Carros que fizeram história nos 36 anos da Williams na Fórmula 1 (Foto: Divulgação)
O ano de 2013 tem tido um sabor amargo para a equipe
Williams.
Já são sete etapas disputadas até então e nenhum ponto ganho sequer.
Pior começo de temporada de uma escuderia recheada de história na
Fórmula 1. No entanto, apesar do início insatisfatório, há motivos para
festejar. No GP da Inglaterra deste fim de semana, a tradicional
escuderia fundada e comandada por Sir Frank Williams celebrará a marca
de 600 GPs. Ainda que de fato o número só seja alcançado na próxima
prova, na Alemanha, a equipe decidiu antecipar a festa para coincidir
com a corrida em sua terra natal e por Silverstone ser palco do primeiro
triunfo, em 1979, com Clay Regazzoni. Os carros de Pastor Maldonado e
Valtteri Bottas irão à pista com um grafismo especial em alusão ao
feito.
- Chegar à marca de 600 GPs para uma equipe independente como a
Williams, na categoria máxima do automobilismo, é um conquista
inacreditável. 78 times já entraram, saíram ou mudaram de dono, desde
que entramos no esporte. Nossa longevidade é uma homenagem às milhares
de pessoas que se sacrificaram muito para nos manter onde estamos.
Parece certo celebrar esta conquista na casa do automobilismo inglês,
com os nossos leais fãs britânicos – afirma Frank Williams, ressaltando o
fato de sua equipe ser "de garagem", em um meio onde grandes e ricas
montadoras entram e saem.
Veja os números da Williams:
Em 1977, Sir Frank fundou a “Williams Grand Prix Engineering” em
parceria com Patrick Head. De lá pra cá, a equipe conquistou
campeonatos, um deles com o brasileiro Nelson Piquet, em 1987, e criou
carros imbatíveis como o FW14B – o primeiro F-1 com suspensão ativa –
que levou Nigel Mansell ao título de 1992. Um passado glorioso que
contrasta com uma cicatriz eterna. O único piloto a morrer ao volante de
um carro da equipe na categoria foi justamente Ayrton Senna, em 1994.
Cicatriz essa em formato de "S", de Senna, estampado em todos os carros
construídos pela escuderia desde então.
Acidente fatal de Ayrton Senna é cicatriz aberta na Williams até hoje (Foto: Getty Images)
Desde acidente fatal de Senna, Williams estampa "S" em seus carros (Foto: Getty Images)
Nesses 36 anos, as adversidades parecem fazer parte da história da
escuderia inglesa e da vida pessoal de Frank Williams. Na temporada de
1986, indo do circuito de Paul Ricard para o aeroporto de Nice, Sir
Frank se envolveu em um acidente de carro que resultou em um trauma na
coluna, impossibilitando-o de andar novamente. Contudo, o chefe nunca
deixou de estar no paddock da F-1 trabalhando. Além de ter sido nomeado
pela Rainha da Inglaterra como Cavaleiro, em 1999, foi um dos poucos
cidadãos não franceses que recebeu o título de Cavaleiro da Legião de
Honra da França. Em 2010, ele foi gratificado com o Prêmio Helen
Rollason por “Conquistas incríveis diante de adversidades”.
Muito querido na F-1, Sir Frank recebeu diversas homenagens ao completar 70 anos em 2012 (Foto: Getty)
O time de Grove está entre as três equipes mais célebres da F-1, junto
com Ferrari e McLaren, e conquistou 16 títulos desde sua fundação, nove
de Construtores e sete de Pilotos. Dentre os nomes que figuram no hall
de campeões da Williams está o de
Nelson Piquet. O brasileiro tricampeão faz parte desta história, com o título de 1987.
Confira os pilotos campeões pela Williams:
Hoje, Frank Williams divide o box do time com a filha, que é chefe
adjunta da equipe. Claire Williams sabe da história e da importância do
nome que carrega consigo, mas já se prepara para o futuro.
- A Williams nunca foi uma equipe que vive no passado. No entanto,
neste fim de semana celebraremos nossa herança e refletiremos sobre os
momentos decisivos ao longo desses 36 anos. Esta também é uma
oportunidade para que possamos visualizar o futuro, fazendo o necessário
para que nossas próximas 600 corridas sejam tão inesquecíveis como
estas - pondera Claire.
Ainda que seja uma equipe tradicional e vencedora, a Williams vai para
seu 16º ano sem título. A última taça da escuderia foi em 1997 com
Jacques Villeneuve. Para piorar, as vitórias estão cada vez mais
escassas. A última foi um "achado" de Pastor Maldonado no GP da Espanha
de 2012. O triunfo anterior havia sido com o colombiano Juan Pablo
Montoya, em Interlagos, 2004. Sem pontos na atual temporada, o time de
Grove está em nono na classificação, atrás de equipes de menor expressão
como STR, Force India e Sauber. Uma fase difícil e já duradoura, mas
que não abala a confiança em um futuro melhor de quem sabe que tem o
nome gravado na história da categoria máxima do automobilismo mundial.
* Pedro Lopes, estagiário, sob supervisão de Felipe Siqueira
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