quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Suspensão médica: Ellenberger e Cejudo podem ficar 6 meses de molho

Ryan Benoit e Devin Clark também levam as maiores suspensões do TUF 24 Finale

Por Las Vegas, EUA
Henry Cejudo e Jake Ellenberger lideram a lista de quatro lutadores que poderão receber suspensões médicas de até seis meses, em decorrência do TUF 24 Finale, sediado no último sábado, em Las Vegas, Estados Unidos. As informações foram divulgadas pela Comissão Atlética de Nevada, na terça-feira. Ryan Benoit (nariz) e Devin Clark (polegar) completam o quarteto.
Joseph Benavidez Henry Cejudo TUF 24 Finale (Foto: Getty Images)Henry Cejudo perdeu para Joseph Benavidez no último sábado, pelo TUF 24 Finale (Foto: Getty Images)


Derrotado por Joseph Benavidez, Cejudo, superado por decisão dividida, apresenta problemas na mão esquerda. Ellenberger, por sua vez, machucou o pé esquerdo, e ambos permanecem afastados até 2 de junho de 2017, caso não sejam liberados pelos médicos. 

Tim Elliott - que perdeu para Demetrious Johnson no duelo principal - não teve grandes prejuízos fisicamente. Ele recebeu suspensão até janeiro e deverá manter distância dos treinos até o próximo dia 25.

Confira abaixo as suspensões:

Henry Cejudo: Raio-X na mão esquerda. Liberação médica ou sem contato até 02/06/17

Jake Ellenberger: Raio-X no pé esquerdo ou ressonância magnética. Liberação médica ou sem contato até 02/06/17.

Ryan Benoit: Raio-X no nariz. Liberação médica ou ou sem contato até 02/06/17.

Devin Clark: Raio-X no polegar. Liberação médica ou ou sem contato até 02/06/17.

Sara McMann: Suspenso até 18/01, sem contato até 03/01/17.

Gray Maynard: Suspenso até 18/01, sem contato até 03/01/17 devido à laceração no olho esquerdo.

Matt Schnell: Suspenso até 18/01, sem contato até 03/01/17.

Jamie Moyle: Suspenso até 18/01, sem contato até 03/01/17 devido à laceração acima do olho esquerdo.

Elvis Mutapcic: Suspenso até 18/01, sem contato até 03/01/17 devido à laceração no couro cabeludo.

Tim Elliott: Suspenso até 03/01, sem contato até 25/12.

Jared Cannonier: Suspenso até 25/12, sem contato até 18/12.

Rob Font: acompanhamento via Angiografia por Ressonância Magnética até 01/12/18.

Rodrigo se acerta com Jorginho
após conversa: "Mal-entendido"

Zagueiro tem papo por telefone e ressalta respeito pelo ex-treinador. Ao projetar próximo ano, pede apoio dos torcedores e se declara ao Vasco: "Escolhi amar"

Por Rio de Janeiro
Rodrigo Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)Após conversa com Jorginho, Rodrigo se diz aliviado (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)
Rodrigo tinha acabado de atender a ligação da reportagem quando se desculpou e pediu para falar mais tarde. Havia outra chamada para ele.
- É importante. 
Era Jorginho, retornando uma ligação anterior de seu capitão no Vasco. Quarenta minutos mais tarde, o zagueiro voltou a conversar com o GloboEsporte.com e disse ter se resolvido com o treinador, que na segunda-feira não quis falar sobre o jogador
- Por incrível que pareça, fiquei surpreso. Até porque fui o capitão da equipe até o fim... Se ele tivesse algo contra mim, por que me manteria na função? Eu tinha ligado para ele antes, tocou e não atendeu. Na hora que você me ligou, quem estava era ele. Conversei com ele, perguntei o que aconteceu. Batemos um papo, foi bacana. Ele estava pensando algumas coisas, falei o que aconteceu. Passei por um momento difícil dentro da minha família, e ele era um dos caras que me ligava, rezava por mim, mandava mensagem. Hoje, não olho o Jorginho como treinador, e sim como ser humano, pelo projeto que ele tem de ajudar as pessoas. Ele e o Zinho tem muito caráter, os dois são muito bacanas. Tivemos um ótimo relacionamento – contou Rodrigo
A entrevista com o zagueiro, porém, não era apenas para falar do relacionamento com Jorginho. O ano de 2016 foi intenso para o jogador. De líder do campeão carioca invicto ao sufoco do acesso para a Série A, Rodrigo passou por um problema familiar – que ainda não se sente confortável em revelar – e participou ativamente do que ele considera como algo primordial para a subida do Vasco: a reconciliação com a torcida. 
Confira:
Este ano foi intenso, com título, sufoco, queda de rendimento. Que balanço você faz de 2016?

