sexta-feira, 29 de maio de 2015

Encaradas duras e rivalidade marcam a pesagem oficial do UFC em Goiânia

Charles do Bronx x Nik Lentz e Lucas Mineiro x Mirsad Bektic foram as mais tensas, com os lutadores tendo de ser separados pelo matchmaker do UFC, Joe Silva

Por Goiânia
Com pelo menos duas encaradas muito duras, sendo necessária a intervenção do matchmaker Joe Silva para separar os lutadores, a pesagem do UFC Goiânia foi marcada pela rivalidade.Todos os atletas bateram o peso e confirmaram presença no torneio sem necessidade de multas por parte da organização.
Nik Lentz Charles do Bronx UFC Goiânia (Foto: William Lucas / Inovafoto)Nik Lentz e Charles do Bronx trocam provocações na pesagem do UFC em Goiânia (Foto: William Lucas / Inovafoto)

Os protagonistas do co-evento principal, Charles do Bronx e Nik Lentz, fizeram uma das duas encaradas mais duras da tarde, tocando os rostos e tendo de ser separados no palco. Ambos olhavam fixamente um para o outro, não escondendo a tensão que existe entre os dois, e trocaram provocações.
- Essa luta tinha que ter acontecido há muito tempo, esse aqui é o meu país e mostrei a ele para que eu vim. Estou com vontade de lutar, estou focado e sei o que fazer lá em cima. Estou com sede de vitória - disse Charles do Bronx após a pesagem.
Lucas Mineiro e Mirsad Bektic (Foto: Raphael Marinho)Lucas Mineiro e Mirsad Bektic se provocam e precisam ser separado na pesagem em Goiânia (Foto: Raphael Marinho)
A outra encarada que precisou de intervenção foi entre Lucas Mineiro e Mirsad Bektic. O bósnio subiu ao palco provocando a torcida, que cantava o tradicional "Uh! Vai morrer!". Quando Mineiro deixou a balança, foi direto para a encarada e os dois trocaram empurrões, tendo de ser separados. Os lutadores continuaram se provocando e trocando insultos, para delírio do público, que vibrava.
Curiosamente, a luta principal, entre Carlos Condit e Thiago "Pitbull" Alves, teve uma encarada tranquila. Os dois, veteranos no UFC, cumpriram o protocolo com profissionalismo e, depois, falaram sobre o combate.
Carlos Condit e Thiago Pitbull na pesagem do UFC Goiânia (Foto: Raphael Marinho)Carlos Condit e Thiago Pitbull fazem uma encarada tranquila na pesagem do UFC Goiânia (Foto: Raphael Marinho)

- Me sinto ótimo para essa luta, o Thiago é um grande oponente e eu vou ter que fazer o meu melhor jogo. Minha recuperação foi longa e muito dura, mas sou um lutador melhor que antes. Duvido muito que essa luta vá para o quinto round - disse Carlos Condit.
O brasileiro foi mais duro nas palavras, mas sempre com respeito ao adversário.
- Estamos preparados para tudo, tanto a trocação ou o chão. Mas temos duas estratégias: ou ele vai correr de mim ou vai tentar trocar. Ele sempre é perigoso, já foi campeão interino, mas eu não me preocupo com ele, prefiro pensar no que eu vou fazer. Sou melhor que ele em tudo. Vou manter a confiança para bater nele - disse Thiago Pitbull.
Uma curiosidade aconteceu na pesagem do canadense Ryan Jimmo. O meio-pesado pediu a toalha para se pesar sem roupa, e como não havia quem ajudasse Joe Silva a segurar uma das pontas da toalha, uma funcionária do UFC teve de realizar a tarefa. Os fãs presentes riram muito, já que ela estava claramente constrangida pela situação. As ring girls, como de costume, afastaram-se e deram as costas para o atleta, que também riu do ocorrido.

Veja os pesos dos atletas:

CARD PRINCIPAL
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Carlos Condit (77,1kg) x Thiago "Pitbull" Alves (77,1kg)
Peso-pena (até 66,2kg): Nik Lentz (66,2kg) x Charles do Bronx (65,3kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): KJ Noons (77,1kg) x Alex Cowboy (77,1kg)
Peso-meio-pesado (até 93,4kg): Francimar Bodão (93kg) x Ryan Jimmo (93,4kg)
Peso-leve (até 70,8kg): Francisco Massaranduba (70,8kg) x Norman Parke (70,8kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Wendell Negão (77,1kg) x Darren Till (77,6kg)
CARD PRELIMINAR
Peso-pena (até 66,2kg): Rony Jason (66,2kg) x Damon Jackson (65,8kg)
Peso-mosca (até 57,2kg): Jussier Formiga (57,2kg) x Wilson Reis (57,2kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Elizeu Capoeira (77,6kg) x Nicolas Dalby (77,1kg)
Peso-pena (até 66,2kg): Lucas Mineiro (65,8kg) x Mirsad Bektic (66,2kg)
Peso-palha (até 52,6kg): Juliana Lima (52,2kg) x Ericka Almeida (52,6kg)
Peso-meio-médio (até 77,6kg): Luiz Besouro (77,1kg) x Tom Breese (77,6kg)

