Lembra Dele? Ex-Peixe, Claudiomiro foi personagem contra Barça em 98
Ex-volante teve gol anulado no fim e desperdiçou pênalti no Joan Gamper
há 15 anos, quando enfrentou catalães no dia em que completava 27 anos
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Naquele 25 de agosto de 1998, Claudiomiro, um volante voluntarioso, mais conhecido pelo jogo duro que a posição exige do que pelas virtudes ofensivas, foi personagem do último duelo entre Santos e Barcelona no Camp Nou. Quase 15 anos depois, o Bombeiro, como era chamado pela torcida - era uma espécie de curinga que resolvia os problemas nas posições - confessou: guarda todas as recordações possíveis daquele momento.
- Marcou muito enfrentar o Barcelona com todas aquelas feras: Giovanni, Rivaldo, Figo, Luis Enrique, além dos holandeses. Até hoje guardo aquela camisa do Barça - contou o agora ex-jogador, prestes a completar 42 anos.
Em 1998, o jogo entre Santos e Barcelona terminou empatado por 2 a 2. O lateral-direito Anderson Lima abriu o placar para o Peixe. Rivaldo e Figo viraram para o Barça. Adiel deixou tudo igual para o time brasileiro.
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Mas foi um lance antes do apito final que fez de Claudiomiro o
personagem daquele confronto. Anderson Lima, o dono de todas as bolas
paradas daquele Santos, bateu escanteio, e o volante, que tinha o
cabeceio como uma de suas principais qualidades, desviou na primeira
trave, vencendo o goleiro holandês Hesp. Gol! Gol? Não.- Fiz um gol que foi anulado. As imagens mostram que o zagueiro tirou de dentro do gol - comentou o gaúcho de Santana do Livramento, cidade distante quase 500 quilômetros da capital Porto Alegre.
‘Foi vergonhoso’
Quinze anos depois, Claudiomiro parece levar na boa a anulação do gol que daria a vitória ao Santos. Argel, xerife daquele time, não.
Sem o gol de Claudiomiro, a partida terminou empatada, e o Troféu Joan Gamper teve que ser decidido nos pênaltis. E, como em um roteiro de filme onde o mocinho acaba levando a pior no fim, coube ao volante bater e perder o pênalti que praticamente deu a taça ao Barcelona – após o erro do santista, Luis Enrique cobrou e converteu a sua penalidade.
- O goleiro do Barcelona (Hesp) era muito grande. Quando fui bater, ele abriu os braços, pensei: ‘Vixe! E agora?’ – recordou o ex-jogador.
Nem tão ruim assim
Apesar do gol anulado e do troféu perdido, Argel guardou boas lembranças daquela partida contra o Barcelona e da boa fase que o Santos vivia na época.
- Foi uma semana fantástica para o Santos. Ganhamos do São Paulo no Morumbi (3 a 1). Viajamos, jogamos terça contra o Barcelona e empatamos o jogo - só perdemos nos pênaltis. Na quinta, jogamos em Roma e vencemos por 3 a 2, sendo que o primeiro tempo terminou 3 a 0. Depois, retornamos ao Brasil e vencemos do Internacional, por 2 a 0, no fim de semana – relembrou, com riqueza de detalhes.
Para Claudiomiro, nem mesmo o pênalti perdido foi capaz de apagar o caráter especial daquele dia.
- Só de estar lá (no Camp Nou) no dia do meu aniversário já foi incrível. Que presente melhor eu poderia receber? À noite, depois do jantar, o Anderson Lima, o Argel e os outros jogadores pediram um bolo e cantaram os parabéns.
Outros tempos
Há 15 anos, o futebol era outro. No Brasil e no mundo. No Barça que derrotou o Santos nos pênaltis, por exemplo, José Mourinho - hoje no Chelsea e com um currículo vitorioso na Europa - fazia parte da comissão técnica, mas não como treinador ou auxiliar.
- Uma coisa que chamou atenção era que o intérprete do Van Gaal (técnico holandês que comandava o Barcelona) era o José Mourinho. Olha que interessante – comentou Argel.
Os tempos são outros, é bem verdade. Mas o favoritismo, assim como foi em 1998, está com o Barcelona também em 2013. Quem afirma é Claudiomiro, que hoje trabalha como auxiliar técnico de Argel pelos clubes que o ex-zagueiro comanda.
Camisa 10 daquele Santos, Jorginho concordou com Claudiomiro e aponta o Barcelona como favorito no duelo de sexta-feira.
- Esse Barcelona de Neymar e Messi é um pouco melhor, embora aquele time (que venceu o Santos nos pênaltis em 1998) fosse fantástico. A equipe atual tem Xavi, Iniesta, Messi e Neymar. Se deixar essa turma no mano a mano com a defesa adversária é rezar para Deus ou tentar parar com uma metralhadora.
Hesp, Nadal, Abelardo, Celades (Roger) e Sergi; Okunowo, Cocu, Giovanni (Oscar) e Figo; Luis Enrique e Rivaldo (Zenden). Técnico: Van Gaal | Zetti, Anderson, Argel, Jean (Sandro) e Athirson (Gustavo Nery); Claudiomiro, Narciso, Jorginho (Adiel) e Lúcio (Fernandes); Viola (Elder) e Aristizábal (Alessandro). Técnico: Émerson Leão |
Técnico: Van Gaal | Técnico: Emerson Leão |
Gols: no primeiro tempo, Anderson, aos 32, Rivaldo, aos 39, Luis Figo, aos 41, e Adiel, aos 47min. | |
Pênaltis: Na segunda série, Claudiomiro desperdiçou a sua cobrança, e Luis Enrique decretou a vitória do Barcelona. | |
Local: Camp Nou, em Barcelona, Espanha. Renda: 8.000 pesetas. Público: 25.000 pessoas. |
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