quinta-feira, 11 de abril de 2013

Dívida de R$ 750 milhões assusta Fla: 'É pagável, mas não no curto prazo'

Clube apresenta diagnóstico da auditoria que constatou rombo maior do que o esperado nas contas do clube

Por Fabio Leme e Richard Souza Rio de Janeiro
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O Flamengo já sabe quanto deve. Agora, precisa encontrar soluções para pagar. Na noite desta quinta-feira, na sede do clube, na Gávea, a gestão de Eduardo Bandeira de Mello apresentou a conselheiros e jornalistas o resultado da auditoria contratada para diagnosticar a saúde financeira do Rubro-Negro. Os números assustam. O estudo apontou um rombo de R$ 750,7 milhões nos cofres do clube - 300% acima do estimado inicialmente pelos antigos dirigentes. Depois de três meses de análise, os auditores da Ernst & Young concluíram o estudo. Além do presidente, participaram da entrevista os vice-presidentes de marketing, Luiz Eduardo Baptista, o Bap; de finanças, Rodrigo Tostes; e jurídico, Flávio Willeman.
- É uma notícia ruim, a dívida é maior do que esperávamos, mas tenho confiança de que, com o time montado, vamos conseguir virar esse jogo. Não dá para chegar na cobertura sem construir a portaria. O departamento financeiro trabalha em dois pilares: redução de despesas e processo. A dívida de R$ 750 milhões é pagável, mas não num curto prazo. Aproximadamente R$ 40 milhões foram parcelados e renegociados para adiante - disse Rodrigo Tostes.
coletiva diretoria Flamengo (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)Bap, Bandeira de Mello, Tostes e Willeman: metas para um Fla em dívida (Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem)
A principal fatia da dívida é com o fisco, num total de R$ 394 milhões de impostos não pagos. Deste número, R$ 86,7 milhões correspondem ao período em que Patricia Amorim comandou o clube, de 2010 a 2012. Outros R$ 184 milhões são referentes a dívidas trabalhistas e pagamentos judiciais. Há ainda R$ 172 milhões separados para cobrir futuras despesas com condenações.
A dívida é maior do que esperávamos, mas tenho confiança de que, com o time montado, vamos conseguir virar esse jogo. Não dá para chegar na cobertura sem construir a portaria
Rodrigo Tostes, vice de Finanças
O vice jurídico, Flávio Willeman, explicou que encontrou uma situação precária em seu departamento quando chegou ao clube. A gestão de Eduardo Bandeira de Mello no Rubro-Negro completa nesta sexta 100 dias.
- O Flamengo dispensava seus empregados e não pagava uma verba trabalhista. Encontramos uma fragilidade absurda nas execuções fiscais contra o clube, as penhoras. Não havia estratégia de estancamento dessa sangria. Encontrei pulverização grande de escritórios de advocacia. E encontrei algo em torno de R$ 500 mil do jurídico com escritórios de advocacia. Esses foram os principais problemas que o jurídico encontrou - afirmou.
Para Bap, a solução para tirar o Fla da crise financeira é a participação efetiva da torcida. Nos últimos dias, o clube alcançou a marca de 13 mil sócios-torcedores. O vice de marketing se mostrou animado, mas convocou ainda mais rubro-negros.
- Não adianta ser a maior, se não for a melhor. Precisamos sincronizar nosso discurso. Não vai sair dessa situação se a torcida não sair da arquibancada e entrar em campo. Tem todo o direito de reclamar. Vocês não tem noção de como nós reclamamos entre nós. A diferença é que tem gente que fala e que faz. Meu desafio para a Nação é: vocês vão ficar só chorando ou vão agir? Nós estamos agindo. É isso que vai mudar a lógica de futebol no Clube de Regatas do Flamengo. O dinheiro vem da torcida. É tão simples quanto isso. Grandes jogadores pelo Marketing? (...) Se vocês esperam ver isso algum dia, virem sócios-torcedores. Gritar, xingar, chorar, nada disso vai resolver o problema. Não acreditem que dez ou 12 empresários vão resolver os problemas do Flamengo.
Confira a entrevista na íntegra:
Como se explica para o torcedor do Flamengo que o clube chega a uma dívida desse tamanho?
Tostes - Acho que essa realidade não acontece mais. Isso era uma realidade e um dos motivos que tomamos essa decisão (de fazer a auditoria). Então vamos fazer o que é devido. Não é nenhum mérito pagar os impostos, e o governo está com uma mão muito mais pesada.
Tem alguma expectativa de futuras dificuldades que vocês esperam?
Eduardo Bandeira de Mello - As dificuldades continuam. Fizemos muito para resgatar a credibilidade, a conquista das certidões foi uma vitória. É um trabalho que se renova e vamos matar um leão por dia para mantê-las. Encontramos o clube em uma situação de atrasos em situação indébita de impostos, que não é parcelável. Mas conseguimos, em condições severas, algo que ainda compromete nosso fluxo de caixa. É uma situação que requer um acompanhamento constante. O que vai nos aliviar são as novas receitas, que o Bap vai trazer.
O programa sócio-torcedor é a grande receita do momento para a montagem de um elenco forte?
Rodrigo Tostes - Sem dúvida, precisamos de dinheiro novo, mas a dívida é pagável. Não existe um pílula mágica. A solução dos problemas do Flamengo são os 40 milhões de torcedores. Chegamos no primeiro estágio, identificar o problema. Mas dar uma resposta para quando vamos pagar tudo, depende das receitas novas que vão entrar. Precisamos trabalhar, renegociar as dívidas e colocar dinheiro novo. Não vamos investir no time só quando a dívida for paga. Saber o tamanho do problema vai ser essencial do passo que vamos dar.
Não vai sair dessa situação se a torcida não sair da arquibancada e entrar em campo. Tem todo o direito de reclamar. Vocês não têm noção de como nós reclamamos entre nós. A diferença é que tem gente que fala e que faz. Meu desafio para a Nação é: vocês vão ficar só chorando ou vão agir? Nós estamos agindo. É isso que vai mudar a lógica de futebol no Clube de Regatas do Flamengo. O dinheiro vem da torcida"
Bap, vice de Marketing
Time dos sonhos é inviável no momento?
Eduardo Bandeira de Mello - Não é impossível, mas agora, não o time dos nossos sonhos. Na Copa do Brasil e no Brasileiro, nós vamos reforçar e montar um time competitivo. Já no domingo, no Fla-Flu, vocês vão ver alguma melhora. Kaká, Robinho, Messi e Cristiano Ronaldo, nada parecido com isso. Mas teremos um time competitivo.
Pretende esperar um amor altruísta do torcedor ou algum plano para o Marketing em trazer um jogador?
Bap - O que nos compele de estar aqui trabalhando de graça pelo Flamengo, é o amor altruísta. Não adianta ser a maior, se não for a melhor. Precisamos sincronizar nosso discurso. Não vai sair dessa situação se a torcida não sair da arquibancada e entrar em campo. Tem todo o direito de reclamar. Vocês não tem noção de como nós reclamamos entre nós. A diferença é que tem gente que fala e que faz. Meu desafio para a Nação é: vocês vão ficar só chorando ou vão agir? Nós estamos agindo. É isso que vai mudar a lógica de futebol no Clube de Regatas do Flamengo. O dinheiro vem da torcida. É tão simples quanto isso. Grandes jogadores pelo Marketing? Qual é o grande jogador hoje disponível e que se encaixaria no projeto de marketing do Flamengo e sendo brasileiro? Só sei um nome. Muitos falam no Kaká, mas ele não quer voltar ao Brasil. A primeira opção dele é Europa, a segunda, os EUA. Acho que sonhar é um direito. Se vocês esperam ver isso algum dia, virem sócios-torcedores. Gritar, xingar, chorar, nada disso vai resolver o problema. Não acreditem que dez ou 12 empresários vão resolver os problemas do Flamengo.
Vocês vão correr atrás de o clube ser ressarcido pelo prejuízo?
Eduardo Bandeira de Mello - O tamanho da dívida não quer dizer que tenha alguém para ser responsabilizado. As contas foram aprovadas. Nós não estamos preocupados em responsabilizar ninguém e denegrir a imagem de ninguém, mas se acharmos algo que aponte para alguém, vamos fazer o que for preciso.
O que o Flamengo trouxe para vocês e como está sendo essa nova experiência?
Eduardo Bandeira de Mello - Na realidade, o Flamengo é tudo para nós. Ninguém está perseguindo projeto pessoal algum. É uma oportunidade de tentar contribuir para que nossos sonhos sejam realizados.
Bap - Para mim é um bálsamo para alma. Tirando família, nada é mais importante que o Flamengo. A gente sofre, mas você tem que decidir se quer ser protagonista ou não. Eu resolvi descer da arquibancada e tenho certeza que o futuro será brilhante. Não tenho a menor dúvida que estamos fazendo o que é certo, não o que é mais rápido.
Tostes - A maior dificuldade foi separar a paixão com o que tem que ser feito de correto. Eu sou Flamengo. Acho que o ponto é que quando o chamado vem é dificil você negar. O prazer que me dá fazer esse trabalho é confiar que vai existir um Flamengo antes e um depois. Vamos resolver todos os problemas do Flamengo em três anos? Não, não vamos, mas vamos botar esse carro no trilho.
Flávio Willeman - Ter assumido a vice presidência trouxe mais trabalho, mais insônia, adiar projetos pessoais, mas isso tudo é irrelevante. Estou concretizando um sonho de dirigir o Flamengo. Estou convencido de que o Flamengo vai dar certo e vai dar alegrias, assim como a torcida do Flamengo vai comprar o projeto. Nós teremos o maior programa de sócio-torcedor em três anos.
Há formas criativas de trazer reforços sem que paguemos por jogadores. Enquanto não tivermos dinheiro, faremos acordo, parcerias. Podemos ser vitrine e ganharmos um percentual no futuro de um jogador colocado no clube. Isso é um processo. (...) Nosso futuro vai ser bacana, mas esperamos em menos tempo."
Bap, vice de marketing do Flamengo
Como estão as negociações por novos patrocinadores?
Bap - As negociações vão muito bem, obrigado. Não puderam vir hoje, mas antes do Brasileiro teremos notícias. Iremos estrear a camisa da Adidas com mais peso. Há formas criativas de trazer reforços sem que paguemos por jogadores. Enquanto não tivermos dinheiro, faremos acordo, parcerias. Podemos ser vitrine e ganharmos um percentual no futuro de um jogador colocado no clube. Isso é um processo. Vamos pegar o exemplo do Corinthians. Por que o Corinthians pegou o Pato e o Flamengo não? O Corinthians demorou quatro, cinco anos fazendo isso que eu estou falando com vocês. Não tinha um jogador na seleção no ano passado, mas foi campeão mundial. Jogadores mais baratos e time coeso. Demorou quatro anos, desde a segunda divisão, para trazer um jogador no quilate do Pato. Nosso futuro vai ser bacana, mas esperamos em menos tempo.
Impacto da nova filosofia no mercado?
Bap - Muita gente fala que o futebol tem que mudar, a gente está começando a fazer isso. Acho que daqui a dois, três anos vai trazer resultado muito saudável para o futebol brasileiro. Quando o Flamengo é correto, isso tem um impacto no futebol e na população como uma todo. Queremos ganhar tudo, mas sendo corretos e pagando em dia, para evitar que gracinhas como a do Vampeta (vocês fingem que pagam, eu finjo que jogo) parem de exitir.
Tostes - É uma gracinha e ele mente. Ele recebeu do Flamengo, mas não jogou.
Como incluir o torcedor de baixa renda?
Bap - Super de uma conversa fiada esse assunto. Nosso programa custa menos do que uma passagem de ônibus por mês ou um café......10% de 10 milhões podem. Se você sair em um final de semana, quanto você gasta? Quem está comprando carros, televisores? A baixa renda. A pessoa ser baixa renda não quer dizer que ela não tenha condições de investir. Com o passar do tempo, com muitos associados, podemos abaixar o preço. Achar que não tem 100 mil rubro-negros para pagar R$ 199,00 é que não dá.
A dívida será refletida ainda neste ano?
Tostes - Esses 750 milhões vão refletir em 31 de dezembro de 2013. Temos uma dificuldade na não aprovação do balanço de 2011, mas com a auditoria vamos resolver.
Top 5 da Adidas?
Eduardo Bandeira de Mello - Vamos estar agora em maio. O contrato assinado já nos permite dizer isso fora de campo. Em termos técnicos, dentro de campo, talvez demore um pouco mais. Queríamos que já fosse nesse Fla-Flu, mas a partir de 2014, com um alivio maior nas finanças, já teremos um time forte e seremos um top 5 da Adidas na questão técnica.
Prazo para o saneamento da dívida?
Tostes - Esse número vai variar das projeções da dívida e receitas novas. Não vou mencionar data, seria um chute. Reestruturamos a dívida, iremos trazer novos investimentos, conseguimos as certidões...Agora é cumprir os impostos, pagar os funcionarios, jogadores. Hoje em dia, já pagamos no dia cinco de cada mês o futebol, acabou aquele negócio de dia 25. Estamos renegociando os direitos de imagem atrasados com os jogadores. O prognóstico de prazo é muito dificil, mas acredito que nos próximos 30, 60 dias podemos passar uma data disso.
Direito a voto do sócio-torcedor?
Bap - Hoje não, mas só três coisas são definitivas na vida: morte, impostos e mudanças. Precisamos respeitar o estatuto que já tem 21 anos e imperfeições, como tudo na vida. Precisa ser atualizado, mas o torcedor rubro-negro tem uma oportunidade ímpar de decidir o futuro do Flamengo: virar sócio. Tem que se engajar. Isso pode mudar com o tempo? Pode. Está na nossa cabeça hoje? Não.
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Sul-Americano sub-17: trio de Fla-Flu garante vitória do Brasil sobre o Peru

