terça-feira, 24 de junho de 2014

Ray Longo: Lyoto tem queixo fraco, e Weidman fará o que quiser com ele

Treinador do americano aposta em nocaute de seu pupilo na disputa do título dos médios, no dia 4 de julho, em Las Vegas (EUA), pelo UFC 175

Por Las Vegas
103 comentários
Os discursos de Chris Weidman e Lyoto Machida têm sido respeitosos quando falam sobre a luta do dia 5 de julho, no UFC 175, em Las Vegas (EUA). Entretanto, o treinador do campeão dos pesos-médios, Ray Longo, resolveu subir o tom na hora de avaliar os pontos fracos do brasileiro e apostou em nocaute do seu pupilo, já que, em sua opinião, o Dragão não tem queixo para suportar golpes potentes.
- Acredito que ele tem um queixo muito fraco e que isso é seu maior buraco. Se Weidman acerta este ele cara, ele o machucará bastante. Lyoto gosta de controlar o ritmo da luta. Não acho que ele goste de ser pressionado - disse Longo, em entrevista ao "MMA Fighting".
Montagem MMA UFC - Chris Weidman x Lyoto Machida (Foto: Reprodução/UFC)Chris Weidman e Lyoto Machida vão lutar no dia 5 de julho (Foto: Reprodução/UFC)
Ray Longo sequer cogita que Chris Weidman tenha dificuldades para manter o cinturão dos médios no Ultimate.
- Acho que Weidman vai fazer o que sempre faz. Ele vai entrar no, andar pra frente e se impôr sobre Machida. Ele vai fazer Machida lutar seu jogo e, provavelmente, vai acabar com ele. Tem uma boa chance de Weidman fazer o que quiser com ele - concluiu.
UFC 175
5 de julho de 2014, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL
Peso-médio: Chris Weidman x Lyoto Machida
Peso-galo: Ronda Rousey x Alexis Davis
Peso-pesado: Stefan Struve x Matt Mitrione
Peso-médio: Uriah Hall x Thiago Marreta
Peso-galo: Russell Doane x Marcus Brimage
CARD PRELIMINAR
Peso-galo: Urijah Faber x Alex Caceres
Peso-meio-médio: Ildemar Marajó x Kenny Robertson
Peso-médio: Chris Camozzi x Bruno Carioca
Peso-galo: Rob Font x George Roop
Peso-médio: Kevin Casey x Bubba Bush
Peso-médio: Luke Zachrich x Guilherme Bomba

Pezão responde Barnett: "Me fez rir. Já que a mãe não o educou, eu educo"

Americano disse que não quer enfrentar brasileiro para não levantar o nome dele, mas paraibano debocha: "Sou o número 4, e ele é o quinto"

Por Rio de Janeiro
53 comentários
As declarações de Josh Barnett não foram bem digeridas por Antônio Pezão. Depois do americano afirmar que não quer lutar com o brasileiro para não ajudá-lo, o paraibano respondeu dizendo que achou graça dos argumentos utilizados pelo rival. Pezão lembrou que Barnett foi nocauteado por Travis Browne em sua última luta, que, por sua vez, já foi nocauteado pelo brasileiro. Além disso, ele citou o ranking dos pesos-pesados do UFC, onde aparece em quarto lugar, enquanto seu desafeto está em quinto.
- É muito engraçado da parte dele. Me fez até rir o fato dele dizer que não vai fazer meu nome, que não tem motivo para lutar comigo. O cara vem de derrota para um cara que eu nocauteei, eu sou número 4 da categoria, enquanto ele é o quinto, e ele diz que não quer lutar comigo para não me dar nome? É engraçado. Eu ri. Acho que a gente não tem que escolher luta. Somos empregados do UFC e temos que lutar com quem o UFC mandar. Se eles disserem que ele vai ter que lutar (comigo), então tem que lutar. Não queria lutar com o Hunt, até pedi para não enfrentá-lo, já tinha treinado com ele, é meu amigo, mas sou empregado e lutei. Fiz uma boa luta e seguimos amigos. Esse papo de que não quer, não é ele que decide. Se o UFC decidir, vamos lutar - afirmou, em entrevista por telefone ao Combate.com.
Montagem - Antônio Pezão e Josh Barnett UFC (Foto: Editoria de Arte)Antônio Pezão e Josh Barnett trocaram farpas (Foto: Editoria de Arte)
A rixa entre os dois vem desde a época em que ambos lutavam pelo Strikeforce. Barnett disse que recebeu críticas do brasileiro, justamente após ter feito elogios a ele em uma entrevista coletiva. Entretanto, Pezão garante que não passa de falsidade para torná-lo vilão da história. O lutador recordou que uma vez, após ter retirado um tumor em virtude da acromegalia que tem (popularmente conhecida como gigantismo), o americano debochou de sua doença, ao afirmar que pessoas que sofrem com isso são muito sensíveis. Na ocasião, Pezão já havia reclamado da suposta falta de educação de Josh Barnett.
Ele é um cara falso (...). A partir do momento que você passa a desrespeitar, vira pessoal. Já que a mãe dele não o educou, quem vai dar educação para ele, sou eu"
Antônio Pezão
Para resolver essa "pendência" com o rival, Antônio Pezão quer que a luta seja marcada pelo UFC, já que pretende "educar" Barnett na marra.
- Na realidade, ele é um cara falso. Logo após minha cirurgia, depois que retirei um tumor da minha acromegalia, ele deu uma zombada na minha doença. Certo dia, eu estava com a minha esposa numa Fan Expo que teve, e ele passou me encarando, porque estava com a minha família. Ele nunca olhou nos meus olhos, só nesse dia. Ele quer posar de bom moço, ser engraçadinho, mas isso a gente vai resolver dentro do octógono. Somos profissionais, ele é um cara que, para mim, está entre os cinco melhores, é muito completo, mas me faltou com respeito na última entrevista que deu. Você pode não gostar de uma pessoa e dizer que tem vontade de lutar. Tudo bem. Mas a partir do momento que você xinga, passa a desrespeitar, já vira pessoal. Já que a mãe dele não o educou, quem vai dar educação para ele, sou eu - disse.
O atrito com Barnett motivou Pezão, segundo o próprio lutador, que exemplificou que está mordido ao revelar que treinou mais do que vinha treinando nos últimos dias, após ser provocado pelo americano.
- Hoje (terça-feira) já fui treinar, fiz sparring com mais vontade, cinco rounds. Estava fazendo três porque estava voltando aos poucos, mas hoje fiz cinco, depois mais dois de manopla. Isso já me dá uma vontade a mais de voltar e mostrar que ele tem que respeitar o outro. Eu luto pela minha família, ele pela dele. Dizer que quer a luta tudo bem, mas tem que ter respeito, senão fica mais difícil e aumenta a vontade de lutar.
antônio Pezão team Nogueira MMA (Foto: Ivan Raupp)Antônio Pezão quer lutar em Brasília contra Barnett (Foto: Ivan Raupp)
E no que depender de Pezão, o duelo contra Barnett pode acontecer no dia 13 de setembro, em Brasília, na véspera do seu aniversário. O lutador, que está suspenso por ter sido pego no exame antidoping após o empate contra Mark Hunt, estará liberado no dia 7 de setembro para voltar ao octógono.
- A partir de 7 de setembro estou liberado, dia 13 tem em Brasília, meu aniversário é dia 14, seria maravilhoso lutar no meu país, junto com a minha torcida, na véspera do meu aniversário. Mas sou empregado, tenho que lutar com quem eles quiserem. Se for para lutar dia 8, no dia seguinte do fim da suspensão, eu já pego a luta. Já estou me preparando e aumentando ritmo de treinos. Com essa situação com o Barnett, vou treinar como se fosse para lutar ontem. Seria uma luta duríssima, até mesmo porque ele é completo, se sai bem em pé, tem um wrestling bom, é finalizador, merece respeito. Mas gosto disso, de luta dura, que me motiva mais. Vou para nocautear com certeza - concluiu.

