'Velhinhos' x tecnologia: International Board estuda mudanças no futebol
Pressionada por erros de árbitros, entidade é responsável por analisar propostas de novas regras. Saiba como funciona e quem participa do grupo
A International Board foi fundada por quatro associações britânicas em 1886 - antes mesmo da Fifa, de 1904 -, quando os responsáveis pelo futebol de Inglaterra, Escócia, Irlanda e País de Gales se juntaram em Manchester para definirem as regras do jogo. Em 1913, a Fifa passou a fazer parte do grupo. Nas reuniões, cada federação britânica tem um voto, enquanto a Fifa tem quatro, representando os outros 204 países filiados. Para qualquer mudança nas leis, é necessária a aprovação de 3/4 dos votos (seis dos oito).
O primeiro encontro anual, que costuma ser em fevereiro ou março, serve para tratar de assuntos gerais, incluindo as mudanças nas regras. O segundo, geralmente entre setembro e outubro, debate temas ligados a negócios submetidos ao conselho e não tem como intuito interferir dentro das quatro linhas. Cada federação tem um voto, mas isso não significa que apenas oito pessoas estejam presentes.
- Como uma regra geral, cada membro é geralmente representado pelo respectivo secretário-geral/chefe-executivo da Fifa e das quatro federações britânicas, além de representantes de cada departamento de arbitragem - disse a Fifa, por e-mail.
Procurada pelo GLOBOESPORTE.COM, a Fifa não revelou os nomes de todos os seus representantes na última reunião em outubro, no País de Gales. A entidade apenas disse que Jérôme Walcke (secretário-geral), não participou por conta de um compromisso em Zurique e deu a entender que o presidente Joseph Blatter compareceu.
Do lado das federações britânicas, oito membros estiveram presentes no encontro de outubro, segundo e-mail respondido pela associação do País de Gales. Alex Horne (secretário-geral) e Neale Barry (chefe de desenvolvimento da arbitragem) representaram os ingleses, enquanto Jonathan Ford (chefe-executivo) e John Deakin (secretário da Premier League galesa) estiveram do lado galês. Patrick Nelson (chefe-executivo) e William Campbell (chefe de operações) ainda foram os representantes da Irlanda, e Stewart Regan (chefe executivo) e Hugh Dallas (sem cargo especificado), da Escócia.
Velhinhos? Nem todos. Em seu site oficial, a Fifa exibe a foto de um encontro especial da International Board em 18 maio de 2010, em Zurique, com a presença de 21 pessoas, incluindo alguns dirigentes considerados jovens, como Michel Platini (presidente da Uefa), de 55 anos. Mas há também Nicolas Leoz (presidente da Conmebol), de 82 anos. Dos nomes revelados pela federação galesa sobre a última reunião, Stewart Regan, Alex Home e Patrick Nelson têm cerca de 50 anos. Blatter tem 74 anos.
- Não existe nada disso de história dos velhinhos da International Board. Tem gente jovem lá. A imagem de velhinhos foi uma lenda criada. Não tem esse negócio, até porque as pessoas de lá não são eternas - brincou o ex-árbitro Renato Marsiglia.
- Todas as alterações ocorridas até agora tornaram o futebol mais dinâmico, e serviram para ter mais gols e ainda proteger os craques. Mas eles (membros da International Board) são resistentes a mudanças mais drásticas. Por mais que sejam conservadores, prevalece o bom senso - disse Arnaldo.
A opinião é compartilhada por Marsiglia:
- Eu acho que essa composição é feita para evitar mudanças bruscas nas regras do futebol. Se você começa a abrir demais para mudar as regras querendo atender determinados setores, daqui a pouco as regras serão mudadas para atender o desejo dos patrocinadores. As regras se tornam imunes a isso tudo, por isso o conservadorismo. Já imaginou se a International Board fosse um órgão que atendesse a determinados interesses.
Se uma mudança for aprovada (tendo os seis de oito votos da reunião), a medida passa a valer a partir do dia 1º de julho do mesmo ano. Nos últimos anos, algumas novidades saíram do papel, como a permissão de jogos em campos de grama artificial, a proibição de camisas contendo mensagens políticas ou religiosas, a liberação da publicidade em qualquer parte do uniforme e uma alteração na lei de impedimento, onde qualquer parte do corpo, com a exceção dos braços, conta na hora da marcação de um impedimento.
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