segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Royce minimiza casos de doping no MMA e evita julgar Anderson Silva

Ex-lutador afirma que legado de Spider não será comprometido após doping por
duas substâncias ilegais, mas critica Jon Jones, flagrado por uso de cocaína

Por Califórnia, EUA
MMA - UFC 172 - Royce Gracie (Foto: Evelyn Rodrigues)Royce Gracie criticou Jon Jones por uso de cocaína (Foto: Evelyn Rodrigues)
Os recentes casos de doping, em especial, o de Anderson Silva, arranharam a imagem do MMA e do UFC, organização pela qual o brasileiro luta. Lenda das artes marciais, Royce Gracie, porém, prefere olhar a situação por outro prisma. O ex-lutador acredita que as punições estão servindo para que outros atletas da modalidade não trilhem o caminho errado.
- Isso mostra como o sistema está trabalhando. Você está tentando olhar pelo lado ruim. Eu estou vendo pelo lado bom. Ao invés de encorajar as pessoas, fala-se: “Vamos banir o MMA porque todo mundo está utilizando drogas, vamos banir a Nascar porque estão anunciando bebida enquanto dirigem”. Vamos olhar pelo lado positivo. Vamos tentar não colocar os lutadores para baixo porque um deles cometeu um erro, decidiu ir para a farra e fazer seja lá o que for – declarou o primeiro campeão do Ultimate, em entrevista ao site “MMA Fighting”, descartando que o legado de Anderson Silva seja manchado por conta do doping.
- Você não pode mudar o passado, o que ele fez. Eu não falei com ele, então não sei, não irei apontar o dedo.
Para falar de Jon Jones, flagrado no antidoping por uso de cocaína, o Gracie foi mais duro do que com Spider, que testou positivo para duas substâncias proibidas. 
- Ele (Jones) esquece, às vezes, que é exemplo para as crianças. É um cara novo, é um ser humano. Vai sair, vai para festas, e sofre influência. Ele cometeu um erro - comentou o brasileiro, que testou positivo para nandrolona, em 2007, na luta contra Kazushi Sakuraba.
Apesar dos casos recentes de doping, Royce Gracie defende que o tema não é um problema. Para o faixa-preta de jiu-jítsu, a quantidade de lutadores flagrados é ínfima se comparada ao número total.
- Quantas pessoas foram pegas (recentemente)? Cinco? Cinco em quantas que temos no esporte pelo mundo todo? Não acho que seja um problema. 

Hulk descarta caminhão de dinheiro
da China e renova com Zenit até 2019

Empresário afirma que clube chinês estava disposto a pagar cerca de € 40 milhões para contar com o atacante brasileiro e revela ofertas também da Inglaterra e França

Por São Petersburgo, Rússia
Ainda restavam mais de dois anos para o contrato de Hulk se encerrar, mas o Zenit resolveu se apressar e prolongá-lo até junho de 2019. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, em São Petersburgo, depois de sete meses de negociação e, segundo o empresário do jogador, muitas investidas. Um clube chinês teria oferecido € 40 milhões, valor pago pelos russos ao Porto em 2012.

- Foram sete meses de negociação e finalmente chegamos ao acordo. Havia interesse de clubes ingleses, franceses e inclusive um clube da China que pagaria todo o dinheiro investido pelo Zenit na contratação do Hulk. Mas o interesse de todas as partes prevaleceu nesta negociação e felizmente pudemos assinar hoje um novo acordo - afirmou Constatin Teo, que cuida da carreira de Hulk há dez anos.

Hulk terá 32 anos ao fim de seu vínculo, portanto, ainda com “muita lenha para queimar”. É o que acredita o técnico André Villas-Boas, que solicitou aos dirigentes a permanência do brasileiro, com quem já trabalhou no Porto. Na Rússia, o jogador ainda tem o desafio de elevar o time ao nível de protagonista - disputará o mata-mata da Liga Europa depois de ter sido eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões.

- Quero ganhar títulos no Zenit e ajudar a equipe a brigar por competições europeias. Já fui campeão com o André e sei como ele gosta de trabalhar. O elenco é bom e não tenho motivos para sair – afirmou Hulk, que tem 92 jogos, 44 gols e 35 assistências com a camisa do Zenit.
Hulk Zenit (Foto: Getty Images)Hulk é abraçado por Danny em comemoração de gol do Zenit: atacante seguirá na Rússia até 2019 (Foto: Getty Images)

Danilo aprova nova função no time e pensa até em virar centroavante

Meio-campista treina na posição nesta segunda-feira e aguarda decisão de Tite sobre a escalação para o clássico com São Paulo. Vagner Love é a outra opção do técnico

Por São Paulp
Tite ainda não confirmou a escalação, mas, no que depender de Danilo, o treinador encontrou o substituto de Paolo Guerrero no clássico contra o São Paulo, nesta quarta-feira, às 22h, na arena, pela fase de grupos da Taça Libertadores. O meio-campista se animou em fazer a função novamente e cogitou até se fixar nela no futuro.
Danilo treinou como titular, nesta segunda, no CT Joaquim Grava, e ao que tudo indica está em vantagem. Vagner Love entrou na segunda parte da atividade, porém, não está 100% fisicamente. Tite teme que ele não suporte os 90 minutos. Por isso, pode deixá-lo como opção no banco de reservas.
Danilo Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)Danilo treinou entre os titulares na primeira parte da atividade nesta segunda (Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians)
– Ainda não está nada definido. O time ganha por um lado comigo, mas perde por outro. Sou um jogador de posse de bola. O Vagner é um atacante de definição e posicionamento. O Tite vai escolher, mas meu pensamento é jogar – afirmou.
O armador foi colocado como centroavante no empate por 1 a 1 contra o Once Caldas, quarta passada, em Manizales. Tite aprovou a atuação e deu preferência para mantê-lo no lugar do peruano, suspenso por três jogos pela Conmebol. Vagner Love estreou no último sábado, diante do Botafogo, pelo Paulistão, mas o treinador ainda quer observá-lo melhor.
Danilo gostou tanto da improvisação que pensa até em permanecer como atacante. Aos 35 anos, é reserva como meio-campista do Corinthians. No entanto, costumeiramente é decisivo ao entrar no decorrer dos jogos. Só contra o São Paulo foram cinco gols em 17 partidas
– Penso em jogar (como centroavante), principalmente pela idade. No meio de campo, você tem de correr muito, voltar. Daqui a pouco, penso em ser esse homem de frente, sem voltar tanto. Do meio para frente estou estar sempre à disposição.