Lincoln e Caio, ambos do Rubro-Negro, e Kenedy, do Tricolor, marcam no
triunfo que confirmou equipe na primeira colocação do Grupo B do torneio

Por GLOBOESPORTE.COM Mendoza, Argentina
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O Brasil encerrou a participação na primeira fase do Sul-Americano sub-17 com o primeiro lugar do Grupo B. Nesta quinta-feira, no Estádio Malvinas Argentinas, em Mendoza, o time canarinho não tomou conhecimento do Peru e derrotou os rivais por 3 a 0. Com um time mesclado, a equipe comandada pelo técnico Alexandre Gallo encerrou a fase de classificação com dez pontos. Os gols foram marcados por Lincoln e Caio, ambos do Flamengo, e Kenedy, do Fluminense.
Nesta quinta-feira, ainda pelo Grupo B, o Uruguai goleou a Bolívia por 5 a 1 e confirmou a segunda posição da chave, com oito pontos. Além do Brasil e da Celeste, o Peru, com quatro, também avançou para a próxima fase do torneio.
A Seleção de Gallo vai estrear no hexagonal no próximo domingo, às 17h05m (de Brasília), contra o Uruguai. Todas as partidas da fase final do torneio serão realizadas na cidade de La Punta, na Argentina.
Brasil fura retranca e abre o marcador com Lincoln
Mesmo com um time misto, o Brasil foi superior ao Peru nos 45 minutos iniciais. Porém, o time comandado por Gallo encontrava muitas dificuldades para furar o bloqueio dos rivais. A primeira chance do time canarinho aconteceu apenas aos 19. Caio fez boa jogada pelo lado esquerdo, passou por um adversário e cruzou. Léo Mendes se antecipou ao goleiro Espinoza, mas cabeceou para fora.
O time brasileiro seguiu pressionando e voltou a assustar 28. Robert fez bela jogada individual pelo lado esquerdo, passou por dois adversários e tentou o cruzamento. A zaga afastou o perigo. No minuto seguinte, o Brasil abriu o marcador. Caio bateu escanteio da direita, Lincoln surgiu por trás dos zagueiros na marca do pênalti e escorou de primeira para balançar a rede dos rivais.
A partida continuou com o Brasil dominando, tendo mais posse de bola. Mas quem assustou foi o Peru. Léo Pereira errou passe na intermediária, e a bola sobrou para Barrueta, que avançou até a entrada da área e soltou a bomba. O goleiro Marcos se esticou todo para espalmar a escanteio. No fim da etapa inicial, aos 45, Robert fez outra boa jogada e cruzou para Ewandro acertar um belo sem-pulo e jogar por cima do travessão.
Brasil amplia o marcador e atropela peruanos na etapa final
O Brasil voltou em cima dos rivais para ampliar o marcador. E a atitude surtiu efeito logo no primeiro minuto da etapa final. Ewandro cruzou da esquerda, a zaga do Peru não conseguiu cortar, e a bola sobrou para Caio dentro da área. O jogador bateu com força e venceu o goleiro Espinoza para marcar o segundo gol da seleção brasileira.
A equipe canarinho permaneceu com amplo domínio da partida, mas passou a pecar nos erros de passe. Mas nem assim o Peru se aventurava com frequência ao ataque. E foi a partir daí que Gallo começou a mexer na equipe. O atacante Kenedy e o lateral-direito Auro entraram em campo. E foi justamente o goleador do Fluminense que fez o terceiro. O jogador recebeu na entrada da área, enganou o adversário com um drible de corpo, avançou até a intermediária e soltou a bomba. Um golaço. O terceiro no Sul-Americano sub-17 (veja o lance no vídeo acima).
Com as alterações, Gallo aproveitou para observar algumas situações de jogo. O treinador colocou o volante Léo Pereira na lateral esquerda, já que Matheus deixou o gramado sentindo dores na coxa esquerda, e o lateral-direito Auro na cabeça-de-área. Os dois deram conta do recado e abriram o leque de opções do comandante para o hexagonal final.
No fim, o time canarinho apenas tocou a bola para passar o tempo e garantir mais três pontos na primeira fase do Sul-Americano sub-17.

