terça-feira, 14 de junho de 2011

Após quase um ano, Serena volta às quadras com vitória em Eastbourne

Americana perde primeiro set, mas derrota búlgara na estreia na Inglaterra. Próxima adversária será a russa Vera Zvonareva, atual número 3 do mundo

Por GLOBOESPORTE.COM Londres
Foram 346 dias sem jogar. Nesta terça-feira, após quase um ano, Serena Williams voltou a pisar numa quadra de tênis, na grama do WTA de Eastbourne, Inglaterra. E o retorno veio acompanhado de uma vitória: a americana bateu a búlgara Tszvetana Pironkova (número 34 do ranking mundial) de virada. A atual 25ª do mundo chegou a perder o primeiro set (1/6), mas triunfou com parciais 6/3 e 6/4 na sequência, em 2h04m de jogo.
Blog Saque e Voleio: 346 dias depois...
tênis serena williams Eastbourne (Foto: agência AFP)Serena Williams vira jogo e vence na estreia do WTA de Eastbourne, na Inglaterra (Foto: agência AFP)
Na próxima etapa, a adversária de Serena Williams será a a russa Vera Zvonareva, número do 3 do mundo e primeira cabeça de chave do torneio. Também nesta terça, ela derrotou convidada inglesa Heather Watson, atual 93ª do ranking, por 2 sets a 0, parciais 6/3 e 6/3, em 1h19m. Curiosamente,  Zvonareva foi a última rival de Williams antes de a americana se afastar das quadras.
Convidada para jogar em Eastbourne, Serena esteve afastada do tênis profissional primeiro por uma lesão no pé, e depois pela longa recuperação de uma embolia pulmonar.
Outros resultados desta terça-feira em Eastbourne:
[4] Francesca Schiavone (ITA) x Kaia Kanepi (EST) - 7/6(7) e 6/1
[6] Marion Bartoli (FRA) x Lucie Safarova (TCHE) - 6/3, 3/6 e 7/6(3)

A rodada: Série B terá todas as dez partidas na noite desta terça-feira

ABC busca manutenção da liderança contra o Vitória, no Barradão. Lusa x Guarani e Goiás x Paraná marcam encontros de ex-times da elite brasileira

Por GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro
ABC de Natal gol Série B (Foto: Reprodução SporTV)O ABC de Natal é o líder da Série B do Brasileirão
até o momento (Foto: Reprodução SporTV)
A Série B do Brasileirão de 2011 terá nesta terça-feira sua primeira rodada cheia: todas as dez partidas serão realizadas à noite. O ABC, que soma oito pontos, tenta se manter na liderança contra o Vitória no Barradão, às 21h (horário de Brasília), mas pode ser ultrapassado por sete equipes que têm entre seis e oito pontos, incluindo o próprio Rubro-Negro. Outro destaque serão os embates entre clubes que até pouco tempo faziam parte da elite do futebol brasileiro: Portuguesa e Guarani se enfrentam às 19h30m, no Canindé, e Goiás e Paraná jogam no mesmo horário, no Serra Dourada.
Portuguesa x Guarani (às 19h30m, no Canindé)
Com a suspensão do lateral-direito Marcos Pimentel, suspenso por cartão vermelho, o treinador da Lusa, o ex-jogador Jorginho, decidirá o substituto do titular entre Henrique, Guilherme, Luis Ricardo e Ivan. Enquanto isso, o Bugre tenta aumentar sua série de invencibilidade: a equipe já está há 17 jogos sem sequer uma derrota. O Premiere 1 transmite ao vivo a partida, em sistema pay-per-view.
Goiás x Paraná (às 19h30m, no Serra Dourada)
O treinador Artur Neto deve manter Guto no ataque titular do Esmeraldino, com o antigo titular Hugo, que se recuperou de contusão, continuando entre os reservas. No Paraná, o atacante Kelvin, com uma forte amigdalite, dificilmente será liberado pelos médicos e deve dar lugar a Léo. O SporTV transmite ao vivo a partida.
Salgueiro x Náutico (às 19h30m, no Ademir Cunha)
Os protagonistas do clássico pernambucano fazem campanhas muito parecidas. Ambos têm uma vitória, uma derrota e dois empates. O saldo de gols, no entanto, deixa o Salgueiro quatro posições à frente. Para o jogo desta terça, a baixa do Timbu fica por conta do atacante Bruno Meneghel, que entrou na Justiça contra o clube e não faz mais parte do elenco. O Premiere 3 transmite ao vivo a partida, em sistema pay-per-view.
Ituiutaba x Icasa (às 19h30m, no Melão)
De uniforme novo, o Ituiutaba recebe o Icasa em Minas Gerais. O clube espera a regularização dos documentos para ter em campo seu mais novo reforço, o atacante Reinaldo Alagoano. No Icasa, que oficializou a contratação do zagueiro Luiz Henrique, de 27 anos, o técnico Dado Cavalcanti pode abandonar o esquema com três zagueiros e atuar no 4-4-2. O Premiere 4 transmite ao vivo a partida, em sistema pay-per-view.
Vitória x ABC (às 21h, no Barradão)
Vitória e ABC reeditam a final do Campeonato do Nordeste de 2010, vencida pelo Rubro-Negro. O volante Uelliton, recuperado de um incômodo no joelho direito, foi relacionado e pode voltar à equipe titular de Geninho. Pelo lado do ABC, o destaque será o retorno do atacante Leandrão, que estava cumprindo suspensão. Bileu e Victor Hugo desfalcam o time de Natal.
Ponte Preta x Barueri (às 21h, no Moisés Lucarelli)
Ricardinho e Tiago Luís disputam uma posição no ataque da Macaca. Com Wellington suspenso pelo terceiro cartão amarelo, o ex-capitão Leandro Silva forma a zaga com Ferron. O Barueri, que ainda vem enfrentando problemas em sua reestruturação após temporada na cidade de Presidente Prudente, deve manter a formação do último jogo. O Premiere 5 transmite ao vivo a partida, em sistema pay-per-view.
Sport x Duque de Caxias (às 21h50m, na Ilha do Retiro)
Mesmo sob críticas da torcida, Hélio dos Anjos deve manter o Sport com apenas Carlinhos Bala de atacante. O zagueiro Montoya, o volante Hamilton e o meia Maylson seguem fora. No Duque, a expectativa continua em torno do atacante Valdiram, ex-Vasco, que fez sua estreia pela equipe na última rodada, porém de forma apagada.
Criciúma x ASA (às 21h50m, no Heriberto Hulse)
O técnico Edson Gaúcho foi demitido nessa segunda-feira. Para o seu lugar, foi contratado Guto Ferreira, que estava no Mogi Mirim. Nesta terça-feira, contra o ASA, o time será treinado pelo interino Vilson Vaterkemper. O time alagoano deve manter os titulares que empataram em 1 a 1 com o Sport no fim de semana.
Americana x São Caetano (às 21h50m, no Décio Vitta)
O Americana renovou as esperanças no atacante Dodô, que marcou seu primeiro gol com a camisa da equipe na rodada do fim de semana. Já o Azulão, que tem aproveitamento de 70% fora de casa, mas vai mal jogando em seu território, deve ter o centroavante Eduardo novamente entre os titulares.
Bragantino x Vila Nova (às 21h50m, no Nabi Abi Chedid)
O Bragantino vem embalado após conquistar um empate na base da garra contra o Náutico, após estar perdendo por 2 a 0. O lateral-esquerdo Jorge Henrique, do Vila, foi vetado pelo departamento médico, enquanto os volantes Ricardinho e Adilson estão suspensos. Éder Lima, Juninho e David devem ser os respectivos substitutos. O Premiere 3 transmite ao vivo a partida, em sistema pay-per-view.