Sob olhar das esposas e com Martins Indi, Holanda volta aos treinos no Rio

Zagueiro, que deu susto durante a partida contra a Austrália, é liberado para treino físico; Robben, De Jong, Huntelaar, De Vrij, Sneijder e Blind fazem trabalho à parte

Por Rio de Janeiro
Comente agora
Van Gaal e Bruno Martins Indi (Foto: André Durão/GloboEsporte.com)Van Gaal conversa com Robben sob os olhares de Bruno Martins Indi (Foto: André Durão/GloboEsporte.com)
Menos de 24h após garantir-se na primeira colocação do Grupo B, com 100% de aproveitamento, ao bater o Chile por 2 a 0 em São Paulo, a Holanda já está de volta aos trabalhos no Rio. Sob o olhar das companheiras, os jogadores voltaram a campo para um treino leve na manhã desta terça-feira na Gávea com uma novidade: Bruno Martins Indi estava entre eles.

As atividades desta manhã foram apenas físicas, sem bola, e não contaram com Robben, De Jong, Huntelaar, De Vrij, Sneijder e Blind. O craque e um dos artilheiros do time apenas correu em volta do gramado, enquanto os outros cinco fizeram trabalho à parte na academia.

Algumas das companheiras dos jogadores holandeses acompanharam o treinamento nas instalações do Flamengo na zona sul do Rio, como a esposa de Sneijder, sempre presente. A mulher de Van Persie também compareceu à Gávea.

Com a liderança do Grupo B confirmada, a seleção laranja passou para as oitavas e vai enfrentar México, no dia 29, próximo domingo, no Castelão. A partida esta marcada para 13h e a volta de Van Persie é garantida, após o centroavante cumprir suspensão pelo segundo cartão amarelo contra a seleção chilena.

Gana não treina e falta de pagamento de premiação pode ser o motivo

Segundo informações de sites africanos, jogadores ganeses exigem o pagamento de US$ 100 mil referentes a classificação para Copa do Mundo. Fifa não explica ausência

Por Brasília
Comente agora
A seleção de Gana não apareceu para o treino que estava marcado para esta terça-feira, às 18h. A atividade, divulgada pela Fifa, estava marcada para o CT dos Bombeiros, em Brasília. A assessoria de imprensa do país africano não deu nenhuma explicação para o cancelamento da atividade. E o representante da Fifa no local também afirmou que não foi informado do motivo da ausência dos jogadores. Apenas que recebeu uma ligação de um integrante da delegação afirmando que o treino não iria mais acontecer. 
gana chegada brasilia (Foto: Heitor Esmeriz)Ônibus com a delegação de Gana na chegada a Brasília durante a tarde desta terça-feira (Foto: Heitor Esmeriz)

Mas segundo uma notícia do site africanfootball.com, os jogadores ganeses teriam cobrado dos dirigentes o pagamento de uma premiação individual no valor de US$ 100 mil dólares (cerca de R$ 225 mil) e se recusados a sair de Maceió rumo a Brasília na manhã desta terça-feira. A situação teria sido contornada e a delegação de Gana desembarcou na Base Aérea de Brasília por volta das 15h15, com uma 1h45 de atraso em relação ao horário previsto. Porém, os jogadores não apareceram para treinar, o que gerou mais incertezas sobre uma possível greve.
Segundo informações da reportagem, a Associação de Futebol de Gana já havia anunciado que os jogadores iriam receber a premiação por transferência bancária, mas os jogadores insistiram que eles deveriam ser pagos em dinheiro. O presidente de Gana, John Dramani, teria preciso intervir com o capitão Asamoah Gyan e com a estrela da seleção, Sulley Muntari, assegurando-lhes que o valor será pago antes da partida contra Portugal. A premiação seria pela classificação do país para a Copa do Mundo. Mas a Associação de Futebol de Gana não se pronunciou sobre o assunto.
Gana ainda fará um trabalho de reconhecimento no Mané Garrincha, na quarta-feira, antes de decidir o seu futuro na Copa do Mundo. O treino é oficial da Fifa. Pela terceira rodada do Grupo G, os africanos enfrentam Portugal quinta-feira, às 13h (de Brasília). A classificação depende de uma combinação de resultados. Gana precisa vencer e torcer para o duelo entre Alemanha e EUA, no mesmo horário, não terminar empatado e ainda tirar uma diferença no saldo de gols.
Atualmente, a chave tem Alemanha e Estados Unidos com quatro pontos. Os germânicos ficam com a primeira colocação pelo saldo de gols: 4 a 1. Pelo mesmo motivo, Gana leva vantagem sobre Portugal. Ambos têm um ponto, mas os africanos possuem saldo -1 contra -4 dos lusos. Quem passar no Grupo G terá pela frente os classificados do Grupo H nas oitavas de final – os líderes das chaves cruzam com o segundo da outra.

