segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Cigano: 'Acho que o Velásquez não colocou um ponto final nessa história'

Após três lutas, com duas derrotas e uma vitória, acha improvável descer
de categoria e quer seguir nos pesados mesmo com domínio do americano

Por Rio de Janeiro
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A trilogia entre Junior Cigano e Cain Velásquez não foi como o brasileiro esperava. Assim como aconteceu no segundo duelo entre eles, o americano impôs o seu jogo de wrestling e clinch e assim dominou praticamente todos os cinco rounds, conquistando o nocaute técnico no último período. O dia 19 de outubro, em Las Vegas (EUA), para muitos significou o desfecho de uma história entre os lutadores que vêm dominando o peso-pesado do Ultimate desde outubro de 2010. Entretanto, para Cigano o UFC 166 não foi o capítulo final desta história.
Cain Velasquez x Junior cigano Dos Santos ufc 166 (Foto: Reuters)Junior Cigano aplaude anúncio de Cain Velásquez como vencedor do duelo (Foto: Reuters)
Em entrevista ao Combate.com, o brasileiro contou sobre os dias que se passaram depois do evento. Considerou positiva a reação do público desde que chegou ao país e declarou que pretende seguir nos pesados para disputar mais uma vez o cinturão. Mesmo se for Velásquez o dono do título. Descer de categoria não está nos planos.
- Para mim, com certeza o Velásquez foi melhor em tudo, foi superior, venceu a luta, está de parabéns, mas acredito que ele não colocou um ponto final nessa história. Acho que ainda tenho muitas chances de tirar esse cinturão dele - disse Cigano por telefone.
O ex-campeão dos pesados também deu o seu palpite sobre a próxima disputa do cinturão da categoria, novamente com um brasileiro em ação. Fabrício Werdum terá a chance de enfrentar Cain Velásquez, e Cigano acredita que o compatriota tem boas chances. Confira a entrevista completa:
COMBATE.COM: Cerca de um mês e meio depois do UFC 166, como está o seu dia a dia? Já voltou aos treinos?
Junior Cigano:  O dia a dia está bastante corrido, resolvendo alguns assuntos do dia a dia. Não voltei a treinar de fato ainda, mas sempre que posso faço alguma coisinha para suar, para não ficar completamente parado. Mas aos treinos mesmo eu não voltei ainda, principalmente pelo médico ter pedido isso. Pediu para ficar quietinho por um tempo, até para dar uma zerada. Porque eu nunca fico parado, sempre volto a treinar dez ou 15 dias depois da luta. Então ele pediu para dar essa zerada e poder voltar com tudo.
Cigano e Cain Velasquez UFC 166 (Foto: Getty Images)Junior Cigano com o rosto bastante machucado
durante o UFC 166 (Foto: Getty Images)
E houve alguma lesão específica depois da luta ou esse tempo parado é mais precaução mesmo?
É mais precaução mesmo pelo fato de ter sido uma luta bem dura, pela quantidade de socos que absorvi e coisas assim. E lá no fim também bati a cabeça no chão na defesa que o Velásquez fez daquele triângulo de mão. Bati a cabeça no chão e ficou uma dorzinha.
Você já conseguiu assistir à luta, mesmo tendo perdido?
Já assisti várias vezes (risos). E eu me irrito comigo mesmo porque... A estratégia que o Velásquez trouxe para a luta foi bem inteligente, mas acontece que foi uma estratégia que sabíamos que ele ia usar. E nós acabamos cometendo os mesmos erros que cometemos na luta anterior, que ele ganhou também. A minha estratégia era e sempre foi buscar o nocaute o tempo todo, impor o meu jogo, que é a parte em pé, usar o meu boxe, mas contra o Velásquez realmente ficou mais claro para mim que isso não é o suficiente e nem o coloca em perigo nenhum. Ele aprendeu na primeira luta, quando foi nocauteado, e não me deu mais chances. Foi uma excelente estratégia. Acho que ele foi muito melhor, mas no todo o que fez a diferença foi ele ter lutado com inteligência, com tudo que precisava fazer na luta.
Você citou o triângulo de mão do quinto round, e o Josh Barnett (lutador do UFC) fez uma análise sobre golpe dizendo que o Cain Velásquez ficou sob risco com o estrangulamento. Você sentiu que dava para vencer naquele momento?
Dava com certeza. É um golpe que eu faço muito bem, e do jeito que encaixou foi perfeito. Do jeito que estava, com ele dominando a luta, e de repente encaixo um golpe daquele, para mim foi uma luz no fim do túnel. Mas o que surpreendeu muito foi a defesa do Velásquez, que foi inesperada. Ele se jogou de costas no chão, o que fez eu bater a cabeça direto no chão também e dei uma apagada ali. Aquela defesa, como é que posso dizer... foi completamente estranha, eu nunca tinha visto. Ele defendeu se jogando no chão, bati a cabeça e não consegui segurar a posição. Sou muito bom naquela posição e... Ele estava com sorte. Era para ser do Velásquez. Se fica mais um pouquinho ali ele batia.