Como ganhar a Libertadores: dez
dicas para deixar o título mais próximo

Campeões da América opinam sobre como facilitar o caminho até a taça. Foco, cabeça no lugar, força da torcida, solidez e até diplomacia são armas no torneio

Por Rio de Janeiro
A edição do ano passado esfarelou os manuais sobre como ganhar uma Libertadores da América. Chegaram às semifinais equipes pouco habituadas a triunfar na competição. O San Lorenzo, campeão pela primeira vez, foi acompanhado na reta final por Bolívar, da Bolívia, Defensor, do Uruguai, e o Nacional paraguaio – longe de serem protagonistas do maior torneio de clubes da América. A exceção, porém, não deve anular a regra, e a Libertadores, com suas particularidades, exige cuidados específicos. Alguns requisitos para tornar mais fácil a tarefa de conquistar a América estão listados abaixo.

Para chegar aos dez itens, o GloboEsporte.com buscou a opinião de campeões. Participaram o técnico Tite (vencedor em 2012 com o Corinthians), o preparador físico Paulo Paixão (tricampeão: Grêmio em 1995, Palmeiras em 1999 e Inter em 2006), o goleiro Victor (herói da conquista do Atlético-MG em 2013), o lateral-esquerdo Fábio Santos (ganhador com o São Paulo em 2005 e com o Corinthians em 2012), o ex-lateral-direito Vítor (campeão por três clubes diferentes: São Paulo em 1993, Cruzeiro em 1997 e Vasco em 1998), Edu Gaspar (gerente de futebol do Corinthians no título de 2012) e Fernando Carvalho (presidente do Inter no título de 2006 e vice de futebol no bi em 2010).
Mosaico Libertadores Brasileiros (Foto: Editoria de arte)Brasileiros que disputam a competição em 2015 têm conquistas da Libertadores no currículo (Foto: Editoria de arte)
A fase de grupos da competição começa nesta terça-feira, e já com brasileiro em campo: o Inter visita o Strongest na Bolívia. Na quarta, ocorre o clássico entre Corinthians e São Paulo, e o Atlético-MG encara o Colo-Colo no Chile. O último brasileiro a estrear será o Cruzeiro, que duela com o Universitario de Sucre na Bolívia no dia 25. Todos os representantes do país no torneio já ganharam a Libertadores.
1) Comer, beber, respirar Libertadores
A Libertadores exige dedicação integral. Não existe meio-termo com ela. É preciso mergulhar de cabeça e aproveitar acontecimentos paralelos como preparação para ela – fazendo com que deixem de ser obstáculos e virem trampolim. A largada da competição coincide com os estaduais. Cabe ao clube saber em quais jogos usar titulares e em quais poupar os principais jogadores. São dois desafios que caminham em direções contrárias: é preciso entrosar o time, e entrosamento se alcança jogando, mas cansar os atletas nessas partidas menos importantes pode ser um erro fatal, até pela exigência física que a Libertadores tem.
O dirigente tem que estar contigo. Muito. Muito mesmo. Não é pouco, não. Ah, e se perder? Não importa: perdeu buscando a maior competição possível"
Paulo Paixão
O segredo é encontrar esse equilíbrio. E aí entra a sintonia entre comissão técnica e diretoria. O planejamento precisa ser feito em conjunto. A parceria nessa tomada de decisão dá fôlego ao treinador – ameniza a pressão interna que ele sofrerá em casos de derrotas na largada da temporada. Dá mais paz para trabalhar.

- Você tem que focar na Libertadores. Se ganhar, vai ao Mundial. Não tem que se preocupar com decisão de Carioca, de Mineiro, de Gaúcho. Não tem que pensar que Brasileiro começa tal dia, que tem que pontuar. Essas competições entram no corredor para a Libertadores. Elas devem ajudar. Você não pode ter a mesma preocupação, com as outras competições, que tem com a Libertadores. E tem que ter essa parceria muito forte com a diretoria. O dirigente tem que estar contigo. Muito. Muito mesmo. Não é pouco, não. Ah, e se perder? Não importa: perdeu buscando a maior competição possível – opina Paulo Paixão.
2) Olho na arbitragem
Esquece essa ideia de sair pedalando por uma ponta direita qualquer e se espatifar no gramado, como se tivesse sido assassinado, só porque o zagueiro adversário olhou com cara feia. Pode funcionar no Brasileirão. Na Libertadores, sem chance. Conhecer o jeito sul-americano de apitar é fundamental para ter vida longa na competição. É outro universo em relação ao Brasil. O jogo corre mais. Divididas são mais permitidas. O jogo é mais duro na disputa corporal. E o jogador precisa encontrar o ponto certo nisso – permitir-se jogar com mais firmeza, mas sem passar do ponto e acabar expulso.
Os brasileiros tentam cavar faltas. Se fizerem isso, os outros vão passar por cima"
Fernando Carvalho
- É muito importante conscientizar os jogadores de que a arbitragem é completamente diferente. É jogo de muito contato físico, muita trombada, e os juízes não marcam falta em qualquer lance. Os brasileiros tentam cavar faltas. Se fizerem isso, os outros vão passar por cima – comenta Fernando Carvalho.

- Tem que ter um time que entenda a competição. Ela é diferente e precisa ser jogada de forma diferente – resume Fábio Santos.
3) Estudar muito
É nos desconhecidos que reside o maior perigo"
Tite
A Libertadores envolve 11 países diferentes – e, às vezes, times de que os brasileiros nunca ouviram falar. Parte-se de um desconhecimento total em muitos casos para, aos poucos, ir construindo uma visão sobre aspectos diversos do adversário: estilo de jogo, expoentes e falhas, características do campo, pressão da torcida. Aí entra a necessidade de se estudar muito os oponentes. A comissão técnica precisa ser muito ativa, muito interessada, para trabalhar até mais fora do campo, na observação do adversário, do que nos treinos em si. Em alguns casos, é fundamental enviar olheiros para ver pessoalmente as equipes – embora hoje existam recursos tecnológicos para ter acesso a partidas de lugares pouco acessíveis. E o elenco tem a missão de ficar especialmente interessado nas informações passadas pelo comando técnico.