Com inflamação no joelho, Leandro Euzébio é mais um desfalque no Flu

Com inchaço no local, zagueiro fica em tratamento no vestiário e não tem previsão de retorno. Márcio Rosário, Elivélton e Edinho disputam a vaga

Por Edgard Maciel de Sá Rio de Janeiro
leandro euzébio fluminense são paulo (Foto: Ivo Gonzalez / O Globo)Leandro Euzébio não tem previsão de retorno aos
gramados (Foto: Ivo Gonzalez / O Globo)
Mal chegou e o técnico Abel Braga já precisa administrar vários problemas médicos no elenco do Fluminense. Além dos atacantes Rodriguinho e Araújo, ambos com estiramento grau 1 na coxa direita, e do apoiador Deco, que realizará exame de ressonância magnética nesta terça-feira para avaliar a nova lesão, também na coxa direita, o comandante tricolor soube nesta terça que não poderá contar tão cedo com o zagueiro Leandro Euzébio. Com inflamação no joelho direito, o camisa 85 não tem previsão de retorno ao time.
Apresentando inchaço no local, Leandro Euzébio passou todo o treino desta terça-feira em tratamento no vestiário tricolor. Segundo o departamento médico do clube, o problema do jogador atende pelo nome de sinovite (inflamação do tecido que reveste a parte interior das articulações, chamado tecido sinovial). O zagueiro foi submetido a uma artroscopia no mesmo joelho direito recentemente e ficou longe dos gramados por dois meses.
Sem poder escalar o titular, o técnico Abel Braga deverá optar entre Márcio Rosário, Elivélton ou até mesmo o volante Edinho para o confronto diante do Bahia, no próximo sábado, às 18h30 (de Brasília), no Engenhão, pelo Campeonato Brasileiro. Com seis pontos, o Tricolor ocupa a décima posição na competição.

Má fase do Cruzeiro coincide com queda de produção de Montillo

Argentino vive má fase no comando da equipe celeste, apesar de ter feito o
gol do empate diante do Santos, na última rodada do Brasileiro

Por Rodrigo Fuscaldi Belo Horizonte
O que houve com o Cruzeiro? Por onde anda o futebol brilhante dos primeiros quatro meses da temporada que chegou a colocar a Raposa como uma das favoritas à conquista do título da Taça Libertadores? São perguntas que a torcida celeste não para de fazer. Afinal de contas, de uma hora para outra, após a derrota e a consequente eliminação para o Once Caldas, da Colômbia, o Cruzeiro entrou em parafuso.
É verdade que ainda conquistou o título mineiro, na superação, diante do Atlético-MG. Porém, no Campeonato Brasileiro, onde também era apontado como favorito, ainda não conseguiu regular. Nas quatro primeiras rodadas, o Cruzeiro perdeu duas vezes e conquistou apenas dois empates. São dois pontos ganhos em 12 possíveis.
Montillo, no treino do Cruzeiro (Foto: Washington Alves / Vipcomm)Montillo, no treino do Cruzeiro (Foto: Washington Alves / Vipcomm)
Onde está a equipe que encantou o Brasil nos primeiros meses de 2011? Há quem diga que o ótimo futebol apresentado se foi com o rendimento do meia argentino Montillo. De fato, o jogador, grande maestro da equipe na campanha do vice-campeonato brasileiro do ano passado, ainda não conseguiu mostrar bom futebol no Brasileirão de 2011.
- A situação não está boa. Estamos todos envergonhados no clube. Temos que ter consciência de que precisamos melhorar. Cada um aqui sabe que precisa trabalhar ainda mais para conseguir sair dessa situação – afirmou o argentino.http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=3778949154641769962
Na última rodada, Montillo ainda fez o gol do empate, de pênalti, contra os reservas do Santos (1 a 1), mas errou passes, finalizou mal, não armou boas jogadas e esteve perdido em campo. Na derrota para o Figueirense (1 a 0), em Santa Catarina, na primeira rodada, Montillo também foi muito mal e acabou substituído no segundo tempo, fato raro em sua passagem pelo Cruzeiro.
Expulsão no Mineiro
A fase está tão ruim que, na única partida entre as últimas em que o Cruzeiro jogou muito bem, Montillo não estava presente. Foi no jogo decisivo do estadual, contra o Atlético-MG, na vitória celeste por 2 a 0. Na primeira partida, na derrota por 2 a 1, o argentino perdeu a cabeça e acabou expulso, pela primeira vez na carreira, após dar um pontapé em Giovanni Augusto.
Cuca, no entanto, acredita no potencial de Montillo e pediu até mesmo a presença do jogador na seleção argentina. O comandante celeste afirmou que a culpa pelos maus resultados não é exclusiva de ninguém e que falta apenas um detalhe para o time voltar a vencer.
- O Montillo é um jogador que, na minha ótica, merece uma convocação. Mas a bola não tem entrado. O que vamos fazer? O Montillo chutou na trave. Eu sei que ninguém perde gols por querer. O Cruzeiro tem que melhorar, temos que estar lá em cima - disse o treinador.
Montillo, pelo menos por enquanto, segue intocável entre os titulares. Com a contusão de Roger e a fixação – quase que definitiva – de Gilberto na lateral esquerda, as opções para Cuca no meio-campo diminuem. Porém, Montillo tem crédito. O torcedor não imagina o argentino fora da equipe e acredita que, já nas próximas partidas, o meia voltará a apresentar o grande futebol de 2010 e, consequentemente, levará o time novamente ao caminho das vitórias.
- Os resultados não têm vindo, e isso incomoda, porque vem a pressão. A culpa é de todos. Temos que mostrar é dentro de campo. Não adianta falar fora e chegar no fim de semana e não conseguir vencer - disse Montillo.
 

