terça-feira, 24 de março de 2015

Shogun diz não sentir pressão por vitória pois já é "realizado na carreira"

Meio-pesado enfrenta Rogério Minotouro no UFC 190, afirma ter se sentido ansioso antes de derrota contra Ovince St. Preux e aposta que próximo duelo será emocionante

Por Rio de Janeiro
Em 2005, Maurício Shogun e Rogério Minotouro fizeram história com um duelo que ficou marcado para os fãs das artes marciais. O paranaense saiu vitorioso por decisão unânime em um combate emocionante, que foi eleito o melhor daquele ano. Na ocasião, ambos vinham de grandes vitórias no evento. Dez anos depois, o Ultimate marcou a revanche entre eles para o dia 1º de agosto, no UFC 190, no Rio de Janeiro. Entretanto, o cenário é bem diferente na carreira dos lutadores. Minotouro tem convivido com lesões e sofreu revés em apenas 44 segundos em sua última atuação, contra Anthony Johnson. A situação de Shogun é ainda pior, com quatro derrotas nos últimos cinco duelos, sendo a última em 34 segundos, contra Ovince St. Preux, lutando em Uberlândia-MG.  Na HSBC Arena, eles terão a chance de se recuperar e tentar iniciar um novo momento dentro da organização. O confronto foi casado após a participação deles no TUF Brasil 4, que começa dia 5 de abril e teve Rogério como treinador assistente do time de Rodrigo Minotauro, enquanto Maurício liderou a outra equipe.
Rogério Minotouro e Maurício Shogun (Foto: Raphael Marinho)Rogério Minotouro e Maurício Shogun se encontraram na Team Nogueira, nesta segunda-feira (Foto: Raphael Marinho)
Apesar dos resultados negativos recentes, Maurício Shogun garante: não se sente pressionado por ter que vencer. A sinceridade do atleta impressiona ao dizer que isso é pelo fato de já ter realizado tudo em sua carreira. De fato o currículo impressiona com os cinturões do Pride e do UFC. E o próprio lutador revela que a motivação para uma "luta normal" pode não ser mais a mesma.
- Sou um cara que se parar de lutar hoje, já estou realizado na minha carreira. Eu tenho obrigação de dar meu melhor. (...) Meu objetivo é dar meu melhor na luta, não é vencer. Isso talvez torne um pouco mais cômodo, mas é uma coisa que eu não queria. Você realizando teus grandes sonhos, talvez não tenha motivação numa luta normal, mas eu batalho muito por isso. Eu treino duro e busco motivações para treinar duro - afirmou, em entrevista exclusiva aoCombate.com, que foi concedida nesta segunda-feira, justamente na academia de seu próximo rival, a Team Nogueira.
Enfrentar Minotouro mais uma vez pode ser uma motivação para Shogun pela repercussão que o primeiro encontro entre eles teve. Na opinião do ex-campeão do Pride e UFC, a revanche pode ser "tão emocionante ou mais" do que a luta de 2005.
Mauricio Shogun (Foto: Raphael Marinho)Shogun acredita que revanche com Minotouro pode ser tão emocionante quanto a primeira luta (Foto: Raphael Marinho)
Maurício ainda comentou a sua última derrota. Na opinião dele, a mudança de adversário pouco tempo antes do combate, já que enfrentaria Jimi Manuwa inicialmente e acabou lutando contra Ovince St. Preux, e o anúncio de que seria treinador na quarta temporada do TUF Brasil, poucos dias antes de pisar no octógono, acabaram lhe deixando ansioso e atrapalhando seu rendimento.
- Treinei bem, estava bem pra caramba, mas ansioso. A ansiedade foi fruto do nervosismo. Eu estava nervoso, talvez pela mudança do adversário em cima da hora, teve o TUF em cima, tudo isso me deixou um pouco nervoso e ansioso - declarou.
CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA
Combate.com: Enfrentar o Rogério Minotouro significa que você realmente optou por seguir no peso-meio-pesado ou é algo que ainda pode mudar para os combates seguintes?
Maurício Shogun: Esse negócio de categoria deixo nas mãos da minha equipe. O que eles decidirem, assino embaixo. Essa luta vai ser no peso até 93kg e a próxima não sei. Estou 100% focado nessa luta e depois vejo com a minha equipe o que faço. Ainda não tem nada decidido.
Você vai entrar na próxima luta em uma situação que não é comum na sua carreira, são quatro derrotas nas últimas cinco lutas. Talvez seja o momento mais complicado que você já passou como lutador. Se sente pressionado para vencer?
Não tenho essa pressão. Sou um cara que se parar de lutar hoje, já estou realizado na minha carreira. Eu tenho obrigação de dar meu melhor. Hoje luto pela minha família, pelo UFC, por meus fãs e sei que quem gosta de mim, está do meu lado. Que se vencer ou perder estará comigo. Meu objetivo é dar meu melhor na luta, não é vencer.
 Tenho uma boa performance treinando, vejo que tenho bons reflexos, então quero lutar mais três, quatro anos, mas se ver que meu corpo não responde igual, eu paro. Assim que ver que não tenho mais a mesma resposta do meu corpo, da minha mente, vou parar de lutar
Maurício Shogun
 Como você disse, você já está realizado na carreira de lutador. Isso te faz se sentir acomodado ou ainda sente a mesma motivação de lutar que você tinha no Pride e antes de ser campeão do UFC?
Realmente isso talvez torne um pouco mais cômodo, mas é uma coisa que eu não queria. Você realizando teus grandes sonhos, talvez não tenha motivação numa luta normal, mas eu batalho muito por isso. Eu treino duro e busco motivações para treinar duro. Já conquistei meus maiores sonhos na luta, mas tenho outros para realizar ainda.
Onde você busca essa motivação e o que ainda pensa em realizar no MMA?
Busco a motivação nos meus fãs, na equipe, no UFC... Tenho um relacionamento muito bom com o UFC e isso é uma das minhas maiores motivações e meus fãs também, que são meu combustível e alimentam minha vontade de vencer. Encaro cada luta como um sonho e tenho o sonho de vencer sempre a próxima luta.
Você ainda tem só 33 anos. Pensa em lutar por mais quanto tempo?
Não sei, mas quero lutar até ver que meu corpo não responde como antes. Tenho uma boa performance treinando, vejo que tenho bons reflexos, então quero lutar mais três, quatro anos, mas se ver que meu corpo não responde igual, eu paro. Assim que ver que não tenho mais a mesma resposta do meu corpo, da minha mente, vou parar de lutar.
Mauricio "Shogun" Rua x Ovince "OSP" Saint Preux (Foto: Jason Silva)Em sua última luta, Shogun foi nocauteado por St. Preux em 34 segnudos (Foto: Jason Silva)
O resultado da próxima luta pode interferir nessa decisão?
Resultado é uma coisa que alguém tem que ganhar. Luta é um esporte individual, um cara contra o outro e alguém tem que ganhar. Me sinto bem treinando, treino bem e vou parar quando ver que não estou tendo o mesmo desempenho nos treinos e na luta, mas não penso nisso agora. A derrota faz parte e a gente tem que saber crescer com as derrotas.
O que aconteceu na sua última luta, contra o Ovince St. Preux? Seu treinador, Eduardo Alonso, disse que foi a melhor preparação que você fez nas últimas três lutas. Na semana da luta, o Demian Maia também elogiou bastante sua performance nos treinos. Acha que o fato de ter sido anunciado como treinador do TUF Brasil 4 pode ter te afetado para lutar?
Na última luta eu estava bem preparado, me sentindo bem, mas me senti um pouco nervoso e ansioso. Essa ansiedade me atrapalhou muito, me fez ir com muita sede ao pote e aconteceu o que aconteceu. Mas não é desculpa, não tiro os méritos do meu adversário. É uma coisa que vou ter que corrigir e melhorar. Acho que fui muito ansioso e esse foi meu erro na luta. Treinei bem, estava bem pra caramba, mas ansioso. A ansiedade foi fruto do nervosismo. Eu estava nervoso, talvez pela mudança do adversário em cima da hora, teve o TUF em cima, tudo isso me deixou um pouco nervoso e ansioso.
Falando de seu próximo adversário, como avalia o momento atual do Rogério Minotouro?