Com lema de gladiador, Filipe zera passado por batalha épica na decisão

Dono do segundo melhor passe da Superliga, ponteiro do Cruzeiro esquece campanhas na fase classificatória, pensa no futuro e sonha com a seleção

Por Helena Rebello Belo Horizonte
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Gladiadores não conhecem o caminho de volta. A frase, forte e sucinta, virou um dos lemas de Filipe Ferraz para a final da Superliga masculina. Dono do segundo  passe mais eficiente da competição na temporada 2012/2013, o ponteiro garante não olhar para trás nem para se inspirar com conquistas passadas. Acredita que aqueles que enfrentaram batalhas épicas em tempos remotos se importam apenas com desafio que está por vir. E é essa postura que o jogador do Cruzeiro adora. No caso, a chance de sagrar-se bicampeão nacional com a equipe celeste é o estímulo que o move.
A partir das 10h (horário de Brasília) deste domingo, a Rede Globo e o SporTV transmitem o confronto com o Rio de Janeiro, ao vivo, direto do Maracanãzinho. O GLOBOESPORTE.COM também acompanha todos os lances em Tempo Real.
Filipe é antenado e está sempre conectado às redes sociais. A frase citada no início desta matéria foi postada recentemente na conta do ponteiro no Twitter. Compartilhada com seus seguidores no microblog, virou quase um mantra. O foco no próximo e decisivo jogo é total. As campanhas das duas equipes, as duas melhores da fase classificatória, praticamente idênticas, foram deixadas de lado pelo atleta. A lembrança de que foi eleito o melhor jogador da final da última edição, também. Nada mais tem valor diante do confronto único que definirá o novo campeão.
chamada CARROSSEL Filipe Gladiador (Foto: arte esporte)Filipe: postura de Gladiador para a decisão
da Superliga (Foto: arte esporte)
- Às vezes eu gosto de filosofar um pouquinho nas redes sociais. Eu vejo um filme, um comentário ou frases de pensadores e me sinto bem expondo aquilo. Esse especificamente é um pensamento bom quando se chega em uma final, em mais uma grande batalha. Tem gente que gosta de olhar para trás e ver o que fez de bom,  mas os guerreiros que batalham, que lutam, só pensam em olhar para a frente, e nunca em olhar para trás. Nosso grupo é muito diferenciado, e não é à toa que estamos, pelo terceiro ano  consecutivo, chegando a uma final. Somos muito comprometidos e há entrega e doação máximas. Na hora que um tem que cobrar do outro, cobra mesmo.  Não somos um time de grandes estrelas, todos são reconhecidos pelo conjunto.
E também é pensando no futuro que Filipe espera ter esse reconhecimento ampliado. E esta nova esfera inclui a seleção brasileira de vôlei. Elogiado por Tande, campeão olímpico em 1992, nas transmissões do SporTV, o ponteiro ainda tem esperanças de receber uma chance de Bernardinho. Aos 33 anos, o mineiro acredita que tem muito a contribuir com o grupo verde-amarelo.
- Espero ter uma oportunidade que ainda não tive. Mesmo já tendo mais de 30 (anos) não deixa de ser um sonho para mim. Nos últimos anos o Bernardinho viu as qualidades de outros jogadores, acho que ainda não foi a minha hora. Mas quem sabe se esse ano ele observou alguma coisa especial, viu alguma diferença. Se eu ganhasse essa oportunidade, acho que ele não iria se arrepender.
vôlei Filipe Cruzeiro Crédito:   (Foto: Renato Araújo / Divulgação Sada Cruzeiro)Filipe treina o passe, seu melhor fundamento
(Foto: Renato Araújo / Divulgação Sada Cruzeiro)
Neste domingo, Filipe terá um papel essencial em quadra. Com 54% de aproveitamento na recepção, o ponteiro terá como uma de suas principais missões passar a bola na mão de William para que o levantador tenha mais opções na hora de armar o ataque do Cruzeiro. Como o grupo mineiro e o Rio de Janeiro lideram as estatísticas de eficiência no saque, a expectativa é de muito trabalho na linha de passe.
- É o meu melhor fundamento, e tento aprimorar cada vez mais. Durante toda a temporada me preparei para tudo, saques fortes, balanceados, flutuantes. Sei que está por vir muita pancadaria do Lucão, do Riad e de outros. Tenho que dar essa consistência para a equipe para que o William tenha a bola na mão para armar as jogadas. Vai ser dureza.
Até hoje, Rio de Janeiro e Cruzeiro se enfrentaram quatro vezes, com duas vitórias para cada lado. Na Superliga 2011/2012, o time carioca estreou o confronto com triunfo no Maracanãzinho por 3 sets a 1. No returno, o grupo mineiro deu o troco sem ceder sequer um set ao rival. Na a edição atual do campeonato, os dois duelos foram decididos no tie-break. Mais uma vez, o fator casa foi determinante, e cada equipe comemorou em seus domínios.

Diretoria do Timão diz que não vai gastar ‘um centavo’ por Dedé

Mesmo com a concorrência do Cruzeiro, clube não muda postura, e diretor diz que só quer reforço se ele ‘chegar embrulhado para presente’

Por Diego Ribeiro São Paulo
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Dedé no treino do Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Site do Vasco)Dedé, em treino do Vasco, em São Januário
(Foto: Marcelo Sadio / Site do Vasco)
A diretoria do Corinthians reafirmou na tarde desta quinta-feira que não vai gastar qualquer quantia em dinheiro para ter o zagueiro Dedé. A entrada do Cruzeiro na briga para ter o jogador do Vasco não fez o Timão mudar sua postura. De acordo com o diretor adjunto Duílio Monteiro Alves, o zagueiro só pode chegar ao Parque São Jorge se houver interesse da DIS em colocá-lo no clube.
O grupo de investidores tem 45% dos direitos econômicos de Dedé, e pode comprar os 45% que pertencem ao Vasco – outros 10% são da Ability. A parte vascaína está avaliada em cerca de 5 milhões de euros (R$ 13 milhões). O Timão reafirmou que não vai tirar dinheiro do bolso, nem mesmo ceder jogadores ao rival carioca para ter o zagueiro.
Só temos interesse se ele chegar embrulhado para presente no CT"
Duílio Alves, diretor adjunto de futebol do Timão
– O Corinthians não vai gastar um centavo pelo Dedé, essa é nossa postura desde o início. Acabamos de investir dinheiro no setor (o zagueiro Gil foi contratado em janeiro por cerca de R$ 9 milhões). Também não é do nosso interesse envolver qualquer jogador no negócio – disse Duílio.
– Só temos interesse se ele chegar embrulhado para presente no CT – completou.
A preocupação do Corinthians é evitar qualquer insatisfação no elenco sobre possíveis jogadores a serem trocados. Desejo do Vasco, Emerson Sheik foi um dos nomes comentados em uma possível transação. A diretoria corintiana logo procurou o atacante para uma conversa, com o objetivo de esclarecer que o Timão não tem qualquer intenção em envolver algum atleta do elenco no negócio.
O Vasco não tem pressa para negociar o jogador, já que uma cláusula do contrato impede que Dedé saia antes do dia 1º de julho sem o consentimento do clube. A DIS tem interesse em manter o zagueiro no Brasil, já que considera uma vitrine maior às vésperas da Copa do Mundo que será disputada no próprio país, em 2014.
O grupo de investidores mantém o Corinthians informado sobre todos os passos da possível negociação, mas o clube vai continuar na defensiva. A diretoria assegura que Dedé só será jogador do Timão se a DIS tiver interesse em uma parceria. Caso contrário, o clube vai se manter com Gil, Paulo André, Chicão e Felipe, os quatro principais zagueiros do elenco.
Embalado pela torcida, Palmeiras bate Libertad e avança às oitavas
Verdão fica quase todo o segundo tempo com um a menos, mas vence na raça e agora depende das próprias forças para fechar a chave como líder
 
 
A CRÔNICA
por Rodrigo Faber e Gustavo Serbonchini
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Charles gol Palmeiras Libertad Libertadores (Foto: Reuters)Charles foi o herói da torcida palmeirense nesta
quinta-feira, contra o Libertad (Foto: Reuters)
Alegria, frustração, confiança e superação. Principalmente superação. A história do Palmeiras na primeira fase da Taça Libertadores 2013 teve todos os elementos de um filme dramático, mas acabou com final feliz. Na noite desta quinta-feira, o Verdão venceu o Libertad, do Paraguai, por 1 a 0, no Pacaembu, e assegurou vaga nas oitavas de final da competição continental com uma rodada de antecedência.
Assim como já havia sido contra o Tigre, semana passada, a equipe apostou na determinação de seus jogadores e na força da torcida - que quebrou recorde de público da Libertadores nesta quinta - para, após atravessar um dos piores momentos de sua história (o rebaixamento à Série B do Brasileirão no ano passado), voltar ao mata-mata da principal competição de clubes da América.
Por uma noite, o trecho do hino “defesa que ninguém passa, linha atacante de raça” fez todo o sentido. O gol saiu dos pés de Charles, num lance casual - Wesley, que seria expulso minutos depois, errou o chute, e a bola caiu nos pés do volante, que decidiu. O sistema defensivo, tantas vezes criticado, teve atuação sólida diante de um adversário perigoso.
Com a vitória, o Palmeiras chegou a nove pontos - todos conquistados em casa -, assumiu a liderança do Grupo 2 e não pode mais deixar a zona de classificação. Os paraguaios, com oito, agora disputam a segunda vaga com o Tigre-ARG, que tem seis. O Sporting Cristal, com o triunfo alviverde, está eliminado - é lanterna da chave com cinco pontos.
A última partida do Verdão pela primeira fase será na próxima quinta-feira, contra o Sporting Cristal, em Lima. A missão do time de Gilson Kleina é assegurar o primeiro lugar da chave para decidir em casa uma vaga nas quartas. A equipe do Palestra Itália pode terminar como líder até perdendo, desde que o Tigre vença o Libertad no Paraguai. Para não precisar fazer contas, o Verdão tem de vencer. Clique aqui e simule os resultados da última rodada.
O Palmeiras volta a campo no próximo domingo, novamente no Pacaembu, para enfrentar o Guarani, às 16h (de Brasília), pela penúltima rodada do Campeonato Paulista. A equipe verde já está assegurada nas quartas de final do estadual.
Wendel comemoração Palmeiras Libertad (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Sozinho, Wendel comemora a classificação
(Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Apoio na arquibancada, tensão no gramado
Já se passaram quase cinco meses desde o rebaixamento do Palmeiras à Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Daquele fatídico 18 de novembro até hoje, muita coisa mudou no clube. A relação entre time e torcida é uma delas - sobretudo na Taça Libertadores. Nesta quinta-feira, os alviverdes fizeram sua parte: lotaram o Pacaembu e apoiaram o tempo todo.
O coro, no entanto, não contagiou o time. Diante de um organizado Libertad, pelo qual o Verdão foi dominado em Assunção, no dia 28 de fevereiro, a equipe comandada por Gilson Kleina apostou nos mesmos elementos nos quais havia se apoiado para vencer o Tigre, terça-feira retrasada, também no Pacaembu: raça e determinação. Faltou, porém, qualidade técnica ou pelo menos um atacante que segurasse mais a bola à frente.
Descoordenado, o Palmeiras não teve um padrão tático definido. No setor ofensivo, Vinícius era o único que permanecia em posição fixa, mas muito isolado. Wesley, Juninho e Souza se alternavam nos avanços para apoiar o ataque, sem sucesso. À vontade, o time paraguaio não sentia a pressão por jogar fora de casa: comandado pelo volante Guiñazu, ex-Internacional, parava o Verdão marcando forte e abusando das faltas no meio-campo.
torcida festa Palmeiras jogo Libertad (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Torcida do Palmeiras deu show no Pacaembu (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Poucos lances da primeira etapa de jogo animaram de fato os palmeirenses. Cobranças de falta de Ayrton e Souza – que pararam na barreira do Libertad – e um único cruzamento de Souza para o zagueiro Henrique, que mandou cabeceio por cima do travessão, foram as jogadas de maior destaque dos donos da casa. Das arquibancadas, muitas reclamações com o árbitro uruguaio Daniel Fedorczuk e vibração especial com carrinhos, chutões e desarmes.