- É preciso ter muito conhecimento dos seus adversários. Reunir informações. Cercar-se de todas as garantias para não ser surpreendido. Há equipes muito fortes, não só as grandes, como Boca, River, Universidad de Chile. É nos desconhecidos que reside o maior perigo – resume o técnico Tite.
4) Criar o caldeirão

A torcida também precisa se envolver. Títulos recentes de brasileiros tiveram muita pressão sobre adversários que vinham jogar aqui – casos do Inter (especialmente em 2006), do Corinthians e do Atlético-MG. É uma forma de equiparar a pressão recebida, dependendo do time, em países como Argentina, Uruguai e Colômbia.

- Parece que aprendemos como as torcidas de outros países torcem. Talvez tenha sido algo que demoramos a aprender. E faz toda a diferença. Os adversários também precisam sentir o caldeirão quando jogam aqui – opina Fábio Santos.
Torcida, Corinthians x San José (Foto: Marcos Ribolli)Torcida, Corinthians x San José (Foto: Marcos Ribolli)

5) Ter líderes
fernandao,  taça libertadores (Foto: EFE)Fernandão em 2006 é um dos exemplos de liderança sobre o elenco (Foto: EFE)
É importante ter dois tipos de líderes: os de comando (Adílson Batista e Dinho no Grêmio, Rogério Ceni e Lugano no São Paulo, Fernandão no Inter, Alessandro no Corinthians, Edu Dracena no Santos) e os técnicos (Ronaldinho Gaúcho no Atlético-MG, Alex no Palmeiras, D’Alessandro no Inter, Neymar no Santos). No primeiro caso, são aqueles jogadores que funcionam como uma extensão da comissão técnica na hora de manter o elenco 100% focado; no segundo, é o sujeito a quem o time recorre em momentos de dificuldade em campo – o craque, o atleta diferenciado. São homens que podem decidir o futuro antes e depois dos jogos, com sua postura, ou no decorrer deles, com seu talento.

- São duas coisas que andam juntas. Em qualquer momento do jogo, essa excelência técnica pode estar presente. Tem o comando, tem o capitão, e ao mesmo tempo tem a qualidade técnica para decidir. Tendo esse equilíbrio de liderança técnica e comando, você fica perto de não perder nada – diz Paixão.
Ronaldinho Atlético-MG festa título Libertadores (Foto: AP)Ronaldinho manda beijos para a torcida do Galo ao conquista Libertadores de 2013: liderança técnica do time (Foto: AP)


Também são bem-vindos os jogadores experientes, acostumados a vencer, mas que mantenham a ambição por títulos.

- A melhor coisa é jogador que sabe jogar final. Que não treme. Que enfrenta a decisão – afirma Carvalho.

- Tem que ter jogador experiente. Se o time for muito jovem, dificilmente vai ganhar a Libertadores – aposta Fábio Santos.
6) Ter a cabeça no lugar

Luiz Felipe Scolari, campeão da Libertadores com Grêmio e Palmeiras, costumava dizer a Paulo Paixão, seu fiel escudeiro da preparação física: “Eu vou montar na cabeça de quem for expulso”. A competição mexe com os nervos dos atletas – é clássico o lance, na Libertadores de 2003, em que Geninho, técnico do Corinthians, grita “pega, pega” para o lateral Roger, na marcação de D’Alessandro, na época no River Plate, e ele acaba dando uma pancada no argentino e sendo expulso. Manter o time com 11 jogadores em campo é fundamental.

É um clichê da Libertadores atribuir derrotas brasileiras à catimba adversária - especialmente dos times da Argentina. Não é bem assim – perdemos, e não é raro, na bola mesmo. Mas as tentativas de desestabilização em campo são uma face da competição, e os atletas precisam estar preparados para lidar com provocações, ofensas e até alguma dose de violência.

- É diferente. No estadual, no Brasileiro, você convive sempre com o adversário. Tem amizade, cria aquele vínculo. Libertadores é outra coisa. Você acorda para enfrentar seu inimigo. Não quer cumprimentar adversário. Eles vêm na tua casa, ganham, tiram sarro na tua cara. Na Argentina, me chamavam de macaco na cara dura, de hijo de p***. Eu tomava catarrada na cara. Tomei muito pisão na mão – relata o ex-lateral Vítor.

O goleiro Victor viveu episódios de provocação até o último ato da Libertadores de 2013. Na disputa por pênaltis contra o Olimpia, valendo o título do torneio, o goleiro Martin Silva, hoje no Vasco, tentava desestabilizar o brasileiro tirando de dentro do gol um terço que ele deixava lá como proteção. Victor queria esgoelar o rival. Mas respirou fundo. Hoje, vê a calma em momentos de provocação como um dos pontos necessários em uma Libertadores.

- Como o jogo é mais pegado, a briga por espaço é mais intensa, acaba ficando mais violento. Tem que ficar ligado a esses detalhes. Tem muita catimba. Não pode entrar na provocação.
Atlético-mg, Victor, Libertadores (Foto: Alexandre Alliatti)Victor celebra título da Libertadores de 2013 depois de guerra psicológica com Martin Silva (Foto: Alexandre Alliatti)


Manter a calma, porém, não pode ser sinônimo de frieza excessiva. Libertadores é competição quente. Joga-se com a alma.

- Em Libertadores, o cara se transforma. Se ele não se transformar, é porque não está pronto para a Libertadores – resume Vítor.
7) Ser eficiente na bola aérea
Campos ruins e times longe do brilhantismo técnico fazem com que a bola aérea seja protagonista da Libertadores. É preciso saber jogar por cima. Zagueiros, volantes e atacantes altos são úteis. Muitas equipes farão a ligação direta, especialmente em momentos de desespero, e aí é necessário ter um time que saia bem do chão – o último brasileiro a ganhar a competição, o Atlético-MG de 2013, tinha uma dupla de zaga alta e muito eficiente na jogada aérea, com Leonardo Silva e Réver, e no ataque ainda contava com Jô.