Referência dos EUA, Dempsey lança
álbum de hip hop e tem single a R$ 3

Fã do gênero, capitão da seleção americana na Copa grava disco em segredo e
inicia a venda da música de trabalho na internet. Companheiros de time elogiam

Por São Paulo
Comente agora
O próximo grande nome da cena hip hop dos EUA pode sair direto da seleção de futebol que faz boa campanha na Copa do Mundo. "Deuce" é o capitão da equipe e fez dois gols em duas partidas no Mundial. "Deuce" é a principal esperança do técnico Jurgen Klinsmann para o duelo contra a Alemanha, nesta quinta-feira, às 13h (de Brasília), no Recife. "Deuce" tem 31 anos e, na equipe americana, atende por Clint Dempsey. Fã do gênero musical, ele vai lançar um disco após o Mundial, e o primeiro single, "It's poppin", pode ser baixado na internet por menos de R$ 3.
Ao lado do rapper XO, amigo desde o início da carreira, Dempsey gravou o álbum em segredo, ainda no ano passado, para não deixar que o foco na disputa da Copa do Mundo sofresse algum desvio. Sem alarde, XO montou um site para divulgar o conteúdo e começou nesta semana a vender a primeira música – por exatos US$ 1,29 (R$ 2,87). O site é tão discreto que não tem fotos e conta com apenas uma breve descrição do projeto.
– Obrigado a todos pelo apoio neste projeto. Isto é um grupo de amigos fazendo música e curtindo. Uma parte da arrecadação será doada ao Banco de Alimentos do Texas para os que precisam – escreve XO.
Dempsey EUA single hip hop (Foto: Reprodução / Instagram)Em conta numa rede social, Dempsey postou imagens do estúdio durante a gravação (Foto: Reprodução / Instagram)

O atacante só quer falar sobre o assunto após a participação dos EUA na Copa do Mundo. Um membro do departamento de comunicação da seleção, porém, confirmou o lançamento do álbum. E pediu respeito ao desejo do jogador, que se dispôs a comentar sua carreira paralela assim que a seleção definir seu destino no torneio. Questionado, o meia Graham Zusi disse saber do lançamento no mercado.
– Sabemos que ele gosta muito de hip hop e parece que até gravou algumas músicas. Gosta muito, canta pelo vestiário. Ouvi uma música cantada por ele, até que estava bem. Mas é melhor fazendo gols para nós – brincou Zusi.
Dempsey virou "Deuce" quando começou sua carreira profissional, no New England Revolution, em 2004. Adepto da camisa 2, foi apelidado com um termo derivado do número e gostou do resultado. Desde a adolescência na pequena Nacogdoches, no interior do Texas, o atacante da seleção mostrava o apreço pelo hip hop.
Dempsey EUA single hip hop (Foto: Reprodução)O anúncio da venda digital do primeiro single do seu disco de hip hop (Foto: Reprodução)

O "ápice" da sua carreira nos microfones ocorreu antes da Copa de 2006, quando gravou um vídeo promocional para a Nike, patrocinadora pessoal e também da seleção americana. A música chamada "Don't tread on me" ("Não pise em mim") foi gravada em homenagem a sua irmã, Jennifer, que morreu aos 16 anos por causa de um aneurisma cerebral, em 1995 – Clint era um pouco mais novo, tinha 12 anos.
A música fala justamente das raízes de Dempsey no Texas, de quando ele era um garoto que sonhava "se tornar o Capitão América e fazer muitos gols". Esses desejos, aos poucos, se tornaram realidade. Com muitas rimas, "It's poppin" virou hit entre os jogadores da seleção. E deixou um refrão no ar: "Vejam só, eu não sou comum". Isto, definitivamente, o capitão da seleção dos Estados Unidos não é mesmo.

Após desencantar na Copa, Fred diz: "Ainda mais confiantes para o hexa"

"Não posso decepcionar tanta gente", afirma atacante, que marcou pela primeira vez no Mundial na goleada do Brasil sobre Camarões, após passar dois jogos em branco

Por Rio de Janeiro
27 comentários
A goleada da seleção brasileira em cima de Camarões na última segunda-feira foi importante para os anfitriões da Copa do Mundo. Que o diga Fred. O próprio atacante reconheceu isso em uma postagem no Facebook. Autor de um dos gols da vitória por 4 a 1 que classificou a Seleção em primeiro lugar do Grupo A, o camisa 9 da Seleção relembrou a Copa das Confederações do ano passado, explicou a reverência que fez na comemoração do gol que marcou contra Camarões e garantiu que a confiança dele e "de todos" cresceu para a conquista do hexacampeonato mundial.
fred facebook (Foto: Reprodução / Facebook)Fred se diz mais confiante em postagem nas redes sociais (Foto: Reprodução / Facebook)

- "Você nunca sabe a força que tem até que a sua única alternativa é ser forte". Na Copa das Confederações, assim como em outros momentos da minha vida, tive que encontrar forças para reagir quando alguns me davam por vencido. Porém, nessas horas, eu parava e pensava: há muito mais pessoas que torcem por mim do que o contrário. Vejo minha família, meus amigos, minhas redes sociais e digo a mim mesmo: não posso decepcionar tanta gente. A minha reverência após o gol de ontem não foi apenas para quem estava no estádio e vibrou com o meu gol. Ela foi para todos aqueles que, assim como eu, tiraram uma tonelada das costas e, agora, estão leves e ainda mais confiantes para conquistar o hexa - escreveu.
Fred viveu situação semelhante na Copa das Confederações de 2013. Assim como neste Mundial, passou dois jogos em branco (contra Japão e México) e foi criticado antes de desencantar, contra a Itália. Na competição vencida pela terceira vez consecutiva pelo Brasil, o atacante acabou terminando na artilharia compartilhada com o espanhol Fernando Torres, ambos com cinco gols marcados.
Na Copa do Mundo, o Brasil se classificou em primeiro lugar no Grupo A depois de vencer a Croácia, empatar com o México e por fim bater Camarões. O duelo de oitavas de final será contra o Chile, neste sábado, às 13h (de Brasília), no Mineirão, em Belo Horizonte.

