Bandeira diz que foi ofendido em reunião na Ferj: "Falou da minha mãe"
Presidente do Flamengo afirma que levará o caso à Justiça. Eurico Miranda desdenha de plano de Liga independente e explica dificuldade dos planos de sócio-torcedor
- O desfecho não foi nada positivo. Estou acostumado a me relacionar com pessoas educadas e de alto nível. Além das injustiças e das intenções em nos prejudicar, o presidente (Rubens Lopes) partiu para ofensas pessoais. Não considero que emitimos uma nota ofensiva e nem mal educada, que foram os termos que ele usou quando estava mais calmo. O Flamengo irá à Justiça. O presidente da federação se emocionou e usou até palavras de baixo calão, coisas que não posso reproduzir. Falou coisas da minha mãe e sugeriu o que eu deveira fazer com a nota. Não sei como posso ser mais explícito. Me retirei porque não posso conviver com isso - disse o dirigente.
Após um encontro na terça-feira, o Flamengo foi representado nesta sexta novamente pelo
seu presidente, Eduardo Bandeira de Mello, bem como o Vasco, representado por
Eurico Miranda. Pelo Fluminense, compareceu o assessor especial da presidência
Marcelo Penha. Pelo Botafogo, esteve na reunião o vice de futebol Antonio
Carlos Mantuano. A participação do dirigente cruz-maltino, inclusive, iniciou a confusão, segundo Bandeira.
- Parecia que tudo caminhava bem, até o presidente do Vasco começar a ler a nota.
Com a reação mais exaltada de Rubinho, Bandeira disse que por pouco a reunião não terminou em briga.
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Em mais 30 segundos, poderia até ter se partido para outra situação. O
representante do Fluminense foi até mais ofendido do que eu, mas
respondi primeiro, e o presidente da Ferj se voltou para mim. O Eurico
somente se mostrou revoltado com a nota, quando fala em empobrecimento
do futebol carioca. Mas não ofendeu. - continuou Bandeira.
Em entrevista coletiva após o fim da reunião, alguns presidentes explicaram o que aconteceu na sede da Ferj.
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Na verdade, o que aconteceu foi que, em função da nota, que foi
considerada pelo presidente altamente ofensiva, mentirosa, pura e
simplesmente, ele, presidente do Flamengo, confirmava todos os tópicos
na nota. A ofensa, o que houve na verdade, foi uma retorção. O
presidente falando sobre a nota publicada, as ofensas que estão na nota,
estava repudiando uma a uma. Só que o presidente do Flamengo confirmava
que era aquilo mesmo. Ele confirmava, quando o presidente dizia que
estava se sentindo ofendido, aí a coisa virou um bate-boca pessoal. Eu
pessoalmente, acho que falo por todos, acho que na verdade o que
aconteceu foi fruto da confirmação, depois do presidente estar
contestando uma a uma, a coisa ficou daqui para lá e terminou realmente
em uma discussão pessoal, com intervenção dos outros, evidentemente
também - relatou Eurico Miranda, mandatário do Vasco.
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Claro que havia discussão. O presidente mostrava o que era verdade e o
que não era. E culminou com eles chamando todos os presidente ali
presente de palhaços. Eu retruquei e ele foi embora - afirmou Elias
Duba, presidente do Madureira.
liga independente
Além
das críticas à postura da Ferj, a nota de Flamengo e Fluminense falava
na criação de uma liga independente, e Bandeira disse que a ideia ainda
está sendo estudada.
- A ideia é estudar a criação de
uma liga municipal, que está prevista em lei. Existem várias, por que o
Rio de Janeiro não pode ter uma? Vinculada à Ferj, como previsto. Mas é
só uma ideia para ser estudada e, quem sabe, implementada no momento
certo.
Essa ideia foi desdenhada pelo presidente do Vasco, Eurico Miranda.
- Se vocês querem saber a verdade do presidente Bandeira de Mello, esse é
um filme que se repete. Não é uma coisa nova. Só estão mudando os
diretores. Os produtores são sempre os mesmos. Isso de criação de liga,
que não vai disputar, isso é história do boitatá. Ninguém joga sozinho.
Ele ir a Justiça comum, pode ir, é um direito de cada um. Mas é filiado a
uma federação. Até pode dizer que não vai disputar, só que não disputa
campeonato nenhum. Tem de pedir licença para não disputar.
projetos de sócio-torcedor
O
presidente do Vasco também aproveitou para explicar porque a situação
dos planos de sócios-torcedores não podem ser aplicados no Campeonato
Carioca, como são usados em outros torneios.
- O
grande fator que tirou o público do estádio é o preço do ingresso.
Prejuízo financeiro? Qual? Quanto cada clube recebe pela transmissão? É
computado? Mas você pode participar de uma competição em que você
beneficia um ou dois, e prejudica os outros 10, 14 restantes. Ninguém
aqui é contra o projeto sócio-torcedor. O que não pode é fazer um
projeto desse, que é uma relação individual com o clube, e dar um
benefício. Tem de subsidiar o adversário. Não pode dar o benefício. A
renda do Campeonato Carioca não é renda de mandante, é aquela divisão
tradicional. Em caso de empate é 50(%) e 50(%), e 60 (% para o vencedor)
e 40 (% para o perdedor). Não pode dar um benefício a um torcedor, mas
não ao outro. Porque você está prejudicando o adversário desse clube que
tem o sócio-torcedor - explicou Eurico.
Flamengo x macaé fora do maracanã
Após
ameaçar tirar o Flamengo do Maracanã no Campeonato Carioca, justamente
em razão da polêmica dos ingressos, Bandeira disse que o clube voltará a
Macaé na quarta-feira para encarar o Barra Mansa.
- Os nossos dois primeiros jogos não serão no Maracanã. O outro também foi transferido para Macaé.
Diversos temas envolvendo o formato da competição do
próximo ano foram discutidos. A criação do programa de sócio-torcedor do
futebol do Rio, sugerido pela Ferj, por enquanto não emplacou. O debate sobre o
tema será feito durante a temporada. O assunto foi motivo de críticas na nota
oficial publicada no site rubro-negro e constava no edital de convocação do
arbitral.
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