E como foi o encontro com o público desde chegou ao Brasil? Recebeu mais carinho desta vez do que na luta anterior, quando as críticas foram pesadas?
Mesmo as críticas das pessoas que falam de mim, que falam para mim, sempre são legais. Muitas vezes até escuto, tento entender o ponto de vista do fã. É tudo muito positivo. O carinho que tenho dos fãs tem me dado uma força muito grande e faz me deixar mais bem preparado e buscar mais conhecimento dentro do mundo da luta para me tornar um profissional mais completo.
Para mim é impossível (baixar de categoria). Teria que tirar mais ou menos 17kg, 18kg. Não tenho tanto peso assim para tirar, sou um peso-pesado natural"
Junior Cigano
Você e o Velásquez já se enfrentaram três vezes. Como fica o seu futuro no UFC caso ele continue campeão por muito tempo? Acredita que é possível um quarto duelo em dois anos, por exemplo?
Acredito sim. Meu objetivo sempre foi e vai continuar sendo ser o número 1. Então eu vou continuar trabalhando para isso. Independentemente do que o Velásquez faça, dos resultados dele, eu vou trabalhar os meus resultados positivos e tenho certeza que em breve eu vou ter essa oportunidade de novo de lutar pelo cinturão, seja ele o campeão ou não. Este é o meu objetivo e é para isso que estou trabalhando.
Se você emendar uma sequência de vitórias e não te derem uma disputa de título, você pode descer de categoria? Já pensou nessa possibilidade?
Não, porque para mim é impossível. Teria que tirar mais ou menos 17kg, 18kg. Não tenho tanto peso assim para tirar, sou um peso-pesado natural. Para mim, com certeza o Velásquez foi melhor em tudo, foi superior, venceu a luta, está de parabéns, mas acredito que ele não colocou um ponto final nessa história. Acho que ainda tenho muitas chances de tirar esse cinturão dele. Vamos ver. Conforme a categoria for andando, vou deixar para pensar nisso no futuro.
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Acha que seu adversário pode sair da luta entre Josh Barnett e Travis Bowne (ambos se enfrentam no dia 28 de dezembro, no UFC 168)?
Acredito que pode ser sim. A categoria dos pesados está vivendo um momento muito bom e tenho certeza que bons adversários vão aparecer, como esses que você falou, e tem muitos outros também. E independentemente de eu ter perdido a luta para o Velásquez, eu ainda sou o número 1 do ranking nos pesos-pesados. Ou seja, quero continuar lutando com os melhores, assim como foi com o Velásquez. Infelizmente, acabei perdendo, mas quero continuar trabalhando para vencer na próxima.
Cain Velasquez x Junior cigano Dos Santos ufc 166 (Foto: Getty Images)Cain Velasquez pressiona Junior Cigano contra a grade (Foto: Getty Images)
O próximo desafiante é o Fabrício Werdum. Como você acha que a luta contra o Cain Velásquez vai se desenrolar? Acha que o campeão vai usar a mesma estratégia que usou contra você?
Acredito que sim, até porque o Werdum é muito bom de jiu-jítsu, e por isso acho que o Velásquez não vai querer simplesmente derrubá-lo ali e ficar no chão. Ele vai querer ficar naquela luta agarrada, batendo na grade, usando a parte em pé dele, que está bastante completa também. Sobre o Werdum, acho que tem grandes chances. Não só pelo jiu-jítsu que ele tem. A dica que eu dou é que esteja preparado para lutar em todos os lados, em qualquer área, tanto em pé quanto no chão. O Werdum tem que priorizar o que a luta oferecer. Não pode só querer fazer o chão ou só fazer a parte em pé. Tem que estar pronto para tudo o que aparecer, pois o Velásquez é um cara versátil e tem que ser versátil também para poder competir com ele.
A próxima edição do TUF Brasil poderá contar com a participação de pesos-pesados. Você acredita que o Brasil tem bons lutadores na sua categoria para chegar ao UFC e fazer frente aos principais nomes do mundo?
Acho que sim, tem caras bons no Brasil. Com uma oportunidade dessas que o TUF está oferecendo, esses caras vão ter espaço, vão aparecer. A vida é feita de oportunidades, e o brasileiro é bom. Então eles têm que agarrar essas oportunidades quando elas aparecem.

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