Caçado, Neymar conta com proteção divina para sair ileso de faltas duras

Visado por adversários em três jogos na Copa, atacante fala em “anjo da guarda” para evitar lesões. No Mundial, craque sofreu nove faltas. Algumas, desleais

Por Brasília, DF
16 comentários
Artilheiro da Copa, quatro gols em três jogos, duas vezes o melhor em campo e um dos jogadores que mais chamaram a atenção no torneio até o momento. Nos 249 minutos em que esteve em campo na primeira fase, Neymar deixou claro que não está sentindo o peso de comandar a Seleção em sua primeira Copa do Mundo. Nada parece ser capaz de parar o camisa 10 do Brasil. Nem mesmo as duras faltas e os safanões que o craque, muitas vezes caçado pelos adversários, recebe (assista no vídeo ao lado).

Em três partidas, Neymar sofreu nove faltas na Copa do Mundo. Algumas delas, desleais. Contra a Croácia, por exemplo, Corluka levantou o brasileiro e foi punido com amarelo. Na partida seguinte, em Fortaleza, Vázquez entrou forte no atacante com menos de um minuto de jogo. O árbitro Jonas Eriksson apenas advertiu o mexicano verbalmente, mas teve de puni-lo na etapa final após nova falta em Neymar. Na segunda-feira, vitória sobre Camarões, Nyom empurrou o camisa 10, que caiu perto dos fotógrafos no Mané Garrincha.
Neymar Brasil x Camarões (Foto: Reuters)Vencer as pancadas dos rivais também é sempre um desafio para o craque brasileiro (Foto: Reuters)

Vida de craque nem sempre é fácil. De empurrões a safanões, Neymar vai sobrevivendo e encantando na Copa do Mundo. Com tantas faltas duras, no entanto, o risco de uma lesão é real. Esse talvez seja o maior temor dos brasileiros, que enxergam cada vez mais a Seleção dependente de seu maior ídolo. Para que nada de ruim aconteça, Neymar levanta as mãos para o céu e crê na proteção divina para que tenha condições físicas de guiar o Brasil ao hexa. 

- Tenho um anjo da guarda, que é Deus. Ao fim de cada partida, agradeço a ele por sair ileso – disse Neymar.
Neymar Brasil x Camarões (Foto: Reuters)Neymar caiu perto dos fotógrafo após ser empurrado pelo camaronês Nyom (Foto: Reuters)


O vasto repertório de dribles aliado à ousadia faz de Neymar um jogador visado. Na Copa das Confederações, por exemplo, ele foi o jogador que mais sofreu faltas na competição: 35 em cinco jogos. Uma impressionante média de sete faltas sofridas por partida. E o brasileiro não é “caçado” somente quando veste a camisa da Seleção. Em sua temporada de estreia na Europa, ele foi o jogador que mais sofreu faltas no Barcelona. Foram 79 no Campeonato Espanhol e 30 na Liga dos Campeões.
 Com tantas “botinadas”, Neymar não conta apenas com a ajuda divina para se manter ileso. Em recente entrevista ao GloboEsporte.com, ele revelou conselhos de seu pai, que tem uma explicação curiosa e metafórica para ilustrar os saltos que Neymar executa quando é golpeado pelos adversários: a curiosa “Teoria do Graveto”, que explica que um graveto fraquinho, parado, é sempre destruído, mas quando voa evita que se quebre. Acusado muitas vezes pelos adversários de se jogar, o camisa 10 do Brasil alega que salta, na verdade, para preservar sua integridade física.
Com ou sem pancadas pela frente, Neymar e seus companheiros de Seleção voltam a campo no próximo sábado, contra o Chile, em Belo Horizonte, pelas oitavas de final. A TV Globo, o SporTV e o GloboEsporte.com transmitem ao vivo. O site também acompanha em Tempo Real.

Câmera exclusiva do SporTV flagra mordida de Suárez em Chiellini

Atacante uruguaio provocou o zagueiro italiano durante a vitória da
Celeste por 1 a 0, em Natal, que classificou os sul-americanos às oitavas

Por Natal
Comente agora
O árbitro mexicano Marco Rodríguez não viu, mas o cinegrafista Natan Moreira, do SporTV, flagrou a mordida do uruguaio Luis Suárez no zagueiro italiano Chiellini, no duelo entre as duas equipes nesta terça-feira, em Natal. A Celeste venceu por 1 a 0 e ficou com a vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo.
O incidente aconteceu aos 35 minutos do segundo tempo. Após cruzamento na área, o atacante não alcançou a bola e aproveitou a disputa para morder o seu marcador. Como reação, Chiellini tentou acertar uma cotovelada no sul-americano. O árbitro parou o lance, mas não puniu nenhum dos dois jogadores, apesar dos protestos do defensor italiano, que abaixou a a manga da camisa para mostrar a marca da mordida.
Depois da partida, Suárez minimizou a jogada, afirmando que esta sua atitude "faz parte do jogo".
- São coisas do jogo, não houve nada. Também fiquei com o olho machucado. Somos todos jogadores de futebol - despistou, para logo depois seguir sua marcha rumo ao ônibus da delegação.
Não é a primeira vez que Suárez morde um adversário em campo. Ainda pelo Ajax, o atacante Bakkal, à época no PSV, foi a vítima do uruguaio, em uma partida disputada em novembro de 2010. O zagueiro sérvio Ivanovic, do Chelsea, havia sido o alvo mais recente do atacante. No ano passado, em um clássico com o Liverpool, o jogador foi mordido por Suárez em uma partida pelo Campeonato Inglês. Nas duas oportunidades o uruguaio foi julgado e suspenso. Foram 17 dias longe dos gramados, se somadas as duas punições.
SporTV mostra mordida em Suárez (Foto: Reprodução SporTV)SporTV mostra mordida de Suárez em Chiellini (Foto: Reprodução SporTV)