- É preciso estar preparado para a bola aérea. Vai ter balão, vai ter choque, vai ter bola no segundo pau. Os times estrangeiros costumam explorar a fragilidade de nossos laterais – comenta Fernando Carvalho.
Nos mais recentes títulos brasileiros da Libertadores, só o Atlético-MG de 2013 teve média superior a um gol sofrido por jogo. O Corinthians, em 2012, só levou quatro gols ao longo de toda a competição
O goleiro do Galo também alerta para a bola parada. Em jogos truncados, pode ser um trunfo.

- É importante ter fatores como velocidade e bom passe. E também jogadores capazes de decidir em bola parada. Às vezes, você pega gramados com condições não tão boas, e aí a bola parada é decisiva. Você pode alcançar vitórias e evitar derrotas com isso.

Ter uma defesa sólida é outro ponto determinante. O Corinthians de 2012 foi campeão sendo vazado apenas quatro vezes. Dos seis títulos brasileiros mais recentes, só o Galo, em 2013, teve média superior a um gol sofrido por jogo.

- O time tem que ser muito fechado, muito compacto, principalmente quando superar a primeira etapa. Mata-mata se ganha com defesa compacta. Não pode tomar gol – ensina Carvalho.

Dentro disso, cabe lembrar que não deve haver constrangimento ao jogar por um empate fora de casa. Especialmente nas etapas eliminatórias, com saldo qualificado, não sofrer gols é tão importante quanto fazer.

- Tem que fazer o dever de casa. Em casa, tem que vencer. Fora, tem que conseguir bons resultados. Se não for possível vencer, o jeito é empatar – afirma Victor.
8) Ter uma logística eficiente
rogerio ceni são paulo voo (Foto: Carlos Augusto Ferrari)Voos diretos e escalas curtas facilitam a vida dos atletas no torneio (Foto: Carlos Augusto Ferrari)
A Libertadores tem dificuldades de sobra dentro de campo. O que os jogadores menos precisam é de mais problemas fora dele. Aí cabe à diretoria ser eficiente. Voos diretos (e fretados, de preferência), escalas curtas e chegada antecipada ao local do jogo são elementos que costumam agradar os atletas.

- É importante chegar ao país onde vamos jogar com dois dias de antecedência. A viagem costuma ser desgastante. Isso facilita para sentir o clima da cidade, conhecer o campo de jogo – aconselha Fábio Santos.

- Algumas viagens são muito longas. O clube precisa ter uma logística bem elaborada, uma estratégia bem planejada. Isso evita um desgaste que pode atrapalhar na partida. O ideal são voos diretos, ou com poucas escalas, escalas curtas. Às vezes, são sete, oito horas de viagem. É bom chegar com certa antecedência – concorda Victor.

Há jogos (na altitude, por exemplo) que exigem a concordância de diferentes grupos do clube. Se a equipe de preparação física sugere que o elenco chegue à cidade três dias antes do jogo ou horas antes de a bola rolar (alguns profissionais defendem que é a melhor forma de amenizar os efeitos climáticos), é preciso ter a anuência da diretoria (que arca com os custos), do treinador (que faz a programação das atividades) e das lideranças do grupo de jogadores.

- As viagens são mais longas e, por isso, precisam ser mais planejadas. Há adaptação com possíveis cidades que tenham altitude. Tudo tem de ser discutido com a fisiologia, o departamento médico. A logística tem de ser perfeita para não atrapalhar os jogadores. A campanha de uma Libertadores começa a ser construída nesses pequenos detalhes – explica Edu Gaspar.
9) Relacionar-se bem com a Conmebol
As diretorias têm outra missão: saber se inserir nos corredores da Conmebol. Ter força política na entidade que comanda a competição é determinante. Contando com uma linha direta com a cúpula da confederação, é possível ter ações de bastidores: pedir que determinado árbitro não seja escalado, tentar influenciar no local onde será disputada uma partida (em casos de adversário que tenham estádio muito acanhado), ter abertura para amenizar uma possível punição. O Inter, por exemplo, conseguiu ter na Conmebol uma influência que jamais teve na CBF. Na Libertadores de 2010, um fato escancarou isso: a tabela indicava que o primeiro jogo colorado seria contra o Deportivo Quito, na altitude. Do nada, a entidade soltou uma comunicado informando que a ordem dos jogos estava modificada - e os gaúchos estreariam em Guaiaquil, sem altitude, diante do Emelec.

- É sempre aconselhável ter uma boa relação com a Conmebol. Aí pode pedir coisas como não colocar um juiz colombiano em um jogo contra um time equatoriano. Naquela região, eles se protegem. Não é escolher o árbitro: é tentar fazer com que determinado árbitro não seja usado para evitar problemas – diz Carvalho.
10) Evitar erros
O último tópico remete aos nove anteriores: todas as competições são vencidas ao se minimizar o máximo possível a quantidade de erros, mas na Libertadores é mais ainda. São muitos detalhes (de montagem de elenco, de logística, de preparo mental, de estratégia de jogo) que precisam ser tratados com atenção total. Qualquer falha pode ser decisiva. Qualquer desatenção pode representar a eliminação.

- Erros são fatais, mais do que em campeonatos de pontos corridos – lembra Tite.

- Libertadores é um campeonato que permite que se erre muito pouco. Não pode errar, principalmente no mata-mata – concorda Victor.
*Colaborou Diego Ribeiro.

The Strongest posta charge e provoca Inter sobre altitude: "Faltará oxigênio"

Clube boliviano publicou charge em sua página do Facebook mostrando como receberá os colorados para o jogo de terça-feira no Estádio Hernando Siles

Por La Paz
A temida altitude de La Paz virou charge na página do Facebook do Strongest às vésperas da partida contra o Inter na estreia pela fase de grupos da Libertadores. O adversário colorado, dono da casa, ironizou ao publicar que estão todos prontos para receber o visitante da noite de terça-feira: No Estádio Hernando Siles, aguardam Diego Aguirre e seus comandados uma boia salva-vidas, um tubo de oxigênio e um tigre faminto.
The Strongest Inter Libertadores (Foto: Reprodução)The Strongest brincou com o temor do Inter pela altitude (Foto: Reprodução/Facebook)

Na charge, o tigre, mascote da equipe, aparece em cima de um morro - em alusão aos 3.660m acima do nível do mar de La Paz - babando. Ao lado estão o tubo de oxigênio - em razão da dificuldade de respirar na altitude - e uma boia - para o caso de o gramado do estádio alagar se chover. Abaixo do morro, há uma caricatura de D'Alessandro com semblante assustado. A seguinte frase estampa a ilustração:
- Tudo pronto para receber os amigos do Internacional, do Brasil: um tigre faminto, um salva-vidas caso chova (já conhecemos a drenagem em El Siles), e o oxigênio, que irão necessitar a partir do segundo minuto!!