Raça e final feliz
Gilson Kleina não fez alterações em sua equipe no intervalo, mas admitiu que o time sentiu demais a falta de um atacante fixo na área nos primeiros 45 minutos. Logo no início da etapa complementar, o volume do jogo Palmeiras aumentou: apoiado ainda mais insistentemente por sua torcida, a equipe fechou o cerco sobre o Libertad. Chegou à área paraguaia primeiro em cabeceio de Juninho, depois em chute à queima-roupa de Marcelo Oliveira.
- A Taça Libertadores é obsessão, tem que jogar com a alma e o coração... - cantavam os alviverdes.

Os jogadores ouviram o recado que vinha das arquibancadas. Ninguém pedia futebol-arte. Ninguém estava ali pelo brilho individual de qualquer jogador. Queriam o “Alviverde imponente” fazendo valer sua história, colocando a bola na rede. E o pedido foi atendido em um lance peculiar, aos sete minutos.
Charles gol Palmeiras Libertad Libertadores (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Charles sai para comemorar o gol marcado contra o Libertad (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Revezando-se entre o meio-campo e o ataque, o volante Wesley arriscou chute da intermediária. Finalização fraca, sem qualquer perigo aparente. Fracasso?  Longe disso. A bola sobrou dentro da área para Charles, que apareceu sozinho e teve o único trabalho de tocar para o gol na saída do goleiro Rodrigo Muñoz.
O gol trouxe alívio, mas não diminuiu o nervosismo dos jogadores. Irritado com as consecutivas faltas cometidas pelo Libertad desde o início da partida, Wesley, que já havia sido advertido com cartão amarelo no primeiro tempo, cometeu falta no meio-campo e acabou expulso.
Naturalmente acuado, o Verdão “aceitou” a pressão dos paraguaios. Wendel e Tiago Real entraram para dar novo gás ao meio-campo, mas a preocupação maior era se defender. Uma multidão de camisas verdes dentro da área, rebatendo tudo. Deu certo. Ao seu jeito, sem requinte, mas com muita raça, o Palmeiras está nas oitavas de final da Taça Libertadores.
Charles gol Palmeiras Libertad Libertadores (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Palmeirenses vão para a torcida na comemoração do gol (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

No Brasil, Bruce Buffer canta 'Ah lelek' e conta como conheceu Royce Gracie

Locutor, que participou de palestra em São Paulo nesta semana, mostra como anunciaria jogadores brasileiros e final da Copa do Mundo de futebol

Por Cassio BarcoSão Paulo
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A "voz do octógono", Bruce Buffer, não foge de desafios. O announcer oficial do UFC esteve no Brasil nesta semana para participar de uma palestra com Wanderlei Silva e Rodrigo Minotauro e foi convidado pelo SPORTV.COM a se arriscar anunciando os nomes de craques do futebol brasileiro, como Ronaldinho Gaúcho e Neymar. Buffer, que além de anunciar eventos é praticante de artes marciais, empresário e jogador de pôquer, foi além: mostrou como anunciaria uma final de Copa do Mundo de futebol no Brasil e até cantou o refrão do "Passinho do Volante", sucesso do MC Federado e os Leleks, que Anderson Silva tanto gosta de dançar. (Veja no vídeo ao lado).
A visita de Buffer ao Brasil também tem como objetivo promover sua autobiografia, "It's Time!" Segundo o locutor americano, um acordo com uma editora brasileira está fechado e a versão em português chega ao Brasil em torno de agosto.
FRAME Bruce Buffer locutor UFC (Foto: Reprodução)Segundo Bruce Buffer, seu livro tem capítulo só sobre as mulheres de sua vida (Foto: Reprodução)
O livro conta vários "causos" dos 17 anos de carreira de Buffer como voz oficial do UFC, mas também outros ocorridos quando ainda era desconhecido dos fãs de MMA. Numa delas, adiantada ao SPORTV.COM, o locutor lembra o dia em que conheceu a lenda Royce Gracie, dois anos antes do primeiro UFC.
- Em 1991, eu treinava kickboxe, fui a um dojô em Torrance, na Califórnia, e conheci um homem novo e magro chamado Royce Gracie, que me chamou para um quarto, fechou a porta e pediu para que eu arrancasse sua cabeça. Trinta segundos depois, eu estava engasgando, procurando ar. Ele me colocou no chão e (me finalizou) com um estrangulamento. Ele levantou e falou, ‘Viu como é bom não levar uma porrada na cara?' Aí, quando o Royce surgiu em 1993 (no primeiro UFC), disse para mim mesmo, ‘Esses lutadores não fazem ideia do que está para acontecer com eles’.
Buffer também contou que foi nos bastidores que surgiu seu bordão principal, "It’s time" ("Está na hora", em português).
- Os atletas se preparam por 10 semanas, no dia da luta esperam até seis horas sentados. Quando chega o evento principal, para mim, para eles e para quem está assistindo, Está na hora! - explicou.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Rodrigo Damm diz que não invadiu consultório e que vai entrar na Justiça

Lutador do UFC conta ter pensado que esposa estava infartando e defende
que, mesmo desesperado, pediu o atendimento médico de forma educada