Rodrigo: Por mais que tenha subido na última rodada acho que foi um ano bom, porque conquistamos o Carioca de uma forma que entrou para a história, tivemos também aquela sequência de jogos invicta, conseguimos o acesso. Lógico que atrapalhou esse acesso nosso, poderia ser mais fácil, mas depois da volta (da Olimpíada) todo mundo deu uma queda. Entramos na zona de conforto. Nosso time era superior a todos, jogou o primeiro turno com os mesmos jogadores, mas tivemos problemas de sair jogador, algumas peças não encaixaram, e a gente sofreu com isso. 
Rodrigo Vasco (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)Rodrigo em ação no jogo contra o Ceará, pela Série B (Foto: Paulo Fernandes / Vasco)
E pessoalmente, o que você leva deste ano?
O que posso tirar desse ano foi o primeiro turno, jogando em alto nível, junto com o time, aquela sequência bacana. É difícil falar uma coisa de meta em particular porque você está no Vasco, disputando a segunda divisão, é difícil. Agora não, esse ano (2017) vai ser diferente, jogando contra grandes clubes, todo mundo olhando. Ano de Série B para o Vasco é um ano perdido. Até para a torcida, e a gente sofreu muito com isso. É o principal que tem que mudar esse ano. A torcida tem que acreditar no time, ter esse elo. Sinceramente, se não fosse a torcida no Maracanã na última rodada ia ser mais difícil. Foi uma coisa linda. A gente tem torcida e cadê a nossa torcida? Está contra o time? É isso que acho que tem que reverter. 
Na reta final, você conversou com alguns torcedores, até mesmo pediu para que houvesse a reunião. Por que achava tão importante?
 Eu já joguei contra e a favor dessa torcida. É muito importante, porque a atmosfera que leva para o campo é outra. Você vai num estádio com 200 pessoas e ouve até o pipoqueiro. Não tem concentração para um jogador que vê o estádio vazio. Se o Vasco é o único clube do Rio que tem casa, vamos fazer valer, vamos lotar.  A gente estava muito fraco de cabeça, de confiança, foi tentando de tudo, até palestras, e na verdade quem resolveu foi a torcida. Falei: “Vamos chamar a torcida, tem que passar confiança para eles acreditarem na gente”. Jorginho gostou da ideia, Euriquinho gostou e fomos lá e conversamos com eles. Passamos o que a gente pensava. Eles também falavam coisas, que não gostavam de fulano. Foi onde nossa torcida entendeu que tinha que apoiar o time. Foi ali que a gente subiu. 
A gente estava muito fraco de cabeça, de confiança, foi tentando de tudo, até palestras, e na verdade quem resolveu foi a torcida." 
Rodrigo
O Vasco teve um público muito baixo em São Januário na Série B. Isso afetou?
Jogando no Vasco, você vai na sala de troféus e vê times maravilhosos, campeões de tudo. Você vê o Vasco jogando a Série B, que motivação tem para ir assistir? Que motivação tem de jogar? É difícil. A motivação de um clube para jogar contra o Vasco na Série B era totalmente diferente. Mas muita gente confunde. Não é que você não vai correr. A gente corria. Mas jogar contra rival, contra um Corinthians, é diferente. A preparação, a atmosfera, o público... De todo mundo: torcedor, diretoria, treinador, jogador. Você se prepara melhor. É difícil se para jogar Série B contra um time que quer ficar na Série B. Era difícil ter motivação maior para pegar e subir tranquilo. 
Como explicar a queda de rendimento do time? Quais foram os motivos?