O Rogério é um cara duro, eclético, bom em pé e no chão, perdeu para um cara muito bom na última luta, o Anthony Johnson, e MMA é assim mesmo, imprevisível. Se a mão entrar, qualquer um pode vencer. Mas o respeito muito como lutador, guerreiro, batalhador e tenho certeza que será grande luta
Minotouro e Shogun UFC (Foto: Editoria de Arte)Minotouro e Shogun estão escalados para o UFC 190, no Rio de Janeiro, 1º de agosto (Foto: Editoria de Arte)
Em 2005 o confronto de vocês foi o eleito o melhor do ano. Acha possível que vocês, 10 anos depois, façam uma luta no mesmo nível?
Acho que sim, porque eu e ele temos uma personalidade como lutador, nós gostamos de trocar em pé, então agrada os fãs. Acho que pode ser tão emocionante ou mais do que em 2005.
O que considera que mudou em vocês de lá pra cá?
Hoje se passaram 10 anos. mudou muita coisa na gente, mas acho que ele continua com o boxe como ponto forte. Ele é um atleta que luta com o boxe e o jiu-jítsu de carro-chefe. O meu é o muay thai, vou buscar a luta em pé. É difícil o atleta mudar muita coisa. O esporte sim mudou muito, evoluiu.
UFC 190
1 de agosto, no Rio de Janeiro
CARD DO EVENTO (até agora):
Peso-galo: Ronda Rousey x Bethe Correia
Peso-meio-pesado: Rogério Minotouro x Mauricio Shogun