Vulcão adia sorteio e apresentação da Copa Sul-Americana 2011

Evento em Assunção será realizado no próximo dia 16 de junho

Por GLOBOESPORTE.COM Assunçã
Devido ao caos aéreo no cone sul por conta da erupção do vulcão Puyehue-Cordón Caulle, no sul do Chile (saiba mais no vídeo ao lado), a Conmebol resolveu postergar por dois dias a cerimônia de sorteio e apresentação da Copa Sul-Americana 2011.
O evento, marcado anteriormente para o dia 14 de junho, em Assunção, no Paraguai, acontecerá dia 16, às 12h30 (horário local), no Centro de Convenções da Conmebol.
Até o momento, 27 equipes estão asseguradas no torneio, entre elas, oito times brasileiros. Confira a lista completa abaixo:
Argentina: Independiente (atual campeão), Vélez Sarsfield e Estudiantes de La Plata
Bolivia: San José, Aurora e The Strongest
Brasil: Atlético-PR, Botafogo, São Paulo, Palmeiras, Vasco, Ceará, Atlético-MG e Flamengo
Chile: Deportes Iquique e Universidad Católica
Colômbia: Independiente Santa Fe, Deportes La Equidad e Deportivo Cali
Ecuador: LDU
Paraguai: Libertad, Nacional e Olimpia
Peru: Universitario, Universidad César Vallejo e Juan Aurich
Uruguai: sem classificados até o momento
Venezuela: Trujillanos FC

Meu Jogo Inesquecível: Emanuel e a volta olímpica na Arena da Baixada

Campeão em Atenas-2004, atleta de vôlei de praia é homenageado pelo Atlético-PR e emociona o pai, que foi aspirante a jogador do Furacão

