Após revés, Erick Silva se diz 'melhor
e mais tranquilo' no lado psicológico
Capixaba conta que melhorou interação entre seus técnicos
e resume última luta: 'Um segundo de falha minha e um segundo de
percepção do meu rival'
Por Ivan Raupp e Marcelo Russio
Jaraguá do Sul, SC
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Erick Silva
chegou com moral no UFC em Barueri-SP, em outubro, no coevento
principal contra Dong Hyun Kim, mas foi surpreendido por um overhand do
sul-
coreano e acabou nocauteado quando estava melhor na luta. A decepção foi grande, mas passou, e o meio-médio capixaba vê o
lado positivo da derrota. Segundo ele, serviu para evoluir no lado psicológico:
- Eu acho que, psicologicamente, estou melhor e
mais tranquilo. Comecei o trabalho bem antes desta vez e me adaptei melhor, pelo lastro de trabalho que tivemos. Estou
super tranquilo para esta luta, e montamos uma estratégia muito boa - disse ao
Combate.com.
Erick Silva em entrevista ao Combate.com (Foto: Rodrigo Malinverni)
Erick retorna ao octógono neste sábado, em Jaraguá do Sul-SC, contra o
japonês Takenori Sato. Para este duelo, ele se diz mais maduro, muito em
função de ter aprendido a lidar também com decepções na carreira, e
garante que a dedicação tem sido 100% em todos os sentidos:
- Acaba sendo um pouco de clichê, mas uma melhor motivação é um
amadurecimento. Quando o atleta passa por derrotas e vitórias, ele vai
juntando coisas que o fazem ser um lutador melhor. Minha
cabeça está
mais tranquila, e eu consigo saber melhor o que dá certo e o que não
dá. Eu sempre ouvi muito os meus técnicos, mas hoje eu já consigo dar os
meus palpites sobre o que funciona e o que não funciona. Mas lógico que
meus treinadores vão decidir se o que vai ser feito é o que eu penso ou
não. Eu fui muito mais regrado, dormindo cedo e tudo, e isso vai me
favorecer na luta. O meu objetivo é que a luta termine com o Sato na
lona.
Se você piscar, o golpe pode entrar, e por isso não se pode ficar
desatento um segundo sequer. A lição que ficou foi que eu tenho que
ficar cada vez mais atento ao que o meu adversário fizer"
Erick Silva, sobre derrota para Hyun Kim
O atleta capixaba valorizou a vitória de Dong Hyun Kim, em vez de ficar lamentando o resultado:
- Quem é atleta sabe que uma derrota assim pode acontecer, e tanto eu
quanto meus rivais treinamos para conseguir o nocaute, que não é nada
mais que um segundo de falha minha e um segundo de percepção do meu
rival. Não fiquei nada chateado, estou super tranquilo porque sei que
fiz tudo corretamente nos treinos. A mão dele entrou, e eu sei que isso
acontece no MMA. Se você piscar, o golpe pode entrar, e por isso não se
pode ficar desatento um segundo sequer. A lição que ficou foi que eu
tenho que ficar cada vez mais atento ao que o meu adversário fizer. A
luta foi bonita, o Kim conseguiu conectar o golpe, e agora tenho que
levantar a cabeça e partir para a próxima luta e nocautear meu
adversário.
Na preparação para Jaraguá do Sul-SC, Erick revela que fez uma coisa
diferente em relação às lutas anteriores: melhorou a integração de sua
equipe, de seus treinadores no camp:
- A mudança que teve foi na organização da equipe. Nós nos organizamos
bem mais, e os próprios professores viram que houve essa mudança. Cada
um interagindo com o outro professor. Antes eu treinava só o boxe, ou o
muay thai ou o jiu-jítsu, e não havia uma conversa entre os professores.
Desta vez ,todo mundo fez tudo junto, e até grupo via internet teve,
para um comentar com o outro o que acontecia, mesmo quando não podia ir
ao treino. Interagimos muito mais e montamos uma estratégia boa. Todos
os professores trabalharam sobre o que vai acontecer na luta, e sempre
um conversando com o outro. Bruno Frazzato (jiu-jítsu), Erivan Conceição
(boxe), Daniel Mendes e Eduardo Pachu (muay thai), Adrian Jaoude (luta
olímpica), além do Josuel Distak (MMA) e Rogério Camões (preparação
física). Meus irmãos, Gabriel Silva e Bruno Silva, e também o (Alan)
Nuguette e o Rafael Feijão.
Erick Silva encara Takenori Sato neste sábado (Foto: Rodrigo Malinverni)
O adversário original de Erick Silva não era Sato, e sim o americano
Nate Loughran, que se machucou e foi substituído pelo japonês. Pelo fato
de isso não ter ocorrido em cima da hora, o brasileiro conta que seu
treinamento praticamente não foi alterado:
- Quando há a mudança a longo prazo, como foi essa, com mais de um mês,
é tranquilo, porque podemos nos preparar e montar uma estratégia. Acaba
sendo normal. Com até um mês a gente pode trabalhar bem em cima das
características do rival. O Nate é canhoto, e o Sato também, então acaba
que não mudou muita coisa. Mas demos ênfase ao estilo dele, mesmo sendo
o estilo dos dois bem parecido, de gostar da luta agarrada. O Adrian
Jaoude me ajudou bastante no wrestling, mais que nas outras lutas.
Fizemos um trabalho pensando no longo prazo, para dar continuidade a
esse treinamento com ele, que me agradou. Já estou ficando até mais
acostumado, porque os atletas de alto nível estão mais propensos a
lesões, e mais uma vez o meu adversário mudou, mas não chegou a
prejudicar o meu camp.
O canal Combate fará a transmissão ao vivo do evento neste sábado, a
partir das 22h (de Brasília), e também da pesagem, na sexta, às 16h. O
Combate.com acompanha tudo em Tempo Real.
UFC: Machida x Mousasi
15 de fevereiro de 2014, em Jaraguá do Sul-SC
CARD PRINCIPAL
Peso-médio: Lyoto Machida x Gegard Mousasi
Peso-médio: Ronaldo Jacaré x Francis Carmont
Peso-meio-médio: Erick Silva x Takenori Sato
Peso-meio-médio: Viscardi Andrade x Nicholas Musoke
Peso-pena: Charles do Bronx x Andy Ogle
CARD PRELIMINAR
Peso-leve: Cristiano Marcello x Joe Proctor
Peso-leve: Rodrigo Damm x Ivan Batman
Peso-leve: Francisco Massaranduba x Jesse Ronson
Peso-galo: Iuri Marajó x Wilson Reis
Peso-pena: Felipe Sertanejo X Maximo Blanco
Peso-meio-médio: Ildemar Marajó x Albert Tumenov
Peso-pena: Douglas D'Silva x Zubair Tuhugov