Com cabelo "samurai", Belfort diz: "Se desse um passo atrás, nocautearia"

Veterano dá coletiva de imprensa em sua academia, no Rio de Janeiro, revela que gastou tudo que tinha no começo da luta contra Weidman, e assume que faltou calma

Por Rio de Janeiro
Seis dias após ser nocauteado por Chris Weidman no UFC 187, em Las Vegas, Vitor Belfortdeu uma coletiva em sua academia, a FortFit, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, e admitiu que faltou calma em sua luta contra o americano, na disputa do cinturão dos pesos-médios da categoria. Ostentando um novo corte de cabelo, com a cabeça quase totalmente raspada, à exceção de um rabo de cavalo ao estilo "samurai", o "Fenômeno" admitiu que foi afobabo na tentativa de nocautear o campeão.



- Eu gastei muita coisa ali. Se eu desse um passo atrás, esperasse um pouquinho, tenho certeza de que nocautearia. Ele é duro na parte de solo, foi o dia dele - disse Belfort.
O lutador, que conversou com a imprensa também para promover uma marca de suplementos que o patrocina, disse ainda que a espera de um ano e meio pelo combate gerou ansiedade na hora da luta.
- Fui com muita sede ao pote. Deveria ter aproveitado a minha experiência - disse o lutador, que foi recepcionado por crianças que treinam na academia.
Novo Cabelo Belfort (Foto: Marcelo Barone)Vitor Belfort apresentou um novo corte de cabelo, nesta sexta-feira, em sua academia, no Rio (Foto: Marcelo Barone)

Sobre o novo corte de cabelo, Vitor Belfort explicou que a ideia foi encerrar o ciclo do corte moicano, e iniciar a fase do "último samurai".
- Na nossa vida tudo tem um símbolo. A fase do moicano passou. Eu olhei para o cabeleireiro e pedi para tirar tudo, deixar só atrás, igual ao último samurai. Para dar continuidade em algo, na minha cabeça, é preciso surgir novas coisas, novas ideias, um novo momento. É uma coisa minha, interna. Agora, vamos para as férias e ver no que isso vai trazer. Foi o momento em que senti que era para fazer. Vamos enterrar essa semente e germinar bons frutos.

Confira os melhores momentos da entrevista:

Você estava bem na luta. O que aconteceu para ela terminar daquele jeito?
Foi um ano e meio de muita espera. Quando vi o momento, tenho instinto matador. Fiquei seis horas estudando cada detalhe, de cada momento. A vitória estava ali, ela chegou, mas, de repente, foi embora. As pessoas falam: "Você quase ganhou". Não é uma derrota. Quando você quase ganha, é um sentimento duplo. A superação é muito importante neste momento. No meu caso, quando faço a primeira defesa de queda, em vez de soltar a perna, tentei não chutar a cara dele, e sim, a barriga, pois ele tinha colocado a mão no chão. Foi quando ele segurou a minha perna. Eu caí com o meu ombro, que já estava meio lesionado, e ele saiu do lugar. Mesmo assim, otimizei o momento, o combate continuou e falei: "Vai acabar". Quando ele me derrubou, foi um momento de muita frustração. Não posso tirar o valor dele. Tentei virar para a esquerda e para a direita. Vejo atletas dando as costas e você nunca pode dar as costas a um problema. Encarei de frente, mas foi a noite dele. Foi um momento de tristeza, mas já vivi tudo isso. Eu gastei muita coisa ali. Se eu desse um passo atrás, esperasse um pouquinho, tenho certeza de que nocautearia. Ele é duro na parte de solo, foi o dia dele.
Como viu a crítica do Ronaldo Jacaré ao seu jiu-jítsu?