Prandelli se demite, e presidente da Federação renuncia após eliminação

Treinador não dirige mais a Azzurra, e dirigente Giancarlo Abete se retira de entidade, mas ainda tem esperança de mudar a decisão do técnico

Por Natal, RN
Comente agora
cesare prandelli italia x uruguai (Foto: Getty Images)Prandelli dirige a equipe à beira do campo na
Arena das Dunas, em Natal (Foto: Getty Images)
Não é só no Brasil que isso acontece. A primeira vítima da queda precoce da Itália na fase de grupos da Copa do Mundo 2014, após derrota para o Uruguai, foi o treinador. O contrato de Cesare Prandelli valia até a Eurocopa 2016, mas o mau resultado no Mundial e a pressão que ele disse sofrer desde que a renovação do seu vínculo foi anunciada determinaram o pedido de demissão do comandante da Azzurra. Ele assumiu a responsabilidade pelo fracasso na competição e culpou a expulsão pela derrota no jogo decisivo frente à Celeste.
- A impressão é de que estávamos competindo e predominando, mas a expulsão mudou totalmente o rumo da partida. No final do jogo conversei com Albertini e Valentini, e visto que o projeto técnico é de minha responsabilidade, apresentei a minha demissão. Antes de renovar o contrato existia a vontade de continuar nesse processo. Depois da renovação, passamos a lidar com agressões verbais, como em um partido político. Nos sentimos como pessoas que devem aos contribuintes. Eu nunca roubei nada e nunca devi nada a ninguém. Se eu cometi um erro, assumo. Mas que jamais digam que eu roubei dos contribuintes - afirmou taxativo o treinador.
cesare prandelli italia x uruguai (Foto: Reuters)Cesar Prandelli tenta em vão indicar o caminho para a Itália, mas time é derrotado pelo Uruguai (Foto: Reuters)

Mais esperado, o presidente da Federação Italiana de Futebol Giancarlo Abete também aproveitou para comunicar a sua renúncia ao cargo assim que voltar à Itália. Apesar do seu "irrevogável" afastamento, o dirigente disse que ainda tem esperanças que Prandelli reconsidere a sua decisão.
- Prandelli apresentou seu pedido de demissão. Vou convocar uma reunião logo que voltar à Itália, mas espero que ele retire esse pedido, porque, na minha opinião, embora esse resultado tenha acontecido, todo o possível foi feito para que fôssemos melhor do que fomos. Tivemos ótimos resultados nas eliminatórias e na Euro. Já disse a Prandelli que, de qualquer forma, vou apresentar a minha demissão em caráter irrevogável ao Conselho Federal, porque fizemos o máximo que pudemos. Demetrio Albertini, como chefe da delegação, fez o seu melhor. Estou no meu sétimo Mundial, e já havia tomado essa decisão antes do início da Copa. Faço esse pedido de demissão com serenidade e refleti muito para isso. Quero continuar em outras funções, como na Uefa, mas quero liberar a Federação de ser alvo de críticas pela minha presença. O Conselho Federal certamente recusará a demissão de Prandelli, e espero que ele reconsidere o seu pedido. Mas a minha é totalmente irrevogável. Em agosto, voltaremos com um novo presidente, que terá todo o meu apoio. Tenho um gosto amargo como torcedor, mas como dirigente sei que fizemos o melhor possível - afirmou Abete.
Confira o que mais o técnico Cesare Prandelli falou na coletiva após a derrota:
RESPONSABILIDADE
O projeto técnico é de minha responsabilidade, e eu assumo toda ela. É injusto dizer que o projeto técnico não foi bem sucedido por culpa de um ou outro. A culpa e a responsabilidade é minha.
 O esquema não funcionou, mesmo com os quatro atacantes"
Cesare Prandelli
MORDIDA DE SUÁREZ
Este jogo não era uma competição de cartões vermelhos. Eu vi as imagens e as marcas da mordida de Suárez em Chiellini. É uma pena, uma pena mesmo, que as pessoas não aceitem derrotas. É preciso que aceitem os insucessos. Fico triste com a atitude de Suárez.
BALOTELLI

Sobre Balotelli, ele faz parte deste projeto técnico. Eu o escolhi e eu peço demissão, porque o projeto não se mostrou vencedor. Nós perdemos o Mundial no jogo contra a Costa Rica. Tínhamos condições de fazer mais, e tínhamos que ter feito mais. O esquema não funcionou, mesmo com os quatro atacantes que eu coloquei em campo. Sabíamos que seria difícil encontrar condições para dar uma arrancada contra os demais times. Os nossos adversários sofreram com a posse de bola, mas quando eles retomavam a posse de bola, a arrancada deles era incrível. Nós não produzimos jogadores para atuar assim, e isso também é parte do projeto como um todo.
BASE E FALTA DE APOIO

Nossa base perdeu a forma de jogar futebol. Temos muitos estrangeiros em nosso campeonato. Quando temos um jogo oficial na quarta-feira, o campeonato tem vários adiamentos. Não temos muito apoio dos próprios torcedores. Recebíamos insultos, vaias, xingamentos e apitos, e depois exigem que sejamos o time que vai representar o país. Xingam o nosso próprio Hino Nacional. É importante dar atenção às categorias de base.
TECNOLOGIA NO FUTEBOL
Estou convencido de que é necessário usar o máximo de meios e tecnologias à disposição para que não haja erros que afetem uma seleção. O futebol é maravilhoso quando dois times jogam em busca da vitória. Para mim, uma expulsão injusta atrapalhou o destino da Itália.