Se você pegar, nosso time nunca foi de fazer mais do que dois gols. O que acontecia? A gente era obrigado a sempre sair para o jogo. Teve a parada, quebrou o ritmo da gente. Você vai para uma folga de 10 dias em que um jogador pode ir para onde quiser, viaja... Você volta, não perde muita coisa, mas perde o primordial, que é o ritmo de jogo. Vinha outro fator, que era estar relaxado pelos pontos que tinha de diferença. Juntou tudo. Às vezes acho que se não tivesse essa parada a gente teria subido tranquilo. Aí, entrou naquele negócio. Perde uma, duas, tinha jogador que estava voando, que era o Nenê, e também machucou. Quem que a gente colocaria no lugar dele? A gente sofreu muito com isso. Fomos perdendo ponto, todo mundo encostando, foi entrando aquela desconfiança que acabou atingindo os jogadores, começou a vir pressão da torcida, começou a juntar muita coisa.
E as questões extracampo? Falou-se muito em racha no elenco, em problemas com o Jorginho. Em entrevista, ele disse que não queria falar sobre você. 
Por incrível que pareça, fiquei surpreso. Eu tinha ligado para ele antes, tocou e não atendeu. Na hora que você me ligou, quem estava ligando era ele. Conversei com ele, perguntei o que aconteceu. Batemos um papo, foi bacana. Ele estava pensando algumas coisas, falei o que aconteceu. Passei por um momento difícil dentro da minha família, e ele era um dos caras que me ligavam. Rezava por mim, mandava mensagem. Hoje, não olho o Jorginho como treinador, e sim como ser humano, pelo projeto que ele tem de ajudar as pessoas. Ele e o Zinho têm muito caráter, os dois são muito bacanas. Tivemos um ótimo relacionamento. Tenho carinho por ele e pelo Zinho. Gosto muito dele. Foi resolvido.
Rodrigo e Jorginho conversa grupo Vasco  (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)Rodrigo e Jorginho durante conversa com o elenco (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)
Mas o que aconteceu entre vocês?
Futebol é aquele negócio: quando as coisas estão ruins... Quando pediram minha opinião sobre a demissão (de Jorginho), eu falei que achava um erro, que ele não era culpado. Falei isso para ele. Quando pude ajudar, ajudei. Algumas coisas são difíceis de falar quando o clube está pegando fogo, mas agora sentamos, trocamos ideia por telefone. Ele entendeu. Havia alguns mal-entendidos. Ele colocou o que achava. Também estou aliviado porque o que ele falou para mim foi muito bacana. 
E como é sua relação com o elenco?
Eu sou muito concentrado no dia-a-dia, não sou muito de brincar. O caminho está acabando, estou indo para o fim, e os moleques estão no começo. Eu vejo meus treinos de outra forma, é por isso que eu fico muito concentrado, não brinco muito. Por isso falam que o Rodrigo é isso ou aquilo. Andrezinho é brincalhão, Julio Cesar, Nenê... Eu brinco mais com os mais velhos. Como sou muito fechado, os meninos ficam meio assim de vir brincar, eu que tenho que ir lá, brinco de peteleco com eles. Mas no sentido de brincar, me dou muito melhor com os funcionários. É difícil eles brincarem com jogadores, porque não passam muito do limite, então eu que vou e brinco com eles. Eu brinco mais com o pessoal que está ali do que com os próprios jogadores.    
Você passou por um problema familiar no fim do ano. Como lidou com a situação?