As declarações sobre os problemas na altitude têm sido recorrentes entre os colorados. O técnico Diego Aguirre disse que atuar no altiplano faz o jogo ser "anormal". Fabrício lembrou do embate com o mesmo rival no torneio em 2012, quando ele e Gilberto sofreram com os efeitos da altitude. À época, o Inter empatou em 1 a 1 com o Strongest.
O Inter viajou nesta segunda-feira para a Bolívia. Para amenizar os efeitos da altitude, ficará em Santa Cruz de la Sierra. A delegação só fará o deslocamento até La Paz horas antes do confronto. A partida com o Strongest começa às 22h30 de terça, no horário brasileiro.

Ferj supera times na arrecadação com bilheteria; Bota e Vasco no vermelho

Mesmo com melhora na média de público, clubes gastam mais do que recebem
para realizar os jogos do Carioca. Flamengo é a única equipe com lucro concreto

Por Rio de Janeiro
Com quatro rodadas, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (Ferj) festeja o aumento de público do Campeonato Carioca em relação à edição do ano passado. Em termos financeiros, a situação é ainda melhor para a entidade. Afinal, ao contabilizar apenas taxas de bilheteria, a entidade já lucrou R$ 244.841 com os 32 jogos disputados. Ninguém fez tanto dinheiro com a venda de ingressos no estadual. O clube que chegou mais perto disso foi o Flamengo, time de maior público nos estádios. Com as despesas descontadas, os cofres rubro-negros receberam R$ 68.206,56 de bilheteria. Os números são baseados nos borderôs das partidas e não levam em consideração as cotas de transmissão.
Flamengo x Barra Mansa (Foto: André Durão / Globoesporte.com)Flamengo x Barra Mansa recebeu 13.235 pagantes, superado apenas por Fluminense x Bangu, com 13.496 (André Durão)

Os rivais não chegam perto desse valor e, inclusive, têm fechado no vermelho. A exceção é o Fluminense, com saldo positivo de modestos R$ 2.029,48. O Botafogo só não ficou no prejuízo em uma partida (na vitória sobre o Bonsucesso, que levou 9.562 pagantes ao Engenhão pela terceira rodada) e tem saldo negativo de R$ 24.406,17. A situação do Vasco é pior: são R$ 74.923,82 em prejuízo com bilheterias.
A matemática das bilheterias não tem muito mistério. A Ferj leva geralmente 10% da renda bruta das partidas e sai sempre no lucro. Os clubes, em contrapartida, têm que arcar com delegado, carro forte, taxa de iluminação, posto médico, INSS, taxa de bombeiro, antidoping... As despesas de um jogo profissional são inúmeras e caem na conta dos clubes. Ou seja, se a casa não estiver cheia, o prejuízo é provável, e, com exceção do Flamengo, essa é a realidade dos participantes.
Tabela borderôs Campeonato Carioca (Foto: Divulgação / Ferj)
O presidente da Ferj, Rubens Lopes, observa a situação de uma maneira diferente e lembra que os clubes possuem outras receitas. Fora direitos de transmissão – e bilheteria –, ele alega que os clubes ganham também, por exemplo, com estacionamento e bares.
– Os clubes também não perdem. Não é verdade que têm prejuízo em jogos. Prejuízo é quando a despesa é maior que a receita. As receitas ligadas ao evento são aquelas que não existiriam se não houvesse evento. Direito de TV, camarote, bar, estacionamento... Se dependesse só de bilheteria, nenhum evento aconteceria. O Rock in Rio não aconteceria. Então, todas as receitas têm que ser colocadas no borderô. No Maracanã, 50% das despesas são com o estádio. Então, não é a taxa da Federação o problema. E quem aprovou este modelo foram os clubes – disse Rubinho em entrevista ao jornal "O Globo" publicada neste domingo.
Na mesma entrevista, Rubens Lopes se defende ao justificar que outras federações também cobram taxas da renda das partidas. E ele garante que o dinheiro é repassado de volta aos clubes (assim como os 5% da Previdência Social – outra taxa descontada da renda dos jogos). Além disso, explica o que é feito com a parte que entra nos cofres da Ferj.
– O valor não é tão significativo. Não dá para subsidiar todas as competições, ajudar todos os clubes. Está tudo no balanço. Temos despesas de patrimônio, como a sede. Tem despesa de pessoal, imposto, débitos passados e aplicamos no fomento do futebol. Subsidiamos torneios amadores, campeonatos de ligas municipais, damos premiações, troféus, medalhas, material esportivo. Na Série C, por exemplo, a Federação não ganha nada. E subsidia. Deixamos os clubes pagarem em 60 vezes – completa o cartola, dizendo ainda que a taxa impacta em apenas 1% nas despesas dos clubes.
Torcida engenhão Botafogo x Bonsucesso (Foto: Vitor Silva / SSPress)Torcida engenhão Botafogo x Bonsucesso (Foto: Vitor Silva / SSPress)