Por Ivan Raupp Rio de Janeiro
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Rodrigo Damm na XGym (Foto: Ivan Raupp)Rodrigo Damm já está de volta à XGym, onde
treina, no Rio de Janeiro (Foto: Ivan Raupp)
Rodrigo Damm revelou que vai entrar na Justiça contra o hospital e a médica envolvidos no polêmico caso ocorrido na semana passada, em que ele foi acusado de invadir o consultório à procura de atendimento para a esposa, que estava passando mal. O lutador do UFC suspeitava que ela estava tendo um infarto, mas a paciente não foi atendida prontamente. O Hospital Evangélico de Vilha Velha, no Espírito Santo, que também estuda processar o atleta capixaba, informou na ocasião que Betina Damm, de 26 anos, passou por uma triagem e foi constatado que a situação dela não era tão grave. Em entrevista em tom de desabafo ao SPORTV.COM, Rodrigo disse que está bastante triste com a repercussão que o episódio teve:
- Fiquei chateado com a repercussão. Eu não invadi nem ameacei ninguém. Pedir "por favor" e "pelo amor de Deus" é ameaça porque eu sou lutador? Que preconceito é esse? Estou me sentindo realmente constrangido e lesado. Eu pago plano de saúde da minha esposa há oito anos, e ela felizmente nunca precisou. Na hora que precisa o socorro é negado? Hospital público já não funciona no Brasil, mas a gente paga um plano de saúde e na hora que precisa não é atendido. Com certeza vou tomar uma atitude. Vou entrar com um processo contra eles na Justiça, contra o hospital e contra a médica.
A versão de Rodrigo Damm
Sou leigo, mas achei que ela estava infartando. Já cheguei pedindo socorro: 'Socorro, gente! Me ajuda! Minha esposa está tendo um troço'. E as crianças já chorando, vendo a mãe naquela situação"
Rodrigo Damm
Damm contou que sua mulher esteve na faculdade na parte da manhã do dia 4, última quinta-feira, e no início da tarde malhou na academia e ingeriu um termogênico à base de cafeína. Às 16h, os dois foram buscar os filhos na escola, quando Betina começou a se sentir mal, alegando formigamento das mãos e do rosto e o coração batendo em disparada. O lutador, então, levou-a para o Hospital Evangélico, em Vilha Velha.
- Chegando no hospital, o quadro dela estava muito ruim. Ela não conseguia nem abrir a mão de tão dura que estava. A cara estava toda vermelha. Sou leigo, mas achei que ela estava infartando. Já cheguei pedindo socorro: "Socorro, gente! Me ajuda! Minha esposa está tendo um troço". E as crianças já chorando, vendo a mãe naquela situação - declarou.
O hospital informou que Damm precisaria preencher uma ficha primeiro, mas ele os convenceu de só fazer isso depois. Uma mulher fez a chamada triagem na paciente, que acusou 147 batimentos cardíacos por minuto e mais de 15 de pressão, segundo o lutador. Mas Betina recebeu a pulseira amarela, que classifica a gravidade do caso como intermediária. Quando ela finalmente entrou, a confusão só aumentou em vez de se encerrar:
- Quando deu uns 30 segundos, eu entrei e fui atrás dela. Ela estava jogada, deitada em três cadeiras, sem atendimento. Eles devem tê-la colocado na cadeira para esperar, mas ela não aguentou e deitou. Quando apareci, ela falou: "Socorro, amor! Os médicos não me atenderam ainda". Achei que ela ia morrer. Foi quando entrei na sala da médica. Eu não invadi. Entrei, coloquei a cabeça com educação e pedi socorro. Falei: "Doutora, por favor, atende a minha esposa". A médica estava atendendo uma paciente que não era de alto risco, estava fazendo ficha no computador. E minha esposa do lado de fora, morrendo. A médica olhou para mim e deu um esporro: "Sai daqui, que não vou atender ninguém agora!". Tomei um susto na hora e recuei. Foi aí que comecei a filmar (veja no vídeo acima). Isso para mim é omissão de socorro. Entrei pedindo "por favor", "pelo amor de Deus". Eu estava desesperado. Isso não é invadir.
A médica, então, saiu da sala e disse para Damm parar de filmar, ou então a esposa dele não seria atendida. De fato, não foi ela que fez o atendimento posteriormente, e sim um médico. Depois de tomar um remédio, Betina melhorou. O que ela teve, conforme o marido explicou após ouvir o médico, foi uma taquicardia, aumento da frequência do coração, provavelmente por conta da ingestão do termogênico. De resto, os exames não apresentaram qualquer problema.
Rodrigo Damm na XGym (Foto: Ivan Raupp)Rodrigo Damm (na ponta esquerda) ouve os os treinadores na academia (Foto: Ivan Raupp)
Agora mais calmo, Rodrigo garantiu que o caso não vai atrapalhar a preparação para a luta contra o japonês Mizuto Hirota, no evento que terá a final do TUF Brasil 2, dia 8 de junho:
- Já foi superado. Tomara que não me prejudique. Fiquei muito chateado, muito nervoso. Na hora você se desconcentra um pouco do treinamento, porque estou em preparação, mas vou esquecer isso. Vou deixar de lado e não vai me atrapalhar - encerrou.

Miesha Tate se empolga ao se ver em outdoors promovendo o UFC: 'Surreal'

Lutadora, que ajudou a colocar MMA feminino no evento, jura não ter atenção em Cat Zingano desvirtuada por potencial revanche com Ronda Rousey

Por Adriano Albuquerque Rio de Janeiro
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Há um ano e um mês, a americana Miesha Tate estava envolvida na luta que iniciou uma mudança de rumos para o MMA feminino. Então campeã dos pesos-galos do Strikeforce, Tate fez uma luta muito movimentada contra o fenômeno Ronda Rousey, cuja lenda aumentou com sua sexta vitória seguida por finalização e a conquista do cinturão. Rousey se tornou grande demais para ser ignorada pelo UFC, mas Tate também recebeu reconhecimento por ter durado mais do que qualquer outra contra a medalhista olímpica de judô, e inclusive recebeu elogios de Dana White, presidente do Ultimate, que chamou o combate de "fator catalisador" para a entrada das mulheres em seu evento.
Miesha Tate outdoor Mandalay Bay UFC (Foto: Reprodução/Twitter)Miesha Tate aparece em telão de hotel como destaque do TUF 17 Finale (Foto: Reprodução/Twitter)
Agora, a lutadora de Tacoma, EUA, está prestes a estrear no UFC, contra Cat Zingano, neste sábado, com uma revanche contra Rousey e um papel de destaque no famoso reality show The Ultimate Fighter em jogo. Apesar de não fazer o evento principal do TUF 17 Finale, aparece junto a Zingano em diversos outdoors e telões espalhados por pontos nobres de Las Vegas, como uma das estrelas da promoção.
- Foi muito empolgante, eu mostrei para todo mundo! Olha meu rosto ali! Uau! É bem surreal de um jeito, se ver em Las Vegas, numa das cidades mais populares do mundo, ver minha cara numa tela gigante. Foi bem maneiro - contou Miesha Tate, em entrevista por telefone ao SPORTV.COM.
Apesar dos mimos que vêm com ser uma estrela do UFC, a lutadora jura que não vê diferença entre lutar pela maior organização de MMA do mundo e sua casa anterior, o Strikeforce, que virou propriedade da mesma empresa que comanda o Ultimate em seus últimos dois anos de vida, antes de fechar as portas em janeiro deste ano. A nova oportunidade de enfrentar Ronda Rousey, algo que Tate vem pedindo desde que perdeu a primeira luta, também não desvirtuou seu foco da missão de bater Cat Zingano no sábado.
- Isso foi motivante. Não foi difícil de me focar, porque para conseguir esse objetivo final, da revanche e da disputa do cinturão, tenho que fazer meu trabalho, que é bater a Cat Zingano neste sábado. Meu foco agora é só a Cat, é isso.
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Confira abaixo a entrevista na íntegra com Miesha Tate:
Anderson Silva treino MMA casal Miesha Tate e Bryan Caraway (Foto: Adriano Albuquerque / Sportv.com)Tate posa com Anderson Silva durante passagem
pelo Brasil (Foto: Adriano Albuquerque)
SPORTV.COM: O que você considerou mais proveitoso em sua passagem pelo Brasil?
Miesha Tate: Eu aprendi muitas técnicas muito boas de jiu-jítsu brasileiro, e me diverti muito aprendendo sobre a cultura. Foi muito legal e realmente me diverti.
Você mencionou numa entrevista que gostaria de lutar jiu-jítsu com a Kyra Gracie. Já aconteceu esse "rola"?
Ainda não, ainda estou esperando! (Risos)
Para enfrentar a Cat Zingano, que tem o jiu-jítsu e o wrestling como principais armas, esse período de treinos no Brasil foi importante?
Vai ser de muita ajuda, com certeza. O jiu-jítsu brasileiro é uma arte que você precisa ir até aí para experimentar a fonte do esporte. Treinando com o Mestre Sylvio Behring, sinto que aprendi muito e, com certeza, foi uma parte benéfica do meu treino.
Foi difícil manter o foco na luta com a Cat, sabendo que a chance da revanche com a Ronda está tão perto?
Isso foi motivante. Não foi difícil de me focar, porque para conseguir esse objetivo final, da revanche e da disputa do cinturão, tenho que fazer meu trabalho, que é bater a Cat Zingano neste sábado. Meu foco agora é só a Cat, é isso.
Você já lutou várias vezes pelo Strikeforce e foi campeã, mas lutar no UFC é uma emoção diferente?
Na verdade, não, sinceramente. Sinto que é (o UFC) muito similar ao Strikeforce. Não me sinto no UFC até ter minha primeira vitória aqui. Só penso na luta, não penso no UFC nem no The Ultimate Fighter, só penso em Cat Zingano. Se fosse qualquer evento, lutaria do mesmo jeito. Treinei muito bem para essa luta e estou muito animada para ela.
Miesha Tate e Ronda Rousey  se encaram durante pesagem do Strikeforce (Foto: Getty Images)Miesha Tate cultivou rivalidade com Ronda Rousey no ano passado e quer revanche (Foto: Getty Images)
Como você se sentiu ao se ver em outdoors nos principais hotéis de Las Vegas?
Foi muito empolgante, eu mostrei para todo mundo! Olha meu rosto ali! Uau! É bem surreal de um jeito, se ver em Las Vegas, numa das cidades mais populares do mundo, ver minha cara numa tela gigante. Foi bem maneiro.
Você admitiu que se deixou levar pela emoção na sua luta contra a Ronda. Como garantir que isso não te afete agora, na estreia no UFC, e numa eventual revanche?
Não tem como garantir nada, e isso foi algo que percebi. Não posso me preocupar com o que não posso controlar. O que eu posso controlar é como eu lido com as coisas, se deixo algo me afetar ou não. Sabe como dizem que felicidade é uma escolha? Eu fiz a escolha consciente de não deixar as coisas me incomodarem como antes, não me estresso mais e me divirto com elas.
Qual você considera que seria o maior desafio em treinar atletas no TUF 18?
Acho que o maior desafio será conhecer cada atleta diferente. Todo mundo é diferente. Tem gente que quer que você berre com elas e as empolgue, mas tem gente que fica nervosa com gritos, que prefere calma. Tem gente que só quer se divertir. O mais desafiador é realmente se sintonizar com cada lutador e suas necessidades para entrar na luta.
Que problemas você antecipa com a casa dividida entre homens e mulheres? Como mantê-los separados e focados no título?
Acho que isso vai ser com eles. Como treinadora, não vou assumir responsabilidade com isso. Se eles quiserem ser idiotas, vai depender deles. Meu treinamento vai ser voltado para quem quiser chegar ao topo e ser vencedor.
O quão ansiosa você está para sábado à noite?
Eu não estou! Estou animada, é uma grande oportunidade e não vou aceitar nada além da vitória.