Me atrapalhou muito. Eu era o primeiro a chegar e o último a sair, gostava de me cuidar, lapidar algumas coisas. A minha queda de rendimento não foi só da equipe, foi por causa do meu problema. Quando você tem algo que te preocupa você não vai 100% para o seu trabalho. Na ocasião, precisei de um tempo, de calma para ver como lidar com a situação. Graças a Deus o Jorginho entendeu, o presidente também, voltei na hora que eu achei que tinha que voltar. Agora já está mais tranquilo, as coisas andaram muito bem. Agora é pensar no ano que vem. Ano que acho que o torcedor está esperando resposta, nós pensamos muito grande.
Rodrigo e Eurico Miranda título Vasco (Foto: Reprodução Instagram)Rodrigo posa com Eurico Miranda e troféu do Carioca (Foto: Reprodução Instagram)
Conhece o Cristóvão? Quais referências tem dele?
Não o conheço. Jogamos contra quando ele estava no Flamengo, cumprimentei. Falaram que é uma pessoa muito bacana, um cara que gosta de conversar, de saber a situação dos jogadores. 
Você fica para 2017?
Eu tenho contrato. O treinador parece que conta comigo, e eu vou fazer de tudo para ajudar. Me identifico muito com o time, gosto do Vasco. Quando aconteceu aquela situação no hotel (zagueiro foi agredido em setembro de 2015 por torcedor), era para amar ou odiar. Eu permaneci naquela situação. Foi bem na época que o Internacional ganhou de 6 a 0. Qualquer um iria embora. Ou eu amava ou odiava, e eu escolhi amar. Gosto do clube e vou fazer de tudo para que o Vasco esteja bem. 
Chegou a receber proposta para sair neste fim de ano?
Tem alguma coisa de fora, meu empresário está vendo. Na minha idade tenho que analisar muito se é bom ou ruim. Estou feliz. Vou ficar, gosto do Vasco, me sinto bem, estou há três anos aqui. Tem muita pergunta. Nada que seja sério. Pelo menos até o momento. 
Ou eu amava ou odiava. E eu escolhi amar. Gosto do clube e vou fazer de tudo para que o Vasco esteja bem"
Rodrigo
Você pretende jogar por mais quanto tempo?
Tenho mais um ano com o Vasco e quero jogar até 2019. E aí vou pensar no que vou fazer. Se você não gostar do que faz, é melhor nem fazer. O futebol tem muitas áreas bacanas em que dá para trabalhar. 
Pensa em ser treinador?
Não. Treinador, hoje não. Não sei o dia de amanhã. Eu iria para o lado do que o Rodrigo Caetano faz. Treinador é muito direto, tem que falar “a posição é sua, é essa”. Não me vejo. Me vejo mais na coordenação, de estar atento a algumas falhas que o treinador não pode falar, mas eu como diretor posso ir lá e corrigir. 
Muitos comentam sobre sua relação com o Euriquinho (filho e representante de Eurico Miranda na gestão do futebol). 
Quem me trouxe para o Vasco foi o Rodrigo Caetano, que é meu amigo até hoje. Ele me liga, a gente se fala. A mesma relação eu tenho com o Euriquinho. Como no Vasco o Eurico é o pai do Euriquinho, todo mundo leva por esse lado. Com o Rodrigo Caetano, eu quero aprender com ele, porque não sei o que vou fazer da minha profissão, gosto da forma que ele trabalha. Ajudei o Rodrigo a conversar com jogadores, tipo o Douglas. E ninguém falava nada. Hoje tenho relação com o Euriquinho e todo mundo fala. Não dá para entender. 
Isso te incomoda?
Se me incomodasse eu parava de conversar com ele (Euriquinho). Eu moro no Rio, não conheço ninguém. Quando a gente foi campeão em 2015, a minha esposa e a esposa dele ficaram sentadas na mesma mesa. Quem nos aproximou foram as esposas, e a gente acabou entrando junto, porque senão ia virar uma coisa só no campo.      

