Japão esbanja disciplina e, sem ‘chinelo’, treina ao som de ‘bravo’
Adversário da Seleção na estreia da Copa das Confederações fecha treinos antes da partida, mescla idiomas e tradutor revela comportamentos
Logo no primeiro treino, pequenos detalhes chamaram a atenção. Mesmo vindos de uma viagem de 14 horas de Doha a Brasília, os jogadores realizaram uma atividade de uma hora, sem o conhecido “migué”, sem dribles nos exercícios. E, depois de realizarem uma longa série de alongamento, nada de deixarem os tapetes e bolas de Pilates para auxiliares recolherem: todos guardam seu material antes de darem prosseguimento ao treinamento.
- Bravo, bravo! – gritava o preparador de goleiros.
São raros os jogadores que falam bem o inglês, casos de Yoshida, que joga no Southampton, da Inglaterra e Kagawa, do Manchester United. O vocabulário da maioria na língua inglesa se resume a “it’s good”, “yes” e “no”.
Para os jornalistas brasileiros, acompanhar um treino do Japão é uma difícil experiência de tentar decifrar o idioma. Julio Cesar Caruso é o tradutor que acompanhará a delegação japonesa em todos os deslocamentos durante a Copa das Confederações. Ele é o responsável por fazer o meio-campo entre as perguntas da imprensa e as respostas.
- Eles são muito gente boa, profissionais e pontuais com horários. No primeiro dia, a princípio, o treino seria fechado, mas eles decidiram abrir. Explica a diferença entre as culturas. Alguns jogadores que foram passear próximo ao hotel aqui em me perguntaram se era perigoso. Todos são muito disciplinados – afirmou o tradutor.
O Japão disputou quatro Copas. E em todas teve um jogador brasileiro no elenco: Wagner Lopes (França-1998), Alessandro Santos (Coreia do Sul/Japão-2002 e Alemanha-2006) e Túlio Tanaka (África do Sul-2010), além de Zico como treinador em 2006. Agora com o italiano Alberto Zaccheroni, a seleção japonesa não tem nenhum brasileiro na delegação.
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Funcionário de Yuto Nagatomo, o paraibano Weki Soares acompanha o
jogador no Brasil e também presta serviços para o lateral da seleção
japonesa e do Inter de Milão, na Itália. Tendo convivido com jogadores
de diversas nacionalidades, ele aponta as principais características dos
japoneses:- O profissionalismo é impressionante. Assim como o respeito. Eles respeitam até o ar que respiram.
Zaccheroni abre apenas 15 minutos de treino
Nesta quinta, Okazaki e Yoshida concederam entrevistas para a imprensa brasileira. O primeiro mostrou ter aprendido português ao dizer que estava cansado; o segundo, falou bom dia.
Nesta sexta-feira, assim como fizera na véspera, o técnico Zaccheroni só permitiu que jornalistas acompanhassem 15 minutos do treino. Dois treinos foram fechados para não dar pistas para o Brasil.
Antes da atividade, Kagawa saiu para passear pelas ruas de Brasília. De chinelos, o jogador do Manchester United era mais reconhecido por estar com o uniforme da seleção japonesa. Para um curioso que perguntou quem ele era, respondeu com bom humor, dando o nome de outro jogador. Depois, dobrou as mangas da camisa para aproveitar o sol da Capital Federal. Neste sábado, será a vez de tentar enxergar um horizonte mais longe. Bem além da terra do sol nascente.
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