Por Mariana Kneipp Rio de Janeiro
Era sábado. O sol estava tímido em Curitiba. Nada que impedisse seu Manoel de rumar à Arena da Baixada. Afinal, aquele era um dia especial. Já de uniforme, ele vê o filho se arrumando. De longe, observa que há uma luz diferente nele, que afasta qualquer nuvem do céu. Ali, não é apenas o Emanuel torcedor que está indo assistir a mais um jogo do Atlético-PR. É o campeão olímpico de vôlei de praia que está levando sua medalha de ouro ao estádio da infância para comemorar com amigos a conquista mais importante de sua vida. É hora da homenagem da torcida do Furacão antes do duelo contra o Atlético-MG pelo Brasileirão de 2004, pouco mais de um mês após o paranaense subir ao lugar mais alto do pódio em Atenas.
Emanuel com a bandeira do Atlético-PR na praia (Foto: Mariana Kneipp / GLOBOESPORTE.COM)Emanuel leva a bandeira do Furacão para os treinos (Foto: Mariana Kneipp / GLOBOESPORTE.COM)
Orgulhoso, o pai nem pensa no resultado do jogo. Claro, quer vencer. Mas a emoção de ver o filho dando a volta olímpica no estádio onde tantas vezes assistiu aos seus ídolos é maior do que qualquer placar. Porém, o Furacão não quis deixar por menos. Um, dois, três... cinco a zero ao apito final. Um desfecho vitorioso para um campeão de ouro.
- É marcante ver que as pessoas gostam de você tanto quanto você gosta delas. Para mim, o Atlético é uma entidade. Quando eu cheguei ao estádio, tive uma série de homenagens. O presidente me deu duas camisas do clube, sendo uma dourada. Estive no vestiário com o Levir (Culpi, técnico), Dagoberto, Washington. Presenciei o time que foi vice-campeão daquele ano. Foi muito emocionante – lembrou Emanuel.
Na hora de o filho brilhar na Arena da Baixada, seu Manoel ficou esperando no camarote. Do alto, assistiu ao jogador dando volta olímpica, agradecendo o apoio da torcida, que o aplaudia. Mas, na hora do início da partida, os dois já estavam juntos, ao lado do tio e primo do campeão também. No camarote dos convidados do clube, viram a quinta vitória seguida do Furacão, que estava invicto havia 16 jogos.
O show rubro-negro começou com Jadson. O meia recebeu passe de Washington e mandou uma bomba no ângulo direito de Danrlei para abrir o placar. Pouco tempo depois, lá estava ele de novo. Com um belo drible, Jadson tirou a marcação e bateu de esquerda, um chute rasteiro que também encontrou as redes.
Bola rolando? Nada. Só picolé
Hora do intervalo, e momento das lembranças de Emanuel. O dono do ouro olímpico olhou para o meio da torcida e pensou no início de sua história com o Atlético-PR. Imagens de gols e ídolos? Não, sorvete e pipoca aparecem em sua memória.
- Meu pai sempre gostou de me levar ao estádio, acho que desde que eu tinha 4, 5 anos. Para mim, aquilo era só pipoca, sorvete, só gostava disso. Na verdade, nem via a bola, só ficava de olho no pessoal que vendia picolé, que vinha naquelas caixas de isopor. Meu pai falava: “Olha lá a bola”, e eu nem aí para ela (risos) – brincou.
Só quando estava entrando na adolescência que Emanuel começou a prestar mais atenção no campo. E por um bom motivo. O ano era 1982. No gramado, Washington e Assis voavam e aumentavam a coleção de vitórias do Furacão. Conhecida como Casal 20, a dupla de jogadores foi a responsável por tirar a atenção do menino dos isopores de guloseimas.
- Era uma época em que o Atlético estava muito bem, foi bicampeão paranaense (1982/1983). Uma fase que eu me lembro muito. A torcida pegava o jornal, picotava e fazia como se fossem uns pompons. Eu ficava louco para ir e participar, gritar: “Ah, Atlético!”. Lembro que jogavam também muito papel higiênico. Na hora que entrávamos no estádio, iam passando uns caras com sacos e davam um rolo para cada um. Quando o time entrava em campo, a gente desenrolava e jogava. Era muito bacana – contou.
Cinco gols para 'aliviar a tensão'
Emanuel jogo inesquecível frame  (Foto: Reprodução)Emanuel saúda a torcida com a medalha na mão
no dia do jogo contra o Galo (Foto: Reprodução)
Depois de lembranças de infância e gritos da torcida, Emanuel começou a contar o que recordava sobre o segundo tempo do jogo contra o Atlético-MG. Ele viu a história acontecendo. Alan Bahia fez bela jogada individual e tocou para Washington, que mandou um chute rasteiro para o gol. Era o 24º em 26 jogos daquele que seria o artilheiro do Brasileirão em 2004, com 34 bolas na rede, marca inédita e imbatível até o momento.
Com 3 a 0, Emanuel começou a respirar fundo. A explicação era lógica. O campeão olímpico, que, ao lado de Ricardo, tinha derrotado os espanhois Javier Bosma e Pablo Herrera por 2 sets a 0 (21/16 e 21/15) havia pouco mais de um mês, estava nervoso, com medo de ser considerado pé-frio pela torcida do Furacão em caso de derrota do então líder do Brasileirão.
- Eu estava muito tenso no começo, me sentia pressionado. O Atlético tinha que ganhar aquele jogo. Os dois primeiros gols foram do outro lado, já os outros três foram na minha frente. Curti bastante. Todos os amigos disseram que eu tinha que ir sempre. Todo mundo gostou, disse que eu era pé-quente – lembrou.
Para felicidade do campeão olímpico, Jadson e Denis Marques fecharam a goleada em 5 a 0. Foi aí que Emanuel olhou novamente para o pai. Uma mistura de orgulho e felicidade estavam tomando seu Manoel. No mesmo dia, ele pôde ver a vitória do time do coração e a consagração do filho. Um filme passou pela cabeça. A história voltou à década de 1960, quando o próprio Manoel chegou em Curitiba com um sonho: ser jogador de futebol.
- Não sei se muita gente sabe disso, mas meu pai é maranhense. Antes de ir morar no Paraná, foi ao Rio de Janeiro. Queria ser profissional. Fez testes no Botafogo, mas não passou. Foi para Curitiba, então. Tentou também e, enfim, conseguiu uma vaga. Mas não pôde entrar no time. Ele morava com o tio, que dizia que futebol era coisa para vagabundo, que ele estava lá só para estudar. Então, meu pai deixou o sonho de lado – contou.
A grande ligação que eu tenho com o meu pai é por causa do Atlético. Uso como um jeito para ter mais aproximação dele. "
Emanuel
Por isso ver o filho vitorioso na Arena da Baixada deixou seu Manoel tão emocionado. Porém, Emanuel garante que o pai nunca fez pressão para que ele largasse o vôlei e fosse para os gramados.
- Desde pequeno sempre fui muito magrinho, sequinho. Tentei jogar futebol de salão, mas toda hora saía com a canela roxa. Então, meu pai viu que meu esporte não seria o futebol (risos) – divertiu-se.
Mesmo assim, as histórias da bola no pé continuam sendo o elo entre os dois. Algo que ainda faz Emanuel se emocionar.
- A grande ligação que eu tenho com o meu pai é por causa do Atlético. Uso como um jeito para ter mais aproximação dele. A gente se fala muito no telefone, mas a conversa tem que passar pelo time. É um jeito mais gostoso de ficar perto da minha família.
Rivalidade com os flamenguistas da rede
Mesmo longe do pai e de Curitiba, Emanuel não deixa a paixão pelo Furacão diminuir. Para isso, provoca os amigos cariocas. Na rede onde treina com Alison na Praia do Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro, o jogador colocou uma bandeira do Atlético-PR.
- No ano passado, o Atlético ganhou duas vezes do Flamengo. Aí ficaram umas duas ou três semanas sem falar de futebol. Eles não tocavam no assunto, e eu só esperava minha deixa para pegar no pé. Sou torcedor que só gosta de brincar com o lado positivo, na boa – garante.
E para 2011, será que o Atlético-PR vai dar mais alegrias para Emanuel e seu Manoel? O jogador não confia tanto assim.
- Não consigo ver o time como líder. Como sou esportista, vejo que tem que ter muito trabalho, estrutura e jogadores bons. O Atlético não fez aquelas contratações que fazem com que a gente confie. Tem jogadores bons, experientes, mas é praticamente a mesma formação do ano passado. Vamos torcer.
ATLÉTICO-PR 5 X 0 ATLÉTICO-MG
Diego; Fabiano, Marcão (Igor), Marinho, Ivan; Alan Bahia, Jadson (Morais), Pingo, William, Dagoberto (Denis Marques) e Washington. Danrlei, Rodrigo Dias, André Luiz, Gaúcho, Rubens Cardoso (Marquinhos); Emerson (Márcio Mexerica), Márcio Araújo, Rodrigo Fabri, Walker, Zé Antônio; Rafael Lopes.
Técnico: Levir Culpi Técnico: Jair Picerni
Gols: Jadson, aos 31 e 45 do primeiro tempo. No segundo tempo,  Washington, aos 16, Jadson, aos 21, e Denis Marques, aos 34
Cartões amarelos: Marcão (Atlético-PR), Danrlei (Atlético-MG), Márcio Mexerica (Atlético-MG), Jadson (Atlético-PR), Dagoberto (Atlético-PR), Rodrigo Fabri (Atlético-MG) e Rafael Lopes (Atlético-MG)
Local: Arena da Baixada, Curitiba. Data: 2 de outubro de 2004.  Competição: Campeonato Brasileiro. Público: 20.082 pessoas. Renda: R$ 155.811,00

De babá a investidor: a história do taxista que virou faz-tudo de jogador

Fernando Mendes movimenta aplicações financeiras, conserta pneu
furado, compra carros e cuida da família de diversos atletas do Atlético-MG

