Um ano após trauma, Lais quer morar em SP, mas sofre com acessibilidade
Ex-ginasta e esquiadora segue com sessões diárias de fisioterapia e comemora melhora na sensibilidade dos membros superiores após tratamento com células-tronco
Nesta terça-feira, Lais está na capital paulista realizando uma bateria de exames para acompanhar sua condição física. Em fevereiro ela voltará ao Jackson Memorial Hospital, em Miami, onde realizou três séries de aplicações de células-tronco no ano passado, e será reavaliada pela equipe médica local. Só com base na análise destes dados é que as próximas etapas do tratamento serão definidas. Por enquanto, no Brasil, ela segue fazendo fisioterapia diariamente e comemorando as pequenas conquistas.
Tenho a sensação de que meu corpo não para, que está sempre tentando contrair
Lais Souza
A ex-ginasta chegou ao Brasil no dia 13 de dezembro, data em que completou 26 anos. Desde então segue uma rotina complicada, já que além das sessões de fisioterapia ela cumpre uma série de compromissos com patrocinadores e imprensa. Apesar da correria, Lais comemora a boa recepção que teve dos compatriotas.
Se o contato nas ruas está sendo positivo, com muitas mensagens de carinho e apoio, a logística ainda é um grande problema. O deslocamento em São Paulo foi facilitado pela doação de um carro adaptado pelo apresentador de TV Luciano Huck, mas a falta de acessibilidade na cidade é um grande obstáculo.
- Há lugares que ela frequentava e que hoje não é mais possível porque não tem uma entrada própria. Fora que as ruas são muito esburacadas. O carro está ajudando muito, mas mesmo a 20 km/h ainda chacoalha muito, ela bate a cabeça. É preciso muito cuidado para ela não se machucar durante o transporte, e fazer tudo com muita antecedência já prevendo esse tempo do trajeto lento. É complicado - desabafou Denise.
As dificuldades não se limitam ao deslocamento. Se nos Estados Unidos uma cuidadora auxiliava a mãe de Lais, agora Dona Odete acumula todas as atividades. O sacrifício em prol dos cuidados com a filha começaram exatamente há um ano, quando ela abandonou o trabalho de vendedora para viajar a Salt Lake City e acompanhar a recuperação em tempo integral.
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- Eu tinha um emprego, mas larguei tudo para viver a vida
dela. Eu tenho muita fé, e é o que me dá mais segurança. Eu agradeço todos os
dias por qualquer sensibilidade, cada pouquinho que vai acontecendo, mesmo que
devagar, porque ela está aqui comigo, viva e com saúde. É muito puxado porque
tem as sondas, muitos remédios e é tudo muito caro. Gasta-se muito com um
tetra (tetraplégico). Graças a Deus estamos tendo ajuda - disse Odete. - Presidente Dilma sanciona lei que concede pensão vitalícia a Lais Souza
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No dia 13 de janeiro foi publicado no Diário Oficial da União a sanção da presidente Dilma Rousseff à lei que concede pensão vitalícia a Lais. Aprovada pelo Congresso Nacional no fim do ano passado, a lei proposta pela deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) prevê pensão mensal e vitalícia a Lais em valor equivalente ao limite máximo do salário de benefício do Regime Geral de Previdência Social: R$ 4.390,24. Como a sanção é muito recente, a família ainda não teve acesso ao dinheiro. Por enquanto, a atleta está se sustentando com recursos fornecidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), por patrocinadores e com a verba arrecadada na campanha “Força, Laís” – cerca de R$ 200 mil, de acordo com o pai da atleta.
O primeiro boletim médico divulgado pelo Time Brasil confirmava a perda dos movimentos dos braços e pernas, mesmo após as cirurgias que realinharam a coluna. Lais superou o risco de morte, conseguiu respirar sem a ajuda de aparelhos e deixou a UTI, sendo depois transferida para o Jackson Memorial Hospital, em Miami. Na nova fase da recuperação, a paulista passou a integrar um projeto pioneiro com células tronco. Após três sessões de aplicações, ela viajou ao Brasil pela primeira vez desde o acidente.
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