Ronda Rousey usa letra do rapper Jay-Z para alfinetar Bethe Correia

Campeã peso-galo do UFC faz jogo entre o som das palavras "bitch", que significa vagabunda em português, e "Bethe", em entrevista dada a talk show americano

Por Los Angeles, EUA
A guerra começou. Após algumas trocas de farpas entre Ronda Rousey e Bethe Correia nacoletiva de anúncio da luta entre as duas, no UFC 190, a americana decidiu partir para o ataque através da imprensa. Em entrevista ao talk show "The View", a campeã da categoria fez um jogo de palavras referindo-se à brasileira usando a letra do rapper americano Jay-Z "I got 99 problems, but a bitch ain't one". Ronda substituiu a palavra "bitch", que significa "vagabunda" pelo nome da brasileira, que ela pronuncia como "Betch".
Ronda Rousey X Bethe Correia, Coletiva UFC 189 (Foto: André Durão)Ronda Rousey e Bethe Correia farão a luta principal do UFC 190, no Rio de Janeiro, em 1 de agosto (Foto: André Durão)


- Tenho 99 problemas, mas uma Bethe não é um deles - disse a lutadora, que apareceu como ampla favorita para a luta, pagando 15 para 1 nas casas de apostas de Las Vegas.

Clique aqui e veja o clipe de Jay-Z que inspirou a frase de Ronda.

Mesmo com os entrevistadores buscando a todo momento falar da sua vitória em apenas 14s contra Cat Zingano, e dizendo que a brasileira não seria uma adversária à sua altura por não ter mostrado ainda bons resultados contra lutadoras mais bem ranqueadas, Rousey fez questão de mostrar respeito por Correia, e disse que as lutas femininas são diferentes das masculinas pela forma como as mulheres encaram uma disputa física.

- Nenhuma adversária é fácil de vencer até que você a vença. Nós, lutadoras, somos diferentes dos lutadores, porque levamos as coisas para o lado pessoal. Os homens, após lutar, se abraçam, dão tapinhas na bunda e tudo mais. Já as mulheres, na maioria das vezes, terminam as lutas com raiva ainda. Não tem nada resolvido ali. Nós somos mais emocionais, e o instinto de lutar, nas mulheres, é diferente. Quando lutamos, somos programadas para proteger nossos filhos. Os homens lutam por orgulho ou status. Nós lutamos por sobrevivência ou pela proteção às nossas crianças.

Irmão de Massara recorda golpe de enxada na cabeça: "Ele era mais forte"

Francivaldo Massarinha comenta brigas com o peso-leve do Ultimate, que trabalhava para ajudar a família aos 15 anos de idade e declara: "Disso tudo veio a união"

Por Rio de Janeiro
Francisco Massaranduba Massarinha lutador do UFC (Foto: Marcelo Barone)Lutadores, que, atualmente, moram em cidades distintas, mantêm contato com frequência (Foto: Marcelo Barone)
O MMA é um esporte repleto de irmãos que seguiram o mesmo caminho: Minotauro e Minotouro, Shogun e Ninja, Nick e Nate Diaz... Há ainda os menos badalados, como Francisco e Francivaldo - Massaranduba e Massarinha, respectivamente. Nascidos e criados em Amarante, no Piauí, a dupla escolheu o MMA para viver. O primeiro, de 36 anos, está no UFC, enquanto o outro, três anos mais novo, ainda busca dias melhores na modalidade.

Dos grandes centros ao interior, irmãos são todos iguais: brincam, brigam e, no fim das contas, fazem as pazes. E começam o ciclo outra vez. Dentre tantas confusões, Massarinha não tira uma da cabeça - literalmente. A cicatriz do golpe de enxada que recebeu ainda está aparente.