Por GLOBOESPORTE.COM Belo Horizonte
Numa noite que parecia normal, no fim dos anos 1990, dois homens fizeram o sinal para o taxista Fernando Mendes parar. Os passageiros eram Marcos Paulo e Reginaldo, então jogadores do Cruzeiro. Conversa vai, conversa vem, os atletas gostaram do jeito do motorista. Valdo, ex-Seleção Brasileira e Botafogo, foi outro que depois passou a ser cliente. E dali em diante, a vida de Fernando mudou.
Hoje com 44 anos, há 12 temporadas mudou de profissão. Agora, se transformou no braço direito de vários atletas. Prefere se identificar como assessor. As funções são amplas. Como mesmo gosta de falar, vão desde arrumar o pneu furado do carro de um zagueiro até movimentar as aplicações financeiras de um atacante. Fernando é motorista, secretário, corretor, babá, amigo, office-boy, investidor.
Atualmente, trabalha para jogadores do Atlético-MG, embora não tenha vínculo oficial com o clube. O compromisso é direto com Leandro, Daniel Carvalho, Neto Berola, Marquinhos Cambalhota e Lima. Sem assinaturas, apenas acordos verbais. Em toda a carreira, a lista de clientes é imensa.
ESPECIAL Braço direito dos jogadores (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)Fernando Mendes, entre Neto Berola e Leandro (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)
- Se eu falar o nome de todos, vou até ser injusto. Oséias, Marcelo Ramos, Maldonado, Jorge Wagner, Leandro Domingues, João Carlos. Ainda tem Rodrigo, lateral-direito do América-MG, Cris, zagueiro, que está no Lyon, Joílson, que está no Figueirense, Jonílson, Geovani e Adriano Gabiru.
Fernando mora em um apartamento pequeno no Caiçara, bairro de classe média de Belo Horizonte, com esposa e dois filhos. Ele garantiu ter uma vida simples, embora esteja rodeado do glamour do mundo da bola, repleto de carros importados, restaurantes luxuosos e tietagem. Cada jogador paga a ele um salário fixo, independentemente da quantidade de serviço que cada um necessite. O rendimento é melhor que nos tempos de taxista, mas ele prefere não revelar valores.
Fernando contou que o volante Marcos Paulo, ex-Cruzeiro, e o meia Valdo, com passagens por Galo e Raposa, foram fundamentais.
- Eu trabalhava como taxista. Uma noite, deram sinal. Eram Marcos Paulo e Reginaldo, que, na época, estavam no Cruzeiro. Conversamos, e eles começaram a me chamar direto. Valdo me perguntou se eu queria trabalhar com ele. A princípio, apenas como motorista. Mas o negócio ficou tão sério que faço desde conserto de pneus furados até aplicações financeiras.
O braço direito
ESPECIAL Braço direito dos jogadores (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)Fernando, com três celulares e um bolo de dinheiro
(Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)
Explicar o trabalho de Fernando é fácil. Ele faz tudo o que o jogador precisar e está à disposição 24 horas por dia.
- Eu levo os caras para o treino, vou ao banco. Para o cara que é contratado, eu olho casa, apartamento. Sempre tenho parceria com alguém. Faço tudo.
Um de seus clientes mais antigos é o lateral-esquerdo Leandro, do Atlético-MG. Eles trabalham juntos desde a primeira passagem do jogador por Minas Gerais, no Cruzeiro, em 2003.
- Ele paga minhas contas de luz, água, telefone. Se tiver que ir ao banco, vai. Pega minha família no aeroporto. Do que precisar, está ligado 24 horas. Na hora que precisar. Bateu o carro, é só ligar para ele. Faz esse trabalho. Pode ligar de madrugada, se está frio, chovendo, com sol.
Para Fernando, a chave do trabalho é a confiança. Afinal, além de tarefas simples, como fazer as compras de supermercado, o braço direito dos atletas participa também de atividades que envolvem dinheiro. Ele compra veículos, apartamentos e até cobra dívidas de clubes.
- O Rincón me deu 40 mil dólares para eu trocar. Eu ia ao banco e sacava o dinheiro. Era eu quem movimentava a conta dele. Há pouco tempo, comprei carro de R$ 474 mil para um jogador do Atlético-MG. Para o Neto Berola, comprei um de mais de R$ 100 mil.
O anjo da guarda
Muitas vezes, o braço direito assume uma função complicada: a de anjo da guarda. Sem citar nomes, Fernando contou que já passou maus bocados para resolver a vida de alguns jogadores.
- É até complicado falar, mas dá trabalho. Jogador na noite, por exemplo. Uns ligam e dizem que estão no motel, e o cartão não passa. Outros batem o carro, bêbados, de madrugada. Eu assumo todas essas coisas. O filho passa mal, o jogador continua dormindo, e eu vou com a esposa. Já aconteceu isso. Houve tanta coisa...
Fernando destacou a importância da confiança.
- Sou cego, surdo e mudo. Eu não falo uma vírgula. Porque não posso trair a confiança. Uma vírgula de errado que eu fale, o Brasil fica sabendo.
O amigo
ESPECIAL Braço direito dos jogadores (Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)Fernando exibe a coleção de camisas de clientes
(Foto: Tarcísio Badaró / Globoesporte.com)
Satisfeito, Fernando mostrou a coleção de camisas que possui. Entre os companheiros da bola, Marcelo Ramos, Oséias e Maldonado, hoje no Flamengo, se destacam. Esse último, inclusive, teria dado ao amigo um presente pouco convencional.
- Ele me deu R$ 50 mil, quando saiu do Santos e foi para o Fenerbahçe, da Turquia. Mandou de lá pra mim. Quando se machucou, me chamou, passei 45 dias com ele. Ficava grudado 24 horas, dava remédio, levava ao Santos.
Fernando contou que passou 15 dias na casa de praia do chileno, em Santos. Tudo por conta do jogador.
- Fiquei 15 dias e não gastei um real. Ele deixou o cartão de débito comigo. Com a BMW dele. Essa gratidão não tem dinheiro que pague.