Minotauro perdoa Viscardi, mas avisa: 'Sua atitude vai motivar meu time'

Treinador do TUF comenta atrito com competidor da equipe de Fabrício Werdum e fala sobre o futuro combate contra o técnico adversário

Por Cassio Barco São Paulo
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Pazes feitas entre Rodrigo Minotauro e Viscardi Andrade. Pelo menos por enquanto. Após a troca de farpas do treinador do TUF Brasil 2 com o competidor da equipe Werdum em sua vitória sobre Thiago Jambo, o clima entre os dois times esquentou. Posteriormente, os dois se desculparam, os ânimos se acalmaram, mas o baiano extraiu daí a energia e a motivação extra que precisava: agora a equipe inteira quer vencer Viscardi.
- A própria equipe falou que achava injusto eu trazer o Jambo de volta. Mas o UFC me deu o direito de escolha, de trazer quem eu queria para a equipe. O Viscardi depois que ganhou a luta fez um desabafo, apontou, eu acho que ele levou muito para o pessoal. Mas foi mesmo adrenalina da competição, não foi briga. Depois eu falei: "Viscardi, você teve a sua atitude e realmente isso aqui é uma competição, mas sua atitude vai motivar o meu time. E vou motivar o meu time para lutar contra você pra poder ganhar". A atitude dele realmente nos motivou a treinar mais. Esse que é o legal do programa: se um garoto se desentender com o outro, eles podem resolver a desavença no octógono - contou Minotauro ao SPORTV.COM, durante palestra concedida nesta quarta-feira em São Paulo, ao lado de Wanderlei Silva. (Confira no vídeo acima).
Rodrigo Minotauro e Fabrício Werdum TUF Brasil 2 (Foto: Divulgação)Rodrigo Minotauro e Fabrício Werdum comandam os competidores do TUF Brasil 2 (Foto: Divulgação)
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Além disso, Minotauro está usando os treinamentos como preparação para o futuro duelo com Fabricio Werdum, que será realizado em junho, em Fortaleza. Um confronto que, para ele, será um pouco diferente dos que já protagonizou, pela convivência direta com o oponente.
- Não é uma luta normal, com um adversário que você já conhece. É um cara que você está  presenciando no treinamento por quase três meses, acompanhando tudo o que acontece.  A gente já se viu muitas vezes no octógono. Então, a motivação é bem maior. Há um respeito mútuo, mas a competição entre si aumenta. Não por causa das brincadeiras, mas por estarmos o tempo inteiro cada um de um lado, se enfrentando.

Rory MacDonald volta ao UFC contra Jake Ellenberger no evento de Seattle

Canadense, que teve de deixar o UFC 158 por lesão, retorna ao octógono diante do 'Juggernaut', que vem de oito vitórias em suas nove últimas lutas

Por SporTV.com Las Vegas, EUA
Um autêntico duelo de desafiantes ao cinturão dos meio-médios do UFC foi confirmado nesta quarta-feira. O canadense Rory MacDonald, que teve de deixar o card do UFC 158 por lesão, teve confirmada sua volta aos octógonos no evento de Seattle, dia 27 de julho, contra o americano Jake Ellenberger, atualmente o quarto colocado no ranking oficial da categoria. Ellenberger vem de oito vitórias nas suas últimas nove lutas, e terá diante de si um adversário que sofreu apenas uma derrota em 15 lutas como profissional. A notícia foi veiculada pelo blog "Keyboard Kimura", do jornal canadense "The Province", e confirmada em seguida pelo Twitter oficial do UFC.
UFC 145 Rory MacDonald (Foto: Agência Getty Images)Rory MacDonald volta ao UFC contra Jake Ellenberger em Seattle, dia 27 de julho (Foto: Getty Images)
A última apresentação de Rory MacDonald no UFC aconteceu em dezembro de 2012, quando o lutador venceu por decisão unânime dos juízes o havaiano BJ Penn, em uma luta em que ele dominou o legendário veterano durante todo o combate. Já Ellenberger fez sua última luta justamente no UFC 158, quando nocauteou o compatriota Nate Marquardt no primeiro round, em uma atuação muito elogiada. Companheiro de treinos do campeão da categoria, Georges St-Pierre, MacDonald já deixou claro que não pretende lutar contra o amigo e mentor enquanto ele detiver o título dos meio-médios.
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Esta é a segunda luta confirmada para o evento, que já tinha agendado o duelo entre os leves Melvin Guillard e Mac Danzig.

Alexander Gustafsson pede para enfrentar o brasileiro Lyoto Machida

Sueco, que foi retirado do card do UFC Suécia 2 no último sábado por lesão, pede ao UFC que o deixe como primeiro substituto em caso de lesão

Por SporTV.com Estocolmo
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Alexander Gustafsson MMA UFC (Foto: John Morgan/ MMAjunkie)Alexander Gustafsson pediu para lutar contra Lyoto
Machida em breve (Foto: John Morgan/ MMAjunkie)
A equipe sueco Alexander Gustafsson, que foi retirado do card do UFC Suécia 2 pela Federação Sueca de MMA após sofrer um corte acima do olho esquerdo durante os seus últimos treinos antes do torneio, fez um pedido ao UFC: que ele encare o brasileiro Lyoto Machida o quanto antes. O meio-pesado, que não escondeu a frustração por não enfrentar o iraniano naturalizado holandês Gegard Mousasi diante de sua torcida, em Estocolmo, também teria dito que espera ser o primeiro substituto caso algum atleta de sua categoria se lesione - especialmente Jon Jones ou Chael Sonnen.
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Machida ganhou o direito de lutar pelo cinturão dos meio-pesados do UFC contra o vencedor da luta entre Jon Jones - o atual campeão - e Chael Sonnen após vencer o veterano Dan Henderson no UFC 157. O brasileiro já havia declarado que gostaria de se manter ativo, ao invés de aguardar a próxima data de luta de Jones ou Sonnen, que se enfrentam no UFC 159, em 27 de abril, o que pode acontecer apenas em novembro ou dezembro. A declaração deu argumentos a Gustafsson, que pediu para ser o próximo rival de Lyoto o quanto antes.

TJ/RJ suspende licitação do Maracanã, mas governo vai recorrer

Juíza aceita pedido do MP/RJ e afirma que processo 'poderia gerar danos de difícil ou mesmo impossível reparação a toda a coletividade'