Conquistas, extracampo e despedida: polêmico, VR3 revela erros e acertos

Perto de encerrar terceira passagem pelo Vitória, Victor Ramos avalia temporada agitada no clube: "Costumo dizer que, nesse ano, envelheci uns dois anos", admite

Por Salvador
A felicidade da conquista, a indignação pela acusação, a frustração da eliminação, o medo do rebaixamento, a tristeza pela violência, o desapontamento com o erro. Não seria exagero dizer que, em dez meses de Vitória, o zagueiro Victor Ramos sentiu, pelo menos um pouco, todas essas sensações. Formado nas categorias de base do Leão, o defensor de 27 anos retornou em fevereiro para iniciar a sua terceira passagem pelo clube. Nesse período, dentro de campo, foi campeão Baiano, caiu com o time nas copas do Brasil e Sul-Americana e lutou contra o Z-4 no Brasileirão. Fora das quatro linhas, VR3 foi apresentado com festa, teve o nome envolvido em polêmica de escalação, foi agredidosuspenso e perdoado pela diretoria.
- Se foi assim ganhando o Campeonato Baiano, imagine se não tivesse ganho. Era uma pressão muito grande. Costumo sempre dizer ao pessoal mais próximo de mim que, nesse ano, envelheci uns dois anos. Foi um ano muito desgastante. Se não foi o principal, foi um dos anos mais desgastantes por essa situação que o Vitória se encontrou, de brigar lá embaixo - avalia Victor Ramos.
victor ramos; victor ramos (Foto: Ruan Melo)Victor Ramos mostra algumas das cerca de 20  tatuagens espalhadas pelo corpo (Foto: Ruan Melo)
Em um ano de variadas emoções, Victor Ramos não foge ao rótulo de jogador polêmico, muito menos nega os erros cometidos extracampo. Ele assume que não deveria ter discutido com um torcedor em uma rede social, nem faltado a um treino sem comunicar ao clube. Contudo, o defensor também valoriza os acertos. Ao longo da temporada, avaliada por ele com positiva, VR3 disputou 38 jogos, todos como titular, e marcou dois gols. É o líder em desarmes do Vitória no Brasileirão, e o 38º na competição, com 55 roubadas de bola.
Muito mais que a fama de boêmio ou o sucesso com as mulheres, Victor Ramos também mostra um outro lado e, no corpo e nas palavras, faz questão de registrar o amor pela família e pela torcida do clube que o revelou. Entre as cerca de 20 tatuagens espalhadas, o defensor tem os nomes dos pais e da irmã gravados no braço, além do rosto da avó, Maria Elísia, registrado em um dos ombros, e de um Leão, na mão. Quanto às palavras, não se priva de dizer e repetir:
- A torcida do Vitória sempre vai morar no meu coração onde quer que eu esteja.
Suspenso pelo terceiro cartão amarelo da última partida do Vitória na temporada, contra o Palmeiras, Victor Ramos está se despedindo do clube. Emprestado pelo Monterrey, do México, até dezembro, ele ainda treina com os companheiros, mas não vai ficar para a próxima temporada. Com tanto a dizer, VR3 concedeu entrevista coletiva ao GloboEsporte.com para falar do seu ano no Vitória. Confira tudo abaixo.
GloboEsporte.com: Você se acha um jogador polêmico?
Victor Ramos: Me acho. Engraçado, quando eu cheguei para conversar com Argel, ele até me falou: "Você é meu estilo, você é polêmico. Isso é bom, às vezes, para o jogador. Você é um jogador temperamental, faz parte, é de você". Eu não pedi para ser polêmico. Também não tenho vergonha, é o meu jeito de ser. Não penso muito no amanhã, nem no depois. Penso no agora. Já quebrei a cara com isso. Mas também já foi bom ser assim em alguns momentos. Tem seus prós e seus contras como tudo na vida.
Ao longo dos anos, foi criada uma espécie de fama de jogador boêmio sobre você. Isso te prejudicou em algum momento?
Complicou um pouco. Minha vida extracampo prejudicou um pouco. Meu passado me prejudicou um pouco de fazer contratos muito bons. Tive várias sondagens, mas acho que meu extracampo pesou um pouco. Isso e, principalmente, polêmica com mulheres. Isso aí não foi uma mancha. Mas em alguns momentos deixei de fazer alguns contratos. Mas, graças a Deus, tenho mais um ano no Monterrey. Me deu uma tranquilidade na vida. Para onde eu for agora pretendo ficar mais três, quatro anos.
Apresentação de Victor Ramos no Barradão (Foto: Rafael Santana)Victor Ramos foi apresentado no Barradão com Kieza e Dagoberto (Foto: Rafael Santana)
Em fevereiro, você retornou ao Vitória para a sua terceira passagem pelo clube. O que te fez aceitar esse novo desafio?
Eu tinha algumas sondagens de outros times. Mas o Vitória é minha casa, me sinto em casa. Foi onde tudo começou na minha vida. Eu falei: "Pô, lá no México já está com a cota de estrangeiros". Eu saí do Palmeiras e aí pensei em voltar para o Vitória. Entramos em acordo salarial, com o meu time pagando metade, e o Vitória a outra metade. Então, por que não voltar? O Vitória é um time grande, que representa muito na minha vida. Achei que esse era o momento. O Vitória também me apresentou um projeto muito bom. O Anderson Barros [diretor de futebol do Vitória] é um cara que me apresentou esse projeto. Pode até ter diretor de futebol como ele, mas melhor não tem.
