Alô, Felipão: Itália 'tranca' laterais espanhóis e interrompe o 'tiki-taka'
No primeiro tempo da semifinal, Azzurra consegue fazer
forte marcação no meio-campo e anula jogo característico da Espanha:
veja a mesa tática
Por Alexandre Alliatti, Carlos Augusto Ferrari e Thiago Quintella
Fortaleza, CE
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Poucos imaginavam que a Itália poderia surpreender a Espanha. A Azzurra
chegava desfalcada de Balotelli e Abate, e a final da Eurocopa 2012,
com goleada da Roja por 4 a 0, ainda estava fresca na memória dos
torcedores. No entanto, o embate entre duas seleções de tradição no
futebol mundial em uma semifinal de Copa das Confederações acaba
nivelando a partida. E, claro, uma pitada de tática bem aplicada pelos
italianos fez com que os espanhóis deixassem de jogar seu futebol
característico.
Ao menos no primeiro tempo, foi o que aconteceu: a Itália chegava com
perigo e toques rápidos no contra-ataque. A Espanha, acuada, tentava
criar jogadas na base do chuveirinho para área
(veja a mesa tática no vídeo ao lado).
Apesar dos 62% de posse de bola para La Roja nos primeiros 45 minutos,
Xavi e Iniesta não tinham espaço para criar, Pedro e David Silva pouco
conseguiram fazer para servir Torres, isolado na área. Postada no
3-4-2-1 em campo, a Itália congestionou o meio-campo e anulou os avanços
dos laterais espanhóis - principalmente Jordi Alba, autor de dois gols
contra a Nigéria. E este domínio pelas pontas parece ter sido a chave
para a superioridade italiana.
Com
nove italianos atrás da linha da bola - apenas Gilardino ficou no
ataque - Xavi ficou sem opção de passe e teve que voltar a jogada para a
defesa espanhola na sequência (Foto: Reprodução)
O técnico Cesare Prandelli armou a Azzurra da seguinte forma: uma linha
de três na defesa, formada com Barzagli, Bonucci e Chiellini. Logo à
frente, uma linha de quatro jogadores: Maggio, pela direita, De Rossi e
Pirlo centralizados, e Giaccherini, meia-atacante de origem, posicionado
na ala esquerda. No meio, mais avançados, Candreva e Marchisio davam
suporte aos alas italianos para segurar os laterais espanhóis e avançar
às suas costas. Arbeloa e Jordi Alba não conseguiam avançar e ainda viam
Giaccherini e Maggio, principalmente, explorarem os espaços e chegarem
com perigo à meta defendida por Casillas.
Foram ao menos cinco chances de gol para a Itália na primeira etapa. Na
melhor delas, a Itália explorou exatamente as laterais do campo. Aos 35
minutos, Jordi Alba marcava Maggio. Candreva ficou solto e recebeu pela
direita. O meia virou o jogo e achou Giaccherini, nas costas de
Arbeloa. O baixinho cruzou para Maggio, que apareceu nas costas de Jordi
Alba, e cabeceou para grande defesa de Casillas
(veja no vídeo ao lado).
- Creio que eles foram melhores no primeiro tempo. Abriram o campo com
Giaccherini. Candreva e Marchisio nos criaram problemas no meio –
analisou o técnico Vicente Del Bosque após a partida.
Mais do que conseguir pressionar e atacar os espanhóis, os italianos
conseguiram fazer algo que pouco se vê La Roja fazer: apelar para o
"chutão". Em alguns momentos, pôde se ver a defesa ou o próprio Casillas
despachando a bola direta para o ataque. A troca de passes espanhola,
normalmente no campo do adversário, se resumiu ao campo defensivo, sem
objetividade e perigo à Itália. A melhor oportunidade de gol dos
espanhóis foi uma ligação direta: Sergio Ramos fez o passe do meio para
Fernando Torres. Xavi desviou e o atacante dominou, conseguiu o giro,
mesmo entre três zagueiros, e finalizou. Méritos de Torres, que fez bela
jogada individual
(veja no vídeo ao lado).
No segundo tempo, Cesare Prandelli ainda entrou com Montolivo na vaga
de Barzagli e recuou De Rossi para a defesa, mantendo o desenho tático,
porém com maior velocidade e melhor saída de bola. Vicente Del Bosque
tentou dar velocidade à Espanha no ataque e promoveu as entradas de
Jesús Navas no lugar de David Silva e Mata na vaga de Pedro. Em vão.
Seguiram os chuveirinhos. A prova de que o jogo se desenhou desta forma,
sem velocidade, foi quando Del Bosque tirou Fernando Torres e colocou o
volante Javi Martínez. Não para marcar, mas para brigar na força física
e pelo alto com os zagueiros da Azzurra.
A forte marcação, no entanto, exauriu os italianos, que foram dominados
na prorrogação da partida, e tiveram que segurar a pressão espanhola
antes do fim dos 120 minutos.
- A Espanha ainda está na nossa frente. Há anos que ela trabalha com
esses conceitos. Mas estamos no caminho para melhorar. É quase
impossível pensar em ter energia depois de tantos minutos. Tivemos muita
garra. Estamos orgulhosos - reconheceu o técnico da Itália, Cesare
Prandelli.
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