Apelo patriótico: Felipão e Parreira pedem povo ao lado da Seleção
Treinador e coordenador lembram exemplos do passado, no
Brasil, em Portugal e na África do Sul, para iniciar campanha de apoio
popular
Por Alexandre Alliatti e Vicente Seda
Rio de Janeiro
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Felipão e Parreira clamam por união entre povo e
Seleção (Foto: Agência Reuters)
A primeira medida da parceria Felipão-Parreira no comando da seleção
brasileira não foi de ordem técnica, não envolveu questões táticas, não
foi organizacional. Foi de oratória. Não por acaso, tanto o treinador
quanto o coordenador esparramaram um discurso patriótico em sua
apresentação oficial como novos comandantes do vestiário verde-amarelo,
nesta quinta-feira, em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Desde já, eles apelam ao povo: querem o torcedor ao lado do time.
Eles se alicerçam em três exemplos de união entre fãs e jogadores: a
seleção brasileira de 2002, com a chamada Família Scolari, a equipe
portuguesa na Eurocopa de 2004 e a África do Sul em 2010. As duas
primeiras foram treinadas por Scolari; a terceira, por Parreira.
Eles sabem que o momento não é fácil. Faltando menos de dois anos para a
Copa, o trabalho na Seleção será praticamente reiniciado. Por isso,
pedem a ajuda do torcedor, por mais desconfiado que ele esteja.
- A torcida pode não estar confiante, pode ter alguma dúvida, mas vamos
trabalhar para que esse conceito, de que temos a obrigação de vencer a
Copa, seja entendido por nosso torcedor. A ideia é fazermos novamente
uma composição de união, de um ambiente de envolvimento entre a Seleção e
a população, para chegarmos confiantes e termos uma participação
importante - disse Felipão, citando o caso de 2002.
Felipão conquista apoio popular e ganha a Copa do Mundo de 2002 (Foto: Agência Getty Images)
Scolari e Parreira se apegam ao que viveram em seleções que sediaram
torneios importantes e tiveram forte parceria popular. Foi assim com
Portugal, finalista da Eurocopa em 2004. O país viveu uma forte onda
patriótica - um movimento apagado desde a Revolução dos Cravos, com a
queda da ditadura nos anos 70 no país.
- Lembra de Portugal? Vivi a situação em Portugal na Euro. Era assim. E
o povo foi crescendo junto com a seleção, que fez um campeonato
maravilhoso. É isso que esperamos que aconteça no Brasil - comentou o
treinador.
Parreira viveu exemplo ainda mais recente. Em 2010, por sediar a Copa
do Mundo, a África do Sul mergulhou em um clima de orgulho nacional. Uma
frase dita pelos torcedores ao treinador virou lema da seleção: "Make
us proud", que significa "nos deixe orgulhosos" em português.
- Cabe a nós fazer com que a seleção se envolva com o torcedor. Na
África do Sul, o torcedor nos dizia: "Coach, make us proud". Virou até
outdoor. Temos que fazer com que o torcedor se sinta orgulhoso da
seleção. Uma semana antes da Copa, houve uma passeata de 300 mil pessoas
em Joanesburgo para nos apoiar - relembrou Parreira.
Outdoor na África do Sul em 2010 pede que seleção local deixe os torcedores orgulhosos
(Foto: Alexandre Alliatti/Globoesporte.com)
O novo coordenador da Seleção também resgatou um exemplo vivido por ele
antes da Copa de 1994. Com Maracanã lotado, o Brasil fez 2 a 0 no
Uruguai e garantiu vaga no Mundial.
- Em 1993, nós fomos ao Maracanã e levamos quase três horas para chegar
lá, porque o povo nos parava na rua. Aquilo nos deu uma força. Chegamos
em campo e fizemos uma das melhores atuações da Seleção em todos os
tempos. Foram 120 mil pessoas no Maracanã pulsando num coração só -
disse Parreira.
- A seleção precisa se sentir em casa, precisa se sentir amparada - completou.
Em 6 de fevereiro, a nova comissão técnica da Seleção fará sua estreia.
Mas fora do Brasil. Será em Londres, contra a Inglaterra.