E qual o balanço que você faz da temporada?
Acho que fiz um bom campeonato no Vitória. Individualmente, eu fiz um bom ano. Se eu não me engano, fui um dos maiores desarmadores do Campeonato Brasileiro em estatística. Isso é muito bom. Fui campeão Baiano. No Brasileiro fiz algumas partidas muito boas, outras nem tanto. Isso é normal. Ninguém vai jogar 100% bem todos os jogos. Mas foi um ano positivo para mim e fico feliz. Não 100% porque o Vitória está assim, mas 70% para mim individualmente.
Se arrepende de alguma coisa?
Não me arrependo. Foi um ano positivo. Foi um ano meio complicado porque a gente estava lutando contra o rebaixamento. E eu nunca passei por isso de jogar com a faca no pescoço. É pressão, é torcida, é imprensa. Mas foi um ano positivo. Ganhamos o Campeonato Baiano, o que não acontecia há dois anos. Se eu não me engano, é o quarto que eu ganho. Na Copa do Brasil dava para a gente ter avançado mais. Demos um vacilo e perdemos do Cruzeiro.
O que você vê de diferente entre o Victor Ramos de agora e o das primeiras passagens pelo Vitória?
Eu amadureci muito. Amadureci dentro e fora de campo, como ser humano. A vida é assim, faz com que você amadureça mais e mais. Sou outro Victor Ramos. Todos viram minha evolução. Claro que todos nós temos probleminhas dentro e fora de campo. Mas [em relação] ao Victor de 2012, 2013, amadureci bastante. Tenho 27 anos e me sinto mais maduro pela postura, pela maneira de pensar a vida. São vários fatores. Me sinto mais maduro e preparado para as coisas da vida.
O que você não faz hoje que teria feito antigamente?
Me expor demais. Antigamente, me expus muito na rua, em qualquer lugar. Hoje sou mais tranquilo. Claro, sempre vão sair coisas minhas. Normal, sempre vai sair. Eu sou solteiro, tenho 27 anos, graças a Deus bem-sucedido. É normal. Mas melhorei muito essa exposição. Antigamente era Victor Ramos ali, Victor Ramos aqui. E muita exposição negativamente. E hoje, graças a Deus, reverteu bastante. Hoje é uma exposição mais positiva que negativa.
AÇÃO DO INTER NO STJD
Victor Ramos treino do Vitória (Foto: Francisco Galvão / Divulgação / E.C. Vitória)"Eu não esperava que o Inter ia na onda de outros dirigentes", diz VR3 (Foto: Francisco Galvão / Divulgação / E.C. Vitória)
 Em março, surgiu a polêmica sobre a suposta irregularidade da sua transferência. Como você recebeu aquilo? Temeu que isso pudesse prejudicar o Vitória?
Na verdade, ali foi desespero. Desespero do rival. Faz parte do futebol. Futebol tem que ser jogado nas quatro linhas. Momento nenhum o Vitória, nem a direção, os profissionais deixariam isso acontecer, sem estar de acordo com a FIFA, a CBF. Então, isso foi mais uma apelação do outro lado que não queria contar com minha presença nas finais. Foi tanto que, graças a Deus, eu fui um dos melhores em campo, junto com o Caíque. Foi uma partida boa com a equipe toda.
Esse assunto voltou a ser discutido agora, com a ação do Internacional no STJD. Como vê essa nova tentativa de punição ao Vitória em uma competição?
Agora voltou novamente com Internacional apelando como o rival. Não tenho certeza, mas acho que foi até indicação deles, do nosso rival. Faz parte. Futebol é jogado, não é no tribunal, no STJD. Tem que ser nas quatro linhas. Estou tranquilo e tudo está sob comando da direção do Vitória. 
Esses casos afetaram o seu rendimento dentro de campo em algum momento?
Não, não. Falei para o professor na época que estava bem, que queria jogar as finais. O Anderson Barros esclareceu bem para a gente. Não afetou nada. Eu sou profissional. Quando o Vitória me fez na base, me fez para ser profissional, para jogar futebol e honrar a camisa. Então, isso não vai me abalar. Sempre tive muita personalidade. Não me abalou e nunca vai me abalar. 
Depois de passar por uma situação semelhante a essa em março, pegou a você de surpresa ter que passar por tudo de novo agora?
Fiquei surpreso porque o Internacional é uma equipe muito grande. Eu não esperava que o Inter ia na onda de outros dirigentes. Para mim, isso é apelação. Eu não esperava isso do Inter, fiquei surpreso. Mas faz parte. Isso é desespero. Eles tinham que fazer isso dentro do campo, não fora do campo. O campeonato está acabando.
QUEDA DE RENDIMENTO E AGRESSÃO
vitória x santos (Foto: Francisco Galvão/EC Vitória)Victor Ramos teve carro cercado após derrota para o Santos (Foto: Francisco Galvão/EC Vitória)