Eu não leio esses comentários. Não importa muito o que as pessoas de fora da minha equipe falam. As pessoas que estão fora da minha equipe, muitas vezes, falam as coisas e as pessoas distorcem, a imprensa distorce. Sou uma pessoa pública., então as pessoas gostarem ou não, é direito delas. Todo mundo que falou a verdade para mim, do meu time, anotei, Temos de reconhecer o que o outro tem de bom. Foi o dia dele (Weidman). Não é porque o Brasil levou 7 a 1 da Alemanha, que vai tomar sempre. Foi um dia ruim, não significa que o futebol brasileiro é inferior ao alemão. No esporte temos que passar por cima de algumas coisas e falar: "Vamos para a próxima!"


Essa luta foi digerida ou você ainda pensa nela?

Já digeri tudo. Sabe missa de 7º dia, em que você precisa ter o seu momento? Consegui quebrar isso dois dias atrás. Eu botei o Vitor Belfort ao meu lado, conversei com ele e perguntei: "Por que você não deu um passo atrás? Por que não usou a sua experiência? Por que quando ele fez sprawl você não girou e deu um chute nele?". Era para chutar "varando" tudo. 
Você declarou que poderia ter sido mais moderado. Você acha que cansou e, por isso, foi passivo no chão?

Ele otimizou o momento. Aconteceram muitas coisas ao longo da luta. Você não consegue dar uma rajada de socos sem sentir um certo cansaço. Mas não foi um cansaço que me impossibilitasse de lutar. No solo, ele estabilizou o peso e conseguiu golpear. Tentei virar, ele me travou bem. Foi o momento dele. Treinei e me preparei como nunca, mas não podemos ficar chorando certos acontecimentos na vida. Fiz tudo certo, na luta, porém, poderia ter tido mais paciência, às vezes, uma finta, mais soco e menos mão.
Vitor Belfort na FortFit (Foto: Marcelo Barone)Peso-médio foi recebido com cartazes por crianças: mensagens de superação e força ao lutador (Foto: Marcelo Barone)


O Gilbert Durinho admitiu que você cometeu um erro técnico ao não repor a guarda. Você concorda?

Eu fiquei com os dois ombros no chão. Não consegui virar de lado. É muito fácil falar de erro técnico em uma luta, em um combate físico. O outro cara também tem o mérito. Faz parte da vida. Tenho que pensar no que fiz de errado antes de chegar ao chão. Eu me precipitei. Não usei a experiência para ter cautela. Ele sentiu o golpe, estava com medo de trocar comigo. Dava para ver que não queria trocar de jeito nenhum, queria encurtar (a distância) o mais rápido possível. Fiquei um ano e meio na espera, o camp não acabava nunca, entrei em overtraining umas quatro vezes... Enfim, bola para frente. 

A maioria de suas vitórias aconteceu no round inicial. A que atribuiu sua queda de rendimento após o primeiro round de suas lutas ao longo da carreira?

O nocaute sobre o Bisping foi no segundo round... Quando eu não ganhava no primeiro round do Pride, falavam: "Seu rendimento caiu, você lutou quatro rounds". O problema é agradar. Quando o cara faz uma luta de cinco rounds, como o GSP (Georges Saint Pierre), falam que ele é chato. Vou para a luta para ganhar cada round. Na luta, quando entro livre, vou para me divertir, é diferente. Você acha que não treinei para cinco rounds? Seria muito ignorante se não treinasse para cinco rounds. A realidade é que Deus me deu um dom que eu ganho as lutas no primeiro e segundo rounds. Eu tenho essa potência. Tenho que utilizá-la. Nosso esporte é mais potência do que resistência. Usei a potência até demais, não precisava ter ido com tanta sede ao pote e, assim, o resultado seria diferente.
Vitor Belfort (Foto: Marcelo Barone)Vitor Belfort preferiu não falar sobre seus próximos passos dentro do octógono, nesta sexta-feira (Foto: Marcelo Barone)
Há chances de você voltar a lutar ainda esse ano?

De repente, se tiver uma lutinha amanhã, eu topo (risos). A minha grande luta agora é curtir o momento. A volta, na realidade, é algo que não consigo pensar agora. Só penso nas férias e em curtir a minha família.

Quem você gostaria de enfrentar: Anderson Silva, Gegard Mousasi ou Wanderlei Silva?

Agora, luta boa é entrar de férias (risos). 

O Mousasi deseja enfrentá-lo no Japão. O que achou desse desafio?

Eu vejo as férias agora. Vou para um hotel bacana curtir e, depois, vou tomar as decisão junto ao UFC, ver qual será o próximo passo. É um passo de cada vez. Quando nos comprometemos com algo, temos de tomar cuidado, pois, muitas vezes, é preciso cumprir. Agora é hora de férias merecidas.