Por Marcelo Baltar Rio de Janeiro
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A juíza Roseli Nalin, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ/RJ), aceitou na noite desta quarta-feira o pedido do Ministério Público (MP/RJ) e suspendeu o processo de licitação do Complexo do Maracanã. A abertura do envelope com o nome da empresa vencedora estava marcada para a manhã desta quinta, no Palácio da Guanabara, sede do governo do Rio, que, em nota, afirmou que vai recorrer da decisão.
estádio Maracanã iluminado noite (Foto: Genílson Araújo / Agência O Globo)Teste de iluminação no Maracanã na noite desta quarta (Foto: Genílson Araújo / Agência O Globo)
De acordo com a juíza, "o prosseguimento do certame licitatório supostamente viciado, envolvendo o Maracanã e o Maracanãzinho, poderia gerar danos de difícil ou mesmo impossível reparação a toda a coletividade". Réu do processo, o governo do Rio de Janeiro vai tentar cassar a liminar nesta noite ou na madrugada com um desembargador de plantão.
- O Governo do Estado do Rio de Janeiro informa que vai recorrer da decisão judicial que suspende o processo de licitação para a concessão do Complexo do Maracanã - diz a breve nota divulgada após a decisão do TJ/RJ.
Na terça, o MP/RJ ingressou com uma ação civil pública em busca de uma liminar para suspender a licitação alegando que diversas obras previstas no edital - como a demolição do parque aquático Júlio Delamare e do estádio de atletismo Célio de Barros - não são necessárias para a realização da Copa do Mundo, assim como os Jogos Olímpicos de 2016.
O MP/RJ também questiona a legalidade da participação da IMX Holding SA, de propriedade do empresário Eike Batista, no processo de licitação, uma vez que foi ela a responsável pelo estudo de viabilidade da concessão. Segundo o órgão, todo o processo favorece a IMX, uma vez que a empresa teve acesso a informações privilegiadas e exclusivas. A baixa rentabilidade do negócio para o governo do Rio de Janeiro é outro ponto abordado.
À tarde, o secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, convocou uma coletiva e garantiu que todo o processo correu dentro da legalidade. Em um comunicado, a IMX se defendeu das acusações do MP/RJ: "A IMX apresentou Proposta de Manifestação de Interesse e preparou Estudo de Viabilidade do Complexo do Maracanã com observância de toda a legislação aplicável e vê o acompanhamento do processo licitatório da concessão do Maracanã por parte do Ministério Público como benéfico para assegurar a transparência e a lisura do processo".
Maracanã fotos internas (Foto: Ricardo Bereicoa)Apenas um dos quatro novos telões ainda não
está totalmente pronto (Foto: Ricardo Bereicoa)
De acordo com o edital, a empresa vencedora da licitação vai controlar o estádio, além do ginásio Maracanãzinho, pelos próximos 35 anos.Como os clubes de futebol foram proibidos de participar diretamente do processo de licitação, o consórcio terá de negociar com pelo menos dois deles. Caso a empresa não cumpra as exigências, o governo do Rio de Janeiro pode abrir nova licitação.
O edital estabelece que a empresa vencedora também terá como compromisso a demolição do estádio de Atletismo Célio de Barros, do parque aquático Julio Delamare e do Museu do Índio, localizados no complexo do Maracanã. No local, o concessionário terá que construir áreas de entretenimento, museus do futebol e olímpico e um amplo estacionamento. Além disso, terá de erguer centros esportivos de atletismo e natação nas proximidades do estádio.
Mesmo sem ter vencido a licitação, a IMX já conta com um profissional contratado no Rio de Janeiro para administrar o estádio: o engenheiro português Luis Silva, que trabalhou no Estádio do Dragão, do Porto.
Segundo os últimos dados divulgados pela Empresa Pública de Obras do Rio de Janeiro (Emop), o Maracanã chegou a 95% de obra concluída recentemente. Durante esta semana, os operários concluíram a instalação da cobertura e as traves foram colocadas no gramado. Dos quatro telões, apenas um ainda não está totalmente pronto.
Confira abaixo a íntegra da decisão da juíza Roseli Nalin:
DECISÃO Vistos, etc... Trata-se de Ação Civil Pública, com pedido liminar, ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em face do Estado do Rio de Janeiro e de IMX Holding S/A, tendo por objeto o Edital de Concorrência Pública nº. 03/2013. Aduz o Autor em sua petição inicial que o referido ato convocatório tem por objeto a delegação, por Parceria Público-Privada, em regime de concessão administrativa, da gestão, operação e manutenção do Estádio Mario Filho (Maracanã) e do Ginásio Gilberto Cardoso (Maracanãzinho), cumulada com obras incidentais. O Ministério Público sustenta em sua inicial que o modelo jurídico utilizado pelo Estado para transferir aos particulares a gestão, operação e manutenção do Estádio Mario Filho (Maracanã) e do Ginásio Gilberto Cardoso (Maracanãzinho), além de obras incidentais, seria ilegal, invocando, para tanto, em breve resumo, os seguintes argumentos: 1. projeto desnecessário para a Copa do Mundo e prejudicial à Olimpíada; 2 - desnecessidade da contraprestação pública; 3 - contraprestação pública lesiva ao erário; 4 - informações sonegadas aos interessados; 5 -direcionamento da licitação em razão de: (i) privilégio no acesso às informações; (ii) superfaturamento do estudo prévio e (iii) restrição à visita técnica. Com base nestes argumentos, o Autor formulou o seguinte pedido liminar: a) liminarmente: a.1) que seja determinada suspensão do processo licitatório da Concorrência n° 03/2013, ou subsidiariamente; a.2) que seja determinado ao ESTADO DO RIO DE JANEIRO que se abstenha de celebrar qualquer contrato em decorrência da Concorrência n° 03/2013, caso o processo licitatório venha a se concluir, ou subsidiariamente; a.3) que seja determinada a suspensão da execução contratual eventualmente decorrente da Concorrência n° 03/2013, caso o contrato venha a ser celebrado; b) ainda liminarmente, que seja determinado ao ESTADO DO RIO DE JANEIRO que se abstenha de outorgar a terceiros o direito de uso e exploração da área no entorno do Estádio do Maracanã e do Ginásio do Maracanãzinho, a título de contraprestação pública, removendo-se da área os terceiros que eventualmente tenham sido beneficiados pela outorga da referida contraprestação pública; c) ainda liminarmente, que seja determinado aos Réus que se abstenham de demolir, ou autorizar a demolição, de qualquer dos bens públicos situados no entorno do Estádio do Maracanã, notadamente o Estádio de Atletismo Célio de Barros, o Parque Aquático Julio de Lamare e a Escola Municipal Friendenreich; d) ainda liminarmente, que seja determinado ao ESTADO DO RIO DE JANEIRO que mantenha em funcionamento o Estádio de Atletismo Célio de Barros, o Parque Aquático Julio de Lamare e a Escola Municipal Friendenreich, ressalvada apenas a possibilidade de suspensão temporária de atividades caso seja demonstrada perante o Juízo ser imprescindível a ocupação provisória do equipamento para viabilizar a realização da Copa de Confederações, da Copa do Mundo ou dos Jogos Olímpicos; e) ainda liminarmente, como pedido subsidiário, que seja determinado ao ESTADO DO RIO DE JANEIRO que se abstenha de habilitar a IMX HOLDING S/A na Concorrência n° 03/2013, bem como qualquer outra empresa direta ou indiretamente vinculada à mesma, por força do art.9, §3° da Lei n° 8.666/93 c/c art. 37, XXI da CF/88; J) ainda liminarmente, como pedido subsidiário, que seja determinado ao ESTADO DO RIO DE JANEIRO que se abstenha de exigir do vencedor da licitação o pagamento de R$ 2,38 milhões em favor da IMX HOLDING S/A, na forma do item 12.1 do Edital, até que seja demonstrado perante o Juízo o custo efetivo do estudo de viabilidade; De início deve ser destacado que esta magistrada não desconhece a necessidade de se utilizar extrema prudência e moderação em pleitos liminares formulados em Ações Civis Públicas, especialmente quando se trate de questões envolvendo a formulação de políticas públicas destinadas, de alguma forma, a atender os grandes eventos que ocorrerão no Brasil e especialmente na cidade do Rio de Janeiro (Copa do Mundo da FIFA e Olimpíadas), conforme acentua a doutrina de Rodolfo Camargo Mancuso, verbis: ´ Aplicável que seja a antecipação dos efeitos da tutela no âmbito da ação civil pública, essa técnica processual, contudo, deverá ser empreendida com a devida cautela e moderação, pelo fato de que aí não se está no plano da jurisdição singular, onde os contraditores agitam posições jurídicas individuais, e sim no plano da jurisdição coletiva, em que o autor da ação na verdade se apresenta como um representante adequado de certas massas de interesses de interesses (difusos, coletivos, individuais homogêneos), concernentes, pois, a segmentos mais ou menos expandidos ao interior da sociedade civil, donde os efeitos do julgado se projetarem, conforme o caso, ultra partes ou mesmo erga omnes.´ (Ação Civil Pública em defesa do Meio Ambiente, do Patrimônio Cultural e dos Consumidores. 8ª edição revistada e atualizada. Editora Malheiros. 2002, pág. 95) Do mesmo modo é importante salientar o entendimento já diversas vezes reiterado por este Juízo, de que a decisão que aprecia a medida liminar é fundada em ´mero juízo de delibação, motivado pelo reconhecimento da ocorrência, ou não, dos requisitos inerentes à plausibilidade jurídica e ao periculum in mora´. (STF, Pet. 2.570-9/RJ, Rel. Ministro CELSO DE MELLO, Segunda Turma, DJ de 28.06.2002). No tocante à plausibilidade jurídica dos pedidos formulados pelo Ministério Público, acentuo, de início, que o argumento de desnecessidade do projeto para a Copa do Mundo e eventual prejuízo à realização das Olimpíadas, repercute diretamente em questões envolvendo opções administrativas que, em tese, podem desaguar em seara de discricionariedade administrativa. Além disso, o citado argumento, para a sua perfeita compreensão e admissão, depende, necessariamente, de dilação probatória, o que afasta a indispensável verossimilhança necessária à concessão da medida cautelar pleiteada. Além disso, eventual necessidade de se transferir a particular a gestão dos equipamentos públicos (Maracanã e Maracanãzinho), bem como a execução das obras constantes do Edital, independente de sua necessidade ou não para a Copa do Mundo, ao menos em sede de delibação sumária, importa em opção tipicamente político-administrativa, que não deve, em regra, ser substituída por avaliação judicial. Isto sem falar, obviamente, que a alegação da necessidade de no futuro realizar novas intervenções no Maracanã para adaptá-lo às exigências do COI não tem relação direta com a concorrência objeto da presente lide, mas sim de eventual aferição de lesão ao erário quanto à obra de reforma do Maracanã, questão esta que deve ser apreciada em outra demanda com objeto diverso. Já no tocante aos demais