Unimed vai notificar jogadores e não pagará mais direitos de imagem
Ao deixar o Flu, empresa quer rescindir com atletas que recebem de 50% a 80% do salário. Presidente Celso Barros, porém, garante que honrará compromissos
Anunciado na manhã desta quarta-feira, o fim da parceria
entre Fluminense e Unimed surpreendeu muitos tricolores, mas vinha sendo
costurado pelas partes há pelo menos 40 dias. Durante todo esse tempo, o
presidente do clube, Peter Siemsen, e o presidente da cooperativa de médicos,
Celso Barros, mantinham conversas para colocar um ponto final na relação e
decidiam como fazer, o que ocorreu nesta terça-feira. Há um ponto que promete
agitar o ambiente das Laranjeiras: o plano de saúde não pagará mais os direitos de
imagens dos atletas que têm contrato em vigor com o clube.
A empresa, porém, oficialmente garante que honrará os contratos.
A nota da Unimed informa que a decisão é fruto de uma
revisão da estratégia de marketing da empresa. No entanto, ela é baseada na
grave crise financeira que a patrocinadora atravessa. Apesar de dar o vínculo
como encerrado, a empresa ainda tem contratos a cumprir com vários
jogadores: Fred, Conca, Henrique, Rafael Sobis, Walter, Jean, Wagner. Todos
eles recebem direitos de imagem da Unimed. São valores que representam de 50% a
80% de seus vencimentos. Cícero passaria a receber a partir de janeiro de 2015.
Em contato com o GloboEsporte.com, Celso Barros apresentou a
sua versão sobre o caso. O presidente da Unimed garantiu que honrará os
contratos apesar da crise financeira pela qual passa a empresa:
-
Eu garanto: a Unimed vai cumprir todos os seus contratos
com os jogadores do Fluminense. Os contratos serão honrados. Mesmo que a
parceria tenha sido encerrada, mesmo que a marca da Unimed não esteja estampada
no uniforme do clube.
Segundo o GloboEsporte.com apurou, no entanto, a Unimed quer rescindir
os contratos unilateralmente e vai notificar os atletas. Ela alega que não tem
como cumprir os acordos. Este foi um ponto que embasou o plano de reestruturação da empresa. Neste caso, os
jogadores teriam de ir à Justiça. Celso espera que eles busquem outras equipes,
o que o livraria da obrigação de cumprir com os pagamentos. O Fluminense, por
sua vez, pretende adotar a postura de honrar a sua parte nos contatos com os
atletas que quiserem ficar.
Duas figuras centrais representam a maior preocupação: Fred
e Conca. O atacante e o meia são os maiores salários do elenco e juntos custam
para a patrocinadora cerca de R$ 1,3 milhão por mês. Valor que chega a cerca de R$ 5 milhões se ampliado aos demais atletas.
Existem variações nos contratos. A rescisão de Darío Conca,
por exemplo, é de R$ 12 milhões. Fred recebe
R$ 650 mil de direitos de imagem da Unimed – o Fluminense paga mais R$ 300 mil
(R$ 100 mil de CLT e R$ 200 mil de imagem). O documento prevê que ele receba o
valor até o fim do contrato, em dezembro de 2015, mesmo em caso de ruptura
entre clube e patrocinadora. Nos contratos mais recentes, não há esta cláusula.
Sempre sustentando que irá cumprir os compromissos,
Celso também explicou o motivo de encerrar o contrato com o clube do
coração.
- Evidentemente que estamos nos reestruturando. Ano que vem
será difícil à economia brasileira e, portanto, decidimos investir menos em
marketing. A empresa se reestrutura a cada ano. É uma decisão que não é fácil,
mas no mundo dos negócios é algo normal. A empresa não vai deixar de investir
em esporte, mas o fará em escala menor. Bem menor.
Acho que o saldo da parceria é positivo. Com exceção do ano
passado, o saldo é ótimo. Começamos em 1999 na Série C. E crescemos. Tanto a
empresa quanto o clube. Tivemos muitas conquistas. É extremamente positivo.
Peter Siemsen ainda não se pronunciou sobre o caso. O mandatário concederá entrevista
coletiva nesta quinta-feira.
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