Copa América? Continente pode ter maioria inédita nas oitavas de final

Com Espanha, Itália e Inglaterra fora, Conmebol e Concacaf têm chance razoável de ter nove representantes entre os 16 classificados. Um sul-americano será semifinalista

Por Rio de Janeiro
117 comentários
As torcidas do continente americano têm dado show nos estádios brasileiros, e o apoio da arquibancada reflete também dentro de campo. Brasil, México, Chile, Costa Rica, Uruguai, Colômbia e Argentina já estão nas oitavas de final e podem ganhar a companhia de Equador e Estados Unidos nesta quarta. Se todos esses avançarem, representantes da Conmebol e Concacaf serão mais da metade entre os 16 finalistas, um feito inédito desde que a competição começou a ser disputada em sistema de oitavas de final, em 1986 (veja na tabela abaixo). Outra seleção das Américas, Honduras ainda tem chances matemáticas, mas apenas um milagre a levará às oitavas. Uma coisa já é certa: um sul-americano estará nas semifinais.
Mosaico Torcida Seleções das Américas (Foto: Editoria de arte)Torcidas das seleções das Américas estão em alta na Copa do Mundo (Foto: Editoria de arte)


É bem verdade que alguns europeus seguem firmes e já estão nas oitavas, casos de Holanda, Grécia e Bélgica. A França está quase lá, e a Alemanha precisa de um simples empate. Mas outras forças deram um adeus melancólico: Espanha, Inglaterra, Itália, Croácia e Bósnia. Já Suíça, Portugal e Rússia chegam vivas à última rodada e, apesar de não estarem na zona de classificação, vão tentar salvar a honra dos representantes da Uefa.
- Não é desculpa, mas dá para perceber que as seleções sul-americanas estão mais à vontade jogando perto de casa e os europeus não têm rendido da mesma maneira. Provavelmente um sul-americano vai ser campeão neste ano - apostou o meia Jack Wilshere, meia da já eliminada Inglaterra.
Por conta do cruzamento da segunda fase, aliás, uma equipe sul-americana estará necessariamente na semifinal. Explica-se: o vencedor do duelo entre Brasil e Chile enfrentará, nas quartas de final, quem levar a melhor do confronto entre Colômbia e Uruguai. E tem mais. Como dificilmente deixará escapar a primeira colocação do Grupo F, a Argentina poderá fazer mais um confronto sul-americano nas oitavas. Isso, é claro, se o Equador ficar com a segunda vaga do Grupo E.
- Isso mostra a capacidade e o poderio da América do Sul no futebol. Esperamos também seguir esse caminho. Temos uma partida muito importante pela frente, será uma honra enfrentar a França. Vamos torcer por um bom resultado - disso o técnico do Equador, Reinaldo Rueda, que precisa de uma vitória sobre a França para se classificar, desde que a Suíça não reverta a desvantagem no saldo.
Na América, só campeões sul-americanos 
O quadro é ainda mais desanimador para as seleções da Europa quando se observa o retrospecto dos Mundiais no continente. Afinal, nenhuma seleção que cruzou o Oceano Atlântico para jogar uma Copa na América foi campeã. O Uruguai levou o caneco quando jogou em casa, em 1930, e, 20 anos depois, venceu no Brasil.
Em 1962, o Mundial voltou ao continente, no Chile, na conquista do bicampeonato da seleção brasileira, que voltaria a vencer oito anos depois no México. Nas duas edições seguintes nas Américas, na Argentina em 1978 e - novamente - no México em 1986, quem levou foram os argentinos com Kempes e, depois, com Maradona. A última vez que o torneio veio parar deste lado do Atlântico, em 1994, nos Estados Unidos, o Brasil faturou o tetra.
O bom rendimento dos times do continente americano tem sido uma tendência desde que o atual regulamento com 32 seleções entrou em vigor, na Copa de 1998, mas eles nunca foram maioria entre as 16 finalistas. Em 2010, sete das oito seleções conseguiram passar pela primeira fase - 87,5%. Apenas Honduras ficou fora. Em 2006 e 2002, quatro das oito equipes conseguiram avançar - 50%. Já em 1998, cinco de oito times passaram da primeira fase - 62,5%. Desde 1986, o quadro foi semelhante (veja na tabela abaixo).
tabela seleções foram as oitavas (Foto: Globoesporte.com)


Em outros mundiais os países do continente americano tiveram apenas um eliminado na primeira fase, como em 1986, 1970 (ambos no México) e 1978 (na Argentina). Algumas das piores edições, no entanto, foram em 1958 (na Suécia), quando apenas o Brasil, que seria o campeão, passou da primeira fase, e em 1950, quando, de sete equipes, apenas Brasil e Uruguai avançaram e acabaram fazendo a final. O resultado foi o Maracanazo.

Seleções já classificadas: 


Américas
- Brasil, México, Chile, Uruguai, Colômbia, Costa Rica e Argentina.
Europa - Holanda, Grécia e Bélgica.

Seleções já eliminadas:

Américas - Nenhuma
Europa - Espanha, Croácia, Itália, Inglaterra e Bósnia.

Seleções das Américas que ainda têm chance: Equador, Estados Unidos e Honduras (essa última já está praticamente eliminada).

Europeus que ainda têm chance: França (essa já está praticamente classificada), Suíça, Alemanha, Portugal e Rússia
Grécia se aproveita da soberba marfinense e garante vaga inédita
Com um gol de pênalti de Samaras aos 47 minutos do segundo tempo, seleção europeia vence por 2 a 1 e passa às oitavas pela primeira vez
 