O Vitória superou esse episódio de março e foi campeão do Baianão. No Brasileiro, o time não teve o mesmo sucesso e brigou contra o rebaixamento. Por que o desempenho foi diferente?
Não teve liga. Acho que o grupo, com algumas vaidades, não estava fechado em alguns momentos. A gente veio se fechar para o final do campeonato. É tanto que se você pegar os números de agora do Vitória são muito positivos. Teve a vinda do Argel, não desmerecendo o professor Mancini, que é um professor do mesmo nível de Argel. Argel também recarregou a bateria da gente. É um treinador muito motivador. Também teve a mãozinha de cada um. É como eu falo sempre, futebol não é só um jogador, só um diretor. É um conjunto. Eu vejo muita gente falar que fulano é melhor que beltrano. Mas futebol é conjunto. Futebol não é só Victor Ramos, Marinho, Farias, Kanu, Kieza. É o conjunto. E em alguns momentos nosso time desgarrou um pouco. E sabe como é, né? Se não estiver junto, não anda. Foi isso que aconteceu em certos momentos. Dava para buscar a Libertadores. Nosso time não deve nada a ninguém. Poderíamos chegar mais além. O que essa equipe tem de diferente da 2013? Dei graças a Deus para a gente não ficar marcado na história negativamente, principalmente eu que tenho uma história bonita no Vitória: fui capitão, ganhei o título do Baiano. Sempre fiquei marcado positivamente, não negativamente. 
Qual o tamanho da pressão que vocês enfrentaram ao longo da temporada?
Acho que o Vitória teve um Campeonato Baiano muito bom. Imagino que se foi assim ganhando o Campeonato Baiano, imagine se não tivesse ganho. Era uma pressão muito grande. Costumo sempre dizer ao pessoal mais próximo de mim que, nesse ano, envelheci uns dois anos. Foi um ano muito desgastante. Se não foi o principal, foi um dos anos mais desgastantes por essa situação que o Vitória se encontrou, de brigar lá embaixo. 
Em julho, quando o Vitória passagem por um dos momentos mais complicados no Campeonato Brasileiro, você chegou a ser agredido quando deixava o Barradão.  Algum dia imaginou passar por uma situação como aquela?
Aquela briga me pegou de surpresa. Nunca esperava do torcedor. Se tem um cara que honra a camisa do Vitória, esse cara sou eu. Comecei no Vitória com 12 anos. Fiquei surpreso com a torcida do Vitória. Torcida não. Para mim, aquelas pessoas que fizeram aquilo não são torcedores. São caras que não torcem para o time. O torcedor de verdade mandou mensagem, me acolheu. O torcedor de verdade me abraçou. Os que fizeram aquilo são vândalos. Fiquei revoltado com o que aconteceu. Eu, praticamente, estava fora do Vitória. Falei com meus representantes, meus familiares. Aquilo ali passou do limite. Acho que futebol tem que ser conversado.
Independe de eu agir errado. Eu agi errado. Jamais tenho que bater boca com torcedor, seja aqui ou em qualquer outro lugar que esteja. O torcedor tem o direito de reclamar. Mas tem que saber reclamar, tem que respeitar. Acho que tem que ser assim. Eu também fui errado. Eu não posso bater boca com o torcedor. Eu pequei, mas nada justifica a agressão, violência
Victor Ramos
Antes da agressão você teve um episódio de discussão com um torcedor. Acha que a sua atitude motivou o ato?
Independe de eu agir errado. Eu agi errado. Jamais tenho que bater boca com torcedor, seja aqui ou em qualquer outro lugar que esteja. O torcedor tem o direito de reclamar. Mas tem que saber reclamar, tem que respeitar. Acho que tem que ser assim. Eu também fui errado. Eu não posso bater boca com o torcedor. Eu pequei, mas nada justifica a agressão, violência. Futebol está assim hoje em dia. A torcida quer bater, não respeita. Isso tem que mudar e está fazendo o futebol brasileiro perder o clima. Isso é uma das coisas que me fazem não ter vontade de jogar no Brasil. Isso é uma das coisas que me fazem jogar fora. Minha vontade hoje é jogar fora do Brasil. Não sei onde, Deus sabe. Falta de respeito, vandalismo, tudo isso tem que acabar. Se eu passei do ponto, por que não conversar comigo? Por que não me xingar também ou fazer o que eu fiz com ele na rede social? Às vezes, também, o cara não é nem torcedor do Vitória. Enfim, é isso.
Você estava com a sua mãe no carro. Como foram aqueles momentos de tensão?
Estava com minha família, meu segurança particular. Foi Deus que ele estava do meu lado. Ele saiu armado e tudo. Fiquei dentro do carro, minha mãe também. Se eu não estou com ele ali ia ser o quê? Agradeço a Deus que botou esse cara comigo. Quebraram o carro, foram trinta e poucos mil de prejuízo. Mas o Vitória foi homem comigo. Anderson Barros ficou do meu lado, ele e o presidente. Raimundo Viana é um cara que não tem vaidade, que toda viagem está com a gente. Sempre apoia o nosso grupo. É um cara que está de parabéns.
Você pensou em deixar o Vitória naquela época? O que te fez permanecer?
Foi a diretoria me acolher, assim como os verdadeiros torcedores do Vitória, como sempre me acolheram. Esses caras que fizeram isso são vândalos, covardes. Mas, graças a Deus, estava preparado. Sempre que vou, saio com segurança particular para evitar esse tipo de coisa. O mundo de hoje é muito maldoso, sujo. Às vezes querem tirar foto só para te prejudicar. Sempre saio com segurança para evitar esse tipo de coisa. Sou um cara esquentado. Não posso me expor a esse tipo de coisa. Eu sou muito explosivo e para isso não acontecer eu saio com uma pessoa.
SUSPENSÃO E ATÉ LOGO
Vitória; treino; Toca do Leão; Barradão; Victor Ramos; Argel Fucks (Foto: Francisco Galvão/EC Vitória/Divulgação)"O Argel e o grupo confiaram em mim", afirma zagueiro (Foto: Francisco Galvão/EC Vitória/Divulgação)