O que sobra da conta do borderô é fatiado entre as duas equipes, exceto em jogos entre pequenos, quando o mandante leva toda a renda do jogo (ou arca sozinho com o prejuízo). Em duelos que há presença de um grande, a divisão é feita da seguinte forma: 60% dos lucros para o vencedor e 40% para o perdedor, com os valores se invertendo em caso de prejuízo. Em caso de empate, fica 50% para cada. Assim, em partidas deficitárias, os grandes têm prejuízo dentro e fora de casa, enquanto os pequenos só perdem dinheiro nas vezes em que são mandantes – ainda assim, dividem a receita negativa quando recebem os quatro gigantes.
No caso dos jogos entre pequenos, a situação não é diferente. Com estádios vazios no subúrbio carioca e no interior do estado, o normal é ver partidas fechando no vermelho. Uma das poucas exceções foi o clássico do Sul Fluminense entre Barra Mansa e Volta Redonda, que levou 7.090 pessoas ao Raulino de Oliveira na primeira rodada (o Barra Mansa faturou R$ 19.898,44 por ser mandante, e o Voltaço, vencedor da partida, ficou sem nada).
Tudo azul: Ferj celebra aumento de público
Tudo isso após uma polêmica da Ferj com Flamengo e Fluminense em razão de preço dos ingressos. Terminada a terceira rodada, a entidade, que voltou atrás na medida de colocar os valores promocionais, celebrou o aumento da média de público em relação ao ano passado, através de uma nota publicada em seu site oficial na terça-feira. Em 2014, a média de pagantes neste início era de 2.706 pessoas; agora é de 3.635. Faltou dizer que as partidas são deficitárias.
É importante lembrar que os números são baseados nos borderôs das partidas, que em casos de jogos com pouco público são maquiados. O artigo 11 do regulamento obriga os times de menor investimento a lançarem 25% da capacidade liberada pelo Corpo de Bombeiros como ingressos utilizados. Ou seja: em confrontos com público inferior a esse "piso", o público pagante fornecido nos borderôs pode não corresponder ao número de torcedores que de fato comprou os ingressos – e o mandante fica sujeito a prejuízo. Uma espécie de "doping" para a estatísticas do Carioca.
"§ 1º - Nas partidas em que não envolvam qualquer dos clubes grandes (Fluminense, Botafogo, Flamengo e Vasco), 25% da capacidade de público do estádio liberada pelo CBMERJ terão os ingressos contabilizados como utilizados, tomando-se como base de cálculo o valor de uma arquibancada inteira, podendo o clube dispor dos mesmos da forma como lhe convier, preferencialmente destinados a fins sociais".

Livio Oricchio: F-1 decide futuro em importante reunião nesta terça-feira

Comissão por equipes, FIA, FOM, patrocinadores, fornecedores e promotores avalia introdução de motores de 1000cv e pneus mais largos. Impacto financeiro preocupa

Por Nice, França
Livio Oricchio - Especialista GloboEsporte.com (Foto: GloboEsporte.com)
Enquanto muitos brasileiros vão estar lamentando o fim do Carnaval, nesta terça-feira, o destino da Fórmula 1 estará sendo definido na ultraimportante reunião da Comissão de F-1, em Genebra, Suíça. Dia 5 de fevereiro, em Paris, o Grupo de Estratégia (Strategy Group) decidiu aprovar as modificações sugeridas por personagens de peso do espetáculo, como Bernie Ecclestone, promotor do Mundial, dentre elas a adoção de motores de 1.000 cavalos de potência e pneus mais largos. Dependendo do que acontecer no encontro da Comissão de F-1, a competição será bem diferente. Já em 2016.
Fórmula 1 - GP da Austrália 1987 (Foto: Getty images)Fórmula 1 na década de 1980. Época de pneus largos e carros mais potentes (Foto: Getty images)


A queda nos índices de audiência na TV, a redução do público nos autódromos e estudos que mostram que o interesse dos jovens pela F-1 é, hoje, muito menor do que até pouco tempo atrás geraram, como não poderia deixar de ser, inquietação nos seus dirigentes. Algumas propostas começaram a surgir para tentar tornar a categoria um show mais atrativo, essencialmente estar de acordo com o que o fã mais gostaria de ver: carros realmente velozes, de elevada potência, mais largos, capazes de provocar imenso ruído, pneus grandes, como já foram no passado e faziam dos seus pilotos verdadeiros heróis.
Os torcedores vibravam quando viam, nas arquibancadas ou na TV, os pilotos deixarem os boxes, nas sessões de classificação, com pneus especiais para uma volta, apenas, e motores sem limite de pressão no turbo, garantido-lhes, como no caso da Lotus-Renault de Ayrton Senna, em 1986, nada menos de 1.200 cavalos de potência. Dominar um conjunto desses era para bem poucos seres humanos, dai tanta idolatria.
Massa e o público na final da stock car, em Curitiba (Foto: Duda Bairros / Divulgação)Para Massa, atualmente é fácil para chegarem ao limite dos carros (Foto: Duda Bairros / Divulgação)
Limite dos carros muito baixo
Na F1 moderna, os próprios pilotos reconhecem que o desafio é menor do que já foi para eles mesmos, há alguns anos. “Sim, ficou mais fácil pilotar. Nos tornamos mais lentos e fisicamente o que enfrentamos hoje é nada comparado com as exigências de 2003, 2004, 2005, com os motores de 3,0 litros e V-10”, afirma o bicampeão Fernando Alonso, com 234 Gps de experiência, este ano na McLaren-Honda. Felipe Massa, da Williams, com 210 Gps, diz: “O limite dos carros abaixou. Mais pilotos chegam nele mais fácil, agora”.
Ecclestone, Jean Todt, presidente da FIA, Maurizio Arrivabene, diretor geral da Ferrari, Niki Lauda, ex-piloto, três vezes campeão do mundo e hoje sócio e diretor da equipe Mercedes, dentre tantos outros profissionais, acreditam que se a F-1 voltar a ser uma competição esportiva onde apenas os superdotados de fato vencem, não só tecnicamente, mas também na coragem, o público voltará a se interessar mais, como antes. A data limite para ter tudo aprovado com o objetivo de implantar as novas medidas em 2016 é 1.º de março.
Opinião da maioria
O Grupo de Estratégia aceitou rever o regulamento da F-1. É importante saber quem participa do Grupo de Estratégia, a fim de entender como foi representativa a decisão de mudar o show. A Formula One Management (FOM), de Ecclestone, tem seis votos, a FIA, de Todt, mais seis. Outros seis votos cabem às equipes Ferrari, McLaren, Mercedes, Red Bull e Williams. O sexto voto dos times vem daquele que se classificou fora dos quatro primeiros e não é nenhum dos cinco com direito a voto. No caso, este ano, é a Force India. Importante: a Ferrari tem direito a veto no Grupo.
Para o Grupo de Estratégia aprovar uma proposta basta maioria simples, dentre os 24 que votam. O projeto de mudar a F-1 em 2016 e 2017 vai passar hoje por novo processo de votação, agora na Comissão de F-1. Entre os dias 5 de fevereiro e hoje, ou seja, entre uma reunião e outra, os representantes das equipes ficaram de estudar com seus técnicos o que pode ser feito para que as diretrizes da nova F-1 sejam adotadas na prática.
Já se sabe, por exemplo, que uma das ideias que será apresentada é o aumento do fluxo de combustível das unidades motrizes. “Elevando dos 100 quilos por hora de hoje para 120 quilos deveremos ganhar cerca de 160 cavalos de potência”, disse Mattia Binotto, da Ferrari. De quinta-feira a domingo as nove escuderias da F-1 vão estar no Circuito da Catalunha, em Barcelona, para a segunda série de testes da pré-temporada. Com certeza haverá muitas discussões a respeito dessa nova transformação da F-1.
Até dia 1.º de março tudo terá de estar esclarecido. Se passar da data, o pacote de mudanças ficará para 2017. Pela complexidade do tema e diante das dificuldades de conciliar os interesses das equipes grandes de pequenas, a tendência é de a maior parte das novas medidas ser adota apenas em 2017.