A CRÔNICA
por Cassius Leitão
125 comentários
A possibilidade de fazer história estava ali, alcançável como um sonho outrora impossível que se torna realidade. Com a oportunidade de passar às oitavas de final de uma Copa do Mundo pela primeira vez, Grécia e Costa do Marfim decidiram a segunda vaga do Grupo C, no Estádio Castelão, em Fortaleza, diante de um público de 59.095. E, apesar da flagrante inferioridade técnica, a Grécia se utilizou da superação para vencer por 2 a 1, com direito a gol da vaga marcado por Samaras aos 47 minutos da etapa final, de pênalti. Uma classificação digna de deuses do Olimpo, que muitas vezes, descem a Terra para dar uma força aos seus filhos prediletos.
Mitologia à parte, pesou a soberba da seleção da Costa do Marfim, que começou o jogo acreditando que a vaga viria na hora que bem entendesse. Outros deuses, os do futebol, porém, castigam quem acredita demais no favoritismo e a transpiração grega deixou o time europeu em vantagem com Samaris. A equipe africana acordou na etapa final e até empatou com Bony, mas as Moiras, que determinam o destino de todos, penderam para o lado helênico e um pênalti redentor no fim fez de Samaras um herói, que sofreu e assinalou de pênalti.
O rival grego da próxima fase será a Costa Rica, primeira colocada no Grupo D, que deixou para trás Itália e Inglaterra. O duelo será na Arena Pernambuco, no próximo domingo, às 17h (de Brasília).
Comemoração da Grécia contra a Costa do Marfim (Foto: Agência Reuters)Vaga inédita nas oitavas de final da Copa do Mundo é celebrada pelo time grego (Foto: Agência Reuters)
Soberba marfinense e boas mexidas gregas
Com Drogba como titular pela primeira vez na competição, a Costa do Marfim entrou para o confronto com ares de favorita. Afinal, tinha em seu time, além do próprio atacante, jogadores de destaque internacional, como Yayá Touré, Kalou e Gervinho. A Grécia, ao contrário, não dispunha de muita qualidade técnica; Por isso, fez do coração a sua arma principal para o confronto. Só a transpiração poderia fazer a diferença para os europeus.
Drogba e Giorgos Karagounis Grécia e Costa do Marfim (Foto: Agência Reuters)Drogba, enfim, começa jogando, mas não decide
a partida em Fortaleza (Foto: Agência Reuters)
Sem qualquer tipo de jogador que pudesse comandar as jogadas no meio de campo, a Grécia teve de acionar seus laterais para poder ir à frente. Torosidis, pela direita, e Cholevas, pela esquerda, foram as principais armas do técnico Fernando Santos nos 45 minutos iniciais. A Costa do Marfim, preguiçosa e até um pouco vítima da própria soberba devido ao favoritismo de véspera, sempre exagerava no momento crucial de definição dos lances, seja com um toque de efeito ou com um drible a mais. Sendo assim, não deu trabalho a nenhum dos goleiros gregos, já que Karnezis, contundido, teve de ser substituído por Glykos na metade da etapa inicial.
Aos poucos e com paciência, a Grécia passou a dominar as ações. A primeira chance clara veio em contra-ataque iniciado por Cholevas. A bola chegou aos pés de Samaras, que serviu o próprio Cholevas. Ele chegou em velocidade e carimbou o travessão. Sentindo-se mais à vontade em campo, os gregos decidiram apertar a saída de bola da frágil defesa marfinense. E foi nessa que se deu bem pouco antes do intervalo. Tioté falhou ao tentar dar passe de primeira. Samaris roubou a bola tocando para o quase xará Samaras e recebeu na frente. Cara a cara com o goleiro, ele não perdoou e marcou o primeiro gol da Grécia na competição. Placar justo para os 45 minutos iniciais. O curioso é que Samaris não começou jogando. Ele substituiu o lesionado Kone logo aos 11 minutos, sendo a primeira das duas mexidas gregas na primeira etapa.
Samaris marca gol da Grécia contra a Costa do Marfim (Foto: Agência Reuters)Samaris marca e parte para comemorar o seu gol no primeiro tempo da partida (Foto: Agência Reuters)
Reação africana, mas gol no fim classifica a Grécia
A necessidade de fazer ao menos um gol obrigou a Costa do Marfim a mudar de postura no segundo tempo. Em vez de toques insistentes pelo meio, a equipe do técnico Lamouchi passou a abrir mais as jogadas. Drogba teve até boa chance em cruzamento de Aurier, mas chargeou o goleiro e o lance foi parado. Com a vantagem em mãos, a Grécia só saía na boa, mas tinha dificuldade para concatenar as jogadas com os atacantes, já que Samaras e Salpingidis têm pouca velocidade. O meia Lazaros, quando tinha espaço, até foi capaz de arriscar uma jogada individual e quase ampliou a margem no placar. Salpingidis, em chute de fora, também assustou os africanos.
O último terço da partida foi de pura exposição da Costa do Marfim. Ao tentar atacar com muita gente, oferecia espaços imensos para os contragolpes gregos. Assim sendo, os africanos ficaram entre a cruz e a espada. Buscavam a todo custo um gol, cientes de que o adversário poderia fechar a conta a qualquer momento. Nessa tônica, era a Grécia quem levava mais perigo, muito mais perto de ampliar a vantagem do que de sofrer a igualdade. Em mais uma saída rápida, Karagounis recebeu e tentou de fora, carimbando o travessão marfinense mais uma vez.
Bony comemora gol da Costa do Marfim contra a Grécia (Foto: Agência Reuters)Bony comemora o empate (Foto: Agência Reuters)
Depois de correr tantos riscos e o adversário não aproveitar, a Costa do Marfim foi impiedosa. Na primeira chance cristalina que teve, igualou o marcador. E justamente com uma jogada no lado do campo foi utilizada. Gervinho recebeu pela esquerda e serviu Bony, que bateu rasteiro, de primeira, sem chance para Glykos. Bony entrara pouco antes justamente no lugar de Tioté. Ou seja, para salvar a pele do companheiro que falhara no gol grego.
Quando a Grécia parecia sem forças para voltar à frente no marcador, mostrou que guerreiros não morrem de véspera, Surgiu uma oportunidade derradeira e justa com o que se desenrolava em campo. Sio, que entrara pouco tempo antes, derrubou Samaras na área nos acréscimos. O mesmo Samaras foi para a cobrança e garantiu a heroica classificação grega. No fim das contas, a bravura fez a diferença. Nem sempre o futebol é feito de justiça. Mas desta vez foi. A Grécia mereceu e fez história.
 Giovanni Sio Grécia e Costa do Marfim (Foto: Agência Reuters) Grécia avança, e resta aos jogadores marfinenses lamentar a eliminação precoce (Foto: Agência Reuters)
 
No ritmo da torcida, Colômbia goleia o Japão em dia de Mondragón e James
Primeiros, cafeteros enfrentam o Uruguai nas oitavas. Goleiro torna-se o jogador mais velho a disputar jogo de Copa, e camisa 10 faz gol de placa
 
