Técnico da seleção brasileira de MMA quer ser rígido como Bernardinho
Roberto Corrêa, o 'Gordo', promete respeitar características de cada lutador e vê países do Leste Europeu como principais adversários na Copa do Mundo
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todas as categorias (Foto: Adriano Albuquerque)
Bicampeão mundial de jiu-jítsu, Gordo já treinou nomes como Maurício Shogun, Rafael dos Anjos, Renato Babalu, Antônio Braga Neto e Kyra Gracie. Para a seleção, ele promete ser rígido principalmente com horários e compromissos, e espera honrar a tradição de grandes técnicos brasileiros tanto no MMA quanto no esporte em geral. Quando perguntado sobre qual treinador de seleção tem como espelho, Gordo não pestanejou em citar o comandante campeão olímpico do vôlei masculino, Bernardinho.
- Eu gostaria de ser igual ao Bernardinho (risos), mas eu acabo não sendo tão rígido, porque o vôlei é um esporte coletivo, e o MMA é um esporte individual. Não dá para ser igual. Cada atleta tem uma característica. Quando você tem um grupo, você é rígido com o grupo todo. No MMA, cada atleta tem sua característica, então você tem que se adaptar a cada um - disse Gordo ao Combate.com.
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Como você se sente em relação a este desafio de treinar a seleção brasileira de MMA amador? Você já treinou atletas amadores, ou apenas profissionais?
Primeiro, me senti muito feliz de ter sido chamado e lembrado num país onde temos os melhores treinadores de MMA, como o Dedé Pederneiras e o Rafael Cordeiro, que são talvez os mais conhecidos. Eu já tive equipe de MMA onde tinham amadores e profissionais. Tinha 20 profissionais e mais uns 20 amadores que treinavam junto com eles, então já estou acostumado a treinar amadores.
Com a seleção, como você diria que vai ser seu perfil? Exigente, sério, aconselhador, como você descreveria seu estilo?
Como nosso primeiro compromisso vai ser uma Copa do Mundo, vou ser um cara cobrador e sério sim, mas, ao mesmo tempo, não um carrasco. Eu entendo que cada lutador vai chegar com uma característica diferente e vou respeitar as características deles, mas vou ser bem sério a nível de horário, e de compromisso, principalmente. Vou ser bem rígido com isso.
Para nossos leitores relacionarem melhor: você vai ser mais como um Felipão, ou Bernardinho, um Luxemburgo... A quem você compararia?
Eu gostaria de ser igual ao Bernardinho (risos), mas eu acabo não sendo tão rígido, porque o vôlei é um esporte coletivo, e o MMA é um esporte individual. Não dá para ser igual. Cada atleta tem uma característica. Quando você tem um grupo, você é rígido com o grupo todo. No MMA, cada atleta tem sua característica, então você tem que se adaptar a cada um.
As regras do MMA amador são diferentes das do MMA profissional. Você vai fazer alguma preparação específica para isso, vai observar torneios nos próximos meses?
As regras são diferentes e, inclusive, aqui no Brasil, as regras variavam muito. Agora a gente vai bater em cima das regras que estão se unificando. A gente precisa ter conhecimento total dessa regra que vai ser, para com certeza fazer uma tática para a luta em cima da regra. Normalmente, a gente está acostumado a uma luta a cada evento. Neste evento, provavelmente a gente vai ter três ou quatro lutas, dependendo da categoria, então com certeza você tem que ter uma estratégia.
Neste tipo de torneio, uma vitória por pontos pode ser mais importante que uma vitória por nocaute ou finalização?
Acho que o importante é a vitória e não ter nenhuma lesão para a próxima luta. Quando você pensa no profissional, a gente pensa no show, você precisa fazer um bom show, às vezes independente da vitória ou da derrota. No amador, não, o importante é a vitória.
São oito categorias no masculino, do peso-pesado até o peso-mosca, e quatro no feminino. De onde você espera que venham os nomes mais fortes, quando falamos de Brasil?
Hoje, se você reparar no UFC, nós temos lutadores bons em todas as categorias. Eu ia até falar que esperava nos pesos mais leves, mas não, porque já tivemos um campeão mundial no peso-pesado, o Cigano, já tivemos campeões no 93kg, Lyoto e Shogun, já teve campeão embaixo, que é o Anderson... Temos campeões em quase todas. O Brasil, por ser um país bem miscigenado, a gente tem caracerísticas para todos os pesos. A partir do que eu vir nas seletivas, poderei dizer quais temos mais chances, mas a princípio, creio que em todas as categorias temos chances de ter bons atletas.
E regionalmente, quem está na frente em nível amador?
Como eu falei, é uma novidade, mas acho que a região Norte, principalmente Amazonas, sempre traz bons atletas, e tirando pelos atletas que estão no UFC, que seria o padrão mais alto, a gente vê muita gente do Nordeste, do Sul... Acho bem misturado, não tem nenhuma região se sobressaindo. Há alguns anos, eu te diria que o Sudeste sobressaía. Hoje em dia, equiparou.
Qual país você vê como maior desafio para nós atualmente no MMA amador?
Não tive oportunidade de estudar ainda, mas acredito, leigamente, que a Rússia deve vir muito forte, que eles têm muito esporte amador, têm o sambô e o wrestling muito forte. Os países do Leste Europeu em geral e os Estados Unidos devem fazer uma frente boa.
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