- Uma vez a minha mãe obrigou a gente a limpar o quintal, e só tinha uma enxada. Ele era mais esperto, tentou tomar de mim. Eu tentei tomar das mãos dele, e ele meteu a enxada na minha cabeça (risos). Tem um "v" aqui até hoje. Era para ter tomado 20 pontos na época, mas sarou na "tora". A gente brigava muito. Em casa, o Massara me batia e, quando eu batia nele, tinha que correr e segurar na minha mãe, porque ele vinha para cima. Passava um pouco e estávamos juntos brincando de novo. Ele era mais forte, mas disso tudo veio a união - declarou Massarinha, em entrevista ao Combate.com.
Francisco Massaranduba Massarinha lutador do UFC (Foto: Marcelo Barone)Massarinha ainda tem cicatriz na cabeça (Foto: Marcelo Barone)
Massaranduba serviu de referência para o irmão, quando começou a lutar. Experimentou o kickboxing, fez a transição para o MMA, e o irmão mais novo foi atrás. Passaram a se ajudar. Trocaram brigas por lutas.

- Hoje sou quase um sparring dele, porque sempre que tem luta estou do lado dele, treinando posição, batendo manopla. Ele me ouve, ouço ele. Ele sempre foi uma referência boa para mim. Trabalhava para sustentar a gente. É um cara que posso me focar nele pois não irei me arrepender. Faço comida quando precisa, clara de ovo, saladinha. Quando não tem fogo, pego uma latinha com álcool e esquento o ovo. 

Após deixarem o Piauí, há cerca de 15 anos, eles foram morar em Brasília. Atualmente, Massaranduba mora em Curitiba, onde treina na Evolução Thai, enquanto o irmão segue no Distrito Federal. Quando tem luta marcada, o peso-leve do UFC convoca o reforço. Massarinha, além de ajudar, se diverte com o ex-participante do TUF Brasil 1.

- O Massara sempre teve esse lado carismático, antes mesmo de ser famoso, já tinha amizade com muitas pessoas. A gente era confundido. A fama veio só a acrescentar mais - destacou Massarinha, que atua em eventos nacionais de MMA.
Francisco Massaranduba Massarinha lutador do UFC (Foto: Marcelo Barone)Lutadores seguiram o mesmo caminho das artes marciais mistas (Foto: Marcelo Barone)
O sucesso de sua carreira no MMA, segundo Massaranduba, passa pela estrutura familiar. Foi com esse discurso que ele comentou sua vitória sobre Akbarh Arreola, no UFC Rio 6, no último sábado.
- Com 15 anos eu tomava conta da família toda. Sempre fui apegado aos meus irmãos, um espelho para eles. Meu braço forte é o esquerdo, o direito, é o meu irmão. Ele sempre deixa a família dele para treinar comigo. Se você não tem uma família boa, cai lá na frente. Como diz minha mãe, sempre comemos no mesmo prato. Vestíamos a mesma roupa. Não tenho do que reclamar - defendeu Massaranduba.

Aldo se compara a Neymar ao explicar reconhecimento do público no Brasil

Adversário de McGregor, campeão do peso-pena avisa ao irlandês para provocações ficarem apenas no discurso: "Se me tocar, com certeza, vai rolar um algo a mais"

Por Las Vegas, EUA
José Aldo X Mcgregor, Coletiva UFC 189 (Foto: André Durão)Lutadores ficaram frente a frente no Rio de Janeiro, na última sexta (Foto: André Durão)
Campeão do peso-pena do UFC, José Aldo é um dos atletas brasileiros mais conhecidos na atualidade. Para quem mora nos Estados Unidos, é difícil mensurar o apelo que o lutador tem onde nasceu. Para tentar explicar à imprensa americana o reconhecimento que possui em seu país, o representante da Nova União recorreu ao futebol e se comparou ao atacante Neymar, craque da Seleção.

- Grande, muito grande (no Brasil), até porque, graças a Deus, a mídia brasileira está cobrindo o UFC hoje em dia. É um reconhecimento como se fosse o Neymar - declarou Aldo, na segunda-feira, em Las Vegas, ao cumprir uma das etapas do tour mundial de divulgação do combate com Conor McGregor, programado para o UFC 189, dia 11 de julho.

Questionado diversas vezes sobre as provocações do irlandês, Aldo demonstrou tranquilidade.Mas frisou o discurso de Dedé Pederneiras, seu técnico, que veio à tona através de Dana White. Se for encostado pelo adversário, irá revidar.