Qual a gravidade do problema que você teve no ombro?

Não é caso cirúrgico. Foi deslocamento de osso. Estava sentindo o ombro antes da luta.

Pensou em adiar a luta em algum momento?

De maneira alguma, está louco? Eu ia lutar até mancando (risos). Não via a hora de acabar essa novela.

Qual adversário é mais duro para Chris Weidman: Ronaldo Jacaré ou Luke Rockhold?

Eu vejo o Jacaré como um cara muito duro, mas o Rockhold evoluiu bastante. Se foi criado um ranking, o próximo (a disputar o cinturão) deveria ser o Jacaré. Os dois têm condições (de vencer o Weidman). Eu escolheria uma revanche contra o Weidman. Um passo atrás, dois golpes em cima, outro embaixo e liquidaríamos ele.

O que representa esse novo corte de cabelo?

O Davi (filho) me perguntou: "Papai, por que isso?". Na nossa vida tudo tem um símbolo. A fase do moicano passou. Eu olhei para o cabeleireiro e pedi para tirar tudo, deixar só atrás, igual ao último samurai. Para dar continuidade em algo, na minha cabeça, é preciso surgir novas coisas, novas ideias, um novo momento. É uma coisa minha, interna. Agora, vamos para as férias e ver no que isso vai trazer. Foi o momento em que senti que era para fazer. Vamos enterrar essa semente e germinar bons frutos.

Bethe se diz diferente de Vitor Belfort: "Eu não baixo a cabeça na pressão"

Próxima desafiante ao título peso-galo afirma que cresce nas dificuldades, durante sessão de perguntas e respostas com os fãs antes da pesagem do UFC Goiânia

Por Goiânia
Que Bethe Correia fala o que pensa, isso já não é novidade. Mas desta vez ela surpreendeu quando questionada se não teme que aconteça com ela a mesma coisa que aconteceu com Vitor Belfort contra Chris Weidman. De acordo com a peso-galo, que enfrenta Ronda Rousey em agosto pelo título da categoria, isso não se repetirá pois ela não baixa a cabeça e não se entrega. A lutadora também declarou que acredita que o Fenômeno sentiu a pressão de lutar pelo título.
Bethe Correia UFC Goiânia 2 (Foto: William Lucas / Inovafoto)Bethe Correia alfineta Belfort em sessão de perguntas e respostas com fãs em Goiânia (Foto: William Lucas / Inovafoto)


- Não tenho medo de nada porque o medo não vem de Deus. Rejeito todo sentimento negativo. O medo vem, mas eu rejeito. O Vitor tem suas qualidades, mas sou diferente dele. Ele tem um estilo diferente do meu de lutar, de condicionamento físico, psicológico, ele é um grande lutador mas não parece comigo. Eu sou uma lutadora que cresce. Não baixo a cabeça na pressão. Não me entrego, não me desespero, penso durante as dificuldades. O que acho que aconteceu com o Vitor é que ele estava em um momento de pressão e perdeu um pouco o rumo do que fazer. Era um título muito importante pra ele. Ele é um grande atleta, mas infelizmente a pressão do cinturão pesou um pouquinho para ele. Mas desejo sorte. Acredito muito em mim, na minha trocação. Se eu explodir para cima da Ronda, e ela vir para cima de mim, vou sobressair. Confio muito no meu potencial - afirmou, durante sessão de perguntas e respostas com os fãs, antes da pesagem do UFC Goiânia.

A lutadora ainda lembrou que, neste domingo, ela completa três anos de MMA profissional e se considera "uma coisa anormal" por já ter chegado a uma disputa de cinturão no Ultimate.

- Domingo fazem três anos de MMA. Sou considerada uma coisa anormal. Acho que nunca existiu isso na história do MMA, até do vale tudo, alguém que em três anos chegue a uma disputa de título na maior organização do mundo. Tenho muito orgulho disso. Fiz em três anos o que alguns não fazem a vida toda. Não foi fácil, mas valeu a pena.
UFC 190
1 de agosto, no Rio de Janeiro
CARD DO EVENTO (até agora):
Peso-galo: Ronda Rousey x Bethe Correia
Peso-meio-pesado: Rogério Minotouro x Mauricio Shogun
Peso-pesado: Rodrigo Minotauro x Stefan Struve
Peso-pesado: Antônio Pezão x Soa Palelei
Peso-meio-pesado: Rafael Feijão x Patrick Cummins
Peso-médio: Vitor Miranda x adversário a ser anunciado