Muricy Ramalho, o melhor do Brasil

Muricy Ramalho é campeão outra vez. Depois de dez semanas de votação, o comandante do Santos – que conquistou quatro dos últimos cinco títulos brasileiros – foi eleito o melhor técnico do país na atualidade. A escolha foi feita por jornalistas e torcedores, ao longo da primeira edição do 10+BRASIL, do iLanHouse.
Depois dos 27 jornalistas – de várias mídias, veículos e estados brasileiros – que votaram ao longo de nove semanas, curiosamente a decisão ficou nas mãos dos internautas. Três deles, escolhidos através de promoção do GloboEsporte.com, enviaram seus votos no último fim-de-semana. Muricy tinha apenas dois pontos de vantagem sobre Mano Menezes. Mas com os 29 conquistados (contra 23 de Mano) na rodada final, o técnico finalista da Libertadores ampliou e ratificou a vitória.
Citado 19 vezes – em 30 possíveis – no topo do ranking, Muricy terminou em primeiro lugar, seguido de Mano Menezes, que liderou a enquete nas primeiras oito semanas (veja gráfico com evolução) e foi votado por cinco jurados como o melhor. Os outros citados em primeiro foram: Vanderlei Luxemburgo (três vezes), Cuca (duas) e Paulo Autuori (uma).
Ao todo, 26 técnicos foram lembrados, sendo que Levir Culpi e Emerson Leão só apareceram nesta última semana. Dentre todos, apenas sete pontuaram em todas as dez rodadas: Muricy, Mano, Cuca, Luxemburgo, Felipão, Dorival Júnior e Joel Santana (veja relação completa dos citados, com pontuação semana a semana).
A relação final dos dez primeiros confirma a ascensão de Marcelo Olvieira (nono colocado) e Cuca (terceiro), ambos deixando gente com mais títulos e currículo pra trás. E mostra que nomes como Luxemburgo e Felipão, que já tiveram seus dias de número um, ainda conservam respeitável prestígio no cenário nacional.
Veja os votos da última semana, navegue pelas semanas anteriores e confira os números finais e completos do 10+BRASIL:

Carrapato do nacional, Wellington se espelha em Ceni e vibra com boa fase

Ao lado do flamenguista Willians, volante tricolor é o maior ladrão de bolas do Brasileirão. Ele diz que o capitão são-paulino impressiona pela dedicação

Por Marcelo Prado São Paulo
Ele foi cria da safra de 2008 do CT de Cotia e soube ter paciência por uma oportunidade no time profissional do São Paulo. Nas primeiras vezes, atuou sempre improvisado, como lateral-direito. Em 2010, quando começava a ganhar uma sequência, sofreu uma séria lesão no joelho direito. Mas Wellington Aparecido Martins não desistiu. Nas mãos de Paulo César Carpegiani, o camisa 28 se tornou uma realidade. Tanto que, com apenas quatro rodadas do Campeonato Brasileiro disputadas, o meio-campista caiu de vez nas graças do treinador são-paulino.
- O Wellington estava no São Paulo à espera de uma oportunidade. Pelo que me falaram, ele também sabia jogar de lateral-direito. Foi então que comecei a observá-lo nos treinamentos. Com a eliminação que tivemos na Copa do Brasil, resolvi buscar uma equipe mais competitiva. E ele me surpreendeu, tomou conta do meio-campo. Hoje, eu não tenho mais o direito de tirá-lo do time – afirmou Carpegiani.
Wellington São Paulo (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)Garoto virou uma realidade no time comandado por Paulo César Carpegiani (Foto:Marcelo Prado/Globoesporte.com)
Os elogios fizeram o tímido volante, que mora perto do estádio do Morumbi, sorrir. Seus números no Campeonato Brasileiro impressionam. Ao lado do flamenguista Willians, Wellington é o maior ladrão de bolas do nacional (18 roubadas de bola). Em entrevista exclusiva ao GLOBOESPORTE.COM, o garoto fala sobre seu ótimo momento, diz que o goleiro e capitão Rogério Ceni é um espelho para o que ele pretende ser na carreira e ressalta que fica balançado entre disputar o mundial da Colômbia pela Seleção Brasileira sub-20 e seguir como titular no São Paulo na disputa do Campeonato Brasileiro.

OS MAIORES 'LADRÕES DE BOLA' DO CAMPEONATO BRASILEIRO
Wellington (São Paulo) 18
Willians (Flamengo) 18
Deivid (Atlético-PR) 14
Guiñazu (Internacional) 13
Ralf (Corinthians) 13
GLOBOESPORTE.COM – Para quem conquistou a vaga no time há quatro rodadas, ser um dos principais ladrões de bola do Campeonato Brasileiro impressiona?
Wellington –
Eu nem sabia disso para te falar a verdade. E só não estou sozinho na liderança porque o juiz do jogo de sábado errou ao marcar algumas faltas minhas. Eu não podia nem encostar no jogador. Mas não importa, estou muito feliz. Há tempos que estava esperando uma oportunidade. Antes, quando fui utilizado como lateral, não mostrei o meu verdadeiro futebol. Não fui bem, oscilei demais. Mas botei na cabeça que na próxima chance todos conheceriam o verdadeiro Wellington. Agora é só alegria.
É mais difícil ou mais fácil chegar ao time profissional vindo da base?Uma coisa que ajuda muito é que o São Paulo é um clube que dá espaço para os garotos. Mas, ao mesmo tempo, quem sobe sabe que, quando chega, precisa mostrar serviço porque senão não fica. O elenco é forte, o time é acostumado a jogar a Libertadores e disputar grandes torneios. Eu comecei a ganhar espaço no ano passado com o Ricardo Gomes atuando como lateral. No meio do ano, fui convocado para a seleção sub-20 para um período de testes na Granja Comary e sofri uma contusão (rompimento do ligamento cruzado do joelho esquerdo). Fiquei seis meses parado. Agora retomei uma sequência e, principalmente, na minha posição, que é no meio-campo.
Wellington São Paulo (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)Garoto sonha com uma convocação para o mundial
sub-20 (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)
Uma das coisas que o Carpegiani mais elogia em você é sua vontade de ajudar, sua atitude sempre em benefício do grupo.É claro que você joga melhor na posição que você conhece. Mas o Paulo sabe que eu jogo de meia, de volante, de lateral, de zagueiro, onde ele quiser e precisar. Em um elenco como o nosso, onde sobra qualidade e falta espaço, você não pode escolher, tem é que se prontificar a ajudar.
De onde vem tanta disposição?Sou garoto, estou começando, não ganhei nada. Hoje sou titular do São Paulo e, quando olho para trás, vejo quantas pessoas passaram e fizeram história. Dentro do nosso grupo, me inspiro demais no Rogério. Ele, que conquistou tudo, quer ganhar sempre, já jogou machucado para nos ajudar no Brasileiro. Se ele que já está consagrado tem essa postura no dia a dia, por que eu serei diferente? Por isso, cada jogo para mim é como se valesse a minha vida. É ganhar três pontos ou nada.
Você começou a chamar a atenção contra o Fluminense, quando anulou o melhor jogador do último Campeonato Brasileiro. Como foi marcar o Conca?Sinceramente, acho que ele não esperava o que aconteceu. Mas eu entrei em campo sabendo o que podia fazer. Você não pode brincar com o Conca. Em dois lances que eu não consegui marcá-lo, ele deixou o Deco na cara do gol e deu um chute perigoso. Esse é o meu lema, eu marco quem tiver que marcar. Não serei perfeito, mas posso garantir que vou ser chato.
Na quinta-feira, o Ney Franco anunciará a lista dos convocados para o mundial sub-20. E você é um dos atletas com maior potencial para ser chamado. O que é mais importante agora? Jogar uma Copa do Mundo ou seguir defendendo o São Paulo no Campeonato Brasileiro? (Nota da redação: seria a segunda convocação do atleta. Com 17 anos, ele foi previamente chamado para o torneio de 2007, mas foi cortado na lista final).É uma escolha difícil, o mundial sempre foi um objetivo meu. Eu não sei o que falar. Venho buscando o meu espaço no São Paulo e estou tendo uma sequência. Deixa para o Ney Franco e para o São Paulo decidirem. Não posso me escalar sem ser convocado. Mas, se o clube precisar de mim e não liberar, ficarei contente do mesmo jeito.
Wellington São Paulo (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)Volante foi um dos melhores em campo na vitória sobre o Grêmio  (Foto: Marcelo Prado/Globoesporte.com)