Resultado tem representatividade
Os integrantes da Comissão de F-1 representam bem mais segmentos do espetáculo que o Grupo de Estratégia. Para começar, todos os times têm direito a voto. Portanto, nesse momento, são nove. A Marussia, ou agora Manor, apresentou proposta de iniciar a temporada com o modelo do ano passado para depois, a partir do GP de Bahrein, competir com o carro de 2015. O pedido foi negado. Seus proprietários tentam outra saída. Hoje são nove votos das escuderias: Mercedes, RBR, Williams, Ferrari, McLaren, Force India, STR, Lotus e Sauber.
A FOM tem um voto, somente, na Comissão de F-1, o de Ecclestone, como a FIA apenas o de Todt. Os patrocinadores votam, dois deles. No caso, agora, serão Philip Morris e Rolex. Os fornecedores de componentes para a F-1 também têm dois representantes. Um deles está definido, será o voto da Pirelli, e o outro, o de um fabricante de unidade motriz. O escolhido ainda não é público, mas acredita-se que seja a Mercedes.
Com aperto de mão, Bernie Ecclestone e Jean Todt selam acordo para implementação de novo Pacto da Concórdia (Foto: Getty Images)FOM, de Bernie Ecclestone, e FIA, de Jean Todt, têm um voto cada na Comissão da F-1 (Foto: Getty Images)


Por fim, os promotores de GP também se manifestam no que consideram melhor para a F-1. Oito deles têm voto na Comissão de F-1: quatro da Europa e quatro de fora da Europa. Eles são indicados pela FOM, com quem mantêm seus contratos. O Brasil tradicionalmente faz parte dos encontros da Comissão de F-1, com o promotor da corrida de Interlagos, Tamas Rohonyi. O GloboEsporte.com tentou conversar com o húngaro naturalizado brasileiro, à frente do GP do Brasil desde 1980. Mas sua assessoria informou que a orientação da Comissão de F-1 é para não conceder entrevistas antes das reuniões. Sua posição, no entanto, não é nem um pouco difícil de conhecer. Ele é indicado pela FOM e, com certeza, seguirá o voto de Ecclestone, na maioria das vezes de interesse para a F-1, como a história do evento bem demonstra.
No total, portanto, 23 representantes votam na Comissão de F-1. A saber: 9 votos provenientes dos times, 1 da FOM, 1 da FIA, 2 dos patrocinadores, 2 dos fornecedores e de 8 promotores de GP dentre os 20 existentes hoje. Às vezes há pequenas alterações nesse colégio eleitoral.
Importante: para um projeto ser aprovado, é preciso ter 70% dos votos. Como na reunião de hoje, a princípio, haverá 23 votos, 70% representariam 16,1 votos. Arredondando para o próximo número inteiro, serão necessários 17 votos para a F-1 mudar bastante no ano que vem e um pouco mais em 2017.
Como parece haver quase um consenso de que esse deve ser o melhor caminho a ser seguido para a F-1 ganhar mais fãs e reconquistar os que perdeu, há uma tendência bem grande de a Comissão de F-1 ratificar a decisão do Grupo de Estratégia.
Depois, o pacote de revisão conceitual do espetáculo aprovado pela Comissão de F-1 terá de ser homologado na próxima reunião do Conselho Mundial da FIA, provavelmente no fim de março, também em Genebra. Em casos como o da agora esperada mudança das regras da F-1, a passagem do projeto pelo Conselho é quase uma formalidade, pois quem vota lá são o presidente da FIA, o presidente da secção de esportes da entidade, os sete vice-presidentes, 14 membros titulares e 4 por direito. Quase todos homens de confiança do presidente da FIA. E Todt já se manifestou publicamente a favor da revisão da F-1.

Quem paga a conta?
A aceitação política das mudanças, contudo, não as garante. Há um elemento nessa história tão decisivo quanto a necessidade de aproximar a F-1 do público: o custo de alterar o que está aí. A F-1 de 2014 e 2015 já exigiu investimentos expressivos, numa época da economia mundial que levou personagens do evento questionarem o momento da alteração.
Apenas cinco times teriam condições de passar ilesos por outra revolução radical como a estudada agora, logo em seguida à contundente introdução da tecnologia das unidades híbridas, em 2014: Mercedes, RBR, STR, Ferrari e McLaren. Até a Williams teria dificuldades financeiras para começar quase tudo do zero novamente, em tão pouco tempo.
Force India pega estrada para testes de Barcelona (Foto: Reprodução)Equipes em dificuldades financeiras como Force India poderão sofrer mais com novas mudanças (Foto: Reprodução)


Os demais, Force India, Lotus e Sauber, muito provavelmente não teriam como seguir adiante na F-1, ao menos em condições normais. Se já são devedores hoje, a ponto de a Force India não ter componentes para finalizar o carro deste ano, por falta de pagamento, como seria tendo de investir uma fortuna para projetar e construir algo completamente novo?
A introdução dos motores com 1.000 cavalos de potência implica rever o regulamento como um todo, notadamente o que rege a aerodinâmica. Potência sem controle é nada, diz o ditado da F-1.