Em setembro houve um outro episódio envolvendo você. Na época, você foi suspenso por faltar a um treinamento. Qual o motivo da ausência?
Eu estava machucado. Eu sou um cara que nunca perde treino. Minha prioridade foi sempre o meu trabalho. É o primeiro lugar em minha vida. Foi um deslize. Eu fui para uma reunião em São Paulo com meus empresários. Terminou a reunião, eu estava de folga e decidi que ia no Villa Mix. Não estava fazendo nada, por que não vou? Não é porque estou com pé assim [Victor Ramos tratava uma inflamação na planta do pé]. Não estou operado. Depois que eu fui para o Vila Mix, voltei para o hotel. E aí passei do horário. Botei para despertar, mas passei do horário. E o voo era para Guarulhos. E para Guarulhos é muito distante. Aí cheguei atrasado e perdi o voo. Quando cheguei, justifiquei, disse que estava errado para o Anderson. Tomei a multa, pedi desculpas ao grupo. Acho que foi a primeira e a única falha que tive no Vitória esse ano. Todo mundo erra, todo ser humano. Argel me reintegrou, eu disse que queria ajudar. Ele perguntou se eu estava focado no Vitória, disse que estava. Disse que sou profissional, que passei do limite, mas que pode contar comigo. O Argel e o grupo confiaram em mim. Acho que isso faz parte, eu errei mesmo. Tem que ser homem para assumir a responsabilidade. Tudo isso porque eu perdi o horário.
Depois da vitória sobre o Figueirense, na antepenúltima rodada do Brasileirão, você deu uma rápida entrevista e disse que muita gente falou m... de você. O que foi dito ao seu respeito que você não gostou?
No jogo contra o Santos [vitória do Santos na Vila Belmiro por 3 a 2]...Eu estava engasgado. Foi muita gente falando...Tiveram algumas declarações que me deixaram chateado lá no Vitória. Mas não só jogadores, torcedores, muita gente falando besteira. O povo da imprensa que gosta de falar do meu nome. Meu nome é muito doce, né? O povo sempre gosta de falar de Victor Ramos. Tudo é Victor Ramos. Sempre brinco com as pessoas próximas a mim e digo: "Que bom que estão falando de mim". Acho que meu nome tem açúcar. Algum radialista também falou. Foi naquele lance, no terceiro gol do Santos, que o cara mete a mão na bola. Disseram que eu fui brincar. Jamais eu ia brincar lá na área. Ainda mais um jogo daquele porte. Não faz meu estilo brincar. Nunca entreguei gol, nunca dei bola, nunca dei "braga" grotesca. Não é minha característica. Ali eu fui consciente tirar a bola, colocar ela para fora, mas o cara botou a mão. Infelizmente, aqui no Brasil, a gente não pode contar muito com a arbitragem. A arbitragem está pecando muito. Aí eu ouvi várias coisas e tive que falar. Estava engasgado. Tem que jogar limpo, ser homem e falar. Acho que foi o momento adequado, oportuno, a gente tinha ganhado bem do Figueirense, por 4 a 0.
Não tenha dúvida que eu ainda vou passar pelo Vitória. Um dia retornarei. Não sei quando, mas retornarei
Victor Ramos
No jogo depois disso, contra o Coritiba, você deu uma outra declaração importante e anunciou que aquela foi a sua última partida com a camisa do Vitória. Não tem chance de renovar?
Foi o último jogo com a camisa do Vitória. Semana que vem vou fazer uma carta, uma mensagem para a torcida, para a diretoria, agradecendo. O Vitória é um clube que, onde eu estiver, vou estar torcendo. Tenho um carinho muito grande. O Vitória eu sempre acompanhei e sempre vou acompanhar. É o último jogo mesmo. Acho que não tem chance alguma mesmo de ficar no Vitória.
Qual vai ser o seu destino em 2017? Prefere um clube do Brasil ou de fora?
Tudo indica que seja fora do Brasil. Não sei em que continente, em que país vai ser. Está na mão de Deus, que vai dizer o melhor para mim. Tive sondagens de dois clubes muito grandes do Brasil, mas não descarto. Está em aberto também.
Planeja uma quarta passagem pelo Vitória?
Futuramente. Não tenha dúvida que eu ainda vou passar pelo Vitória. Um dia retornarei. Não sei quando, mas retornarei. Vou estar com meus companheiros até essa semana e depois fico de férias. Vou também no Barradão acompanhar o último jogo para ver os meus companheiros. Também tenho muitos amigos no Palmeiras: o Rafael Marques, o Dudu. Eu tenho um carinho muito grande lá, fui campeão. 
Se você pudesse mandar agora uma mensagem de despedida para o torcedor do Vitória, o que diria?
Dizer que obrigado por tudo. Se eu errei, me desculpe. Se me equivoquei, não foi por querer dizer que sou mais que alguém. Eu sempre, quando entrei em campo dei o meu máximo. Poderia quebrar a cara, fazer o que for. Estamos juntos. Onde eu estiver vou torcer e lembrar de todos, tanto da torcida, quanto a diretoria. A torcida do Vitória sempre vai morar no meu coração onde quer que eu esteja. Sempre vou ter essa lembrança e esse carinho que nunca vai acabar.