- Eu não sei o que ele estava falando, mas pode falar o que for, porque não entendo nada mesmo (riso). Vou ficar rindo da cara dele, porque é um imbecil. Se ele me tocar, com certeza, vai rolar um algo a mais.

Confira abaixo a coletiva na íntegra:

Incômodo com provocações

Eu morei, sim, na favela, então não fiquei chateado. Faz parte. Ele é um provocador, se eu for ligar para isso, estou ferrado. Relaxo, procuro ficar tranquilo. Para mim, isso é normal.

McGregor como desafiante

Não falo em merecimento. Acho que ele fez 50% por merecer, e os outros 50% conseguiu falando. Ele nunca pegou nenhum top 5 da categoria, mas achei bom. Tudo isso que está acontecendo aqui é graças a ele também.

Cansaço por ouvir e responder as mesmas questões

Não digo cansado, faz parte. Ele sempre falou desse jeito, não vejo problema nenhum. É meu trabalho. Não fico preocupado se tenho que responder as mesmas perguntas.Perda de foco por conta das provocações

Estou fazendo o lado da promoção. Na luta, é o Aldo. Nada vai tirar meu foco. Treino bastante pensando nos meus ideais, e não no que estão falando.

McGregor o tirou do sério?
Entrevista José Aldo UFC (Foto: Reprodução / MMAJunkie)Lutador aparentou tranquilidade em Las Vegas (Foto: Reprodução / MMAJunkie)
A mim? Não, em nenhum momento me tirou do sério. Está mais fácil me tirar do sério rindo. Meu forte é a cabeça. Para entrar dentro dela é impossível. Não fico nem preocupado. O cara a cara não quer dizer nada. Eu entrei na cabeça dele. Ele sabe o que o espera. Eu olhei nos olhos dele e vi como ele está. Lá atrás, o Conor sempre foi um grande fã meu, um cara que tentava me imitar quando estava começando. Eu já o observo há muito tempo, já o estudei, vi os movimentos deles todos. Sei o que tenho que fazer.

Roupa de rei

Sempre falei que eu era o rei, não foi a primeira vez. Como sempre falo: "I'm the greatest (Eu sou o maioral)". O lance de bobo veio na luta contra o Chad. Ele (Conor) era o bobo porque não era nada ainda. Foi a primeira vez que viram aqui (EUA), mas no Brasil eu já tinha me vestido de rei.

Respostas à altura

Eu já vinha sendo o campeão por muito tempo e não tinha o reconhecimento como merecia. Tudo surgiu em uma conversa com o Dedé. Na luta do Chad Mendes empurrei, dei uma provocada. A gente procura se vender mais. Tem o lado do marketing também. Não é só chegar lá e lutar. Do lado de fora também temos de fazer nosso trabalho. Antigamente eu não gostava (de provocar). Hoje em dia acho que temos que fazer isso. Essa provocação chama a atenção, faz a coisa se tornar bem maior.

Reação ao ver McGregor pular o octógono

Eu achei engraçado (risos). Ele veio e ficou gritando, não fez nada, ficou agarrado ao segurança. Foi uma cena engraçada.

Situação semelhante na carreira

O primeiro a fazer isso foi o Cub Swanson, na época do WEC. Ele falou muitas coisas durante a semana, provocou bastante. Cheguei lá e passei por cima dele. Agora será a mesma coisa.

Desafio maior que o McGregor

Todas as lutas foram os maiores desafios. Não vejo o atleta, me preocupo com a luta. Treino bastante, independentemente de quem seja. O Urijah (Faber) foi um cara para quem treinei bastante. Não que tenha ficado preocupado, mas treinei bastante, pois sabia que ele era muito duro.

Preocupação maior contra Faber ou McGregor

Eu estava lutando na casa dele, contra a torcida. É um cara muito duro, muito bom. Para essa estou mais experiente, passei por coisas piores, estou bem tranquilo. Tudo depende de mim e da minha equipe. Imagino o ginásio lotado, todo mundo vibrando, esperando o momento. E, com certeza, será com vitória minha. Geralmente não falo como vou vencer, mas garanto que irei vencê-lo.
Entrevista José Aldo UFC (Foto: Reprodução / MMAJunkie)Campeão dos penas defende o cinturão dia 11 de julho, em Las Vegas (Foto: Reprodução / MMAJunkie)


Pressão por finalização

Pressão nunca coloco na minha cabeça. Esqueço isso tudo. Luto por mim. A pressão fica lá fora. Quando você é o campeão, você é muito mais estudado, tem mais olhares em volta. O cara também se preparou muito, querendo ou não, é a luta da vida dele. Queria entrar, dar um soco, acabar a luta e voltar para casa. Nem sempre isso acontece. Fico bem tranquilo. Treino bastante. Se eu puder acabar antes, vou acabar, mas estou sempre preparado para lutar cinco rounds.