Para superar a distância de casa, Elkeson transforma saudade em gols

Em três semanas no Bota, jogador não conhece nada do Rio de Janeiro, mas já balançou as redes duas vezes. GLOBOESPORTE.COM leva o meia à praia

Por Thiago Fernandes Rio de Janeiro
elkeson botafogo (Foto: Thiago Fernandes/Globoesporte.com)Elkeson conheceu a praia da Barra
(Foto: Thiago Fernandes/Globoesporte.com)
A contratação de Elkeson foi bem complicada. Disputando com o Fluminense, o Botafogo teve que negociar com o Vitória, o atleta, o empresário e o Benfica-POR, que detinha parte de seus direitos econômicos. O esforço parece ter valido a pena. Em três semanas (e três jogos) no clube, o meia já marcou dois gols e mostra a cada dia que está se entrosando com os companheiros.
O bom início, entretanto, não é uma surpresa na vida do jogador. Aos oito anos, quando se mudou para Marabá (MS), fez muitos gols nas aulas de educação física. Isso lhe valeu um convite para treinar nas escolinhas locais. Logo nos primeiros jogos, balançou as redes. Aos 12 anos, foi recrutado por um olheiro que o levou ao Vitória. E aí começou o grande desafio de sua carreira: ficar longe da família.
O meia se mudou sozinho para Salvador. Ficou durante alguns anos morando na concentração do time baiano até que o clube resolveu alugar apartamentos para que os jogadores dividissem. Ao lado de dois amigos, teve que se virar com os afazeres domésticos e com a saudade de casa.
- Essa época foi muito difícil. Eu era muito novo, e a saudade da família batia muito forte. Tinha os amigos que ajudavam a esquecer um pouco, mas era complicado. Quando me mudei para o apartamento, passei a ter que fazer as coisas do dia a dia. Na hora de comer, a gente dava um jeito de fazer. Pedia ajuda para alguém e aí um fazia o arroz, e o outro, feijão. Não ficava muito bom, mas dava para comer (risos).
A previsão é fim do ano que vem? Vai demorar, então. Eu nunca joguei lá. Sempre que ia jogar, acontecia alguma coisa. Agora no Botafogo fica mais fácil"
Elkeson, sobre o Maracanã
A saudade da família fazia o jogador pensar em voltar para casa. Mas os gols durante as
partidas nas categorias de base davam a certeza de que estava no caminho certo, assim como acontece hoje no Botafogo.
- Eu fiz gols logo nos primeiros jogos das categorias de base. É bom porque dá confiança para você e as pessoas passam a te ver com outros olhos. Sabia que era isso que eu queria para minha vida. É bom saber que confiam em você. Acho que, aos poucos, vou conquistar isso no Botafogo também.
Em 2009, Elkeson voltou a morar com os pais, que se mudaram para Salvador. Mas a transferência para o Botafogo fez com que mais uma vez ficasse longe da família. Há três semanas na cidade, o meia teve pouco tempo para se organizar. Comprou um apartamento com a ajuda do empresário que o acompanha desde os 12 anos. Foi ele também quem ajudou com a mudança do atleta para o Rio.
- Eu trouxe só o essencial: minhas roupas, a bíblia e meu iPad, que uso para conversar com minha família. Do resto, ficou quase tudo. Meus pais virao aqui de vez em quando. Agora, já estou acostumado. Não é tão difícil quanto antes.
elkeson botafogo (Foto: Thiago Fernandes/Globoesporte.com)Elkeson com o ipad em casa: ajuda para manter contato com os pais (Thiago Fernandes/Globoesporte.com)

Prazer, praia da Barra
As roupas, inclusive, são o único sinal de vaidade do jogador. Ao ser convidado pelo GLOBOESPORTE.COM para conhecer a praia da Barra (Zona Oeste do Rio de Janeiro), o jogador coloca óculos escuros, um boné e uma camisa de marca. Mas o jeito tranquilo e educado permanece o mesmo. No pouco tempo que teve no Rio, já conquistou amigos, a confiança de Caio Júnior e, claro, fez gols. Mas não conseguiu sair do trajeto trabalho-casa
- Não conheci nada ainda. Não tive tempo de ir aos pontos turísticos e nem mesmo de conhecer o que está perto da minha casa. A praia é muito bonita. Vou vir aqui quando tiver uma folga. Em Salvador eu gostava muito de ir à praia.
O ponto turístico que o jogador mais quer conhecer, porém, está fechado para obras. Sem nunca ter jogado no Maracanã, Elkeson sonha pisar o gramado do estádio. Por isso, questionou a reportagem sobre quando o maior palco do futebol brasileiro deve ser liberado. A resposta não agradou muito.
- A previsão é fim do ano que vem? Vai demorar, então. Eu nunca joguei lá. Sempre que ia jogar, acontecia alguma coisa. Agora no Botafogo fica mais fácil.
elkeson botafogo (Foto: Thiago Fernandes/Globoesporte.com)Elkeson quer voltar à praia da Barra com calma (Foto: Thiago Fernandes/Globoesporte.com)

