, em novembro de 2014.
UFC 188
13 de junho de 2015, na Cidade do México Boston (EUA)
CARD DO EVENTO (até agora):
Peso-pesado: Cain Velásquez x Fabricio Werdum

Revanche entre Dillashaw e Barão é planejada para UFC 186, em Montreal

Duelo pelo cinturão dos pesos-galos em 25 de abril já está acertado verbalmente. Rampage x Fábio Maldonado também está nos planos

Por Rio de Janeiro
A revanche entre TJ Dillashaw e Renan Barão já tem nova data para acontecer. O duelo, acertado verbalmente entre os lutadores, é planejado pelo Ultimate para ser uma das principais lutas do UFC 186, no dia 25 de abril, em Montreal, no Canadá, segundo apurou o Combate.com junto a fontes próximas à organização. O telejornal oficial do Ultimate, "UFC Tonight", foi o primeiro a veicular a informação
Renan Barão x TJ Dillashaw Pesagem UFC 173 (Foto: Evelyn Rodrigues)Renan Barão e TJ Dillashaw vão se reencontrar no UFC 186, em Montreal (Foto: Evelyn Rodrigues)
TJ Dillashaw e Renan Barão se enfrentaram pela primeira vez em maio do ano passado, no UFC 173, em Las Vegas. Na época, Barão era o campeão dos pesos-galos e defendia uma invencibilidade de nove anos, mas foi dominado por Dillashaw e nocauteado no quinto round. Uma revanche imediata foi marcada para o UFC 177, em agosto, mas o brasileiro passou mal durante o corte de peso e foi forçado a desistir do combate na véspera do evento. O americano enfrentou Joe Soto, promovido do card preliminar à luta principal de última hora, e venceu novamente por nocaute no quinto e último round.
Renan Barão voltou a lutar em 20 de dezembro, no "UFC: Machida x Dollaway", em Barueri, e derrotou o canadense Mitch Gagnon por finalização no terceiro round. Dominick Cruz, outro ex-campeão da categoria, e Raphael Assunção, vindo de uma sequência de sete vitórias, eram outros candidatos à próxima luta contra Dillashaw, mas ambos sofreram lesões em dezembro e foram descartados, o que abriu caminho para a revanche entre o atual campeão e Barão.
Ainda segundo o "UFC Tonight", outra luta que está nos planos do Ultimate para o evento em Montreal colocaria o brasileiro Fábio Maldonado frente a frente com o ex-campeão dos pesos-meio-pesados Quinton "Rampage" Jackson, que anunciou recentemente seu retorno à organização após cerca de um ano e meio na companhia rival Bellator. Maldonado vem pedindo pelo confronto há anos e, saído de uma vitória sobre Hans Stringer no último UFC Rio, em outubro passado, pode enfim receber sua chance.
montagem Maldonado x Rampage (Foto: Montagem sobre foto da Getty Images)Maldonado x Rampage também pode entrar no evento (Foto: Montagem sobre foto da Getty Images)