Preocupação pela luta ou pela pressão?

Essa pressão não é nada, faz parte do trabalho, é muito mais tranquilo. Lá dentro é que temos que chegar e provar. Falar até papagaio fala. Lá dentro é que tenho que me concentrar e fazer meu trabalho.

McGregor está preocupado em enfrentá-lo?

Com certeza. Quem for enfrentar o Aldo, sempre estará preocupado, pois sabe que tenho habilidades para tudo lá dentro.

Limite da provocação

Eu não sei o que ele estava falando, mas pode falar o que for, porque não entendo nada mesmo (risos). Vou ficar rindo da cara dele, porque é um imbecil. Se ele me tocar, com certeza, vai rolar um algo a mais.

Gesto obsceno no Rio de Janeiro

Ele ficou irritado com isso (Aldo mostrou o dedo médio ao oponente), com certeza. O público gostou também. Tem todo um jogo. Temos que atuar um pouco. Ele vinha provocando lá atrás (nos bastidores), mas ninguém viu. Ali foi só uma resposta a ele.
José Aldo X Mcgregor, Coletiva UFC 189 (Foto: André Durão)José Aldo e McGregor estiveram no Rio de Janeiro, onde o tour mundial começou (Foto: André Durão)


Mais fama e dinheiro após a luta

Com certeza (risos). A intenção é essa, não só minha, mas de todo mundo. O pensamento é tornar a luta maior possível. Estamos fazendo esse tour para divulgar a luta e trazer um retorno grande para nós.

Peso-pena e próximo passo

Ele aparecer foi uma coisa boa. Deu uma movimentada não soh pra mim como para todos, deu uma remexida. Primeiro tenho que vencer e, aí sim, pensar em outra coisa. Mas deixo nas mãos do Dana e do pessoal do Ultimate para que eles resolvam. A superluta que poderíamos fazer era com o Anthony (Pettis), mas ele perdeu, o que nos deixou de lado um pouco sobre isso ou subir de categoria.

Reconhecimento em relação a Ronda e Jones

Eu tenho o respeito, mas não o reconhecimento devido. Não falo inglês, isso atrapalha, querendo ou não. A Ronda faz filmes, o que a torna bastante grande. O Jon Jones é daqui, fala sempre com pessoas daqui. Isso ajuda. Mas, no Brasil, sou muito maior do que os dois.
Entrevista José Aldo UFC (Foto: Reprodução / MMAJunkie)Manauara apoiou um rigor maior no antidoping (Foto: Reprodução / MMAJunkie)
Reconhecimento no Brasil

Grande, muito grande, até porque, graças a Deus a mídia brasileira está cobrindo o UFC hoje em dia. É um reconhecimento como se fosse o Neymar.

Política antidoping e caso Anderson

(O caso) não me afeta em nada, mas vejo sempre pelo lado bom: para o esporte se tornar maior ainda, o controle tem que ser mais rigoroso, sim. Se puder me testar e testar o Conor, não vejo problema nenhum. Estou aberto a tudo que for possível para melhorar o esporte. Não condeno o Anderson, se ele fez o que fez, não sei como foi. Não conversei particularmente com o Anderson, então não sei dizer o que aconteceu.

Fight Week

É ótimo. Sempre quis lutar nos grandes eventos. Participei e lutei nos maiores eventos e esse é mais um. Fico muito feliz. Vivi outras vezes essa situação e poder viver de novo será ótimo. 

Mudanças de campeões

Tenho que olhar essa lutas que os campeões perderam. Vejo isso como aprendizado. Ninguém é melhor do que ninguém. Isso faz parte, estarei sempre muito preparado. Não caio na zona de conforto para que as coisas não deem errado.

Aprendizado em Anderson x Weidman

Aprendi não só nessa, como na luta do Barão (contra TJ Dillashaw). Quando você se acha muito acima do outro, relaxa e procura fazer coisas que acha que estão no seu controle, isso pode causar seu erro. Por isso estou sempre lutando sério para vencer as lutas.