Santos voa para Uruguai, e presidente faz previsão: 'Vulcão vai ser o Neymar'

Com uma hora de atraso e em avião da torcida, Santos vai para Montevidéu

Por Leandro Canônico Guarulhos, São Paulo
neymar santos embarque (Foto: Leandro Canônico / Globoesporte.com)Neymar foi o mais assediado no embarque do Peixe
(Foto: Leandro Canônico / Globoesporte.com)
Com uma hora de atraso e utilizando uma aeronave que seria destinada aos torcedores santistas que adquiriram um pacote turístico, a delegação do Santos, enfim, embarcou para Montevidéu, onde enfrenta o Peñarol nesta quarta-feira, às 21h50m, pela primeira partida da final da Libertadores.
Mas nem mesmo a indefinição antes do voo tirou o bom humor do presidente santista. Em sua chegada ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na manhã desta terça-feira, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, mostrou confiança no título e principalmente na estrela do time.
- Vulcão vai ser o Neymar - disse.
Bastante assediado por jornalistas, o atacante também falou rapidamente antes de embarcar.
- Existe uma ansiedade de não saber como é que a gente vai, mas nada impedirá a vontade de ser campeão - disse antes do embarque.
A delegação santista ficou parte da manhã aguardando a confirmação do horário em um hotel ao lado do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos.
Com uma hora de atraso e em avião da torcida, Santos vai para Montevidéu
naymar elano santos avião (Foto: Divulgação / Twitter)Neymar e Elano juntos no ônibus que
levou o time até o avião (Foto: Divulgação / Twitter)
O suspense foi grande, mas o Santos conseguiu viajar. Com uma hora de atraso e utilizando uma aeronave que seria destinada aos torcedores santistas que adquiriram um pacote turístico, a delegação partiu rumo ao Uruguai.
A assessoria do Santos informou também que o avião do Peixe recebeu uma autorização especial para voar abaixo da altitude normal, de forma a evitar o nevoeiro do vulcão chileno Puyehue.
Momentos antes do embarque, Neymar publicou foto em seu Twitter, ao lado do amigo Elano e disse.
- Partiu pro Uruguai, que Deus abençoe nossa viagem.

Torcedor citado por Juninho diz que se sente responsável pela volta

Engenheiro de 29 anos lembra episódio em 2006 em que o jogador promete retornar ao Vasco. E agora sonha com um reencontro

Por Rafael Cavalieri Rio de Janeiro

Em sua apresentação oficial, Juninho Pernambucano lembrou-se de uma promessa que fez a dois vascaínos no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, em 2006. Na ocasião, mostrou a habitual simpatia, autografou a camisa dos torcedores e avisou:
- Um dia eu volto.
Empolgados, eles colocaram na internet o vídeo, que teve 45 mil acessos e passou a fazer parte de várias compilações de gols do craque pelo Vasco (veja acima o vídeo com a promessa e a entrevista). O engenheiro Felipe Pereira e seu amigo Ícaro Leonardo mantinham a fé, mas não imaginavam que veriam Juninho novamente vestindo a camisa cruz-maltina. E muito menos que o episódio seria lembrado. Mas, já que o ídolo falou, eles agora se sentem tão responsáveis quanto o clube pelo retorno. E sonham com um novo encontro.
- Eu não vi a coletiva ao vivo, mas logo depois o Ícaro me ligou de Fortaleza, onde mora, dizendo que ele tinha citado a gente. Na hora achei que era brincadeira. Depois vi a entrevista inteirinha e pensei: "Não é possível". Mas eu acredito nele e me sinto responsável também. O Vasco me deve alguma coisa (risos). Um novo encontro seria lindo para relembrar aquele dia - disse Felipe, garantindo que sempre avisou aos amigos vascaínos que Juninho não quebraria a promessa.
O dia do encontro ainda está vivo em sua memória. Estudante na época, ele voltava de Lyon, onde havia passado os dois anos anteriores estudando na faculdade local, e fazia escala em Paris. Vascaíno fanático, assistia sempre que podia aos jogos do Lyon para ver Juninho de perto. E andava em todos os momentos com a camisa do Vasco para um dia esbarrar com o ídolo e pedir o sonhado autógrafo. Chegou a cruzar na rua algumas vezes com o zagueiro Cris, mas nunca com o apoiador.
juninho pernambucano fãs vasco (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)Felipe registrou em fotos o momento do encontro com Juninho em Paris (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)
Só que o destino reservou o encontro para a reta final. Antes de voltar ao Brasil, no aeroporto, chegou o grande momento. E por sorte a camisa estava na mão. Felipe lembra que não havia mais espaço em sua mala, e ele resolveu guardá-la na bagagem de mão. Ao ver Juninho de longe, vibrou e foi em sua direção. A emoção foi dupla.
- Eu fiquei feliz demais, e ele também estava surpreso. Foi um momento rápido, mas ele deu toda a atenção do mundo. Sua alegria em ver a camisa do Vasco, que por sinal era a 8, foi legítima. A gente percebeu ali como ele gosta do clube, como é vascaíno que nem a gente. Tive a ideia de fazer o vídeo apenas para registrar o momento, e ele prometeu a volta - relembrou Felipe, que esteve em São Januário no último sábado para conferir de perto a festa de apresentação antes da partida contra o Figueirense.
Com tanta persistência, imagina-se que a camisa esteja em um quadro pendurado em um canto especial da casa do engenheiro de 29 anos. Mas não é o caso. Felipe recorda que a camisa em questão não era sua, e sim de uma amiga. Ao retornar para o Rio, a amiga foi atrás e pediu a camisa de volta. Criou-se um impasse. Ele dizia que ela poderia ficar com o uniforme, mas que o autógrafo era dele. Depois de tanta discussão, ele cedeu. Agora espera uma nova oportunidade.
- Foi o que disse, me sinto responsável e acho que o Vasco poderia retribuir o fato me presenteando com uma camisa autografada. Vou pedir para o Roberto Dinamite (risos). Vamos ver se eu consigo - brincou.