Apenas aumentar a potência é perigoso
A última vez que a F-1 cortou uma série de recursos dos carros, em especial os controles eletrônicos, como a suspensão ativa, reduzindo a geração de pressão aerodinâmica sem diminuir, ao mesmo tempo, a potência, em 1994, o resultado foi trágico. As duas mortes no GP de San Marino naquela temporada, de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger, podem e devem ser associadas a essa mudança.
Ayrton Senna momentos antes da largada do GP de San Marino de 1994: angústia e preocupação (Foto: Getty Images)Mudanças precipitadas custaram vidas de Senna e Ratzenberger em 1994 (Foto: Getty Images)


O novo projeto prevê aumento significativo da potência. As restrições existentes, este ano, para a geração de pressão aerodinâmica terão de ser bem menos severas em 2016. As necessidades de refrigeração desses motores são maiores, daí as tomadas de ar precisarem ser ampliadas. E isso muda tudo. Os ensinamentos aerodinâmicos do ano passado e os adquiridos nesta temporada servirão pouco para 2016.
O uso dos pneus largos, desde já apoiado pela Pirelli, da mesma forma significa reestudar o conjunto aerodinâmico, outra distribuição de peso, o desenho de suspensões, redimensionar os freios, enfim, os engenheiros terão imenso desafio e trabalho pela frente. Ao mesmo tempo em que se dedicam aos carros da temporada que sequer começou. E tudo isso custa muito dinheiro. Dinheiro que a F-1 não tem.
A torcida provavelmente vai adorar se esse for mesmo o rumo da F-1, carros rapidíssimos e cujo controle só será possível para bem menos pilotos do que hoje, ao menos no seu nível máximo. Mas, ao mesmo tempo, não adiantará nada a F-1 produzir esses monopostos fantásticos, mas apenas cinco equipes alinharem seus carros para disputar o campeonato.
É preciso pensar num espetáculo distinto, mais emocionante, como todos desejam, mas ao mesmo tempo na possibilidade de a maioria dos atores entrar em cena. Sem os coadjuvantes os protagonistas não conseguem realizar o show. O que mais se espera da Comissão de F-1, hoje, não é a aprovação do projeto de levar o torcedor a contar os dias que faltam para o próximo GP, mas principalmente como realizá-lo.
Será imprescindível a Comissão de F-1 criar mecanismos para Force India, Lotus e Sauber disporem de mais recursos financeiros a fim de disputar o campeonato que vai começar dia 15 de março, na Austrália, e ao mesmo tempo investir nos estudos e construção dos modelos de 2016, profundamente distintos dos atuais, novamente.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Marlon Moraes vence adversário invicto e mantém cinturão do WSOF

Lutador brasileiro derrotou Josh Hill na decisão unânime dos jurados e segue dono do título do peso-galo. Canadense perde pela primeira vez em sua carreira no MMA

Por Alberta, CAN
Marlon MMA (Foto: divulgação WSOF)Marlon acerta chute na linha de cintura de Josh Hill (Foto: divulgação WSOF)
Marlon Moraes defendeu - com sucesso - o cinturão do peso-galo do WSOF, na noite de quinta-feira, em Alberta, no Canadá. O brasileiro derrotou Josh Hill por decisão unânime dos jurados (49-46, 49-46, 49-46) e segue com o título da categoria.

O brasileiro sofreu sérios danos no nariz ao ser golpeado por Hill, no primeiro round. Entretanto, nas etapas seguintes, assumiu o controle do combate, imprimiu as ações e, no fim, foi aclamado vitorioso por unanimidade. 
No cage, o atleta de Nova Friburgo (RJ) elogiou o adversário, que vendeu caro a derrota por pontos.

- Eu não estava esperando tudo isso do Josh, mas ele é muito duro. Ele bate forte, mas, eu sou o campeão e estou aqui para ser testado. Acho que ganhei hoje (quinta-feira). Meu nariz quebrou no round inicial, porém, mostrei coração. Essa luta me levará ao topo - afirmou.

Invicto em sete lutas pelo WSOF, Marlon soma 14 vitórias, quatro derrotas e um empate em sua carreira profissional no MMA, iniciada em 2007. Hill, que jamais havia perdido, experimentou o dissabor do revés pela primeira vez.

Após estrear entre os meio-médios, Ben Henderson pode voltar aos leves

Lutador ainda não sabe se permanecerá na nova divisão, mas tem o apoio do presidente do UFC, Dana White, se decidir ficar: "Ele foi sensacional!", disse chefão

Por Las Vegas
 Benson Henderson consegue vitória sobre Brandon Thatch (Foto: Getty Images)Ben Henderson finalizou Brandon Thatch com um mata-leão (Foto: Getty Images)
Ben Henderson estreou no peso-meio-médio na madrugada deste domingo contra Brandon Thatch, depois de aceitar de última hora substituir Stephen Thomson na luta principal do UFC em Broomfield, nos EUA. Vindo de duas derrotas seguidas, o ex-campeão dos leves conseguiu uma bela finalização por mata-leão contra um adversário 13 cm mais alto e mais forte. Ainda no calor da comemoração, "Smooth" desafiou Rory MacDonald dentro do octógono, dando a entender que pretendia continuar na divisão.
Na coletiva de imprensa pós-evento, no entanto, o lutador deixou em aberto se vai mesmo permanecer entre os meio-médios:
- Ainda não sei o que vou fazer agora. Normalmente, quando o chefe aqui diz que devemos lutar contra um cara, ou dizemos sim ou pensamos um pouco e dizemos sim. Acho que consigo me manter com 81 kg para descer para 77 kg com tranquilidade. Dessa vez, eu aceitei essa luta com duas semanas de antecedência, mas se ficasse mais alguns dias naquele ritmo de perda de peso, eu acho que teria problemas - declarou.
Questionado sobre o desafio de Bendo a MacDonald ainda dentro do octógono, o presidente do UFC, Dana White, preferiu deixar claro que esse não será o próximo passo do ex-peso-leve na categoria:
- Rory já tem uma luta, e não é contra Ben Henderson. Só não posso dizer qual é, porque ainda não foi anunciada oficialmente.
Dana também aproveitou para elogiar o desempenho de "Smooth" na nova divisão:

- Ben enfrentou um cara bem maior que ele, e foi sensacional. Não sou um grande fã de que lutadores menores subam de categoria, mas como eu poderia dizer não a ele? E, olhando por outro lado, Thatch veio para lutar e encarou um veterano, ex-campeão mundial, e foi muito bem. Ele tem um queixo bem duro e é muito rápido para alguém do seu tamanho. Foi uma grande luta, e os dois se apresentaram muito bem. Ben recebeu golpes bem duros e foi espetacular. Se ele quiser ficar entre os meio-médios, por mim tudo bem - finalizou