Longe de ser unanimidade, Carpegiani penou com baixas e falta de critério
Treinador teve problemas com vários atletas do elenco, sofreu com desfalques em momentos decisivos e mostrou erros infantis em alguns jogos
Apesar de não ter alcançado o seu objetivo, Carpegiani fez coisas importantes em poucos meses do seu trabalho. Recuperou Carlinhos Paraíba que, de “turista” no CT da Barra Funda, virou titular inquestionável no meio-campo. Deu nova vida a Fernandinho, que vinha sendo muito criticado pela torcida, e transformou o garoto Lucas de promessa em realidade.
Sem a necessidade de jogar com quatro atacantes, como em 2010, Carpegiani passou a escalar o time que considerou ideal. Com uma característica toda particular: a velocidade. Com isso, Rivaldo ficou sem espaço, assim como Cleber Santana, Rodrigo Souto e Fernandão, três dos atletas com salários mais altos dentro do clube. Junior Cesar, quando se recuperou de contusão, só foi utilizado na suspensão de Juan.
Para complicar ainda mais, o treinador entrou em rota de colisão com jogadores importantes. Primeiro, foi Dagoberto. Após uma discussão durante um jogo contra o Linense, o treinador foi a público e disse que, daquele jogo em diante, o jogador não era mais inegociável. Na ocasião, o camisa 25 foi multado em 10% do seu salário. Na sequência, o atrito foi com Alex Silva, que faltou a um treinamento. Junior Cesar se estranhou com o treinador durante uma atividade, tanto que pediu para ser negociado e foi embora para o Flamengo. (veja no vídeo ao lado a irritação de Carpegiani com Dagoberto)
A maior polêmica, no entanto, crescia a cada jogo da equipe na temporada. Rivaldo não se conformava de não ser utilizado. Carpegiani, por sua vez, deixava claro que o camisa 10 quebrava o ritmo de sua equipe e que só iria utilizá-lo em ocasiões especiais. A insatisfação dentro do grupo foi crescendo, a ponto de o treinador deixar de ser unanimidade.
Carpegiani balançou, chegou a ter sua demissão confirmada pelo então vice-presidente de futebol, Carlos Augusto de Barros e Silva, mas na última hora o presidente Juvenal Juvêncio mudou de ideia e segurou o técnico. Pior: o comandante voltou atrás na polêmica com Rivaldo, pediu desculpas públicas, reconhecendo o seu erro e dizendo que o meia não havia falado nada de grave. Com isso, perdeu ainda mais força entre os jogadores. No entanto, tinha a defesa do principal nome do elenco: o goleiro e capitão Rogério Ceni.
técnico na fogueira (Foto: Agência Estado)
Falta de critérios durante as partidas também pesaram contra o técnico
Carpegiani também foi criticado por conselheiros influentes do Morumbi pela falta de critério dentro das partidas. Contra o Corinthians, por exemplo, após terminar o primeiro tempo com um homem a menos e empatando por 0 a 0, achou que poderia enfrentar o oponente de igual para igual. Ele chegou a ser aconselhado por membros da comissão técnica a reforçar a marcação com a entrada de mais um volante, mas pensou em surpreender o rival no contra-ataque. Resultado: com um buraco no meio-campo onde Carlinhos não estava mais, os volantes do Corinthians deitaram e rolaram. O São Paulo levou cinco gols em 45 minutos.
Em relação a Rivaldo, o técnico dizia que só poderia utilizar o camisa 10 quando tivesse Fernandinho em campo, já que o forte era o seu lançamento. Contra o Flamengo, por exemplo, botou Rivaldo e sacou exatamente Fernandinho. A postura tática do time também causava irritação. Nas primeiras vitórias fora de casa, o treinador povoou o meio-campo com quatro volantes. No Engenhão, abriu o time que, mesmo com uma formação ofensiva, deu apenas um chute no gol de Felipe na etapa complementar.
O fim do trabalho de Carpegiani no São Paulo foi anunciado com uma nota no site oficial do clube. Uma despedida seca para o treinador, após nove meses de altos e baixos. E pouco apoio.
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