argumentos, as provas constantes dos autos se direcionam a favor da verossimilhança da alegação de que a Concorrência levada a efeito pelo Estado do Rio de Janeiro contém diversas ilegalidades. A tese de que a contraprestação fixada pelo Edital seria desnecessária ou mesmo lesiva ao erário não deve ser aferida em sua inteireza neste momento processual, mas, todavia, demonstra a plausibilidade de uma irregularidade quanto ao modelo jurídico proposto. Conforme se depreende dos autos, trata-se de Concorrência envolvendo Parceria Público-Privada, tendo o Estado do Rio de Janeiro adotado o modelo de concessão administrativa, que, nos dizeres do artigo 3º, §2º, da Lei Estadual nº. 5068, de 10 de julho de 2007 (reprodução do artigo 2º, §2º, da Lei Federal nº. 11.079/2004), ´é o contrato de prestação de serviços de que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens´. Deste modo, extrai-se da opção administrativa utilizada que a execução da gestão, operação e manutenção do Estádio Mario Filho (Maracanã) e do Ginásio Gilberto Cardoso (Maracanãzinho), além de obras incidentais no entorno do denominado ´Complexo Maracanã´ não seriam autossustentáveis, razão pela qual seria indispensável à instituição de uma contraprestação pública. Isto porque o propósito da adoção do modelo de Parceria Público-Privada é viabilizar a execução de serviços (cumulada ou não com obras públicas) que não sejam autossustentáveis, permitindo, assim, que o interesse coletivo seja alcançado com a formulação de uma parceria entre o setor público e o setor privado. Não impressiona, registre-se, os valores constantes dos estudos de viabilidade como retorno financeiro ao parceiro privado, uma vez que é próprio da iniciativa privada a busca pelo lucro que deve, por sua vez, ser proporcional ao risco do modelo de negócios e ao vulto dos investimentos a serem realizados, em consonância com os princípios constitucionais da ordem econômica, modelado no artigo 170, da Constituição da República. Todavia, não está o administrador público absolutamente livre para optar e adotar o modelo da Parceria Público Privada em toda e qualquer hipótese em que envolva serviços de interesse público, ainda que complexos e que dependam de segurança jurídica e altos investimentos. Não pode, também, o Poder Público tentar adaptar o objeto da contratação para que o mesmo insira-se, de maneira quase que forçada, no conceito de PPP. Por esta razão que procede, ao menos em juízo de delibação sumária, o argumento ministerial que afirma ter havido, supostamente, violação ao artigo 10, inciso II, da Lei Estadual nº. 5.068/2007, com a adoção do modelo de PPP para conceder maiores garantias jurídicas ao particular, maior prazo e maximização do retorno financeiro, que, por óbvio, não constituem fundamentos suficientes para a referida escolha do regime a ser adotado. Não por outra razão que o citado artigo 10, inciso II, exige que o Poder Público demonstre, de maneira transparente e coesa, que a opção pela PPP em relação aos demais modelos de contratação importa em vantagem econômica e operacional. Analisando as provas trazidas aos autos pelo Autor, constata-se que o Poder Público utilizou-se, para comparar os demais modelos de contratação frente à PPP, apenas e tão somente a hipótese de licitação de obra pública, sob o regime da Lei Federal nº. 8.666/93. Verifica-se, deste modo, que ao simplesmente desconsiderar o modelo da concessão constante da Lei Federal nº. 8.987/95, o Poder Público parece ter fabricado um comparativo míope, com o intuito de justificar a adoção da PPP. Ou seja, ao invés de demonstrar que a adoção do modelo da PPP é econômica e operacionalmente mais vantajosa que os demais modelos jurídicos disponíveis, resolveu o Estado utilizar um modelo sabidamente inoperante e custoso (a simples execução de obra pública com a gestão pública dos equipamentos), deixando de analisar, propositalmente ou não, os modelos jurídicos que mais se aproximariam do seu objetivo final (transferência da gestão dos equipamentos públicos, ainda que com a imposição de encargos e/ou obras). Soma-se a isso a alegação ministerial de que 88% das receitas da PPP decorrem da exploração do Maracanã e do Maracanãzinho, enquanto que somente o restante seria equivalente à exploração do objeto da contraprestação pública, a impor, com isso, que o Poder Público, para justificar a opção pela PPP, analisasse a hipótese de concessão simples ou precedida de obras públicas. Também no tocante à alegação de direcionamento da licitação a empresa Ré, a despeito da necessidade de se aferir tal acusação durante a fase instrutória, não parece haver indícios fortes suficientes para serem considerados verossímeis a ponto de seu acolhimento, ao menos nesta fase do processo. O fato de que a empresa IMX HOLDING S/A apresentou Manifestação de Interesse, aderindo ao Edital de MIP e oferecendo estudo de viabilidade técnica e econômico-financeira não tem por consequência a vedação de sua participação no certame. O procedimento de MIP (também denominado de PMI - Proposta de Manifestação de Interesse em outras esferas) é um instrumento legítimo que institucionaliza o diálogo público-privado a respeito de um projeto de interesse público liderado pelo Estado e que dependerá da participação do mercado para que se torne realidade, fornecendo, à máquina administrativa, os elementos técnicos necessários à modelagem e estruturação do negócio e a consequente deflagração do procedimento licitatório. Isto porque, a depender da capacidade técnica e operacional do Estado, os grandes projetos não teriam qualquer viabilidade, razão pela qual se permite que os particulares, interessados em subsidiar o Estado com elementos necessários à estruturação de modelagem de determinado negócio, elaborem todos os estudos necessários e apresentem, ao final, ao Estado, todo o material produzido que, por sua vez, analisando os mesmos e adotando aquilo que entender como de interesse público, elabore o modelo de negócios e o Edital de Licitação com todos os seus anexos. O particular que venha a participar desse procedimento de fornecimento de subsídios ao Estado, além de ser ressarcido pelo vencedor do certame público que venha a ser instaurado com base em seus estudos, poderá participar do mesmo, sem que incida, na hipótese, o comando do artigo 9º, da Lei Federal nº. 8.666/93. A utilização do referido procedimento conjugada com a alegação e comprovação ministerial de sonegação de informações detalhadas quanto ao Projeto, entretanto, demonstra a plausibilidade jurídica da acusação de irregularidade no procedimento da Concorrência objeto da presente Ação Civil Pública. Conforme comprovado pelo Ministério Público, os dados disponibilizados pelo Estado, os estudos constantes dos Anexos do Edital e os Projetos constantes do processo detêm um grau de detalhamento tão minimizado que podem importar em absoluta violação à publicidade, transparência e impessoalidade. Isto porque, ao optar por utilizar o procedimento do MIP para estruturar a concessão da citada PPP, o Poder Público atraiu para si a imperiosa necessidade de se cumprir uma transparência ainda mais rigorosa e um detalhamento mais profundo dos estudos e dos projetos. Não há dúvidas de que o regime jurídico da PPP permite que os Projetos e os Estudos não sejam tão detalhados como aqueles exigidos pela Lei Federal nº. 8.666/93. Entretanto, no momento que a estruturação da Concorrência e do modelo de negócio da PPP se embasou em estudos apresentados por particular que participará do certame, cria-se, sob o viés dos princípios que regem a Administração Pública, a necessidade de maior transparência, com o maior detalhamento, seja dos estudos e especialmente dos Projetos. A necessidade de maior detalhamento de todos os elementos que constituem o Edital de Licitação (Estudo, Projetos e demais documentos) tem por premissa a existência de evidente conflito de interesses na hipótese de participação do particular que tenha elaborado os estudos em certame com evidente potencial competitivo reduzido. Nestas hipóteses, cabe ao Poder Público, por dever jurídico-constitucional de transparência, publicidade e impessoalidade, gerir eventuais riscos de conflito de interesse entre os responsáveis pela produção dos estudos de viabilidade e a futura licitação, com a imposição de que todos os estudos sejam absolutamente detalhados e todos os Projetos contenham os requisitos essenciais à compreensão, pelos interessados, dos custos inerentes à execução dos serviços e das obras objeto da PPP. Deste modo, a absoluta carência de detalhamento dos estudos e a precariedade dos Projetos apresentados pelo Estado, conjugados com a utilização do procedimento do MIP, importa, inexoravelmente, em violação do dever jurídico de conduta transparente, isonômica e com ampla publicidade, o que importa, ao menos neste juízo inicial, em ilegalidade no Edital ora impugnado. Acrescente-se a isto, conforme apontado pelo Ministério Público, a possível existência de superfaturamento nos custos de elaboração dos estudos apresentados pela 2ª Ré ao Estado. Basta, para tanto, analisar o custo indicado para serviços jurídicos (advogados), que alcançaram o valor de R$ 614.829,60, equivalente, supostamente, a 2.640 horas trabalhadas a R$ 232,89/hora. Partindo da informação constante dos autos de que a IMX apresentou o estudo em 54 dias úteis, isto equivaleria a reconhecer como sustentável que durante esse período um grupo de advogados trabalhou 2.640 horas durante 54 dias úteis produzindo, ao final, um texto de 26 páginas. Presente, deste modo, a verossimilhança das alegações autorais. Com o citado requisito coexiste o periculum in mora, uma vez tratar-se de indícios graves de irregularidade, além do inegável fato de envolver equipamentos públicos de evidente relevância à coletividade. O prosseguimento do certame licitatório supostamente viciado, envolvendo o Maracanã e o Maracanãzinho poderá gerar danos de difícil ou mesmo impossível reparação a toda a coletividade. Além disso, deve ser destacado que os próprios elementos dos autos confirmam que o objeto da Concorrência não tem qualquer relação direta com os eventos que serão realizados no Maracanã (Copa das Confederações e Copa do Mundo), razão pela qual inexiste perigo de dano inverso que pudesse inviabilizar a concessão da medida liminar. Por todas estas razões, defiro a antecipação dos efeitos da tutela, para suspender o processo de licitação da Concorrência Casa Civil nº. 03/2013, sem prejuízo de nova análise após a formação do contraditório, comunicando-se imediatamente, ao Estado do Rio de Janeiro, na pessoa do Exmo. Senhor Secretário de Estado da Casa Civil, bem como à Procuradoria Geral do Estado. Intimem-se da decisão, por mandado, de forma imediata. Dê-se ciência ao MP da Tutela Coletiva. Citem-se. Rio de Janeiro, 10 de abril de 2013. ROSELI NALIN Juiz de Direito