A CRÔNICA
por Amanda Kestelman
106 comentários
Não importava se já estavam classificados. A ausência de titulares também não foi um problema. Cada grito de sua torcida era um combustível extra para a Colômbia não diminuir o ritmo diante do Japão. Enquanto os Samurais Azuis lutavam em sua última oportunidade de permanecer na Copa do Mundo, os sul-americanos jogavam como se estivessem em casa. E fizeram de Cuiabá seu salão de festas. Assim como nos dois primeiros jogos do Grupo C, contaram com apoio maciço dos milhares de torcedores que os seguiram até o Brasil. Com os gols de Cuadrado, de pênalti, James Rodríguez e dois de Jackson Martinez – o gol japonês foi marcado por Okazaki –, os cafeteros despacharam os nipônicos com uma goleada de 4 a 1 e asseguraram o primeiro lugar da chave com direito a recorde e brilho do seu jovem camisa 10.
Quando a vitória já estava assegurada, o técnico Jose Pekerman preparou uma homenagem especial. Ao substituir Ospina por Farid Mondrágon, levou os torcedores presentes na Arena Cuiabá ao delírio. Aos 43 anos, o goleiro reserva tornou-se o jogador mais velho a disputar uma partida de Copa do Mundo, superando a marca estabelecida por Roger Milla, o camaronês que em 1994, aos 42 anos, disputou o Mundial dos Estados Unidos. No fim, James Rodríguez, o habilidoso meia de 22 anos, deixou a sua marca com o golaço que fechou a goleada.
Martinez gol Colômbia x Japão (Foto: Reuters)Corre para o abraço! Seguido por James, Rodríguez é recepcionado por Armero após gol (Foto: Reuters)
Nas oitavas de final, a Colômbia agora enfrenta o Uruguai, que ficou com a segunda vaga do Grupo D após uma dramática vitória sobre a Itália, na tarde desta terça-feira. A partida será no próximo sábado, às 17h (de Brasília), no Maracanã. A outra vaga do Grupo C ficou com a Grécia, que venceu a Costa do Marfim de forma inesquecível – os marfinenses estavam classificados até os 47 minutos do segundo tempo, quando os helênicos marcaram de pênalti e avançaram. Os gregos vão encarar a Costa Rica, domingo, no Recife.
Febre amarela nas arquibancadas da Arena Pantanal
A Colômbia entrou em campo classificada, e Jose Pekerman foi precavido. Pensando nas oitavas de final, poupou quase todo seu time titular em Cuiabá. Além do goleiro Ospina, manteve somente o lateral Armero e o meia Cuadrado. Apoiado pelos gritos de seus torcedores, que mais uma vez pintaram de amarelo um estádio no Brasil, os cafeteros tomaram a iniciativa do jogo, contando com a velocidade de Cuadrado e Arías, principalmente pelo lado direito. Mas o Japão respondia com lançamentos para Honda e jogadas individuais de Kagawa, que dava trabalho aos seus marcadores.
Na arquibancada, a torcida entoava que a a seleção sul-americana jogava de ''local'' em Cuiabá. E como ''dona da casa'', trataou de abrir o marcador. O lance decisivo veio num passe de Jackson Martínez para Adrián Ramos, que foi derrubado dentro da área pelo zagueiro Konno. O árbitro assinalou o pênalti e mostrou cartão para o japonês. Destaque dos 11 que estavam em campo, Cuadrado chamou a responsabilidade e bateu com segurança, quase no meio do gol: 1 a 0, aos 16 minutos. Na comemoração, a mesma irreverência dos jogos anteriores. Uma nova dancinha com os companheiros.
James Rodriguez Colômbia x Japão (Foto: Reuters)Passe para um gol, toque de categoria para marcar o seu: James brilhou novamente  (Foto: Reuters)
A onda amarela das arquibancadas avisava: "Olé, olé, olé, olá! Porque Colômbia vai ganhar". Mas os japoneses não se intimidaram com os gritos e as olas. Aquela era a sua última chance de continuar no Mundial. Na metade do primeiro tempo, num lance de talento, Kagawa dominou na entrada da área, cortou para a perna direita e obrigou Ospina a fazer grande defesa.

O contra-ataque passou a ser a principal arma colombiana. Em um deles, nos minutos finais, Martínez teve boa chance para ampliar, mas mandou para fora. Na sequência, foi a vez de os japoneses terem a oportunidade de balançar as redes. E Okazaki não desperdiçou. Após bom cruzamento de Honda pela direita, ele mergulhou na área e empatou o jogo no último lance da etapa inicial, aos 46. A esperança dos Samurais Azuis continuava viva.
Homenagem a Mondragón, pintura de James Rodríguez
No segundo tempo, Pekerman colocou James Rodriguez na vaga de Quintero e tirou Cuadrado, dando lugar a Carbonero. Destaque da equipe neste Mundial, James logo deu mais velocidade ao time. Ignorando o fato de estarem classificados, os colombianos continuavam indo ao ataque. Lutando contra o relógio, os japoneses buscavam algum espaço para jogadas ofensivas. Naquele momento, a Grécia vencia a Costa do Marfim, e uma vitória os colocaria nas oitavas.
A Colômbia, no entanto, não tinha nada a ver com isso. Arias, sem compaixão pelos asiáticos, fez bonita jogada pela direita, encontrando James Rodriguez. Com categoria, o camisa 10 deu um passe preciso para Jackson Martinez, que chutou no canto esquerdo do goleiro Kawashima: 2 a 1, aos 10 minutos da etapa complementar.
Ospina e Mondragon Colômbia x Japão (Foto: Reuters)Ospina cumprimenta Mondragón, que entrou em campo para quebrar recorde (Foto: Reuters)
O Japão estava indo para o tudo ou nada. Chutes longos, lançamentos. A melhor chance veio aos 20 minutos, quando Uchida avançou pela direita e cruzou bem para Okubo, que quase empatou. A investidas japonesas, entretanto, estavam resultando em perigosos contra-ataques colombianos. E foi justamente num deles que acabou de vez com a esperança japonesa. Como se não bastasse o empate da Costa do Marfim, no Recife, Jackson Martinez recebeu, disparou, cortou o marcador e ampliou: 3 a 1, aos 37.
A noite era mesmo da Colômbia. Era de homenagem e de um pintura protagonizada por seu camisa 10. Aos 39, Mondragón entrou em campo para se tornar, aos 43 anos, o jogador mais velho a disputar um jogo de Copa. E aos 45 minutos, James Rodríguez encerrou o baile colombiano com um gol de placa. Após receber passe espetacular de Ramos, o meia deixou Yoshida no chão e tocou com categoria por cima do goleiro Kawashima.